sábado, 18 de abril de 2020

MARA - O DEMÔNIO DO SONO

Nota 3,0 Com todos os clichês possíveis, longa não assusta e nem cria vínculos com o espectador

Nos últimos anos o gênero de horror renovou seus ânimos com a influência e participação de vários países que passaram a investir em produções assombrosas. Contudo, para cada obra acima da média ou excelente devem surgir pelo menos meia dúzia de projetos desnecessários. Produzido pelo Reino Unido, mas com todos os vícios possíveis de Hollywood, Mara - O Demônio do Sono é um desses filmes bobos que estão sendo feitos aos montes para abastecer os diversos serviços streaming. Eles encontram dificuldades para serem lançados em cinemas porque em geral não animam nem mesmo seus realizadores, mas o longa em questão até teria um bom argumento a seu favor ao abordar um assunto ainda pouco falado. A paralisia do sono é um fenômeno que intriga a ciência e basicamente o termo é aplicado aos casos em que o cérebro do paciente desperta antes do seu corpo. Quem sofre desse mal fica acordado mentalmente e ainda adormecido fisicamente, podendo assim ter alucinações comumente evoluídas para pesadelos que levam ao estado de desespero emocional pela impossibilidade de reagir aos estímulos com movimentos corporais. É uma condição que em nada tem a ver com fenômenos paranormais e que praticamente todos vivenciam ao menos uma vez na vida, mas em alguns casos começa a se manifestar com maior frequência e atrapalhando a vida dos acometidos transformando-se em paranóia. Seria um tema dos mais interessantes para um filme, mas infelizmente o roteirista Jonathan Frank prefere transformar o problema em um evento sobrenatural. Kate (Olga Kurylenko) é uma psicóloga designada para atender uma menina chamada Sophie (Mackenzie Imsand) cujo pai foi assassinado enquanto dormia. As suspeitas recaem sobre a esposa do falecido, Helena (Rosie Fellner), mas sua filha afirma que a responsável foi Mara, nome que, mais tarde, é atribuído a uma entidade maligna que ataca suas vítimas enquanto dormem. Com a suspeita presa e outras mortes similares acontecendo,  a médica resolve participar das investigações e não demora muito para começar a ter visões da tal criatura e desconfiar que possivelmente será uma das próximas vítimas.

A certa altura é revelado que a tal entidade é uma crendice popular que não faz parte da cultura do país dos personagens. Assim como A Maldição de Chorona que se baseia em uma lenda latina, o argumento de Mara - O Demônio do Sono também busca adaptar uma crença de países mais supersticiosos. No Brasil ela é conhecida como o mito da Pisadeira, o fantasma de uma mulher que surge durante o sono e sufoca a vítima pisando com força em seu peito aproveitando-se do estado inerte de quem sofre da tal paralisia do sono. A doença já foi abordada em obras como Vampiros de Almas, Pesadelos Mortais, Sono Mortal e teve seu ápice na franquia A Hora do Pesadelo, embora a figura do lendário Freddy Krueger, que deveria ser uma alegoria sobre o tema, acabe dissipando o foco. Clive Tonge, então estreante no comando de longas-metragens, entrega uma obra calcada em clichês e que busca sustos com o apoio de recursos sonoros estridentes. Até existe boa vontade em uma ou outra cena de manter a tensão em alta com alguns personagens se esforçando para se manterem acordados e sentindo a presença da entidade, mas nada que salve o filme. A criatura não é mostrada em sua totalidade, mas o pouco que se vê é decepcionante. Todas as suas aparições frustram por serem extremamente convencionais, já foram vistas em produções similares principalmente nos originais e refilmagens de fitas de horror orientas. O roteiro até busca meios para sustentar a lenda, tem até o cuidado de explicar que Kate começou a ter estranhas visões por estar impressionada com a história com a qual teve contato, mas o que fica latente é o velho ditado do quem procura acha. A psicóloga quis bancar a detetive e acabou virando alvo em potencial. Kurylenko já tem suas naturais limitações como intérprete e fica ainda mais engessada na pele de um personagem estereotipado e com o qual dificilmente se cria empatia. Ao menos o filme pode servir como teste para descobrir se o espectador tem paralisia do sono. Será que você vai fechar os olhos e encontrar forças para desligar essa baboseira?

Terror - 98 min - 2018

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