sexta-feira, 31 de maio de 2013

DUMBO

NOTA 8,5

Com orçamento limitado, mas
muita criatividade, desenho é
delicado, divertido e emociona
com um tema sempre atual
A história dos estúdios Disney e dos bastidores acerca de cada produção saída de lá até hoje despertam muita curiosidade e torna-se ainda mais especial revermos ou apresentarmos as novas gerações tais clássicos quando temos em mente o contexto histórico da época de seus lançamentos e percebemos que suas lições de moral ainda têm validade. Hoje em dia, as humilhações vividas por qualquer um em seu ambiente escolar, profissional, familiar ou até mesmo na rua estão no foco dos noticiários e debates em diversas instituições. Qualquer deslize ou algo diferente em seu aspecto físico pode virar alvo de chacota. Inicialmente pode até ser divertida a brincadeira, mas conforme ela se torna constante e ofensiva pode se transformar em um ato criminoso, o popular bullying, palavra estrangeira empregada para denominar tais práticas provenientes de pessoas sem o mínimo de respeito ao seu semelhante. Porém, o problema não é uma novidade do mundo moderno. Sem o título americano, esse inconveniente já ocorre há muitos anos, talvez desde os primórdios do homem na Terra, e é um conflito muito explorado pelo cinema, enfocando na maioria das vezes o público infantil, faixa etária em que a discriminação acontece em proporções assustadoras. Tal tema foi utilizado com sucesso, por exemplo, em uma inteligente metáfora na animação Dumbouma produção Disney lançada em 1941 e baseada na obra homônima de Helen Aberson e Harold Perl. Este é o quarto longa de animação do estúdio e é considerado um dos maiores clássicos do gênero de todos os tempos, tanto é que foi relançado em cinemas e em home vídeo diversas vezes, já que seu conteúdo é universal e atemporal, afinal é impossível encontrar alguém que pelo menos uma vez na vida não se sentiu excluído ou inseguro mesmo quando adulto. A história gira em torno de um elefantinho chamado Jumbo Jr. que, além de nascer com orelhas desproporcionais ao seu corpo, tem a fama de ser desengonçado, por isso ele recebeu o apelido de Dumbo, palavra que em inglês significa estúpido. Vivendo desde pequeno em um circo, ele sempre foi ridicularizado pelos outros elefantes que levavam a sério a frase da canção "um elefante incomoda muita gente", mas tudo por pura maldade. Dumbo só contava com o amor e carinho de sua mãe até que ele faz amizade com o prestativo ratinho Timóteo que vai ajudá-lo a enfrentar esses problemas e mostrar seu valor. Essa amizade, um dos pontos altos do filme, é uma clara paródia ao medo que esses grandes mamíferos têm de roedores.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

50%

NOTA 8,0

Embora trate de um assunto
delicado, longa adota um tom
descontraído e revitaliza
premissa batida e depressiva
Veja o título diferenciado (no original 50/50) e que não deixa explícita pista alguma do enredo. A imagem publicitária do longa é um rapaz aparentemente começando a raspar os cabelos, mas ao fundo está o ator Seth Rogen, um dos símbolos da renovação do humor americano. Agora saiba que este é um drama baseado em fatos reais que aborda o tema de um jovem que descobre repentinamente estar com câncer. Quem se animaria a assistir a algo do tipo? A probabilidade indicada para intitular este filme serve para três coisas. Primeiramente deixar claro que o protagonista tem 50% de chance de tentar conviver da melhor forma possível com seu problema e se cuidando ou na mesma proporção se entregar a inerente depressão abreviando assim seu tempo de vida, as mesmas estatísticas que ouviu de seu médico quanto ao sucesso do tratamento disponível. Também serve para instigar o expectador. Você tem 50% de chance de se surpreender com esta obra ou a mesma porcentagem para constatar que o fatídico e previsível final baterá seu cartão aqui. Para quem já se acostumou que produções protagonizadas por pacientes cancerígenos praticamente sempre terminam de forma triste, 50% é uma opção bem-vinda e que traz algum alento aos espectadores, principalmente para aqueles que podem estar vivendo situações parecidas a de Adam Lerner (Joseph Gordon-Levitt), um rapaz de bem com a vida que aos 27 anos recebe o diagnóstico de que está com um tipo raro de câncer na coluna vertebral. Ele então vê seu futuro promissor na estação de rádio em que trabalha e sua vida tranquila ao lado da namorada Rachel (Bryce Dallas Howard) tornarem-se projetos obsoletos. Sempre levando uma vida regrada e sem excessos, livre de drogas e bebidas inclusive, além de sempre ter praticado o bem, Adam não encontra razões para justificar o aparecimento do tumor e passa a ter a necessidade de rever seu passado e repensar as suas prioridades de agora em diante. Baseado em fatos reais da vida do próprio roteirista, Will Reiser, a premissa é um tanto batida, mas não devemos julgar um filme por sua sinopse. Muitas vezes uma simples ideia torna-se uma grande obra graças a maneira escolhida para se desenvolver o enredo e neste caso o resultado é bastante satisfatório e traz certo frescor a um tema comumente trabalhado de forma extremamente dramática. A luta contra a doença é mostrada aqui de uma maneira um tanto descontraída. Entre um pensamento e outro mais triste, somos brindados com diálogos e situações com teor humorístico, assim cativando e emocionando o público livre de impactos negativos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

ASSOMBRAÇÃO (2004)

NOTA 6,0

Longa aposta na paranoia para
envolver espectador, apresentando
um universo paralelo e fantástico
onde ficção e realidade se misturam
O gênero de terror no início da década de 2000 ficou marcado pela coqueluche das refilmagens americanas baseadas em originais orientais, produções que em sua maioria trocavam o sangue e a violência explícitos por uma experiência muito mais calcada na construção de um clima sombrio e sustos provocados por trucagens de câmera, sonoras e de edição. Bastaram alguns poucos sucessos hollywoodianos do tipo para que o interesse pelos produtos oriundos do Japão, China, Coréia e companhia bela conseguissem uma brecha no acirrado mercado de exibição e nas prateleiras das locadoras. Além dos filmes que inspiraram as versões americanas, chegaram ao grande público também obras inéditas péssimas, outras medianas e algumas que mesmo sendo boas sofriam com a carência ou má publicidade. Diretamente de Hong Kong, Assombração se encaixa na opção do descaso das distribuidoras, embora tenha tido como primeira grande vitrine o Festival de Cannes. Com direção dos irmãos chineses Danny e Oxide Pang, que causaram certo barulho pouco antes com Visões, o filme virou automaticamente uma febre após sua pomposa estreia na França que mexeu com os ânimos dos empresários do setor cinematográfico, porém, em vários países o longa foi mal lançado como no caso do Brasil. Como deixa explícito o próprio título original, Re-cycle, a obra recicla uma série de referências a outras produções representantes do terror oriental, ainda que em uma época em que tais fórmulas já davam sinais de desgaste. Todavia, este exemplar do cinema de horror chegava com uma pegada diferenciada, mas o genérico título nacional tratou de vender uma ideia ligeiramente diferente sobre o produto. Climão de suspense existe aqui, mas os sustos são na base do conta-gotas e com pouco impacto. O que impressiona neste caso é o misto de sonho e pesadelo atrelados a um roteiro complexo e com até certo toque poético em seus momentos finais. Escrito por Pak Sing Pang, Cub Chien, Sam Lung e pelos Pang Brothers, como os cineastas gostam de ser chamados, o enredo nos apresenta à escritora Tsui Ting-Yin (Angelica Lee Sinje) que usa o codinome de Chu Xun e que afirma que só consegue escrever sobre experiências que teve a chance de viver. Após seu primeiro romance tornar-se um best-seller e até ser adaptado para o cinema, o público estava ansioso pelo seu próximo trabalho, o problema é a pressão que ela passou a sentir. Durante uma noite de autógrafos, Lawrence (Lawrence Chou), seu agente, aproveitando-se de um modismo e para segurar público, anuncia que o próximo projeto da jovem abordará um tema sobrenatural e já teria sido intitulado como “Assombração”. O público fica empolgado com a ideia, pois acredita que a nova obra também contará com elementos autobiográficos narrando experiências da autora com o mundo sobrenatural, contudo, ela não tem a mínima intimidade com o assunto. Ou melhor, não tinha até então.

terça-feira, 28 de maio de 2013

MEIA-NOITE EM PARIS

NOTA 9,0

Woody Allen faz uma bela
homenagem a cultura e a Paris
celebrando o passado, mas sem
menosprezar o presente
O cultuado ator, roteirista e cineasta Woody Allen parece uma máquina de fazer filmes e praticamente lança um por ano, embora a maioria de seus títulos acabe chamando a atenção apenas de seus fiéis fãs. Todavia, com uma extensa filmografia, é curioso, mas parece que conforme suas produções envelhecem suas visibilidades tendem a aumentar, um efeito contrário as regras do próprio mercado cinematográfico que cada vez mais procura enterrar o mais rápido possível os filmes “velhinhos”, mesmo os pertencentes a um passado recente. Aliás, a exaltação da nostalgia quanto ao cenário cultural e seus bens e representantes é o que serve de alicerce para um marco na carreira do diretor. Meia-Noite em Paris surpreendeu com a polpuda massa de espectadores que conseguiu arrebatar e ainda atinge. O projeto já vinha sendo comentado meses antes de seu lançamento, o que é comum acontecer em torno de novos trabalhos de Allen que tem como uma de suas marcas registradas reunir sempre um excelente elenco para interpretar as histórias que o próprio escreve e que geralmente circundam assuntos semelhantes, como no caso em que uma crise existencial e o medo do fracasso rondam a vida protagonista. O enredo nos apresenta a Gil Pender, interpretado por um surpreendente Owen Wilson fazendo às vezes de alterego do cineasta. O rapaz admira os grandes escritores e sempre sonhou em ser reconhecido de forma semelhante, mas mesmo trabalhando como roteirista de cinema em Hollywood e sendo bem remunerado ele ainda se sente frustrado e longe de seus reais objetivos visto que é muito crítico com seus próprios escritos. Prestes a viajar para Paris com sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e seus futuros sogros, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy), ele nem imagina que o passeio será renovador. O pai da garota irá à famosa Cidade Luz para fechar um grande negócio, mas durante toda a viagem não se preocupa nem um pouco em esconder que não gosta do genro, contudo, problemas familiares à parte, estar desfrutando de uns dias em uma cidade também conhecida como um berço cultural e fonte de inspiração para muitos artistas acaba fazendo com que Gil volte a se questionar sobre os rumos que deu a sua vida, voltando a sonhar em um dia se tornar um escritor renomado. Visto por essa breve sinopse, o longa pode parecer um tanto simplório e com uma dramaticidade de baixo impacto, mas o segredo desta produção está justamente no desenvolvimento do argumento que guarda algumas interessantes surpresas, alguns toques especiais que certamente são mais facilmente identificáveis para os espectadores apreciadores da arte e cultura em suas diversas manifestações, porém, tudo apresentado de forma com que o público leigo também possa desfrutar da experiência.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

NÃO SEI COMO ELA CONSEGUE

NOTA 4,0

Premissa carregada de bons
argumentos sobre a vida da
mulher moderna é desperdiçada
em um desfile de cenas vazias
O título nacional não poderia ser melhor para mais uma trabalho água-com-açúcar estrelado por Sarah Jessica Parker, afinal cai como uma luva para traduzir a trajetória profissional da atriz. Sem ser reconhecida genuinamente por seus dotes de intérprete, é incrível como ela consegue manter seu nome em evidência, mas talvez o fato de sempre assumir o mesmo perfil de personagem a ajude, pois não precisa fazer o mínimo de pesquisa para embrenhar no universo das mulheres que interpreta e seus fãs já sabem o que esperar de seus lançamentos. Por outro lado, fora Sex and the City – O Filme e sua continuação, seus projetos costumam fracassar nas bilheterias ou serem lançados de forma discreta diretamente em DVD. Em Não Sei Como Ela Consegue ao menos ela tenta dar um passo a frente na carreira procurando dialogar com o público feminino de faixa etária próxima a sua traduzindo em imagens a piada da mulher mil e uma utilidades. Claramente adepta a esmiuçar os pormenores do mundo feminino em seus trabalhos, a roteirista Aline Brosh McKenna, de O Diabo Veste Prada e Vestida Para Casar, baseou-se neste caso no best-seller da escocesa Allison Pearson para narrar o cotidiano atribulado de Kate Reddy, o modelo da mulher moderna que tem que fazer o que pode para dividir o seu tempo entre as tarefas profissionais e os cuidados com a família, além é claro de procurar manter ao menos alguns minutinhos do dia para cuidar de si mesma. Todavia, mesmo tentando se desdobrar o máximo possível para cumprir com todas as suas obrigações, ela ainda sente que não se dedica o suficiente ao marido Richard (Greg Kinnear) e para os filhos Emily (Emma Rayne Lilly) e Ben (papel em que se revezam os gêmeos Julius e Theodore Goldberg). Contudo, seu companheiro leva a situação numa boa e também ajuda para manter a ordem em casa para que a mulher possa ir trabalhar esbanjando sorrisos e montada no salto alto provando que é uma privilegiada por ser realizada tanto na vida pessoal quanto na profissional. Contudo, a imagem segura que ela exibe esconde sua fragilidade, pois ela ainda sente no dia-a-dia o preconceito, seja dos homens em seu trabalho atrelado ao ramo financeiro ou até mesmo de outras mulheres que abdicaram de suas carreiras para se dedicarem integralmente ao papel de dona-de-casa ou assumirem a identidade da mãe e/ou esposa exemplar. Sim, o longa tenta restabelecer os valores morais quanto a estruturação das famílias, mas as mensagens acabam chegando de forma deturpada aos espectadores dependendo do ponto de vista.  

domingo, 26 de maio de 2013

GEORGE, O REI DA FLORESTA 2

Nota 4,5 Mesmo com mudança do ator principal, comédia consegue alcançar seus rasos objetivos

É natural que qualquer sequência gerada mesmo que de um sucesso desperte desconfianças quanto as qualidades e o nível de diversão oferecidos por ela em relação ao original. O pé atrás é ainda maior caso essa segunda parte seja lançada diretamente em home vídeo e seu protagonista seja trocado. George, O Rei da Floresta 2 sofre com todos os preconceitos possíveis que acabam por rotular automaticamente uma continuação como um autêntico caça-níquel, mas há exceções. Este trabalho do diretor David Grossman consegue fugir deste estigma e ser tão bom quanto o original, guardadas as devidas proporções e obviamente levando em consideração o público-alvo a quem a fita se destina. A trama acontece após cinco anos que Ursula (Julie Benz) se uniu a George (Christopher Showerman). Eles já têm um filho, o pequeno George Jr. (Angus T. Jones), e isso obriga o Rei da Floresta a dividir o seu tempo entre as obrigações com a família e os problemas dos animais que habitam sua vizinhança, mas mesmo assim o herói paspalhão vive feliz. Quer dizer, isso até que sua sogra, a maldosa Beatrice Stanphoe (Christina Pickles), aparece para fazer a cabeça de sua filha para que ela e o neto passem a morar em São Francisco rodeados do bom e do melhor (e também do pior) que a civilização pode oferecer.  Ela também quer tomar conta das terras de George e para tanto precisa roubar um documento que está com o rapaz. Na cidade grande, seus planos maquiavélicos ganham um importante aliado: Lyle (Thomas Haden Church), o ex-noivo de Ursula que está disposto a tudo para recuperar sua amada, também fazendo a cabeça dela para ela abandonar o marido e a selva.

sábado, 25 de maio de 2013

GEORGE, O REI DA FLORESTA

Nota 6,0 Variação do personagem Tarzan consegue prender atenção em comédia previsível

O lendário personagem Tarzan, criação original de Edgar Burroughs, já foi protagonista de muitas aventuras no cinema e na televisão, mas também serviu de inspiração a outros tantos tipos de humanos que acabaram sendo criados em meio a selva por animais considerados selvagens. George, O Rei da Floresta é um deles. O longa é baseado nas aventuras dos personagens criados por Jay Ward para um seriado de animação para a TV datado dos anos 60. O tom de homenagem começa logo pela introdução que explica as origens do protagonista através de um desenho animado, além da narração em off que pontua a narrativa colaborar para a sensação de nostalgia. No coração da selva africana, um bebê é criado por um grupo de gorilas, tornando-se um rapaz forte e valente, porém, muito desastrado e inocente.  Ele é George (Brendan Fraser), conhecido também como o Rei da Floresta. Um dia, aparece em seu território Ursula Stanhope (Leslie Mann), uma jovem que vai explorar a selva africana. Logo seu noivo Lyle Van de Groot (Thomas Haden Church) decide ir à África para encontrá-la e conta a todos da expedição a lenda do "macaco branco", o que alimenta a cobiça dos caçadores Max (Greg Crutwell) e Thor (Abraham Benrubi). Eis que num momento de perigo, o tal macaco surge para salvar Ursula e a leva para sua casa e se apaixona na hora. Enquanto os dois começam a se aproximar, o medroso Lyle planeja resgatar sua noiva e capturar George para levá-lo à São Francisco com má intenções. Pela cartilha das sessões da tarde, um rapaz totalmente selvagem e sem cultura em uma cidade grande e moderna só pode significar uma coisa: confusão à vista!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A CHAVE MESTRA

NOTA 7,5

Com um roteiro bem amarrado
e uma excepcional parte
técnica, longa assusta por
adotar tom mais realista
O cinema do início dos anos 2000 foi marcado por uma grande safra de filmes de terror baseados em produções de origem oriental ou então por refilmagens de sucessos arrepiantes da própria fábrica de Hollywood, além das inevitáveis continuações. Ao contrário de outros modismos que chegaram a durar quase uma década, o gênero de horror não conseguiu se segurar em pé com tais armas, ou melhor, as usou com tanta intensidade e rapidez que logo o público se cansou. Bem, pelo menos os fantasminhas de olhinhos puxados ou com longos cabelos cobrindo o rosto tiveram uma vida relativamente curta, obviamente sempre sobrando um ou outro remanescente. Em meio ao marasmo que se anunciava em meados de 2005, eis que surge um lampejo de esperança para o campo de terror, um daqueles títulos que aparentemente são apenas mais um no meio da multidão, mas que surpreendem positivamente. A Chave Mestra representou um importante passo de Kate Hudson em sua carreira. Mesmo com poucos títulos até então no currículo, já era possível enxergar nela o semblante de típica mocinha romântica, porém, ela quis fazer diferente da mamãe Goldie Hawn e não desejava virar sinônimo de um gênero específico. Bem, o tempo passou e ela acabou virando mesmo um nome super requisitado para produções água-com-açúcar, mas não se pode negar que ela tentou trilhar outros caminhos. Neste suspense ela dá vida a Caroline Ellis, uma jovem enfermeira que acompanha pacientes terminais e não se conforma com o péssimo tratamento oferecido aos idosos. Abalada com a recente morte do pai, o qual não pôde ajudar por estar ausente, a garota decide mudar um pouco de ares e passa a se dedicar a apenas um único paciente de forma a lhe oferecer o máximo de cuidado, talvez uma forma de se penitenciar pela culpa que sente. Agora ela está de mudança para New Orleans, onde irá cuidar de um senhor inválido, Ben Devereaux (John Hurt), que vive em um isolado e decadente casarão com a esposa Violet (Gena Rowlands), esta que inicialmente não concorda com a presença da moça na casa. Contudo, ela aceita os conselhos do advogado Luke Marshall (Peter Sarsgaard), o responsável por cuidar dos problemas legais do casal idoso e que também ajudará Caroline a se adaptar a nova rotina. Ela inclusive ganha uma chave mestra para que possa ter livre acesso a todos os cômodos da casa, exceto um que aparentemente está estrategicamente escondido.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

GARÇONETE

NOTA 7,0

Apesar da simplória imagem
de comédia romântica, longa
tem uma história que arrisca
abordar temas relevantes
Se todo mundo diz que as comédias românticas andam açucaradas demais, a cineasta e roteirista Adrienne Shelly resolveu assumir definitivamente tal rotulagem no longa Garçonete, uma deliciosa produção com pitadas de drama que foge um pouquinho dos padrões do gênero. A atriz Keri Russell teve aqui a sua grande chance de aparecer para o grande público, embora o filme tenha tido uma passagem relâmpago pelos cinemas e aterrissou nas locadoras e lojas sem fazer barulho mesmo tendo uma repercussão positiva quando exibido no Festival de Sundance, a grande vitrine dos projetos independentes. Conhecida pelos maníacos por seriados de TV, a jovem só foi ganhar um papel de destaque em um filme após quase uma década de tentativas. Ela dá vida a Jenna, uma moça que acabou se auto-sufocando pelas barreiras que ela mesma impôs para sua vida. Ela tem um talento incrível para a culinária, mais especificamente para criar tortas criativas e deliciosas, porém, ao invés de batalhar para ter seu próprio restaurante ela prefere continuar trabalhando como garçonete para Old Joe (Andy Griffith), um patrão grosseiro, em um restaurante de categoria rebaixada. Todavia, tal emprego acaba lhe dando um pouco de alegria e a faz esquecer seu triste cotidiano marcado pela falta de sensibilidade do seu marido Earl (Jeremy Sisto) e por lembranças melancólicas de seu passado que não lhe foi muito generoso. Se ela própria não se dá o devido valor como mulher e tampouco como profissional, quem iria despertá-la para a vida? Pois é justamente um pequeno ser o responsável por mudar os rumos desta pacata garçonete. Logo no início do filme Jenna descobre que está grávida. Bem, dizem que um filho muda tudo, mas neste casa, na realidade, ele vem para enrolar um pouquinho mais a vida da mamãe de primeira viagem. Antes disposta a finalmente terminar o casamento infeliz, agora ela está na dúvida, ainda que pensar em dar a luz a uma criança filha de um homem que ela repudia só lhe afunda ainda mais em depressão. Para descontar sua tristeza e raiva da vida, Jenna passa então a criar os mais diferentes tipos de tortas em velocidade ímpar misturando ingredientes inusitados e as batiza com nomes um tanto bizarros refletindo seus pensamentos e emoções. Por incrível que pareça, tais experiências gastronômicas acabam por conquistar os clientes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

POLLOCK

NOTA 7,0

Ed Harris se preparou por
vários anos para interpretar
 artista plástico pouco conhecido
e para estrear como diretor
A vida de grandes pintores já foi retratada pelo cinema que frequentemente também abre espaço para conhecermos artistas que tiveram sua importância, mas cuja obra o tempo tratou de apagar da memória coletiva. Infelizmente o mesmo destino é dado à muitas versões cinematográficas que se propõem a invadir a intimidades desses criadores e apresentar ao mundo um pouco de seus trabalhos. Infelizmente foi esse o caminho trilhado por Pollock, drama que deu o Oscar de atriz coadjuvante para Marcia Gay Harden e que marca a estreia na direção do ator Ed Harris que também atua no filme fazendo o protagonista, o artista plástico Jackson Pollock que revolucionou a pintura ao abdicar dos pincéis e passar a utilizar diversos objetos para espalhar as tintas de forma desorganizada, assim cada traço ou borrão em suas telas eram únicos e com texturas variadas, uma técnica moderna que acabou virando moda décadas mais tarde.  Mostrando competência na frente e atrás das câmeras, Harris levou cerca de dez anos para realizar este projeto que também produziu, o tempo necessário para conseguir um modesto orçamento, mas principalmente para que ele se sentisse pronto para encarar a complexa personalidade do artista e o fato de ser o centro das atenções de um trabalho, visto que sua carreira é pautada em cima de atuações coadjuvantes elogiadas. Este trabalho é bem pessoal e ele se entregou totalmente a dura rotina de atuar e dirigir ao mesmo tempo e se arriscou ao decidir levar para o cinema um pouco da história de um dos maiores nomes da pintura moderna norte-americana. Além de estar exposto as várias críticas tão comuns às cinebiografias devido aos exageros, contemplações ou omissões que esse tipo de produção exige para se tornar viável, o ator também já devia estar preparado para as fracas bilheterias afinal Pollock para muitas pessoas era um desconhecido até então e pelo visto continua na mesma situação, só assim para explicar as dificuldades para encontrar ou até mesmo a ausência do título no mercado. É a lei da demanda e da oferta ou os resultados negativos do inverso desta regra mostrando seu poder. Baseado no livro “Jackson Pollock: An American Saga”, de Steve Naifeh e Gregory White Smith, também roteiristas do filme, a trama se concentra em um período profissional peculiar de Pollock, produtivo, mas ao mesmo tempo de certa forma fracassado, e sua relação com a mulher Lee Krasner (Marcia Gay Harden), também artista plástica e uma espécie de agente do pintor.

terça-feira, 21 de maio de 2013

QUATRO AMIGAS E UM CASAMENTO

NOTA 2,5

Versão feminina das comédias
que investem em personagens
mais maduros decepciona por
extrapolar limites da liberalidade
No final dos anos 90, American Pie mexeu com os hormônios do público jovem, principalmente dos meninos, e uma série de produtos similares surgiu. Pouco tempo depois, essa turminha cresceu e então o gênero comédia voltou suas atenções para os homens acima dos trinta anos de idade, assim eles se viram bem representados em produções como O Virgem de 40 anos, A Ressaca e Passe Livre. Mas e as mulheres nesta história? As órfãs dos antigos filmes água-com-açúcar protagonizados por Julia Roberts, Meg Ryan, Sandra Bullock e companhia bela simpatizaram-se com os dilemas vividos pelo grupo feminino protagonista de Missão Madrinha de Casamento e assim um novo caminho para o humor no cinema parece ter sido inaugurado, embora tentativas de emocionar e divertir o público com os problemas e as alegrias de grupos de amigas de longa data não sejam nenhuma novidade. É por esse caminho que Quatro Amigas e um Casamento tenta conquistar principalmente as plateias femininas que já passaram da idade de acreditar em príncipe encantado, mas infelizmente o longa não consegue atingir plenamente seus objetivos, pelo contrário, fica muito longe de suas pretensões. Tentando manter o espírito do citado filme das madrinhas de casamento acrescentando ainda um quê de inspiração oriundo de Se Beber Não Case, este trabalho escrito e dirigido por Leslye Headland, estreando como diretora, acaba investindo muito tempo (embora a duração seja curta) em situações grotescas e escatológicas que acabam aborrecendo ou até mesmo envergonhando o espectador que encontra poucos motivos para se divertir. Não é a toa que sentimos a mão pesada de um dos produtores da fita, o ator Will Ferrell, conhecido por seu humor por vezes agressivo. Baseado numa peça teatral da própria Leslye, o roteiro se prende ao reencontro de quatro amigas para o casamento de uma delas. Na época do colegial, Regan (Kristen Dunst), Katie (Isla Fisher) e Gena (Lizzy Caplan) eram garotas muito populares, conhecidas como as abelhas-rainhas, e adoravam perturbar a gordinha e deslocada Becky (Rebel Wilson), mas mesmo assim formavam um quarteto inseparável. Elas cresceram e certo dia uma notícia surpreendente surge. Justamente a garota menos popular do grupo vai ser a primeira a se casar. Essa introdução captamos em poucos minutos, mas é a partir desse ponto que os problemas já começam a surgir.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A VINGANÇA DE WILLARD

NOTA 7,0

Refilmagem de clássico trash
de suspense mantém a aura do
original e amplia enfoque sobre
o psicológico do protagonista
O mundo está cheio de gente bizarra. Isso é um fato. O problema é como fazer com que as sociedades passem a respeitar ou procurar ajudar tais indivíduos. Entre as pessoas que se comportam de maneira diferente em relação ao padrão social genérico é claro que existem aqueles que desejam se destacar com hábitos e comportamentos estranhos, mas o número de doentes pode ser bem maior. Sim, os transtornos psiquiátricos e afins podem levar as pessoas a atos extremos e impensáveis e o pior de tudo é constatar que tais distúrbios podem ser ocasionados pelo próprio ambiente em que o indivíduo vive e pelas pessoas que o cercam. Bem, um filme que trate deste tema tem um grande potencial para chamar a atenção, mas dependendo do viés adotado para trabalhá-lo o efeito pode ser contrário. Nessa situação talvez se encaixe perfeitamente o suspense A Vingança de Willard, refilmagem de Calafrio, também conhecido pelo simples nome original, Willard. Datado de 1971, este trabalho do diretor Daniel Mann marcou época por suas inúmeras reprises nas madrugadas da TV e tornou-se um clássico trash, tanto que ganhou uma continuação intitulada Ben – O Rato Assassino, longa que ficou conhecido por ter a música tema cantada por Michael Jackson antes mesmo dele se tornar um pop star. Naqueles tempos já estavam na moda os filmes sobre animais que ocupavam o posto de vilões nos suspenses. Alfred Hitchcock deu o pontapé inicial na onda com o famoso Os Pássaros e em seguida outros cineastas tentaram pegar carona neste sucesso e assim os longas bizarros de horror começaram a se propagar chegando ao cúmulo de termos até tomates assassinos como protagonistas. O longa em questão felizmente é uma refilmagem de um dos bons produtos que podem ser pinçados destas safras, embora dezenas de ratos violentos sejam as estrelas do show. O original é baseado no romance “Ratmans Notebook”, de Stephen Gilbert que também assinava o roteiro. A atualização do texto e a direção do remake ficaram aos cuidados de Glen Morgan, estreando como diretor de longas-metragens, que teve o cuidado de preservar ao máximo a essência do primeiro filme equilibrando muito bem os aspectos técnicos, como as excepcionais cenografia e fotografia, e alinhavando com maestria situações de suspense que flertam com o humor involuntário, além de algumas pitadas de drama.

domingo, 19 de maio de 2013

PROCURANDO AMANDA

Nota 3,0 Matthew Broderick faz o que pode salvar comédia com protagonista nada cativante

O que o amor não motiva as pessoas a fazerem pelo bem estar de outras? É esse simples argumento que sustenta a comédia pouco conhecida Procurando Amanda, embora seja estrelada por Matthew Broderick que, desculpe o trocadilho, continua curtindo a vida adoidado nesta fita. Ele interpreta Taylor Peters, um escritor que está passando por uma má fase profissional, mas escrever programas humorísticos medíocres foi a única maneira que encontrou para sobreviver após um longo período viciado em álcool, drogas e jogatinas. Lorraine (Maura Tierney), sua esposa, nunca o deixou, porém, quando passa a desconfiar que o marido esteja gastando o pouco que tem com apostas em corridas de cavalos ela chega ao limite de sua paciência. Com o casamento em perigo, Peters encontra uma maneira de se redimir com a mulher. Ao descobrir que a sobrinha da companheira, Amanda (Brittany Snow), uma inconsequente adolescente, está trabalhando como prostituta em Las Vegas e se afundando no mundo dos vícios  (a quem será que puxou?), o escritor decide ir encontrá-la e a convencer a abandonar esta vida desregrada. Todavia, a cidade onde tudo parece possível e todas as noites são repletas de agitação é uma tremenda tentação para Peters que cai em contradição e piriga voltar à vida boêmia.  O roteirista Peter Tolan, que entre alguns deslizes escreveu os bons Máfia no Divã, A Família da Noiva e E Se Fosse Verdade, aqui além de roteirizar também fez sua estreia atrás das câmeras. Ele não inova na função de diretor e traça uma narrativa tradicional ao gênero comédia romântica, todavia acumular duas atividades o levou a fazer um filme extremamente mediano e que nem ao menos tem pinta de virar figurinha fácil das sessões da tarde na TV, principalmente por causa do teor de alguns diálogos que abusam de citações de duplo sentido e abordam comportamentos reprováveis.

sábado, 18 de maio de 2013

WISHCRAFT - FEITIÇO MACABRO

Nota 3,0 Apesar do mascarado da vez ter visual sinistro, longa é apenas uma reunião de clichês

Grupo de adolescentes começa a ser perseguido por um estranho serial killer que parece seguir uma lista de nomes que precisa matar. Quando descoberta a lógica do plano, resta às próximas vítimas fazerem de tudo para escapar das armadilhas do assassino. Resumidamente essa poderia ser a sinopse de Wishcraft – Feitiço Macabro, mais uma das diversas fitas de horror teen que surgiram na esteira de Pânico, Lenda Urbana e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado que traz como diferencial o fato do vilão ser detentor de uma força descomunal, parecer que nada o atinge e que é guiado por forças ocultas. Pensando bem, os lendários Freddie Krueger e Jason Voorhees já eram personagens que reuniam tais características, mas ao contrário dos slashers dos anos 80 que tornaram-se ícones cinematográficos e marcaram época, o assassino desta produção comandada pelos diretores Danny Graves e Richard Wenk amargou o ostracismo instantâneo. O roteiro de Larry Katz, no entanto, até que tem um ponto de partida interessante. Ao receber uma caixa sem remetente pelo correio, Brett Bumpers (Michael Weston) não imaginava que sua vida mudaria. Dentro ele encontrou um bizarro totem, uma espécie de amuleto usado em rituais e feitiçarias, com um bilhete afirmando que o presente lhe garantiria três desejos. Ele usa o objeto para tentar conquistar Samantha (Alexandra Holden), a garota mais cobiçada de seu colégio e a quem ele jamais conseguiu se declarar. Mesmo ela namorando com Cody (Huntley Ritter), o esportista mais famoso da escola, aparentemente o primeiro pedido do rapaz foi atendido, porém, misteriosos assassinatos começam a acontecer e abalam este romance. Conforme o relacionamento avança, através do segundo desejo que faz com que Samantha rompa repentinamente com o namorado e se atire nos braços de Brett, novas mortes de pessoas ligadas ao casal são constatadas. Enquanto a polícia investiga, o jovem vê uma ligação entre seu estranho totem e os assassinatos. Sentido-se culpado por ter forçado Samantha a se apaixonar por ele, Bumpers decide confessar tudo, mas acaba percebendo que o próximo alvo do assassino pode ser a própria mulher que ele tanto ama. Dito e feito.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O CASTELO ANIMADO

NOTA 10,0

Após alcançar fama fora do
Japão, Hayao Miyazaki faz
animação com tema universal,
mas mantendo-se fiel ao seu estilo
Você já não aguenta mais a metralhadora de piadas e referências e os personagens hiperativos que compõem a maioria das animações atuais? O traço perfeitinho e as cores fortes também não te impressionam mais? Se você se encaixa nesse perfil, infelizmente a temporada de desenhos quase idênticos nos cinemas já não se restringe mais aos períodos de férias. Todos os meses praticamente há um lançamento com pinta de moderninho, mas que não deixa de trazer uma sensação precoce de déja vu. Ainda bem que as produções mais convencionais, que hoje podem ser vistas como novidades em meio a enxurrada de produtos semelhantes, conseguem achar seu público em DVD. Da mesma forma que Woody Allen tem seus fãs cativos que esperam com ansiedade cada novo trabalho do cineasta, podemos dizer que Hayao Miyazaki ocupa uma posição similar, porém, uma referência exclusiva do campo das animações. Utilizando o mínimo possível de recursos tecnológicos e apostando muito mais na beleza dos traços feitos a mão, o animador há décadas vem construindo uma carreira sólida, mas seu nome só veio a ser conhecido mundialmente e além do circuito alternativo quando ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação por A Viagem de Chihiro. Felizmente o sucesso foi tão grande, tanto entre platéias intelectuais quanto populares, que o mundo todo teve o prazer de assistir seu projeto seguinte, O Castelo Animado, mais um trabalho sofisticado, inteligente e ao mesmo tempo de uma simplicidade ímpar. Aliás, ambos os desenhos, assim como toda a filmografia de Miyazaki, guardam semelhanças visuais inegáveis, mas isso não é um problema. É sempre um prazer acompanhar uma bela narrativa contada através de imagens de encher os olhos e personagens fantásticos que diferem totalmente do maçante estilo de animação que impera atualmente. Não que tais produtos sejam ruins, pelo contrário, existem vários primorosos, mais já chegamos a um ponto que até os temas se repetem ou alguém já se esqueceu da coqueluche que foram os desenhos cuja ambientação era o fundo do mar há alguns anos? Para não puxar a sardinha totalmente para o lado oriental do assunto, é preciso destacar que este filme tem certas semelhanças com o enredo de A Bela e a Fera que apesar de ser um clássico literário teve sua fama imortalizada pela Disney. Contudo, aqui temos uma reunião harmoniosa da maioria dos elementos que compõem um belo conto de fadas. Temos um príncipe, feiticeiras, um castelo, os seres inanimados que falam e uma donzela aparentemente frágil, mas cheia de coragem e determinação. Para quem conhece o estilo do diretor, obviamente já sabe que tais clichês das histórias clássicas são apresentados de maneira muito original, porém, preservando suas essências.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

UMA VIDA ILUMINADA

NOTA 7,0

Drama aborda a questão da
importância da preservação da
memória através dos objetivos de
um colecionador de lembranças
Todos ouvimos diariamente a exaltação aos avanços da modernidade e o pessoal que é ligado em tecnologia não tem do que reclamar. Praticamente toda a semana uma bugiganga nova é lançada e hoje é possível em um pequeno aparelho arquivar centenas de lembranças em forma de mensagens de texto, de voz, fotografias ou vídeos, podendo ser materiais pessoais ou de domínio público. O curioso é que mesmo com esses avanços parece que a população mundial está a cada dia com a memória mais curta. O dia-a-dia atribulado ou simplesmente por puro desprezo emocional acaba por fazer com que as pessoas esqueçam até mesmo momentos importantes com a família ou da sua própria vida. Você se recorda de algum objeto característico para lembrar-se da casa de seus avós? Lembra quem lhe deu aquele brinquedo que você tanto desejava no Natal quando era criança? Consegue ter a memória gustativa para lembrar o sabor do bolo de aniversário que ganhou e que mais gostou?  Podem parecer bobagens, mas são estas pequenas lembranças materiais ou emocionais que ajudam a contar a história de cada ser humano, justificar seu presente e de repente apontar caminhos para o futuro. Quem gosta de colecionar objetos provavelmente tem uma sensibilidade superior e desse hábito surgem histórias emocionantes, divertidas e até bizarras. Tem gente que coleciona selos de cartas, outros miniaturas de bonecos ou carrinhos e até moedas e notas de dinheiro antigas podem ter valor sentimental para alguns. O protagonista de Uma Vida Iluminada tem uma coleção bastante curiosa. Ele não se prende a um ou dois tipos de itens, simplesmente ele coleciona momentos da vida de alguém. Jonathan Safran Foer (Elijah Wood) é um judeu americano que após a morte recente do avô decide ir até a Ucrânia para tentar achar a suposta mulher que salvou a vida de seu avô durante a Segunda Guerra Mundial. Uma foto dela acompanhada do falecido e o pingente que ela usava na ocasião são as únicas recordações que ele tem do avô, itens que ele faz questão de guardar com todo cuidado em saquinhos plásticos individuais e etiquetados. Nessa viagem ele recebe a ajuda de Alex Perchov Jr. (Eugene Hutz), um atrapalhado tradutor, e do avô do rapaz, Alex (Boris Leskins), um homem mal-humorado e que está sempre na companhia de um cão-guia, pois afirma que está cego. Durante a jornada este inusitado grupo descobre segredos sobre a ocupação nazista que mexeram como o emocional de todos eles.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

SIMPLESMENTE FELIZ

NOTA 7,5

Com muita simplicidade e
sensibilidade longa é uma
boa lição de vida que exalta a
felicidade como bem maior
Em qualquer lugar do mundo existe muita gente que é supersticiosa e adora uma simpatia ou uma crendice popular para se apegar quando deseja ter sorte. E isso não é uma regra válida apenas para o primeiro dia do ano para atrair bons fluidos, para alguns é uma necessidade se dedicar constantemente a rituais que prometem auxiliar para conseguir dinheiro, sucesso, amor, saúde, mas no fundo tudo que as pessoas buscam pode ser resumido em uma única palavra: felicidade. A vida de qualquer indivíduo, independente do nível social, é marcada por momentos de tristeza e outros de alegria, sendo que os períodos de insatisfação costumam ser mais constantes, pois faz parte da natureza humana estar sempre almejando alguma coisa para ser feliz. Todavia, ver a vida e os problemas com um olhar mais otimista deveria ser regra básica para todos seguirem dia após dia. É dessa forma que vive a protagonista do filme Simplesmente Feliz, uma produção modesta que mistura drama e humor de forma eficiente, mas se não tem o poder de deixar ninguém extasiado ao menos consegue deixar qualquer um com uma sensação leve e esperançosa ao final. Para trazer a tona tanta sensibilidade para atingir o emocional do espectador, esse trabalho só podia mesmo estar nas mãos de alguém fora da muvuca hollywoodiana. Mike Leigh é um cineasta britânico muito respeitado e premiado que adora lidar com histórias humanas, até mesmo as mais espinhosas como, por exemplo, O Segredo de Vera Drake, uma de suas obras mais famosas e que discute o tema aborto. Depois deste trabalho denso, o diretor resolveu mergulhar em um universo leve e descontraído, uma essência que felizmente o título nacional preservou.  Existe tristeza nas histórias de humor da mesma forma que há espaço para a comédia nos dramas. Basicamente é esse pensamento que moveu Leigh na hora que concebeu o roteiro deste filme aparentemente despretensioso, mas que possui camadas mais profundas assim como sua protagonista que a primeira vista pode parecer um tanto infantil ou inverossímil, porém, uma pessoa comum que apenas deixa o seu bom humor ditar as regras de sua vida.  Poppy (Sally Hawkins) é uma professora de escola primária que é uma otimista incorrigível. Sempre vestida com roupas coloridas, usando muitos acessórios e mantendo um largo sorriso no rosto, ela tenta aproveitar ao máximo sua vida. Por gostar de brincar com situações sérias, ela passa a imagem de ser irresponsável, talvez por isso esteja solteira, e é desse modo que a enxerga Scott (Eddie Marsan), seu professor da autoescola, que não suporta a falta de atenção da moça ao volante e em tantas outras situações. Ela pode estar passando por problemas de relacionamentos ou no trabalho, pode levar várias broncas do instrutor por teimar em dirigir de salto alto ou até mesmo ter sua bicicleta roubada, não importa, Poppy sempre vê as coisas por um lado positivo e gargalha de si mesma e de tudo que lhe acontece diariamente.

terça-feira, 14 de maio de 2013

SUBMERSOS

NOTA 7,5
Apesar dos vários clichês,
longa se beneficia de
atmosfera claustrofóbica e
de situações limites
Muitos reclamam da qualidade e do artificialismo dos filmes atualmente, principalmente por conta da exagerada atenção dada aos efeitos especiais que em alguns casos podem detonar negativamente uma produção, todavia, o público ainda comparece em peso nos cinemas para ver obras do tipo e inconscientemente acabam por prejudicar trabalhos excepcionais e relativamente simples que acabam ficando sem espaço para exibição. Contudo, tal problema não é algo recente. Anualmente centenas de filmes de qualidade têm passagens relâmpagos ou sequer estréiam nos cinemas, chegam as locadoras timidamente, mas acabam encontrando espaço na TV para serem repetidos aos montes, porém, alguns sofrem com o fantasma do ostracismo em todos os caminhos que um longa-metragem teoricamente deveria percorrer, inclusive na telinha, como é o caso de Submersos, um eficiente suspense que tinha tudo para agradar uma parcela considerável de público, mas que no final das contas continua praticamente desconhecido até hoje. A ideia original é do cultuado Darren Aronofsky, de Réquiem Para um Sonho, que desejava unir suspense e aventura de guerra em um mesmo trabalho, este que seria o segundo com sua assinatura como diretor. No final das contas ele passou o cargo para David Twohy, de Eclipse Mortal, outro filme de carreira fracassada. Ambos dividiram os créditos como roteiristas, mas nem o nome de Aronofsky nos créditos, também como produtor, salvou a produção de submergir no limbo. Por outro lado, também não pode ser considerado um fracasso retumbante simplesmente porque não houve esforços para transformá-lo em um sucesso. Na época de seu lançamento, sem campanha alguma nos EUA e diretamente para locação no Brasil, ainda o público estava extasiado com o fenômeno de obras com conteúdo sobrenatural e psicológico como O Sexto Sentido Os Outros e estava na moda filmes sobre conflitos envolvendo submarinos e guerra como K-19 – The Windowmaker U-571 – A Batalha do Atlântico, assim o momento parecia propício para aproximar as duas temáticas em uma mesma obra, mas a predileção do público em geral pelo lixão hollywoodiano provavelmente pesou mais na hora dos executivos da produtora e da distribuidora pensarem no lançamento, assim preferiram poupar gastos com a divulgação de um suspense diferenciado que realmente não traz nenhuma cena de grande impacto que pudesse ser usada de forma isolada na publicidade. O medo aqui é crescente e depende da cadência de emoções, ou seja, da atenção dedicada ao enredo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

CLICK

NOTA 6,0

Adam Sandler repete mais
uma vez o papel do rapaz de
bem que acaba se metendo em
confusões buscando a felicidade
O dia-a-dia pode ser um tanto estressante devido aos compromissos profissionais e com a família, sobrando pouco ou nenhum tempo para uma pessoa pensar em si mesma. Quem nunca imaginou poder se livrar dos problemas mesmo que por alguns minutos todos os dias ou então conseguir controlar o tempo e as pessoas de acordo com sua própria vontade? Que bom seria se a solução pudesse estar na ponta dos dedos. Basta um simples toque em um controle remoto para calar ou congelar pessoas, voltar no tempo ou avançar para o futuro, enfim, uma infinidade de coisas poderia ser feitas com esse aparelho para tornar o seu dia o mais agradável possível. Em cima dessa fantasia é que se apóia a comédia Click, um exemplar típico do “feel good movie” ou em bom português o filme destinado a celebrar os valores familiares assim tornando-se uma opção que agrada a todas as idades, uma produção que não promete mais que puro divertimento. Apesar de recorrer a clichês como piadas visuais com animais simpáticos ou apelar um pouco a um humor grotesco envolvendo flatulências ou excrementos, contudo, prestando um pouco mais de atenção em seu enredo podemos encontrar uma boa lição de moral sobre o que fazemos com o nosso tempo. Não dá para simplesmente viver no passado. Querer chegar rapidamente ao futuro também pode não ser um bom negócio. O jeito é viver o máximo que puder e da melhor forma possível o presente. A história criada por Steve Koren e Mark O’Keefe gira em torno de Michael Newman (Adam Sandler), um jovem que é casado com Donna (Kate Beckinsale) com quem tem dois filhos, Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann). O rapaz está passando por um período de crise com a família, não por sua vontade, mas sim por causa de seus inúmeros compromissos profissionais em um escritório de arquitetura que lhe exige dedicação demais. Ele obedece as ordens como um cordeirinho porque deseja chamar a atenção de seu chefe Ammer (David Hasselhoff) e quem sabe conseguir uma promoção.

domingo, 12 de maio de 2013

A VIRGEM DE JUAREZ

Nota 2,5 Temas polêmicos envolvendo religião e crimes são desperdiçados por falta de coragem

Ter certo apego a algum tipo de religião faz bem, mas pode se tornar algo perigoso quando as crenças tomam proporções exageradas. São vários os casos espalhados pelo mundo todo sobre pessoas comuns que repentinamente passaram a ser idolatrados como ídolos religiosos, mas tais exemplos são mais frequentes em países latinos devido as suas tradições predominantemente católicas. Também são corriqueiras as notícias de que em regiões menos favorecidas muitas mortes acontecem e geralmente envolvendo imigrantes que buscam melhores condições de vida, sendo que as mulheres são as principais vítimas. O diretor Kevin James Dobson aliou estes dois temas em A Virgem de Juarez, que traz a atriz Minnie Driver interpretando Karina Davies, uma repórter investigativa que viajou para Juarez, uma pequena e antiquada cidade que fica na fronteira entre o México e os EUA, para fazer reportagens sobre a série de assassinatos de mulheres que estavam ocorrendo no local. A coincidência é que todas as vítimas são imigrantes e operárias de fábricas da região, o que indica que uma gangue organizada está envolvida nestes casos. Todavia, o que impressiona a jornalista é a história da “Virgem de Juarez”, uma garota que sangra nas mãos através de misteriosas chagas, semelhantes a de Jesus Cristo quando crucificado, o que seria um sinal de santidade. Mariela (Ana Claudia Talancón) reforça os boatos afirmando que viu a Virgem Maria e que ela lhe passou uma missão. Karina então vê a garota ser explorada como um símbolo religioso com o consentimento de Herrera (Esai Morales), um pároco local, e vai fazer de tudo para abrir os olhos da jovem e denunciar o esquema de corrupção ali instaurado, contudo, vai acabar mexendo em um verdadeiro vespeiro. Como a personagem de Driver diz, em outras palavras, se muitas reportagens foram publicadas sobre estas situações problemáticas e nada foi feito para barrá-las não se deve abandonar os casos. Mesmo com todos os indícios sobre exploração de trabalhadoras, sequestros, mortes e ligação de grupos religiosos com estes e outros crimes, as autoridades pouco fazem para detê-los alegando falta de estrutura e problemas burocráticos para agirem ativamente. Por isso até hoje os noticiários vira e mexe trazem a tona tais assuntos e muitas vezes com finais trágicos.

sábado, 11 de maio de 2013

PRESENÇA DE ELLENA

Nota 6,0 Baseado em fatos reais, suspense feito para a TV perde fôlego pelo excesso de pistas

A mente humana é uma caixinha de surpresas e por isso não devemos nos surpreender com os mais estapafúrdios casos policiais envolvendo pessoas com distúrbios psicológicos. Dependendo dos motivos que levam uma pessoa a ter um comportamento criminoso podemos julgar uma bizarrice, mas por incrível que pareça casos semelhantes podem ser mais comuns do que imaginamos. Erotomaníacos é o nome dado as pessoas que passam a se comportar de forma diferenciada e erotizada após sofrerem alguma grande decepção ou trauma em relação ao sexo e então começam a perseguir algum objeto de desejo podendo chegar a atos extremos e perigosos, sendo um distúrbio mais comum em mulheres. Esse pode ser o problema da protagonista de Presença de Ellena, roteirizado por Matthew Tabak que se baseou em um artigo redigido por Marie Brenner inspirado em fatos reais. Ellena Roberts (Jenna Elfman) certo dia se encontrou por um acaso com o famoso médico David Stillman (Sam Robards) na porta de um aeroporto e aceitou uma carona. Após um jantar, eles passam a noite juntos. Os encontros começam a ficar cada vez mais constantes, mas o problema é que ele é um homem casado e não aceita abandonar sua esposa e família. Assim, Ellena começa a enviar cartas e a telefonar para a residência do amante e até mesmo passa a assumir a identidade de sua rival, Claire (Jane Wheeler), em algumas ocasiões para ter acesso ao médico. O caso vai parar nos tribunais sob a alegação de assédio e ameaças à integridade física e moral da família Stillman e a moça é defendida pela advogada Sara (Kate Burton), esta que se surpreende conforme vai se aprofundando no caso. Defendendo o médico está Sam (Mark Camacho), este que afirma que a história do romance entre Ellena e David não passa de uma fantasia psicótica da acusada. De que lado a verdade está?

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ONDE ESTÁ A FELICIDADE?

NOTA 5,0

Comédia nacional adota estilo
de especial de TV, mas tenta
achar um equilíbrio entre o
comercial e o artístico
Para as novas gerações os nomes de Carlos Alberto Ricelli e Bruna Lombardi podem soar estranhos ou pertencentes a uma elite de intérpretes que resolveram dar uma de intelectuais e se dedicar apenas ao cinema. Figuras marcantes em novelas de sucesso dos anos 80, já faz muitos anos que eles praticamente abandonaram a TV e foram viver nos EUA em busca de melhor qualidade de vida e conhecerem mais profundamente os segredos da sétima arte. Todavia, em seu terceiro filme como diretor, Ricelli parece usar realmente os recursos que aprendeu nos bastidores de produções destinadas à “telinha”. Onde Está a Felicidade? mantém a fórmula que há anos vem atraindo público: humor rasteiro, timing e estética de seriado ou novela, eminência de um final feliz desde a arte publicitária e o bombardeio de chamadas entre os intervalos da programação da Globo, uma estratégia de lançamento que geralmente começa a ser feita uns dois ou três meses antes da estreia para provocar a vontade do público. Contudo, a receita mágica neste caso falhou. Esta comédia ligeira não fez o barulho esperado talvez porque os primeiros espectadores trataram de fazer o boca-a-boca negativo, seguido dos comentários pouco auspiciosos da crítica especializada. A pergunta que dá título ao filme pode parecer muito simples, mas no fundo ela é um tanto complexa e não tem uma resposta exata. Cada pessoa tem algo que lhe faz feliz e essa tal felicidade pode variar de acordo com o passar do tempo e estado emocional. Em geral, a temática da busca de um sentido na vida ou a alegria plenamente satisfatória busca respostas em um novo amor, sucesso profissional, em uma viagem para autoconhecimento ou um trabalho voluntário. O leque de opções para trabalhar tais temas é bem grande e o que se busca pode estar nas pequenas coisas do cotidiano, mas nem sempre tal descoberta é tão simples. No caso da protagonista desta comédia, Teodora (Bruna Lombardi, também autora do roteiro) está desesperada por um caminho a dar a sua vida depois de sofrer o baque de descobrir que seu marido Nando (Bruno Garcia) estava mantendo um relacionamento com outra mulher, ainda que isso não passasse de um passatempo através de chats da internet. Totalmente desestabilizada, ela acaba falando mais do que devia e perde seu posto de apresentadora de um programa culinário de TV. Desiludida com a vida, esta mulher resolve partir para uma viagem de autoconhecimento percorrendo o famoso caminho de Santiago de Compostela na Espanha. Enquanto Nando está no Brasil dispensando seu tempo com conversas rasas com os amigos tentando decidir se aceita a separação ou tenta reconquistar o seu grande amor, as sequências que mostram a peregrinação de Teodora até que garantem um sorriso no rosto mais ou menos constante.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

AS LOUCURAS DE DICK E JANE

NOTA 8,0

Jim Carrey e Téa Leoni
esbanjam sintonia e simpatia
vivendo um casal que entra de
gaiato no mundo dos crimes
Não importa o quanto o tempo passa ou o quanto se esforce, mas parece que Jim Carrey está fadado a ser amado e odiado em proporções semelhantes. Se para alguns ela provoca riso fácil com suas caras e bocas, para outros elas não passam de características de um bocó irritante. Quem aprecia comédias rasgadas certamente aprova as atuações do ator que vira e mexe tenta (e consegue) expor seu talento dramático, mas inevitavelmente está sempre com um projeto cômico engatilhado. Em As Loucuras de Dick e Jane mais uma vez ele não decepciona a quem curte seu jeito elétrico e despachado de atuar. Este filme é quase uma refilmagem de um trabalho da década de 1970 chamado Adivinha Quem Vem Para Roubar, mas só a premissa foi mantida. A história foi reformulada e adaptada para os novos tempos, sobrando até rápidas piadas críticas a respeito da imagem do imigrante latino nos EUA. Porém, o foco mesmo é fazer graça com piadas acerca de escândalos administrativos, algo muito em evidência na época do lançamento, usando o astro da comédia como o laranja de uma operação fraudulenta. A ideia principal poderia render uma comédia mais adulta, uma sátira mais refinada, mas foi feita a opção pelo humor rasgado e popularesco, porém, tal definição não deve ser confundida com grotesco. Dick (Carrey) e Jane Harper (Téa Leoni) formam um casal feliz com um filho pequeno e que levam uma vida confortável, mas eles querem mais e a grande chance parece bater à porta deles quando o patriarca do clã é promovido repentinamente a vice-diretor de relações públicas de uma grande corporação a qual se dedica há vários anos. Achando que vai ganhar horrores, o casal passa a comprar todos os bens de consumo que tanto desejavam, porém, a farra dura pouco. Logo vem a tona a notícia da falência da empresa devido a um desvio de dinheiro gigantesco feito pelo desonesto presidente da mesma, Jack McCallister (Alec Baldwin), e a bomba estoura nas mãos de Dick. A partir daí vemos uma série de esquetes cômicos nos quais os mais novos falidos da praça tentam reconquistar o padrão de vida que tinham ou ao menos não morrer de fome praticando roubos. Essa é a deixa para Carrey usar seu potencial físico e vocal para provocar humor seguido de forma tímida por sua parceira que parece transparecer preocupação ou ser mais sensata.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

KING KONG (2005)

NOTA 10,0

Após uma trilogia de sucesso,
Peter Jackson não decepciona ao
ousar trazer para as novas
gerações um ícone do cinema
Em 1933, ele surgiu em versão stop-motion e em preto e branco em um filme que é considerado o pai do estilo arrasa-quarteirão de fazer cinema. Em 1976, ganhou uma superprodução, desta vez em cores, o que realçou seu impacto em tela grande, mas não o livrou de ser surrado pela crítica. Além destes longas, ele surgiu em outras dezenas de pequenas e trashs produções que levavam seu nome, todas totalmente esquecíveis. Essa figura até já passou por um combate com o famoso monstro oriental Godzilla em mais uma das pérolas que tentaram obter fama às suas custas. Tantas aparições certamente desgastaram sua imagem, mas o diretor Peter Jackson acreditava que ele ainda poderia ser aceito no século 21.  Um gorila gigantesco com alma bondosa e considerável dose de inteligência é o chamariz de King Kong, um filme declaradamente feito para entretenimento, o que gerou muitas discussões. A recente reinvenção da história do primata de tamanho descomunal foi aguardada com muita expectativa, fez bastante dinheiro, colheu prêmios por sua parte técnica, mas não escapou de críticas negativas, principalmente dos especialistas na área que procuraram as mínimas falhas para destilar seus venenos em jornais, revistas e sites. O que eles esperavam? Um drama existencialista e cheio de mensagens subliminares em uma obra cujo protagonista é um grande animal selvagem? Para aqueles que na época concordaram com os críticos, vale a pena ver mais uma vez, mas com olhar de espectador de fim de semana. Assim é possível entender o sentido desta aventura milionária ter sido feita e encontrar alguns aspectos interessantes que soam como homenagens. Jackson entregou uma produção ágil, divertida, cheia de efeitos especiais e jogou o espectador em um mundo repleto de situações fantásticas. O melhor de tudo é que esta história pode ser apreciada por uma parcela bem maior de público já que não é preciso ter conhecimento prévio dos personagens e local onde a ação se passa, pois tudo está concentrado em um único longa, o grande pecado das chamadas obras-primas do cineasta (a trilogia O Senhor dos Anéis). A história roteirizada pelo próprio diretor em parceria com Fran Walsh e Philippa Boyens é basicamente a mesma do original. Passado na década de 1930, época em que os EUA viviam a Grande Depressão, período em que milhares de pessoas tentavam sobreviver como podiam em meio a uma violenta crise financeira, o longa começa nos apresentando a Ann Darrow (Naomi Watts), uma atriz que procura emprego em um cabaré. Por um acaso do destino, eis que ela conhece Carl Denham (Jack Black), um cineasta com uma excelente proposta de trabalho. Quando ela embarca em um navio rumo a uma misteriosa ilha onde serão feitas as filmagens, ela se encontra com o conceituado roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody) e ambos se apaixonam imediatamente, mas viver esse amor durante a viagem será algo impossível. Mal sabem eles os perigos que a tal ilha esconde. Lá eles são atacados por um grupo de nativos que precisam sacrificar um humano para afastar uma criatura do mal. Não é preciso ser adivinho para saber que a tal ameaça é King Kong e os perigos que estão por vir. Será mesmo?

terça-feira, 7 de maio de 2013

LADO A LADO

NOTA 9,0

Com dois papéis femininos de
peso, drama sobre tolerância,
amizade e relações familiares
é uma opção excelente até hoje
Já faz algum tempo que as sociedades de todos os países em geral estão sofrendo reformulações. O conceito da família unida e feliz hoje em dia já não é mais uma unanimidade. Embora muitos núcleos familiares em ruínas ainda prefiram viver uma felicidade de fachada, outros clãs preferem assumir a separação. Ou melhor, os pais decidem pela ruptura quando os desentendimentos começam a ser mais constantes que os momentos de alegria, mas os filhos são um elo para sempre entre eles. O pai e a mãe têm o direito de tocarem suas vidas como bem entenderem, podendo manter relações cordiais ou não, mas e se caso eles encontrem um novo amor? Tal pessoa deve ser incorporada como um novo membro da família? Muitos anos já se passaram desde o lançamento de Lado a Lado, mas ele ainda continua um bom exemplo de filme para colocar em discussão tais relações. Perdoar e compreender o outro são algumas das mais importantes e difíceis tarefas que o ser humano tem e uns dos temas mais comentados talvez desde os primórdios das civilizações, o que implica intimamente no aprendizado de conviver com seus semelhantes em harmonia. São justamente esses itens que conduzem a narrativa escrita por Ron Bass que soube lapidá-los e escrever um texto que equilibra com perfeição situações dramáticas e outras de humor sutil protagonizadas por mulheres que irradiam veracidade, um convite e tanto para unir duas grandes estrelas de Hollywood. A trama gira em torno da rivalidade existente entre Jackie (Susan Sarandon) e Isabel (Julia Roberts). A primeira é a ex-esposa de Luke (Ed Harris), com quem teve dois filhos, Anna (Jena Malone) e Ben (Liam Aiken). Já a segunda é a atual namorada deste chefe de família que se encontra em uma complicada situação. Mantém uma relação amigável com a antiga mulher, mas esta não tolera a sua nova companheira e não perde a chance de criticá-la e envenenar a relação. O filho caçula até aceita a nova união do pai, mas sua irmã é uma adolescente que se revolta, pois ainda deseja a reconciliação dos pais. Luke por sua vez tenta de tudo para que sua namorada seja aceita por todos. Entre discussões e fofocas, a trégua entre Jackie e Isabel acaba por acontecer de uma maneira inesperada. A mãe das crianças revela que está com um grave câncer e agora precisa aceitar o fato que sua então inimiga mais cedo ou mais tarde tomará conta de seus filhos. Só que até as duas entrarem em um acordo muita coisa pode acontecer.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SEM RESERVAS

NOTA 7,0

Apesar do jeitão de comédia
romântica, refilmagem de
obra alemã investe mais em
drama, mas não poupa açúcar
Nem só de refilmagens de terror e suspenses orientais vive o cinema americano quando existe escassez de ideias. Muitas obras europeias pouco a pouco vão ganhando suas versões americanizadas e antes que alguém se desespere acreditando que um filme muito bom será reduzido a pó em sua releitura é bom deixar avisado que sempre há uma luz no fim do túnel. A comédia romântica Sem Reservas é um bom exemplo que mostra que o que já era bom pode ficar ainda melhor. Baseada no longa alemão Simplesmente Martha, esta produção é um achado em meio a mesmice que se encontra no gênero das comédias românticas, em geral sempre repetindo velhas e manjadas fórmulas que não acrescentam nada de novo. Neste caso as coisas não são muito diferentes, porém, é perceptível que a atualização do texto original para os padrões hollywoodianos foi bem feitinha, as atuações são vigorosas e sentimos certo ar europeu na idealização das imagens e narrativa. Ok, pode ser um pouco de exagero dizer que este trabalho do diretor Scott Hicks é excepcional, mas ao menos o remake não manchou a reputação da obra original de Sandra Nettlebeck, ainda que muitos o considerem apenas mais uma historinha água com açúcar para agradar a mulherada e facilmente esquecível. O longa conta a história de Kate Armstrong (Catherine Zeta-Jones) uma famosa chef de restaurante reconhecida por seu talento, perfeccionismo e personalidade forte. A moça leva uma vida solitária e encontra na cozinha o seu melhor refúgio, porém, sua rotina irá mudar drasticamente por causa de um fato inesperado. Sua irmã morre em um acidente de carro e ela é obrigada a tomar conta de sua sobrinha de apenas dez anos, Zoe (Abigail Breslin), embora ela não seja muita amigável com crianças. O relacionamento das duas não é dos melhores, mas as coisas pioram quando os ânimos de Kate ficam em ebulição com a chegada de um novo cozinheiro, o espaçoso e animado Nick Palmer (Aaron Eckhart), o que ela encara como uma ameaça a seu emprego. Bem, com uma trinca de atores talentosos e simpáticos em cena dificilmente alguém não se sente instigado a dar uma conferida no filme.

domingo, 5 de maio de 2013

ALMA DE CAMPEÃO

Nota 3,0 Drama sem sal nada mais é que um apanhado de clichês de filmes edificantes

Quando um ator já começa a carreira em alta deve estar preparado para o que vem pela frente. Se subir cada degrau rumo ao sucesso já é difícil, mais problemático ainda deve ser passar ileso pela fase da busca da estabilidade quando não se tem uma plena vivência das etapas comuns à profissão de ator. Figuração, elenco de apoio e coadjuvante. Talvez estas sejam as três etapas básicas pelas quais um intérprete deveria passar antes de chegar ao posto de protagonista, mas para quem já faz sua estreia no topo com uma ajudinha da sorte precisa depois provar que merece continuar ocupando tal vaga de destaque. É esta fase que Zac Efron vivenciou após despontar facilmente como ídolo teen em High School Musical. Ele tentou se manter em evidência e com seu nome encabeçando elencos, porém, suas escolhas profissionais não lhe favoreceram. Nas comédias 17 Outra Vez Hairspray – Em Busca da Fama ele repetiu o perfil de bom moço e em ambos os trabalhos seus personagens agregavam certas características que os tornavam um repeteco do que já havíamos visto em sua estreia. No leve drama Alma de Campeão as coisas não são diferentes. Aqui ele dá vida à Patrick McCardle, um adolescente que se dedica ao beisebol apenas para satisfazer o pai, um ex-jogador. Sem saber o que quer da vida, o garoto acaba encontrando inspiração nas conversas que tem com Houston Jones (Bill Cobbs), um ex-treinador de cavalos de corrida cuja reputação não é das melhores devido aos seus problemas com bebidas. Procurando ajudar a si mesmo e também ao amigo, Patrick convence Houston a treiná-lo para uma famosa competição, o que não é sua especialidade, e também enfrenta sua família que inicialmente não aprova esta amizade. Em meio aos treinamentos, o rapaz não só viverá os desafios de conquistar a confiança de um cavalo, mas também receberá valiosas lições de vida envolvendo o primeiro amor, quebra de preconceitos, humildade e superação.

sábado, 4 de maio de 2013

DUETS - VEM CANTAR COMIGO

Nota 3,5 Através dos esforços em um karaokê, grupo procura encontrar caminhos para suas vidas

Sinopse: Seis pessoas de universos completamente diferentes resolvem dar um tempo em suas vidas metódicas e aceitam o desafio de cantarem em um concurso de karaokê que oferece um prêmio milionário. Essas pessoas são: Suzi Loomis (Maria Bello), uma garçonete desesperada para ir para Califórnia e se tornar uma cantora de sucesso; Reggie Kane (Andre Braugher), um ex-presidiário que não tem a menor vontade em obedecer as regras da sociedade e que canta com a voz de um anjo; Todd Woods (Paul Giamatti), um vendedor atrás do sonho americano; Ricky Dean (Huey Lewis), um aficionado por karaokê que não tem nenhuma ligação com ninguém e com nada; Liv (Gwyneth Paltrow), uma inocente dançarina de Las Vegas em busca de família e amor; e Billy (Scott Speedman), um jovem motorista de táxi. Mais importante que o dinheiro que está em jogo é o enriquecimento pessoal que será proporcionado.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

SINAIS

NOTA 9,0

Para falar da importância da
fé, união familiar e de quebra
oferecer bons sustos, longa
aborda tema de ficção científica
Já faz algum tempo que o mundo todo vive um período em que se discute muito a respeito do poder das religiões, seja de forma positiva ou negativa, e certamente todos já ouviram dizer que quando deixamos de acreditar no poder da fé abrimos as portas para as forças ocultas atuarem. Colocar tal tema em evidência era a proposta real de Sinais, mas as intenções ficaram perdidas pelo caminho, ou melhor, acabaram sendo sucumbidas. O assunto que se destaca realmente é a possível presença de extraterrestres em nosso planeta baseando-se em eventos misteriosos amplamente divulgados pela mídia e vendidos como realidade na década de 1970. Sucesso de crítica e público nos EUA, a má recepção que esta produção teve no Brasil foi mais uma injustiça feita ao diretor e roteirista M. Night Shymalan que infelizmente vive com a fama de ser o tipo de diretor de um filme só. Até hoje ele é assombrado por seu grande sucesso O Sexto Sentido e viu seus trabalhos seguintes serem massacrados por opiniões negativas. Será que realmente ele perdeu a mão ou os espectadores é que estão exigindo demais de um homem que praticamente começou a carreira já surpreendendo? A segunda hipótese é a mais correta, pelo menos analisando os seus três trabalhos seguintes (Corpo Fechado, A Vila e o filme aqui em julgamento). Todos eles são produções de alta qualidade de entretenimento engajados com temáticas relevantes, mas que gradativamente provaram que o prestígio do cineasta caia com a mesma rapidez que aconteceu sua ascensão. É difícil expressar uma opinião honesta e individual quando meio mundo não compartilha dos mesmos pensamentos, mas realmente classificar este filme como ruim é demais. Regular ainda é discutível, mas talvez seja a alternativa mais correta. Em seu terceiro filme hollywoodiano com grande distribuição, o cineasta indiano investiu novamente naquilo que lhe trouxe notoriedade: personagens com história de vida para o espectador criar um elo, atmosfera de arrepiar, sequências incômodas de silêncio e introdução dos elementos clássicos de terror nos momentos oportunos. Bem, se muitos filmes sobre alienígenas decepcionam por não mostrarem as criaturas, aqui elas até aparecem demais e provocam um anticlímax. Só pode ser essa a grande queixa daqueles que apedrejam este trabalho. Shymalan errou ao trocar o horror sugestionado pelo explícito. Na realidade até pouco mais da metade do filme o diretor felizmente usa sons e imagens em relances para assustar e mesmo depois que a ameaça se revela em carne e osso (ou seja lá do que são feitos os corpos dos extraterrestres) a tensão não cai, pelo contrário, até aumenta. É o pulo do gato do roteiro. O espectador é convidado a participar do claustrofóbico lar da família Hess desde o início, já que basicamente todas as ações ocorrem por lá, mas no final a relação entre espectador e cenário é intensificada afinal eles literalmente se isolam do mundo. Nesta casa localizada em uma região rural da Pensilvânia vive Graham (Mel Gibson), um homem que abandonou a igreja após a morte de sua mulher em um acidente, seus dois filhos, Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin), e seu irmão Merrill (Joaquim Phoenix). A paz deles é interrompida com o surgimento de grandes círculos em meio a suas plantações de milho, como se algo gigantesco tivesse pousado ali. O mesmo fenômeno começa a acontecer em outras fazendas mundo afora e tudo indica que seres de outros planetas estão rondando essas propriedades.

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