quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CONVENÇÃO DAS BRUXAS

NOTA 9,0

Anjelica Huston brilha como a
bruxa-mor que quer exterminar as
crianças neste clássico divertido e
nostálgico que envelhece em boa forma
Dia 31 de outubro festejamos o Halloween, ou melhor, tentamos curtir a data o mais próximo possível do estilo americano, principalmente as crianças e jovens, porém, ficamos nas baladas à fantasia e só. Não temos a tradição de sair por ai pedindo doces, esculpir rostos medonhos em grandes morangas e tampouco temos um personagem característico para representar a época em terras brasileiras. O jeito é recorrer às influências dos ianques e nesse quesito Hollywood é uma fonte riquíssima de inspiração. Hoje não é tão frequente, mas em um passado não muito distante o filme Convenção das Bruxas era uma das vedetes das sessões da tarde na TV e um coringa para ser exibido no Dia das Bruxas. O longa é uma envolvente mistura de suspense, aventura, comédia e fantasia que faz parte das lembranças da infância de muito marmanjo. O filme começa com um tom sombrio de atiçar a curiosidade de qualquer guri. Helga (Mai Zetterling) gosta muito de contar a seu neto Luke (Jasen Fisher) histórias sobre bruxas, o que contraria as ordens dos pais do garoto. Certa noite ela lhe conta que uma menina que conheceu quando criança sumiu misteriosamente quando ia fazer compras, mas a própria começou a aparecer depois em um quadro na sala de sua família e tal imagem ia se desenvolvendo como uma garota real até o dia em que desapareceu de vez. Essa introdução extremamente eficiente não tem desdobramentos ao longo da narrativa, existe apenas uma rápida menção ao episódio mais adiante, porém, nada que estrague a produção. Prosseguindo, a avó ensina o garoto todos os truques que as bruxas utilizam para se manterem vivas por tanto tempo e seus planos para atrair as crianças, estas que para elas tem cheiro parecido ao das fezes de cachorros e devem ser exterminadas. Diabolicamente perversas, elas aparentemente são mulheres comuns, mas suas reais e horrendas feições são encobertas por impecáveis máscaras, perucas e vestimentas. Elas na verdade tem a pele bastante enrugada e deteriorada, não possuem dedos nos pés, são carecas, sentem muita coceira na cabeça, tem as mãos muito grandes e seus olhos reluz uma cor púrpura. Aparentemente tais ensinamentos são inúteis, mas Luke nem imagina que muito em breve eles lhe serão de grande serventia. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA

NOTA 8,0

Drama retrata o difícil
período que a China viveu
com governo reacionário e
veto à elementos culturais
Quem nunca ouviu falar que a cultura pode mudar um ser humano e a longo prazo quiçá o mundo? O cinema e a literatura obviamente são dois caminhos prazerosos para isso, mas o efeito positivo da junção dessas duas manifestações artísticas pode ser ainda mais avassalador como nos prova Balzac e a Costureirinha Chinesa, um belo drama com pano de fundo histórico dirigido por Dai Sijie, um chinês radicado na França. O longa é baseado no livro homônimo do próprio cineasta, uma autobiografia retratando o final de sua adolescência quando passou por um processo de reeducação em um povoado escondido entre as montanhas. Saber criticar, opinar e ter uma ampla cultura sempre representou empecilhos aos regimes totalitários e não por acaso foram duramente reprimidos durante a maioria deles, períodos marcados pela ênfase no desenvolvimento da disciplina e tarefas que exigiam máximo esforço físico. Partindo do mesmo princípio, Hitler comandou a Alemanha dessa maneira, por exemplo, e até o Brasil viveu uma realidade parecida nos tempos da Ditadura Militar. No filme acompanhamos alguns jovens que driblam as adversidades para enriquecerem suas mentes e assim consequentemente tornando-se ameaças às regras governamentais da China comandada por Mao Tsé-Tung. Nos anos 70, Luo (Chen Kun) e Ma (Liu Ye) são dois rapazes que passam a ser apontados como inimigos do povo pelo fato de seus pais serem médicos e considerados burgueses reacionários. Estes adolescentes são presos e encaminhados a um campo de reeducação em uma vila isolada no Tibet. Mesmo sem preparo físico, eles são obrigados a realizar tarefas pesadas como camponeses e mineradores, uma forma de aprenderem o que realmente é importante nesta vida segundo ditava o governo, ou seja, o trabalho forçado e a obediência a uma hierarquia firmemente estabelecida. No campo eles apenas encontram alívio nas músicas tocadas por Ma e nas histórias narradas por Luo, embora livros e instrumentos musicais fossem proibidos e confiscados sempre que encontrados. Através da cultura, esses amigos acreditam que a mentalidade da ignorante comunidade da qual fazem parte pode ser mudada. A vida miserável de ambos ganha um sopro de esperança quando conhecem a neta do alfaiate local, uma garota conhecida simplesmente como costureirinha (Zhou Xun) por quem os dois se apaixonam, cada um a sua maneira. Ela então lhes revela um precioso tesouro: livros considerados subversivos e de autoria de pensadores como Flaubert, Tolstói, Victor Hugo e Balzac, que estão de posse de Quatro Olhos (Wang Hongwei), outro jovem que também está sendo reeducado e está prestes a retornar à cidade. O trio então decide por roubá-los para promoverem suas próprias revoluções pessoais, assim almejando a liberdade de pensamento e a tão sonhada ruptura do autoritarismo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O DIABO VESTE PRADA

NOTA 10,0

Apesar dos fetiches da moda
saltarem aos olhos, longa
carrega uma importante lição
sobre o desejo de vencer na vida
Os chamados filmes-pipocas ao longo dos anos ficaram estigmatizados como produções tolas feitas para puro entretenimento visando principalmente fisgar a atenção do público jovem. Eles possuem enredos muitas vezes tão rasos quanto um pires e escamoteiam seus defeitos com recursos artificiais que vão desde a escolha de um elenco popular e com rostos bonito até os tão comentados efeitos em 3D, tudo dependendo da proposta e do orçamento disponível. Porém, alguns títulos de sucesso e no melhor estilo sessão da tarde surgem de vez em quando para manter a nossa fé no cinema mais popular. O Diabo Veste Prada é um grande expoente deste seleto grupo. O longa enfoca a milionária indústria da moda que acaba sendo refém dos jornalistas, profissionais que raramente conseguem obter o respeito e a importância que tanto almejam, mas no mundo fashion eles encontram isso e muito mais. O sucesso ou o fracasso do trabalho de estilistas e costureiros dependem literalmente de algumas poucas palavras ou até mesmo de significativos olhares destas pessoas. Anna Wintour, por exemplo, é uma das mais influentes editoras de moda do mundo todo e foi nas experiências de trabalho que obteve como sua assistente que a autora Lauren Weisberger se baseou (embora negue) para escrever o livro que originou este longa, uma obra que alia humor e crítica em doses generosas. A primeira vista, o grande chamariz da produção é a presença de Meryl Streep dando vida à Miranda Priestly, a prestigiada editora de “Runway”, uma conceituada revista de moda. Ela é famosa por ser grosseira, antipática e exigir esforços e exageros de seus funcionários em busca da perfeição ou por pura perversão. Precisando com urgência de uma nova assistente, ela contrata a jovem Andy Sachs (Anne Hathaway) embora ela não entenda nada sobre o mundo fashion. A moça tem a esperança de que trabalhar ao lado de um ícone do mundo do jornalismo e da moda possa impulsionar sua carreira. Ela tem o emprego que muitas garotas queriam, porém, trabalhar para Miranda não é nada fácil. Dezenas de telefonemas, buscar encomendas, acompanhar todas as etapas da edição da revista e não ter mais hora para chegar em casa ou qualquer resquício de vida pessoal são algumas das tarefas e dificuldades que Andy terá que enfrentar. E Miranda, como sempre, estará de olhos bem abertos vigiando a garota.

domingo, 28 de outubro de 2012

PERSEGUIÇÃO 2 - O RESGATE

Nota 5,0 Embora mantenha a premissa do primeiro filme, sequência apela para a carnificina

Sinopse: Melissa (Nicki Aucox), Bobby (Nick Zano), Nik (Kyle Schmid) e Kayla (Laura Jordan) formam um grupo de jovens que partem numa viagem para Las Vegas cheios de expectativas e querendo muita diversão.  No meio do caminho eles têm um problema com o carro e buscam ajuda na única residência existente nos arredores da estrada. Ela parece estar abandonada, mas eles acham um carro e resolvem utilizá-lo. Melissa, na melhor das intenções, deixa um bilhete com o número de seu celular para o dono da casa para eles poderem dar explicações e combinar a devolução do veículo. Mal sabe ela que este simples recado transformaria suas próximas horas em um verdadeiro inferno. Logo o grupo passa a ser perseguido por um misterioso caminhoneiro que parece ser invisível e estar vendo absolutamente tudo o que eles fazem.

sábado, 27 de outubro de 2012

PERSEGUIÇÃO - A ESTRADA DA MORTE

Nota 7,0 Road movie tem ares setentistas e usa o suspense psicológico para prender atenção

Sinopse: Durante as férias de verão o jovem Lewis Thomas (Paul Walker) quer embarcar numa viagem de carro pelos Estados Unidos com uma amiga que é a mulher de seus sonhos, Venna (Leelee Sobieski), mas os seus planos românticos mudam quando ele resolve buscar seu irmão mais velho Fuller (Steve Zahn) na prisão, após ele se meter em mais uma confusão. Mesmo após esse período de reclusão o rapaz não muda seu jeito e continua um crianção. Fuller acaba envolvendo Lewis numa brincadeira com um motorista solitário de caminhão através de um rádio antigo usado por motoristas em viagens para trocarem informações. O homem misterioso se apresenta como Parafuso (em inglês "Rust Nail") e cai na conversa dos rapazes, na qual Lewis finge ser uma mulher, a Docinho de Coco (ou "Candy Cane"), e marca um encontro em um motel de beira de estrada. O que eles não imaginavam é que o destino se encarregaria de transformar essa travessura em um tremendo pesadelo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O LOBISOMEM (2009)

NOTA 7,0

Clássico monstro ganha
oportunidade para aterrorizar
novas plateias trazendo de volta
um estilo visual nostálgico
Sinais tristes do passar do tempo. Para a maior parte dos amantes de cinema deve ser muito revoltante ver figuras de monstros clássicos da sétima arte hoje não causarem mais expressões de repúdio ou pavor, mas sim serem idolatrados e adornarem os quartos de adolescentes através das fotografias de jovenzinhos bonitinhos que brincam de viver vampiros e lobisomens carismáticos. E a onda não é nova. Os anos 80 e 90 foram marcados por produtos típicos de sessão da tarde que procuravam unir o universo infanto-juvenil com o poder de sedução do terror. Por outro lado, vez ou outra surge algum projeto bacana que tenta trazer de volta a imagem clássica de criaturas que apavoraram gerações e sendo a Universal Pictures a produtora com o catálogo mais amplo deste tipo de personagem é sua obrigação resgatá-los do limbo. Conseguiram com sucesso ressuscitar a Múmia, gerando uma franquia milionária, mas que em seu último capítulo já demonstrou estar saturada. Se as tentativas de resgatar o mito de Drácula e seus discípulos por Francis Ford Coppola e John Carpenter, por exemplo, embora datadas da década de 1990, ainda estavam muito frescas na memória do público, o jeito era investir em um personagem relativamente menos explorado nos últimos anos. O Lobisomem, refilmagem do original de 1941 dirigido por George Waggner, foi um projeto muito aguardado, mas que deu errado desde sua concepção. As origens cinematográficas deste monstro são datadas da primeira metade do século 20. Após a famosa crise financeira de 1929 que abalou o mundo ocidental, tendo reflexos principalmente no território norte-americano, os executivos da Universal foram buscar inspiração no cinema de horror característico do Expressionismo Alemão. Produzidos após a Primeira Guerra Mundial, a ideia era apresentar no escurinho do cinema algo tão perturbador quanto a realidade para conquistar a sintonia das plateias. É desta safra os longas originais de todas as criaturas citadas no início do texto entre tantos outros personagens amedrontadores. Nascidos da literatura ou a partir das crendices populares, como é o caso do Lobisomem, tais personagens foram ganhando modificações em seus perfis ao longo dos anos tornando-se criações de uso universais, tanto que o bichano peludo já foi tema até de filme brasileiro. Contudo, a bestialidade inerente a personalidade de todos eles são características dos protagonistas dos filmes originais da citada produtora americana, tanto que eles são conhecidos como os “Monstros da Universal”. Por esse breve histórico fica um pouco difícil entender o porquê de tentarem resgatar produções do tipo, visto que hoje em dia os sádicos humanos assassinos assustam bem mais e até mesmo porque anos atrás houve uma tentativa frustrada de reunir o Lobisomem e companhia bela na aventura Van Helsing – O Caçador de Monstro. Por esses motivos e o tanto de problemas que envolveram a produção do longa dirigido por Joe Johnston, de Jurassic park 3, fica claro que a ideia deste projeto veio em momento inoportuno, embora para quem esteja alheio as fofocas de bastidores a obra até que garante certa diversão, principalmente para aqueles que apreciam um boa construção de clima e reconstituição de época. O cineasta fez questão de manter a aura gótica da obra que lhe serviu de inspiração, assim abusando dos tons escuros nos cenários, figurinos e até mesmo na fotografia e iluminação, além é claro da trilha sonora e dos efeitos de sons acompanharem o clima latente de tensão.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A PARTILHA

NOTA 6,5

Apesar do ritmo irregular e

do jeitão de especial de TV,
longa entretém e se apoia no
talento e carisma das protagonistas

Boas ideias podem surgir em um estalar de dedos, mas suas realizações e sucesso podem depender e muito do momento em que são colocadas em prática e de quem aposta nelas. Em meados de 1987, durante as gravações da novela “O Outro” da Rede Globo, a atriz Natália do Valle cedeu um bom argumento para seu colega de elenco Miguel Falabella. A ideia era criar uma peça teatral abordando o reencontro de quatro irmãs completamente distintas para o enterro da mãe, ou melhor, para discutir a partilha dos bens dela. O loiro mil e uma utilidades imediatamente começou a trabalhar no roteiro, se uniu a mais uma colega da novela, Arlete Salles, e quatro anos depois a montagem estava estreando com os reforços de Susana Vieira e Thereza Piffer no palco. A peça ficou seis anos em cartaz, foi exibida em vários outros países e até Hollywood demonstrou interesse em adaptar os textos para as telonas, mas a preferencial era da casa. A Partilha demorou mais de uma década para chegar aos cinemas e até hoje divide opiniões. A produção tenta equilibrar humor e drama narrando o tal reencontro de irmãs liderado por Selma (Glória Pires), uma mulher reprimida que abdicou de uma profissão para viver ao lado do marido rígido e conservador que lhe impõem uma rotina cheia de regras. Diretamente de Paris regressa Lúcia (Lilia Cabral), uma perua que largou o marido e o filho no Brasil para se juntar a um estrangeiro que lhe proporcionaria a vida de luxos que sempre sonhou. Já Regina (Andréa Beltrão) faz o estilo hippie, sempre procurando auxílio no esoterismo e exaltando o direito à liberdade, principalmente sexual. Por fim, Laura (Paloma Duarte), apesar de ser a mais novas das irmãs, é a mais séria, tem planos profissionais bem definidos e ousou assumir um romance com outra mulher.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

POPULAÇÃO 436

NOTA 4,5

Longa investe na batida ideia
da cidadezinha envolta a
mistérios, mas falta criatividade
para esconder a sensação de déja vu
Quando pensamos nos EUA logo vêm as nossas mentes as imagens de cidades urbanas e adeptas do que há de mais moderno para tornar o dia-a-dia mais confortável e tranquilo em vários sentidos. Todavia, o cinema está sempre lembrando que por lá também existem pequenas cidades interioranas que parecem paradas no tempo, ambientes perfeitos para serem palcos de histórias de mistério. Um lugar onde todos parecem felizes, assassinatos não existem, a solidariedade impera e todos se mobilizam em torno de um festival parece uma realidade de uma cidade do início do século passado, mas Rockwell Falls é contemporânea e ainda assim provinciana. Esse é o lugar onde vai parar o protagonista de População 436 cuja proposta é bem explícita no título. O tal lugar é uma pequena cidade perdida no meio do nada e cercada por uma densa floresta onde a paz parece reinar, todos se respeitam, os casos de doença são raros e quase sempre solucionados. Steve Kady (Jeremy Sisto) é um investigador federal que é enviado para lá a fim de atualizar o censo demográfico já que causa estranhamento o fato de que nos últimos cem anos o número de habitantes do local não mudou. Ano após ano o número se mantém inalterado em 436 indivíduos, mas ele só vai saber dessa coincidência quando já está em campo. No caminho, chama a atenção do rapaz o comportamento das pessoas a quem pede informações sobre a região, pois parece que todos têm receio de comentar o que quer que seja. Conseguindo chegar ao seu destino sozinho, Kady acaba tendo um problema com o carro e assim conhece Courtney Lovett (Charlotte Sullivan) que lhe apresenta a região e seus moradores, mas no fundo parece saber muito mais sobre o local do que revelou, assim como o policial Bobby Caine (Fred Durst) que à primeira vista tentou barrar sua entrada no povoado. Dessa forma, ele se sente tentado a investigar os mistérios que envolvem a cidade, uma iniciativa perigosa. Entre as crenças que o protagonista ouve estão a de que quem passa uma única noite por lá não pode mais ir embora e quem desafia essa máxima acaba falecendo pouco tempo depois ou fica gravemente doente, um estado perturbado que eles chamam de febre, mas que oferecem tratamento seguro.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

QUANDO ME APAIXONO

NOTA 6,0

Helen Hunt faz sua estreia
como diretora demonstrando
sensibilidade, mas se atrapalha
com enredo rico demais
Embora qualquer ator americano e até mesmo boa parte dos intérpretes de outras partes do mundo sonhem em ganhar um Oscar, há quem diga que a premiação carrega uma maldição. Avessamente ao esperado, dizem que quem coloca as mãos na famigerada estatueta dourada está fadado ao fracasso desse dia em diante. Bem, é claro que isso é uma crendice e existem muitos astros que faturaram até mais de uma vez tal prêmio e seguiram suas carreiras normalmente ou até com mais incentivos e propostas. Porém, o caso de Helen Hunt é um dos que alimentam a crença. Ela nunca foi de colecionar grandes papéis e despontou mesmo quando ganhou o Oscar e outros prêmios por sua atuação em Melhor é Impossível. Desde então, os convites tornaram-se escassos, quando surgem as propostas elas não são das melhores e até nos seriados de TV ela foi buscar refúgio. Talvez a maré baixa tenha feito a atriz se decidir em se lançar como diretora mesmo não estando pronta para a função como fica provado em Quando me Apaixono, drama água-com-açúcar que embora reúna um elenco de nomes famosos não chamou a atenção nem mesmo nos EUA. Além de dirigir, ela também produziu, roteirizou e estrelou este longa baseado no livro de Elinor Lipman “Then She Found Me” que conta com duas histórias que tentam ser narradas em paralelo, mas nenhuma delas com resultados plenamente satisfatórios. Helen dá vida a April Epner, uma professora primária que está vivendo um momento difícil de sua vida. Em questão de poucos dias ela perdeu sua mãe adotiva e foi abandonada pelo marido Ben Green (Matthew Broderick), o que acentuou seu sentimento de solidão, afinal ela está prestes a completar 40 anos e ainda não conseguiu realizar seu sonho de ser mãe. Para piorar o que já estava ruim, ela é procurada por Bernice Graves (Bette Midler), uma excêntrica apresentadora de televisão que afirma ser sua mãe biológica, que ela seria fruto de uma única noite de amor com o famoso Steve McQueen. Tal qual Helen se aventurando na frente e atrás das câmeras, April está num momento conturbado e precisando conciliar muitas coisas ao mesmo, assim ambas não conseguem ser perfeitas e cometem erros.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

AS MÚMIAS DO FARAÓ

NOTA 6,0

Com pinta de produção americana,
aventura francesa tecnicamente é
ótima, mas falha ao mesclar gêneros
e deixar as múmias em segundo plano
Por mais que o tempo passe infelizmente ainda o público em geral cultiva uma imagem errada do cinema feito fora de Hollywood, rotulando automaticamente as produções como  realizações que visam exclusivamente atender aos anseios da crítica especializada e para colecionar indicações a prêmios. Por causa desse pensamento metódico e arcaico muitos filmes excepcionais acabam encontrando dificuldades para chegaram ao mercado e se comunicar com o grande público.  Porém, vez ou outra produtores e diretores desafiam esses conceitos e investem em algo que possa se assemelhar ao cinemão americano, claro que guardadas as devidas proporções. Não chegam a arrebatar multidões e tampouco o resultado final é excepcional, porém, a experiência é válida para termos contato com outras culturas e maneiras de se fazer cinema.  Histórias ambientadas em mundos fantásticos ou que apresentam algum tipo de herói que possam dar origem a uma franquia ainda são raros investimentos fora dos EUA, mas aos poucos as coisas estão mudando e esse pode ser um caminho a ser desbravado, claro que com o apoio de uma boa campanha de marketing. Esse poderia ser um ponto para justificar o desconhecimento de boa parte do público da existência de As Múmias do Faraó, aventura francesa que poderia suprir a vontade de ver algo novo e fora do eixo Hollywood. É uma pena que aliada à falta de propaganda, a obra em si está longe de ser um trabalho primoroso, pelo contrário, tem graves problemas de ritmo ao não conjugar bem ação, comédia e até mesmo drama. Contudo, surpreende quanto aos aspectos técnicos contando com ótima trilha sonora, fotografia, figurinos e cenografia. A trama se passa no início do século 20 e tem como protagonista Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin), uma espécie de Indiana Jones de saia e batom. Ela é uma jovem e corajosa repórter que já viveu muitas aventuras, mas no momento quer se dedicar a uma missão pessoal. Ela decide viajar para o Egito para encontrar a cura da doença de sua irmã Agathe (Laure de Clermont-Tonnerre) que vive em estado vegetativo desde que sofreu um acidente. Há indícios de que a solução estaria dentro da tumba secreta de Patmosis, uma múmia que em vida dedicou-se à medicina, mais especificamente a cuidar pessoalmente do lendário faraó Ramsés II.

domingo, 21 de outubro de 2012

O GRANDE ANO

Nota 6,0 Moral desta comédia é universal, mas tema é enraizado demais na cultura americana

Sinopse: Kenny (Owen Wilson) é o atual campeão de uma competição excêntrica. Durante um ano inteiro os inscritos se propõe a observar o maior número possível de pássaros. A pessoa que fica em primeiro lugar não ganha prêmio algum material, mas sai com o ego massageado, a satisfação pessoal é o grande benefício do evento. Kenny, mesmo sabendo que pode colocar seu casamento em risco, não quer deixar que alguém tome dele tal título e não pensa duas vezes antes de embarcar novamente nesta diversão atípica na qual os participantes devem ter disponibilidade de tempo e para viajar. Desta vez o rapaz terá dois fortes concorrentes para enfrentar. Stu (Steve Martin) é um grande executivo que quer em breve se aposentar e vê no evento a chance de dar o primeiro passo para sua liberdade. Já Brad (Jack Black) é praticamente um homem que esqueceu ou não quer crescer. Acomodado com sua vida enfadonha e visto como um perdedor por muitos, agora ele pode provar que pode ser bom em alguma coisa.

sábado, 20 de outubro de 2012

ENCONTRO COM A MORTE

Nota 4,5 Suspense com poucos recursos é da safra de filmes B, mas capricha na tensão

Sentir medo de uma ou mais coisas é algo normal e não deve ser encarado como uma deficiência do ser humano. É comum e até certo ponto sadio ter receio, mas quando as fobias começam a atrapalhar o cotidiano do indivíduo é preciso procurar auxílio, desde falar sobre o que lhe aflige com a própria família ou amigos ou até mesmo recorrer ao auxílio especializado de um psicólogo. O medo pode ser subdividido em infinitas categorias, inclusive pode englobar tarefas simples do dia-a-dia como o ato de dirigir um automóvel. O medo causado por um trauma, falta de incentivo ou até mesmo o excesso de prudência podem incutir no indivíduo a fobia de assumir o volante causando danos a sua vida pessoal e até mesmo profissional. É justamente esse o viés adotado pelo diretor Richard Brandes, também coautor do roteiro em parceria com Diane Doniol-Valcroze, para realizar o suspense Encontro com a Morte, ainda que utilize tal medo apenas como desculpa para um previsível thriller de serial killer. A trama gira em torno de duas mulheres que partem em uma viagem que poderá não ter volta. Depois que seus pais morreram em um violento acidente de carro, a jovem Penny Dearborn (Rachel Miner) passou a desenvolver uma intensa fobia de automóveis, a ponto de ficar em pânico até mesmo quando ocupa o banco do passageiro. Para curar sua fobia ela procura o auxílio de um tratamento psicológico e encontra uma corajosa médica que está determinada a acabar com as crises de medo da jovem sem o uso de remédios, mas sim apostando na teoria de que enfrentar o que lhe amedronta é a melhor solução.  A doutora Orianna Volker (Mimi Rogers) sugere que as duas façam juntas uma viagem de carro, mas o que era para ser um passeio tranquilo acaba virando um pesadelo quando a noite cai e a médica atropela um homem em uma estrada deserta. Para se redimir, a médica lhe oferece uma carona e assim começa um jogo perverso manipulado por um sádico assassino.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA - O INÍCIO

NOTA 5,5

Com pretensões de explicar o
passado de Leatherface, longa
é apenas uma desculpa para
um show de carnificina e tortura
Em 1974, o cineasta Tobe Hooper pegou de surpresa o público com um filme chocante. Um grupo de jovens perdido em uma região afastada passa a ser atacado por um assassino cruel que mutila suas vítimas com a ajuda de uma serra elétrica. Quem ouviu o ruído na época até hoje sente calafrios na espinha, até porque O Massacre da Serra Elétrica não era um simples filme de terror sobre um serial killer, mas continha críticas ácidas à Guerra do Vietnã (servindo a mensagem para outros conflitos) e espetadas ao comportamento das sociedades da época como na antológica cena do jantar antropofágico. A ideia era criticar a crueldade do ser humano, uma variação do conflito entre civilização e barbárie, a soberania dos “homens de bem” enfrentando a fúria e a loucura dos rejeitados. Com baixo orçamento e direção e elenco amadores, o longa tornou-se um cult movie e ganhou algumas continuações, uma inclusive equivocada do próprio Hooper achincalhando sua obra, e em 2003 a produção ganhou um remake que não causou o mesmo impacto que o original, mas pelo menos passou bem longe do lixo que muitos esperavam. Como é de praxe no gênero do terror, não demorou muito e o assassino grandalhão e desfigurado munido de sua moto-serra estava novamente em ação, mas desta vez em uma produção que conta suas origens. Bem, pelo menos era essa intenção. O Massacre da Serra Elétrica – O Início só por se tratar de um prequel (filme que mostra eventos anteriores ao da obra original) já nasceu estigmatizado a ser criticado duramente, mas quem curte filmes do estilo costuma aprovar o trabalho do diretor Jonathan Liebesman, do péssimo No Cair da Noite, que procurou ao máximo ser fiel a atmosfera e a cadência de eventos do remake assinado por Marcus Nispel. Pontinhos positivos pela lição de casa bem feita. Felizmente tais opções salvaram o filme de ser um verdadeiro engodo. Sim, o longa pode não cumprir satisfatoriamente seus reais objetivos, mas o show de carnificina explícita está garantido.  O início da trama se passa no final da década de 1930 mostrando uma mulher grávida trabalhando sob condições precárias em um abatedouro no Texas e é justamente nesse lugar fétido que ela dá a luz ao seu filho e não resiste. A criança é salva por Luda Mae Hewitt (Marietta Marich) e passa a ser criada também pelo xerife Hoyt (R. Lee Ermey), Montgomery (Terrence Evans) e Henrietta (Kathy Lamkin), um grupo um tanto bizarro. Bem, criado é modo de falar, pois na verdade Thomas Lewitt (Andrew Bryniarski) se tornou um adulto violento e irracional graças a infância e a adolescência repletas de abusos emocionais e físicos que sofreu de seus tutores, pessoas completamente doentias. O período de juventude do futuro Leatherface (cara de couro, apelido em referência a máscara que ele comumente utiliza para esconder suas deformidades faciais congênitas) não é apresentado, sendo que a narrativa pula de seu nascimento já para sua fase adulta.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (2003)

NOTA 8,5

Refilmagem de clássico de
terror mantém o espírito do
original e apresenta um
serial killer justificável
Em 1974, uma época repleta de violentos conflitos e muito sangue derramado no Vietnã, o diretor Tobe Hooper fez um dos mais inquietantes filmes do período retratando de forma escatológica e impactante a crueldade do ser humano. Com poucos recursos e utilizando elenco e equipe técnica amadora, o roteiro apresentava uma variação do antigo conflito entre civilização e loucura fazendo uma inteligente metáfora. Na trama, um grupo de jovens vai parar em uma estranha cidade no Texas onde acabam sendo perseguidos, mutilados e mortos por uma família desequilibrada cujo líder aparentemente é uma figura monstruosa. O que poderia ter se tornado um clássico trash acabou se tornando uma obra de referência para o gênero terror e até mesmo para o período. Quase três décadas depois, o mundo todo acompanhava quase que em tempo real pela TV e internet os confrontos entre as tropas americanas e os representantes dos exércitos de diversos países árabes, o que inspirou o produtor Michael Bay, especialista em lançar blockbusters, em mais uma vez trazer à tona a discussão sobre a irracionalidade que existe por trás dos conflitos armados usando uma produção de horror. Será mesmo? Era melhor que a resposta fosse sim. Quem sabe com essa pegada institucional a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica seria um pouco mais respeitada. Não é um trabalho excepcional, mas também está longe de ser o lixo que a crítica tratou de propagar, mas fazer o quê se a própria distribuidora tratou de manchar a imagem filme marcando e remarcando sua estreia no Brasil por quase dois anos. Assim, quando estreou, rotular este produto como descartável era praticamente inevitável. Todavia, ao mesmo tempo em que esta produção é um caça-níquel óbvio, ela de certa forma acaba prestando uma homenagem ao original. Bem, só o fato de ser divertida, manter o clima de tensão constante e ter um vilão digno já basta para dizer que pelo menos este remake não estraga a reputação do longa que o inspirou visto que antes deste trabalho alguns outros tentaram lucrar em cima da imagem do assassino conhecido como Leatherface (cara de couro), inclusive um dirigido pelo próprio Hooper se divertindo tirando um sarro de seu longa mais famoso. O diretor Marcus Nispel, experiente na área de videoclipes e que futuramente também seria o responsável pelo remake de Sexta-Feira 13, sabia que tinha um grande desafio pela frente lidando com uma obra cultuada, com um terror cru e realista, mas conseguiu captar a essência deste material com perfeição e imprimiu um ritmo de adrenalina para conseguir captar a atenção das novas plateias afinal de contas apenas o som potente de uma motosserra ou um pouquinho de sangue aqui ou ali não seria o bastante para satisfazer um público que cresceu assistindo a horrores bem mais viscerais, tanto ficcionais quanto reais.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A NOIVA SÍRIA

NOTA 8,0

Drama tem momentos de humor
graças aos absurdos que podem
acabar com um casamento devido
a conflitos étnicos e políticos
Tem gente que sonha com festas de casamento, aniversários, reuniões de fim de ano, enfim qualquer tipo de festejo. Para outros tais eventos são sinônimos de estresse e confusão, principalmente quando há familiares envolvidos, mas só o fato de estar em um ambiente onde provavelmente poucos convidados se conhecem ou existe algum tipo de conflito mal resolvido já gera certa tensão. O cinema sempre gostou de explorar estes tipos de problemas caseiros que podem acabar mal ou simplesmente ficarem como uma lembrança hilária na memória de que os vivenciou, neste caso um prato cheio para fisgar a emoção do público que facilmente se identifica com a narrativa. Bem, o início de A Noiva Síria sugere algo singelo assim, mas conforme a trama avança se torna algo bem mais sério e relevante. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 o Oriente Médio como um todo tem chamado a atenção e coube ao cinema a função de quebrar a imagem que boa parte da população mundial passou a alimentar da região. Por lá não existem apenas guerras sangrentas e homens-bombas, porém, a cultura local é um tanto exótica e curiosa. Você sabia que existem pessoas que se comunicam através de megafones porque não podem ultrapassar territórios demarcados? Que para conseguir atravessar essas áreas é preciso vencer uma série de burocracias? Que existe um povo que não tem nacionalidade definida? E você aceitaria se casar com alguém que nunca viu e, pior ainda, abrir mão de sua própria família por conta deste ato? Parece coisa de décadas atrás, mas por incrível que pareça ainda é uma realidade e é em torno destas peculiaridades que gira o filme do israelense Eran Riklis, de Lemon Tree, um agradável drama com alguns toques involuntários de humor. Coproduzido entre França, Israel e Alemanha, a trama roteirizada pelo próprio cineasta em parceria com o palestino Suha Arraf se passa na fronteira entre Israel e a Síria, nas colinas de Golan, região habitada pela comunidade drusa Majdal Shams, um povo cuja nação não é definida, mas vive sob o domínio israelense desde 1967. Qual a importância disso? Simplesmente tal povo fica em meio a um fogo cruzado entre muçulmanos e judeus e entre eles mesmos há uma divisão entre simpatizantes de cada um desses lados. É justamente nessa área que estão acontecendo os preparativos para o casamento de Mona (Clare Khoury), uma jovem drusa que vive na parte israelense. O evento está mobilizando todas as atenções, principalmente de seus familiares, e o longa concentra suas ações neste único dia a partir das poucas horas que antecedem a cerimônia que será realizada de forma pouco convencional.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

SEX DRIVE - RUMO AO SEXO

NOTA 3,0

Reciclando uma velha fórmula
para cativar adolescentes, longa
não traz grandes novidades, apelando
para situações e vocabulário chulos
Por que os desgastados filmes de seriais killers ainda são feitos e estão até ganhando refilmagens? A resposta é simples: o público está sempre se renovando, assim não há de faltar plateia imune a previsibilidade destas fitas ou buscando uma desculpa para dar aquele abraço apertado na paquerinha nos momentos de sustos. O mesmo pensamento deve influenciar as decisões de produtores que ainda investem dinheiro nas comédias adolescentes com pegada erótica. Sempre tem gente nova para rir de babaquices ou se animar com nudez gratuita a ponto de... Bem, deixa pra lá. Visando atender aos anseios das plateias teoricamente virgens e levemente inocentes, O Clube dos Cafajestes, Porky’s e American Pie cumpriram seus objetivos e tornaram-se boas lembranças para suas respectivas gerações, tudo que almejava e não conquistou Sex Drive – Rumo ao Sexo. A intenção de produções do tipo geralmente é dialogar com os jovens e procurar retratar o mais próximo possível seu universo, tendo como alicerce os tabus acerca da perda da virgindade. Os caras metem os pés pelas mãos na ansiedade de perderem tal rótulo até que finalmente são desencantados de preferência com a ajuda de uma garota que se não for a mulher da sua vida ao menos será lembrada como uma boa lembrança. Já no caso da produção em questão, o diretor Sean Anders pesou a mão e recheou a fita com palavrões, nudez e consumo de entorpecentes além do necessário, assim tornando-se até uma ofensa para seu público-alvo. O fracasso do filme demonstra que realmente não houve identificação entre as partes. Roteirizado por John Morris e pelo próprio Anders, a trama gira em torno do ingênuo e desengonçado Ian (Josh Zuckerman), um adolescente que vê a possibilidade de realizar seu desejo de perder a virgindade quando conhece uma bela garota pela internet. Mesmo mentido sobre seu perfil, hobbies e cotidiano, o jovem toma coragem e marca um encontro, porém, terá que viajar para outra cidade para conhecê-la. Assim, ele rouba o carrão de Rex (James Marsden), seu irmão mais velho, e cai na estrada na companhia dos amigos Lance (Clark Duke) e Felicia (Amanda Crew). Durante a viagem, obviamente, o trio enfrentará dificuldades e situações embaraçosas e não demorará muito para o verdadeiro dono do veículo sentir falta de seu xodó e querer a cabeça do irmão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

EU, MINHA MULHER E MINHAS CÓPIAS

NOTA 7,0

Lançado em pleno boom do tema
clonagem, longa lançava olhar cômico
sobre a fantasia de ter uma cópia de si
mesmo para substitui-lo em certos momentos
Quem nunca disse em uma hora de aperto que gostaria ou precisaria ser mais de um para poder realizar tudo que tivesse vontade ou necessidade, mas sem se cansar ou gastar muito tempo? Vez ou outra de fato esta seria a melhor solução para os problemas, mas a comédia Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias prova que a ideia não é das melhores. O filme foi realizado quando a clonagem ainda era um assunto mais restrito a cientistas, mas os roteiristas Mary Hale, Lowell Ganz, Babaloo Mandel e Chris Miller já estavam antenados com o futuro e investiram na ideia. Pouco depois do lançamento do filme é que o mundo tomou conhecimento do famoso caso da ovelha Dolly, o primeiro ser vivo clonado da História, notícia que certamente veio a ajudar o filme a ter procura nas locadoras. Infelizmente não chegou a ser um sucesso absurdo e hoje é até uma produção esquecida, mas merecia uma segunda chance. Somos apresentados ao arquiteto Doug Kinney (Michael Keaton) que está se sentindo pressionado tanto na vida profissional quanto na pessoal, o típico homem da classe média americana. Além de dar conta do trabalho ele ainda tem suas obrigações como chefe de família e precisa dar atenção à esposa Laura (Andie MacDowell) e participar da criação dos filhos, Jennifer (Katie Schlossberg) e do pequeno Zack (Zack Duhame), assim ele sente que sobra pouco tempo para cuidar de si mesmo. Por esse motivo ele aceita participar de uma arriscada experiência que poderia tanto significar sua salvação como também ser sua desgraça. A sugestão de Leeds (Harris Yulin), um geneticista amalucado, é que o rapaz se submeta a um experimento de clonagem para fazer uma cópia de si mesmo que poderia substituí-lo em diversas tarefas cotidianas. Contudo, as coisas fogem do controle e esse substituto passa a reivindicar vida própria. Quando se dá conta, Kinney já está com três clones soltos por aí, todos idênticos na aparência, mas cada um com uma personalidade distinta e que acabam por tumultuar muito mais a vida do arquiteto ao invés de ajudá-lo.

domingo, 14 de outubro de 2012

DEU ZEBRA!

Nota 7,0 Conto do cavalo em dificuldades ganha cara nova tendo uma zebra como protagonista

Sinopse: Listrado é uma zebra que foi adotado pelo fazendeiro Nolan Walsh (Bruce Greenwood) quando ainda era um filhotinho após perder-se durante uma noite de tempestade da companhia circense da qual fazia parte. Porém, ele cresceu acreditando ser um cavalo com aptidões para um dia se tornar um campeão de corridas, um sonho que foi alimentado pelo fazendeiro, um treinador de equinos recentemente aposentado, e pela filha dele, a doce Channing (Hayden Panttiere). Ao chegar na fazenda, Listrado causa estranhamento entre os outros animais, sendo a cabra Franny a mais receptiva, mas logo ele faz amizade com todos menos com o cavalo Tuck que por ironia do destino no futuro terá importância para a realização do sonho desta zebra destemida que terá que treinar muito para superar dificuldades, principalmente para dar uma lição à dona do haras vizinho a fazenda, a vaidosa e gananciosa Clara Dalrymple (Wendie Malick).

sábado, 13 de outubro de 2012

HERANÇA PARANORMAL

Nota 4,0 Título nacional não vende bem a ideia de suspense que poucos sustos provoca

Sinopse: Após a morte de sua tia, Bryan Becket (Tim Daly), um advogado realista e ganancioso, deixa por uns tempos sua família para ir morar na velha residência da falecida para evitar depredações e roubos. Ele está crente que é o herdeiro, mas para sua surpresa a tia fez um testamento deixando o imóvel para o instituto de pesquisas do Dr. Warren Koven (Bruce Altman), responsável pelo laboratório do sono. A velha senhora tinha interesse nesses estudos que visavam a capacidade de clarividência das pessoas e nível de percepção de fenômenos paranormais. Ela procurou o doutor por causa das vozes que escutava em sua casa. Becket é cético quanto ao assunto, mas não demora a também ser assombrado por sons e vultos. O rapaz não abandona a casa, pois sente que ele tem algo a ver com o passado misterioso dela e nessa busca por respostas ele contará com a ajuda de seu amigo Sully (Tom Arnold) e de Cassie (Zoe Saldana), uma das voluntárias dos estudos sobre paranormalidade.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

UMA GAROTA ENCANTADA

NOTA 8,0

Apesar dos exageros e do
estilo kitsch adotado, longa
diverte parodiando contos de
fadas e a sociedade moderna
Desde que certo ogro verde invadiu os cinemas e mudou completamente a maneira do público enxergar os desenhos animados, diversas produtoras e estúdios resolveram beber na mesma fonte: a sátira aos contos de fadas e aos sucessos de Hollywood. O resultado foi uma avalanche de produções repletas de citações a outros produtos cinematográficos, referências a acontecimentos de conhecimento mundial, críticas a sociedade moderna e reinvenções de clássicos contos literários, mas tudo embalado por trilhas sonoras repletas de canções famosas e tendo como matéria-prima principal as histórias de princesas, bruxas e afins. Não que as paródias e o recurso da intertextualidade fossem novidade no mundo da sétima arte, pelo contrário, é um recurso muito comum. O cinema, o teatro e a televisão sempre usaram livremente os contos infantis para emocionar, divertir e em alguns casos, com uma forcinha da imaginação, até para aterrorizar, no entanto nos acostumamos a ter as adaptações dos clássicos Disney como as mais fiéis às histórias originais, mas ao longo do tempo elas já sofreram tantas modificações que fica difícil saber quais são as versões originais, mas nada que incomode o público que ultimamente tem se divertido com a intertextualidade proposta por obras que seguem o estilo da elogiada animação Shrek que fisgou plateias de todas as idades com seu humor anárquico e crítico pautado em cima de histórias de domínio público e tirando um sarro de acontecimentos reais e celebridades, além é claro de explorar os enredos que até hoje ajudam a sustentar o império Disney. Aliás, até o próprio estúdio das princesas já realizou sua versão autocrítica com atores reais, mas antes de Encantada surgir outro filme já brincava com os clichês dos contos de princesas. Uma Garota Encantada é uma comédia infanto-juvenil que segue exatamente a mesma linha de seu sucessor, mas aposta mais no humor que no romance e acaba sendo diminuído nas comparações devido a sua produção modesta, porém, eficiente e que casa muito bem com o estilo debochado da narrativa. A grande equipe de roteiristas (Laurie Craig, Karen McCullah Lutz, Kirsten Smith, Jennifer Heath e Michele J. Wolff) tiveram a boa vontade de fazer um delicioso apanhado de brincadeiras com a cultura pop e a modernidade, mas é uma pena que depois do filme do tal ogro verde nada mais parece novidade e nem ele próprio conseguiu segurar sua franquia em alta com essa receita satírica.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

POSSUÍDA (2009)

NOTA 3,0

Repetindo erros e clichês
comuns ao gênero, suspense
desperdiça boa premissa com
cenas mal desenvovidas
Uma família com um membro problemático se muda para um casarão afastado e não demora muito para que passe a ser atormentada por barulhos e acontecimentos estranhos até descobrir que forças do mal agem naquele local. Em números, quantos filmes com enredo similar você já assistiu? E quantos deles você achou ruim ou no máximo regular? Pois é, se fizéssemos as contas certamente a resposta para ambas as respostas seriam bem próximas. Dificilmente produções do tipo alcançam sucesso hoje em dia, pois nada mais são que cópias do que deu certo, mas principalmente do que deu errado em projetos parecidos, assim faltando elementos surpresas ou ao menos críveis para torná-las marcantes ou que deixem aquela vontade de rever de vez em quando só para matar o tempo livre. E o que esperar de um produto com uma premissa tão batida protagonizada por um ator que há anos vem construindo uma carreira aos trancos e barrancos após um início extremamente promissor? Essa é a dúvida que em primeiro lugar surge quando nos deparamos com Possuída, suspense com pitadas de terror estrelado por Kevin Costner. Pelo título genérico você pode não dar muito valor a esse filme, mas ele faz bem seu papel de entreter e amedrontar os espectadores... E só! Não espere uma produção que te deixará boquiaberto ou que revolucione o gênero, dessa forma dá para encarar sem grandes complicações este produto que parece um enlatado da TV americana. Todavia, rotulá-lo desta maneira é como taxá-lo de filme B. Na realidade é perceptível que houve cuidado para realizar a produção, preocupação em criar um envolvente clima de suspense, mas como é de praxe nesses casos o caldo entorna na reta final quando é preciso amarrar as pontas soltas que foram desfiadas ao longo do desenrolar da trama. O roteiro de John Travis nos apresenta à John James (Costner), um renomado escritor recém-divorciado que após ser abandonado pela esposa decide dar novos rumos a sua vida mudando para um antigo casarão afastado em Mercy, na Carolina do Sul, na companhia de seus dois filhos, o pequeno Sam (Gattlin Griffith) e a pré-adolescente Louisa (Ivana Barquero). O pai e o garoto parecem dispostos a enfrentar os desafios da adaptação, mas a menina está vivendo a complicada fase de transformações para a fase adulta e se rebela por não se conformar em ter que viver longe da cidade grande e dos amigos. Ela passa a nutrir uma relação de amor e ódio com o pai, mas sua pirraça não é nada diante do que está para acontecer.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

UM MESTRE EM MINHA VIDA

NOTA 3,5

Texto teatral a respeito das
relações inter-raciais tem boas
intenções, mas torna-se estranho
em sua versão cinematográfica
Nas regiões africanas são muito comuns os conflitos e os preconceitos gerados pelas disputas entre negros e brancos, problemas que já estão enraizados na cultura local infelizmente. O regime do Apartheid é um dos casos mais notáveis e conhecidos de descriminação racial de toda a História mundial, política que apostava em relações inter-raciais que de certa forma colocavam os brancos em um patamar acima dos negros, aquela velha ideia de que o branco foi feito para mandar e os negros para obedecer. É justamente nessa discussão que está centrada a narrativa de Um Mestre em Minha Vida, drama passado na África do Sul na década de 1950 com direção de Lonny Price que optou por centrar as ações boa parte do tempo em um único cenário e praticamente com dois atores de idades antagônicas em cena travando diálogos fortes carregados de explosões emotivas e mensagens. Harold Ballard (Freddie Highmore), ou simplesmente Hally, é um adolescente branco pertencente a classe média alta que cresceu na companhia de Sam (Ving Rhames) e Willie (Patrick Mofokeng), dois homens mais velhos e negros que trabalham como garçons na casa de chá de seus pais. Tal interação poderia indicar uma tolerância maior entre as raças, mas na realidade os empregados viviam em um sistema de segregação racial no qual as pessoas de pele escura até poderiam ter boa parte dos direitos dos caucasianos, como trabalhos dignos remunerados e com carga horária estipulada, mas para tanto deveriam residir isolados em um mundo particular. Os negros eram obrigados a construir suas casas em lugares afastados dos centros das cidades e necessitavam até de documentos especiais para poderem atravessar uma espécie de fronteira para poderem ir trabalhar. Apesar das dificuldades, os garçons até que lidam bem com a situação procurando serem trabalhadores exemplares e levando a vida com otimismo e bom humor, transmitindo mensagens positivas a seus semelhantes e ensaiando seus passos de dança, a atividade que renova a energia da dupla. Contagiado pelo modo sadio como os empregados levam e veem a vida, Hally acabou se acostumando a chegar da escola e ir direto para a casa de chá para poder compartilhar seus problemas, ouvir os conselhos dos amigos e se divertir com suas histórias de vida, uma maneira que ele encontrou para superar os problemas do dia-a-dia.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O SABOR DA MAGIA

NOTA 4,0

Com temática mística, romance
tem um visual de encher os olhos
e bela trilha sonora, mas, por ironia,
peca pela falta de tempero
Um dos maiores atrativos do cinema produzido por países exóticos ou pouco conhecidos é descobrirmos como vivem as populações locais e suas tradições. Com os efeitos da globalização, hoje não interessam apenas os costumes, mas também como eles são respeitados e inseridos no cotidiano daquelas pessoas que vivem fora de seu país de origem. A adaptação de indianos ao agitado dia-a-dia americano é um dos temas mais explorados pela sétima arte nos últimos tempos, principalmente em romances, gênero perfeito para se abordar como um sentimento em comum pode superar diferenças e conflitos étnicos. O Sabor da Magia é uma produção que se encaixa perfeitamente nesta proposta por conta de seu argumento, mas o resultado final fica aquém das expectativas. A história tem como protagonista Tilo (Aishwara Rai), uma imigrante indiana que vive nos EUA e ganha a vida vendendo especiarias e receitas mágicas em um bazar, estabelecimento próprio e que ela procura respeitar não se ausentando por um minuto sequer durante o expediente seguindo as tradições de seu povo. Após uma infância traumática na qual ela foi sequestrada por um grupo de bandidos, a comerciante foi acolhida ainda muito jovem por uma bondosa senhora (Zohra Segal) que lhe ensinou todos os segredos envolvendo o poder das especiarias e dos elementos naturais para curar doenças entre outras finalidades, lições que ajudaram a despertar seu poder mediúnico. Em troca, a garota fez um juramento que jamais usaria tais receitas mágicas para seu próprio bem e abdicaria do amor, assim ela nunca poderia se apaixonar, nem mesmo tocar na pele de um homem, caso contrário perderia sua sensibilidade para lidar com os aromas e sabores. Contudo, ela não resiste quando conhece por acaso Doug (Dylan McDermott). Ao ajudá-lo com os ferimentos devido a um acidente de trânsito, eles acabam se apaixonando e a partir de então os clientes de Tilo começam a relatar problemas provavelmente ocasionados pelas receitas que ela vendeu. Agora ela tem que decidir entre viver esta paixão ou deixar de lado seus sentimentos para ter de volta seu dom.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

EU E AS MULHERES

NOTA 6,0

Jovem se envolve com os dramas
de três mulheres com idades
distintas, mas longa trata todos
eles de forma superficial
Existem alguns filmes que parecem ser realizados já com o intuito de angariar críticas negativas e por isso testam a paciência dos espectadores, mas outros até são feitos com boas intenções, porém, deixam a desejar em alguns quesitos. Em situações assim as próprias distribuidoras procuram esconder seus produtos e quando eles não são muito divulgados é inevitável que surjam dúvidas quanto aos seus predicados, mas nem sempre devemos julgar um filme por sua publicidade. Embora a maioria destes casos resulte em trabalhos que nada mais são que repetições de clichês e que ninguém morreria se não assistisse, todavia, eles podem servir para preencher com qualidade o tempo livre e ainda ficar na memória como algo agradável. Se não são inesquecíveis ao menos não te fazem mal algum. É a essa categoria de filme que pertence Eu e as Mulheres, o primeiro trabalho do diretor Jonathan Kasdan que também assina o roteiro, uma obra com premissa interessante, mas que não encontra sua tônica e segue arrastada e sem grandes momentos até subirem os créditos finais. A trama gira em torno de Carter Webb (Adam Brody), um jovem escritor de contos eróticos que foi dispensado por Sofia (Elena Anaya), sua namorada, e deprimido resolveu abandonar a agitada Los Angeles e passar uns tempos nos subúrbios de Detroit na casa de Phyllis (Olympia Dukakis), sua avó que há anos não via. Sua intenção na realidade era concluir um livro que nem havia começado, mas os novos acontecimentos não permitem que ele se concentre. Além de ter que lidar com a demência da avó, que fala e faz muitas bobagens, Webb acaba se aproximando da família Hardwicke, seus novos vizinhos que levam uma vida perfeita de fachada. Sarah (Meg Ryan) sofre em silêncio com a traição do marido e está passando por vários exames médicos torcendo para que não tenha nenhuma doença grave. Ela tenta forçar uma relação entre o jovem e sua filha mais velha, Lucy (Kristen Stewart), com quem mantém um relacionamento difícil, mas aos poucos ela própria parece estar querendo algo a mais que a amizade de Webb. E assim o rapaz passa a dividir o seu dia-a-dia entre as preocupações com estas três mulheres, mas apenas a relação avó e neto é razoavelmente bem trabalhada. As outras duas que pendem para o lado do relacionamento amoroso acabam colocando o protagonista como uma espécie de psicólogo que se limita a ouvir problemas e aconselhar.

domingo, 7 de outubro de 2012

SONHANDO ACORDADO (2007)

Nota 4,0 Apesar de ter um bom argumento, a felicidade nos sonhos, comédia deixa a desejar

O fascínio e os mistérios que envolvem os sonhos sempre foram uma das matérias-primas preferidas dos cineastas afinal de contas um dos principais objetivos da sétima arte é transportar o espectador por algumas horas para outra realidade para viverem emoções que talvez nunca viveriam na vida real. Nos últimos anos muitas produções adotaram a temática como elemento-chave para contar histórias que nem sempre são bem compreendidas, mas ainda assim Hollywood investe neste universo. O sonho substituindo a realidade ou o real invadindo o imaginário não são temas aplicados exclusivamente em produções infantis ou ficções, mas também encontram espaço em dramas, como Máscara da Ilusão, e nas comédias românticas como De Repente 30. Optando pelo viés da crise da meia-idade e dos delírios libidinosos, Sonhando Acordado é uma obra que procura abordar a temática por um ângulo diferente e conquistar um público mais maduro, entretanto, não costuma agradar com facilidade. A trama gira em torno de Gary Shaller (Martin Freeman), um compositor talentoso, porém, frustrado por ganhar dinheiro criando melodias para campanhas publicitárias. Ele não gosta de seu trabalho principalmente por não ter seus esforços reconhecidos a ponto de ser comparado a Paul (Simon Pegg), seu parceiro no passado em uma banda de rock e que hoje é um publicitário respeitado. Sua melancolia e depressão são crescentes também porque não recebe apoio de sua esposa, Dora (Gwyneth Paltrow), que lhe tece apenas críticas negativas. Sua vida só ganha um novo sentido quando ele conhece a bela e sedutora Anna (Penélope Cruz), uma mulher que reúne todas as características com as quais um homem pode sonhar. O problema é que literalmente ela é um sonho, assim Gary passa a procurar algum meio que o ajude a prolongar ao máximo este amor platônico e recebe a ajuda de Mel (Danny DeVito), uma espécie de guru.

sábado, 6 de outubro de 2012

CUT - CENAS DE HORROR

Nota 2,0 Bom argumento é desperdiçado em trama clichê com mutilação e sangue gratuitos

Dar continuidade a um filme que teve toda sua produção paralisada por causa de desastres e fatalidades não é ficção na indústria de cinema, principalmente quando envolve algum título do gênero de terror. Algumas histórias de arrepiar sobre os bastidores de filmagens tornaram-se verdadeiras lendas até mais interessantes que os próprios enredos de seus longas-metragens. São muitos os títulos que durante ou após as filmagens geraram diversos boatos estranhos como de mortes, acidentes, situações bizarras ou estagnação da carreira dos atores, como o clássico caso da atriz Linda Blair de O Exorcista que ganhou fama repentinamente, mas a perdeu com a mesma rapidez. No mesmo filme um dos atores morreu poucos dias após concluir suas gravações e muitas pessoas da produção relataram ter vivenciado estranhos fenômenos em suas rotinas. Alguns filmes, em casos extremos, nunca chegaram a ser totalmente concluídos devido aos inúmeros contratempos, um tema fértil para mentes criativas, o que não é o caso do diretor Kimble Rendall que fez de Cut - Cenas de Horror um slasher movie convencional e pouco memorável. A história começa em 1988 quando Hilary Jacobs (Kylie Minogue) estava rodando um filme de terror sobre um psicopata mascarado que sempre usa lâminas para eliminar as vítimas. Ao rodar uma cena crucial, a diretora paralisa as filmagens para fazer críticas sobre o ator que vive o assassino e ele resolve se vingar executando-a à sangue frio. Nos dias seguintes, outras pessoas envolvidas na produção também vieram a falecer tragicamente, inclusive o próprio intérprete do assassino. Após alguns anos, a perturbadora história dos bastidores dá ao filme um irresistível apelo que o transforma em objeto de desejo entre estudantes de cinema, principalmente na turma de Lossman (Geoff Revell), um ex-assistente de direção de Hilary que atualmente dá aulas numa faculdade. Ele quer concluir o filme com Vanessa Turnbill (Molly Ringwald), a antiga protagonista que desde então vive no ostracismo, e assim organiza um grupo para voltar aos locais originais das filmagens. Contudo, a maldição dos bastidores ainda existe e está pronta para fazer novas vítimas seguindo o roteiro de limar os envolvidos de acordo com a importância de seus personagens na trama.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA

NOTA 9,0

Refilmagem de cult movie dos
anos 80 privilegia o estilo
musical a la Broadway para
falar sobre preconceitos e sonhos
Entre algumas das surpresas que a sétima arte tem nos proporcionado neste início de século 21 podemos destacar a volta em grande estilo dos musicais. Originais, refilmagens, de estilos clássicos ou moderninhos. Tem opções para todos os gostos. As produções da Broadway obviamente tornaram-se uma grande fonte de inspiração e alguns trabalhos curiosamente antes de chegarem aos palcos já tinham passado pelos cinemas. É uma relação muito amistosa que existe entre estas duas manifestações artísticas e sempre há a possibilidade de se melhorar aquilo que já era bom a cada nova adaptação como é o caso do filme Hairspray – Em Busca da Fama, um musical com um elenco espetacular, mas, como todos os títulos do gênero, divide opiniões. Milhões de pessoas se renderam às gargalhadas e acabaram dançando ao som da animada trilha sonora. Na mesma proporção, há quem critique, se irrite com tanta cantoria e não veja o menor fundamento para tal obra existir. É preciso deixar a alegria falar mais alto para poder aproveitar este filme cujas duas horas passam voando visto a quantidade de situações e personagens que o roteiro oferece. O diretor Adam Shankman fez a adaptação para o cinema do famoso musical da Broadway, que inclusive já teve a sua versão brasileira, mas esta deliciosa história já teve outra versão cinematográfica. O excêntrico cineasta John Waters baseou-se em suas memórias de infância para criar um de seus trabalhos mais famosos e mais próximo do estilo comercial, Hairspray - E Éramos Todos Jovens. O longa se tornou um cult movie instantâneo e foi sucesso de crítica e público. Tanto o filme dos anos 80 quanto o mais recente são exagerados e coloridos, mas o antigo fica em desvantagem em alguns pontos em relação a sua reinvenção. Envelheceu bastante e o visual kitsch pode incomodar, além de que não era assumidamente um musical. De qualquer forma, ambos são divertidos, marcaram época e ainda continuam colecionando fãs. Em 2002, o texto de Waters foi reformulado para ocupar os palcos e finalmente ganhou status de musical e foi nesta fonte que Shankman bebeu e construiu um delicioso show que diverte e ainda toca em uma ferida aberta há centenas de anos, mas que até hoje não cicatrizou totalmente: o preconceito. Tudo aqui parece tão cheio de vida justamente porque Waters pessoalmente levou o diretor a conhecer a cidade de Baltimore, o local onde as ações do longa acontecem, e passou a ele informações valiosas sobre o passado do local e como se comportava a sociedade da década de 1960. Shankman que até então tinha projetos modestos no currículo, como Operação Babá e Doze é Demais, teve finalmente em suas mãos um verdadeiro tesouro que soube cuidar muito bem e que atraiu um elenco sensacional, incluindo os coadjuvantes.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ALMAS REENCARNADAS

NOTA 2,0

Repetindo clichês e erros de
outras produções do gênero,
terror oriental faz rir com seus
equívocos visuais e narrativos
Embora não tenha sido muito longa, parece que a fase das refilmagens de fitas de horror orientais somou mais de uma década em evidência. Tal sensação se deve a grande quantidade e rapidez com que esses remakes foram despejados no mercado, com o agravante de que os próprios filmes originais e outros inéditos conseguiram seus espaços nos circuitos de exibição e em locadoras. Isso seria ótimo caso a maior parte destes títulos não possuíssem fórmulas tão idênticas, o que ajudou a esgotar o filão rapidamente. Ainda hoje existem alguns fãs fervorosos do terror oriental, embora em números bem reduzidos, mas tais produções estão mais escassas na praça restando aos curiosos e aficionados rever ou caçar títulos que não tenham tido grande repercussão quando lançados. Almas Reencarnadas pode ser uma opção para estes casos. Escrito e dirigido por Takashi Shimizu, o mesmo responsável pelas versões japonesa e americana de O Grito, é óbvio que ele não vê seus trabalhos e de seus conterrâneos da mesma forma que os ocidentais, ou seja, um subgênero do terror. Provavelmente para ele não há o menor sinal de humor em produtos do tipo que podem ter em terras orientais o mesmo peso que O Exorcista ou O Iluminado tem para nós do lado de cá. Sim, do outro lado do mundo terror é coisa séria e no filme em questão o diretor lançou mão até mesmo da metalinguagem para dar uma sustentação maior à narrativa que novamente aposta na velha ladainha da maldição deixada para os vivos que entrarem em contato com o universo daqueles que morreram em um momento de muita raiva. A trama gira em torno de um terrível massacre praticado em um hotel turístico. Na década de 1970, um professor universitário obcecado pelos estudos acerca dos mistérios da reencarnação é possuído inesperadamente pela loucura e inicia uma sequência de mortes que resulta em onze vítimas. Enquanto esfaqueia cada corpo com requintes de crueldade e o pânico toma conta daqueles que ainda estão vivos no local, o frio assassino filma todos os seus atos fazendo um registro macabro de toda aquela escabrosa situação. Exatos 35 anos se passam e para lembrar a tragédia o cineasta Matsumura (Kippei Shiina) decide transformar os relatos desta espantosa chacina em um filme apostando ao máximo no realismo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

DECISÕES EXTREMAS

NOTA 7,0

Drama aborda doença infantil
sem cura, mas deixa de lado a
choradeira para fazer críticas ao
capitalismo e ao universo científico
Os campos da ciência e da medicina estão sempre em constantes avanços quanto o combate e a cura de doenças, mas paralelo a isso os males não dão trégua e frequentemente ficamos estarrecidos com novas ou até mesmo antigas mazelas que conhecemos através da mídia. Em um primeiro momento podem parecer casos isolados, mas é espantoso como existem pessoas espalhadas pelo mundo sofrendo com problemas de saúde que poucos conhecem e o cinema acaba se tornando uma ferramenta importante para divulgar essas informações, prestando assim importantes serviços sociais. Quem se aventura a explorar assuntos do tipo coloca a arte cinematográfica em um outro patamar. É quase como um serviço voluntário. Embora atores e todos que atuam atrás das câmeras recebam seus cachês pelos serviços prestados, é certo que os mesmos não esperam que o filme conquiste lucros animadores. Sim, existe um preconceito com produções que abordam doenças, ainda mais quando as vítimas são crianças. É desse mal que sofre Decisões Extremas, competente drama que tinha tudo para dar certo, a começar por contar nos créditos com os atores Brendan Fraser e Harrison Ford, mas que praticamente em todo o mundo foi lançado diretamente em DVD devido a rejeição que filmes relacionados a problemas de saúde somatizam. Baseado no livro “A Cura”, da jornalista vencedora do prêmio Pullitzer Geeta Anand, que por sua vez é inspirado em fatos reais, o longa mostra a emocionando batalha de um homem para salvar a vida de seus filhos, mas que acabou trazendo benefícios para milhares de outras crianças. John Crowley (Fraser) e sua esposa Aileen (Keri Russell) fazem de tudo para dar uma vida normal e com qualidade aos pequenos Megan (Meredith Droeger) e Patrick (Diego Velazquez), respectivamente com oito e seis anos de idade, que são portadores da doença de Pompe, uma enfermidade genética que compromete os músculos, deixando-os enfraquecidos, e os órgãos internos, que podem ter seus tamanhos ampliados significativamente. Segundo estudos, poucos pacientes com este diagnóstico conseguem passar dos nove anos de idade. Curiosamente, o filho mais velho do casal, John Jr. (Sam M. Hall), nasceu completamente saudável. Correndo contra o tempo, Crowley tenta entrar em contato com o conceituado pesquisador Robert Stonehill (Harrison Ford), que já está empenhando na busca da cura dessa doença, mas todas as suas tentativas falham.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

EXORCISTA - O INÍCIO

NOTA 2,5

Exploração de fatos anteriores
ao clássico O Exorcista resulta
em um filme fraco, confuso e que
não faz jus ao título que carrega
Já é costume que os títulos do gênero de terror não sejam filhos únicos. Independente de fazerem sucesso ou não, é quase certo que toda produção do tipo terá sua vida útil ampliada graças a continuações, podendo ser lançadas inclusive tardiamente. A Casa de Cera e Horror em Amityville são exemplos raros que não ganharam ao menos uma segunda parte, porém, são refilmagens de produções antigas. Contudo, o grande temor dos fãs de horror continua sendo o fantasma das sequências. Dificilmente estas tentativas de mostrar possíveis desdobramentos de uma história conseguem fazer tanto sucesso quanto a obra original. Será que é por isso que cerca de três décadas após o lançamento de O Exorcista o diretor Renny Harlin, frustrado já uma vez por tentar recuperar o prestígio dos filmes de piratas com A Ilha da Garganta Cortada, quis trazer a tona o mesmo frisson causado pelo realismo e pelas cenas perturbadoras contidos no clássico setentista de William Friedkin apostando em um prequel? Para quem não sabe, prequel é a palavra comumente usada para se referir a um filme cujo objetivo é apresentar fatos que antecederam aos eventos de uma outra obra, ou seja, no caso de Exorcista- O Início o próprio título já diz tudo. Desde seu lançamento em 1973, público e crítica se renderam ao poder de atração do até então mais famoso longa a abordar o tema possessão e ano após ano os cofres do estúdio e distribuidora Warner foram ficando mais cheios com os dividendos do trabalho de Friedkin. Não demorou muito e algumas continuações oficiais do sucesso foram feitas tentando repetir repercussão e bilheterias similares, mas na realidade se transformaram em verdadeiros fracassos e hoje vivem no total ostracismo. Isso sem falar nas inúmeras produções lançadas diretamente em fitas VHS que também beberam na mesma fonte e procuraram aproveitar o boom das locadoras entre os anos 80 e 90. Ainda assim executivos de cinema sempre quiseram ganhar mais alguns trocados com a história de possessão e exorcismo que chocou o mundo todo, mas para a empreitada dar certo era necessário que essa providencial sequência tivesse alguma ligação com a obra original na qual o padre Merrin, então vivido por Max Von Sydow, menciona ter encontrado o demônio frente a frente ainda em sua juventude. A partir deste gancho os escritores William Wisher e Caleb Carr imaginaram como o tal sacerdote teve seus primeiros contatos com o tema possessão e o que o levou a se especializar nestes casos. As intenções eram boas, mas o roteiro finalizado por Alexi Hawley não está a altura do porte e da importância que este projeto deveria ter.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O EXORCISTA

NOTA 10,0

Quanto mais o tempo passa
melhor fica este clássico do
terror cujo visual datado
trabalha a favor da obra
Existem filmes que ficam melhores a cada ano que passa e o fator tempo só contribui positivamente. Quando comparados a trabalhos contemporâneos eles podem ficar em desvantagem ou surpreendentemente se sobressaírem, como é o caso de O Exorcista, uma das melhores produções de terror de todos os tempos cujo aspecto datado acaba trabalhando a favor da obra e reforçando a atmosfera de suspense e claustrofóbica. Lançado na década de 1970, o longa ajudou a recuperar um gênero que estava fadado a disputar público com as comédias ou viver de nichos específicos. O terror, alguns anos antes, era dominado pelos filmes de monstros e trashs que até podiam causar um ou outro susto, mas a quantidade de risos eram bem superiores. Foi uma menina com o demônio no corpo literalmente que salvou o cinema de horror de afundar na lama de vez. Naquela época o mundo já estava um caos com muita violência, protestos, famílias se desfazendo e o ser humano perdendo a fé na religião (pelo visto as coisas não mudaram muito daqueles tempos para cá), um cenário ideal para o demônio dominar e aprontar. Apesar de tantos anos se passarem, a produção continua provocando bons sustos, mas é claro que não causa o mesmo impacto que antes. O cinema evoluiu, regrediu em certos aspectos também, mas o fato é que já vimos coisas bem mais nojentas e impactantes do que uma garota vomitando algo verde ou mutilando a si mesma, porém, para a política cinematográfica atual, é totalmente repreensível uma menor de idade simulando uma masturbação com um crucifixo. Embora a cena não seja explícita no visual, concentra suas forças sexuais no texto o que já é o suficiente para a censura de hoje cair em cima, por isso os produtos de terror atuais podem até ser mais ousados, mas ainda ficam com o pé no freio para que uma publicidade gratuita não seja revertida de forma negativa afugentando o público. Mesmo assim, em 2001, o clássico ganhou alguns minutos a mais com cenas que foram cortadas da versão original que só vieram acrescentar mais qualidade ao que já era excelente.

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