sábado, 26 de abril de 2014

A ÚLTIMA APOSTA

Nota 6,0 Apostadores e bandidos têm suas vidas ligadas em drama que podia render mais

Todas as pessoas estão em busca de algo. Amor, felicidade, saúde, dinheiro ou, em outras palavras, simplesmente mais vida. Contudo, estes objetivos exigem cautela, pois se não tomar cuidado você pode acabar ficando com menos do que já tem. É basicamente com este pensamento que o diretor Mark Rydell abre seu drama A Última Aposta, obra em estilo mosaico na qual as vidas de pessoas completamente diferentes acabam se cruzando por causa de um ponto em comum: a obsessão por apostas. Carol (Kim Basinger) é uma escritora viciada em jogos de máquinas caça-níquel, embora quando ganhe sejam apenas alguns trocados insignificantes. Sua obsessão por sempre tentar ganhar mais acaba atrapalhando sua vida profissional, já que gasta muito tempo em cassinos e não se concentra para escrever, e também sua vida particular, visto que suas incessantes desculpas para chegar tarde em casa já estão chamando a atenção de Tom (Ray Liotta), seu marido. Certo dia, ela acaba conhecendo por acaso Walter (Danny DeVito), um mágico frustrado e trambiqueiro que se aproveita da compulsão da escritora para incentivá-la a lhe ajudar a apostar em um campeonato de basquete universitário cujo resultado ele sabe que já foi arranjado. Neste jogo irá participar o jovem Godfrey (Nick Cannon), uma promessa do esporte e a tábua de salvação para seu irmão mais velho, Clyde (Forest Whitaker), este que exige esforços do rapaz, pois tem certeza que olheiros estarão acompanhando a partida e irão oferecer um contrato milionário para o melhor jogador. Clyde deve muito dinheiro à Murph (Grant Sullivan) e Augie (Jay Mohr), dois rapazes que ganham a vida realizando apostas clandestinas via telefone e não medem esforços para cobrarem suas dívidas, mesmo que seja necessário matar. De olho na dupla está o empresário do submundo Victor (Tim Roth), que usa da corrupção para controlar e lucrar com apostas e pode estar envolvido em uma misteriosa morte que está sendo averiguada pelo detetive Brunner (Kelsey Grammer).

A rede do vício está montada. Além dos problemas principais, cada personagem ainda terá que lidar com outros dramas paralelos. Carol tem consciência de que as jogatinas estão lhe arruinando, mas seu marido não está disposto a dar uma segunda chance para o casal, principalmente depois que ele descobre que a mulher praticamente limpou a conta bancária. Ele desconfia que ela está tendo um caso com Walter, este que deseja ter a oportunidade de um dia encontrar um tal de Ivan e cobrar uma grande e antiga dívida. O tal homem misterioso pode ter ligações estreitas com Victor, este que possivelmente seguiria suas ordens, como convencer Godfrey a atrapalhar seu time para que seu irmão não conseguisse o dinheiro da dívida. Sem ter como receber a grana de Clyde, o exímio golpista Murph, que esconde por vergonha da namorada Veronica (Carla Gugino) suas atividades, seria obrigado a aceitar o convite de trabalho de Victor, mas ele tem medo do que pode lhe acontecer futuramente fazendo parte do bando. Um “recadinho” enviado do chefão do crime por intermédio de Augie mostra que ele não tem escrúpulos. O roteiro do estreante Robert Tannen é eficiente e alinhava bem todas essas tramas paralelas, mas como de costume em produções que lidam com crimes sobram nomes que por vezes não acrescentam nada a trama ou que citados em excesso acabam confundindo o espectador. De qualquer forma, A Última Aposta consegue ser envolvente e tem uma conclusão convincente que revela como funciona a rede de crimes, uma roda-viva onde os mais fracos são facilmente amarrados a bandidos, mas nem estes espertalhões podem estar a salvo, podendo se tornar vítimas de seus superiores quando estes os julgam desnecessários ou ameaças por saberem demais. É uma pena que Rydell, que dirigiu o clássico Num Lago Dourado que deu o Oscar de atores principais para os famosos Henry Fonda e Katherine Hepburn, parece ter desaprendido a lidar com atores e conduz um bom time de intérpretes e com personagens fortes de maneira superficial como se estivesse no comando de um telefilme sem importância, o que não é o caso. Embora pequena e independente, uma obra que tem seu valor e é acima da média para seus padrões. 

Drama - 112 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

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