Nota 7,5 Terror mexicano mistura zumbis e fatos históricos e coloca mocinhas dúbias em destaque

Dirigido por Juan Antonio de la Riva, não é comum uma produção de terror mexicana ultrapassar fronteiras, mas Ladronas de Almas chamou a atenção em alguns festivais e tem conseguido distribuição mundial em serviços de streaming, o que é ótimo para fugir da mesmice das fitas do gênero de Hollywood, asiáticas ou até mesmo espanholas que já passaram da fase de surpreender. O roteirista Christopher Luna, a partir de uma mórbida lenda local, foi bastante criativo e original ao unir zumbis e fatos históricos do país, duas temáticas bastante diferentes, mas a fusão resulta em um filme interessante e envolvente. Embora não se proponha a dar uma aula de História e felizmente evite o uso de palavras e expressões datadas, a trama preza pela seriedade e evita qualquer sugestão de humor involuntário, o que seria uma armadilha fácil de se cair. Até a caracterização dos mortos-vivos, embora apenas um ganhe mais tempo e importância na trama, é bem feita e não dá margens para ridicularizações. A atmosfera conseguida também é digna de nota. As ruínas da fazenda incrustrada em uma região desértica está dentro do contexto histórico e ajuda a criar a sensação de que a qualquer momento algo inesperado pode acontecer, embora a verdadeira ameaça encontre-se dentro da residência dos Cordero. Interessante a inversão de papéis proposta. Os mercenários que surgem com postura mansa para depois revelar suas reais intenções são alçados ao posto de vítimas, mas dificilmente sentimos pena deles. As donzelas da casa mostram-se espertas e preparadas o bastante para defender suas honras e patrimônio, além de vingar a morte da mãe, assim é bem mais fácil criar empatia com elas e por mais que sejam violentas e sanguinárias é difícil as enxergar como vilãs. Contudo, o diretor sabe usar a violência e o gore com parcimônia, jamais deixando a trama refém desses artifícios. Seu foco é delinear bem as personagens em um primeiro momento para aos poucos subverter as posições conforme fatos do passado da família e dos insurgentes vão sendo esclarecidos. Só por apresentar em uma seara atípica as mulheres como heroínas, mas longe do estereótipo clássico que a palavra evoca, este filme já mereceria destaque, porém, vai além despertando interesse em conhecer a História do México e sua filmografia, assuntos infelizmente ainda restritos à sua própria pátria.
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