sábado, 29 de dezembro de 2018

SEGREDO DE SANGUE

Nota 4,0 Intrigas manjadas tentam segurar trama que não se aprofunda no tema possessividade

Jessica Lange já viveu seus tempos de glória, sendo uma das atrizes mais requisitadas na década de 1980, mas após conquistar seu segundo Oscar por Céu Azul em 1995 parece que o cinema a esqueceu. Ou seria o contrário? Ao aceitar co-estrelar o suspense Segredo de Sangue, genérico desde o título, parece que a estrela já não fazia mais questão alguma de ver seu nome emparelhado ao lado de outras grandes intérpretes em premiações renomadas. Só assim para explicar a sua até então inédita indicação ao Framboesa de Ouro, um mimo para os piores do cinema. Ela dá vida à Martha Baring, uma milionária de meia-idade acostumada a controlar a vida de Jackson (Jonnathon Schaech), seu único filho, um rapagão que mesmo morando em Nova York, longe dos olhos da mamãe, não foge de sua vigilância. Ela sabe que ele tem suas aventuras sexuais, mas jamais se preparou para o momento em que o rapaz decidisse lhe apresentar sua futura nora de fato. Eis que ele decide voltar à fazenda onde cresceu e visitá-la para os festejos de fim de ano levando a tiracolo não apenas a noiva Helen (Gwyneth Paltrow), mas sim a mãe de seu herdeiro que já cresce em seu ventre. O casal buscava refúgio após uma traumática situação de violência, porém, mal sabiam o que os esperava no campo. Lembram-se da reação de Jane Fonda em A Sogra ao ser apresentada à namorada do filho? Sua personagem no exato momento que conhece a futura nora começa a imaginar que está torturando a moça. Lange tem reação parecida, mas na cabeça de sua possessiva criação não paira uma cena besteirol com direito a enfiar a cara em um bolo e sim uma sequência de episódios para perturbar psicologicamente a jovem que acreditava estar sendo recebida naquela casa com total cordialidade. Contudo, não demora muito para ela se sentir desconfortável sob o mesmo teto que a sogra, principalmente quando descobre que ela rejeita e maltrata Alice (Nina Foch), a avó de seu marido.

Como a mocinha sofredora, mas que obviamente bola um plano para desmascarar a sogra, Paltrow não demonstra a coragem necessária para justificar o ato final, mas também pode ser que a personagem defendesse o ditado popular de que a vingança é um prato que se come frio. Contudo, a julgar pela estética e ritmo de telefilme, seria esperar demais que a trama se preocupasse em surpreender com algum rompante da protagonista que irrita com tanta ingenuidade. Um desempenho pífio para a atriz que no mesmo ano ganhou o Oscar por Shakespeare Apaixonado e nem tal propaganda colaborou para o sucesso deste suspense. Schaech também não ganha bons momentos do roteiro de Jane Rusconi e Jonathan Darby, este que também assina preguiçosamente a direção. O rapaz é uma mera desculpa para o confronto entre as duas mulheres de sua vida e aceita de forma natural e passivamente a crueldade de sua progenitora. Lange, embora longe de seu potencial, é o que de melhor Segredo de Sangue tem a oferecer interpretando uma mulher que alimenta um amor tão possessivo pelo filho que soa até como incestuoso. Maquiavélica, a atriz deita e rola com os planos soturnos de sua personagem, no entanto, o diretor se preocupa tanto em criar (ou seria reciclar?) situações de tensão para amedrontar a mocinha da fita que não oferece a chance para ela assimilar e as revertê-las, o que a enfraquece como heroína e fazendo-a parecer mais um fantoche. O espectador menos exigente e fã de tramas novelescas deve se entreter com tudo que acontece e não duvide que possa existir quem se identifique com um trio de personagens centrais tão unilaterais. O problema maior fica para os momentos finais quando a megera ganha contornos de vilã de desenho animado caindo no ridículo. Com conclusão ligeira e aos trancos e barrancos, este é o típico filme que costumava preencher as estantes das videolocadoras e que serviam como substitutos aos bombados lançamentos. Diverte numa noite de tédio, mas é esquecido rapidamente.

Suspense - 88 min - 1998
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