quinta-feira, 3 de maio de 2018

MINHA SUPER EX-NAMORADA

NOTA 5,5

Com gostinho de sessão nostalgia,
comédia é divertida, mas não explora
a fundo as possibilidades do argumento
acerca da intimidade de um super-herói
Uma comédia romântica protagonizada por uma super-heroína. A ideia parecia original e promissora, mas Minha Super Ex- Namorada descamba para o humor escrachado e calcado em piadas com conotação sexual, afinal a premissa parece girar em torno de um único assunto: o sexo como alternativa à cansativa rotina dos protagonistas. O arquiteto Matt Saunders (Luke Wilson) é um sujeito tímido e pacato, daqueles que esperam que as garotas deem um primeiro passo um flerte, mas quando o assunto é Hannah Lewis (Anna Faris), sua colega de trabalho, ele até arrisca alguma piadinha para se aproximar. Ela sempre dá atenção ao rapaz, porém, já é comprometida, assim, à custa de muito esforço, certo dia ele decide que chegou a hora de esquecer as tristezas de amores do passado e abandonar o platonismo. Só não imaginava que conheceria a mulher que o tiraria da inércia em pleno metrô, ainda mais a salvando de um assalto. Ele se interessa à primeira vista pela bibliotecária Jenny Johnson (Uma Thurman), uma trintona que não tem necessariamente atributos físicos chamativos, todavia, oferece toda a atenção que o jovem desejava. Já no primeiro encontro Saunders desconfia do comportamento estranho dela, mas acredita que vale a pena investir em um relacionamento sério. Para quem buscava apenas um encontro casual para tirar o atraso, ele acaba sendo surpreendido pela potência da parceira que chega a quebrar sua cama logo na primeira transa. Ela é uma mulher insaciável, o sonho de qualquer homem, contudo, as coisas começam a se tornar pesadelo quando o arquiteto percebe que a companheira é ciumenta, neurótica, carente e de temperamento incontrolável, daquelas que nem a um detetive particular confiaria o serviço de vigiar o namorado. Faria ela própria a patrulha para ter certeza que o plano seria executado com perfeição. Saunders tenta ser gentil e compreensivo ao máximo na hora de pular fora desta relação possessiva, mas se uma ex-namorada inconformada pode detonar a vida de um cara munida de um celular e com o apoio das redes sociais, imagine o que não pode fazer uma rejeitada dotada de força descomunal e poderes especiais.

Por trás das roupas jangalonas, cabelo desarrumado e óculos de nerd de Jenny na verdade esconde-se uma mulher poderosa e de curvas bem delineadas que toda vez que percebe que alguém precisa de ajuda veste seu uniforme a la Superman e se transforma em G-Girl, uma justiceira que consegue apagar incêndios com um simples sopro, desviar mísseis com chutes no ar e até mesmo arremessar um tubarão vivo pela janela do quarto do ex só para ter o gostinho de atrapalhar algum momento de intimidade do rapaz. É isso mesmo! A partir do momento que a identidade secreta é revelada o longa assume de vez o nonsense do argumento explorando ao máximo a que ponto pode chegar a fúria de uma super-heroína que se sente preterida, ainda mais quando ela está no período de tensão pré-menstrual. A heroína então deixa de atender os chamados de emergência e passa a se dedicar em tempo integral a infernizar a vida do ex, a deixa para as situações mais absurdas tomarem a cena. O exagero é uma característica do diretor Ivan Reitman, responsável pelo clássico oitentista Caça-Fantasmas. Sem filmar desde 2001, quando lançou a esquisita comédia Evolução, o cineasta mostra-se um pouco enferrujado, sendo previsível no contexto e apelativo quanto as cenas pastelões. O longa até parece uma sessão da tarde da década de 1980, até porque os efeitos especiais não são lá essas coisas, embora seja uma escolha proposital. O roteiro de Don Payne, produtor e colaborador do seriado "Os Simpsons", tirando toda a fantasia e ficção, investe em velhos clichês das comédias românticas como ataques de ciúmes, flagras, planos para jogar água nos encontros do ex e por aí vai. Coitada de Hannah que nem estava flertando de fato com Saunders e também acabou no olho do furacão. Se focasse mais nas peripécias do triângulo amoroso, o longa seria uma ótima paródia a respeito do universo dos super-heróis, afinal qual fã nunca imaginou como seria a vida privada deles. Todavia, a trama é diluída com cenas descartáveis de coadjuvantes sem muita função. Temos o trivial melhor amigo e conselheiro do protagonista, Vaughn (Rainn Wilson), e um antagonista para rivalizar com a G-Girl, no caso o professor Bedlam (Eddie Izzard), outro frustrado amorosamente que quer se vingar da humilhação que a loira poderosa o fez passar na juventude.

Thurman parece muito a vontade e divertindo-se em um papel caricato ao extremo, do tipo que raramente lhe oferecem. Apesar de ainda bela e com corpo em forma, é inegável que foi escolhida pelo peso da idade, para acentuar a ideia de que sua personagem por tanto tempo se dedicou a salvar as pessoas que acabou esquecendo de sua vida pessoal, assumindo o visual literal da expressão "ficou para titia". Versátil, ela convence como uma mulher insegura e sem graça inicialmente e faz uma crível transição quando assume seu lado forte e sensual despertado por sua porção heroína. Já Wilson está em casa quando faz comédias. Com sua natural cara de cachorro abandonado, ele é figurinha fácil em produções de humor, principalmente as de apelo romântico, mas não conseguiu o mesmo status que seu irmão Owen Wilson, talvez por se dedicar bastante a produções alternativas, as chamadas comédias cults. Simples e cativante, ele se repete constantemente no papel do moço que facilmente descola uma paquera em qualquer lugar, mas ainda assim suas criações são críveis e passíveis de identificação imediata. Já Faris é outro rostinho emblemático do humor e de carisma ímpar, porém, sofre a deixar para trás a imagem da protagonista de praticamente toda a série Todo Mundo em Pânico. Ela pode ficar loura, dosar o vocabulário chulo, usar pouca ou muita roupa, mas a impressão que dá é que em todos os seus filmes a qualquer momento pode surgir o assassino mascarado em seu encalço. Neste caso, contudo, ela até que rouba a cena e toma para si o lugar de mocinha da fita. Em nenhum momento ficamos com pena da G-Girl e torcemos para que ela mude seu jeito de ser para vivenciar o amor. Apesar do potencial para ir além e a nítida sensação de que Reitman dirigiu o longa com um pé no freio para não criar polêmicas com piadas mais ousadas,  Minha Super Ex-Namorada garante uma sessão-pipoca agradável, mas o gostinho de decepção para quem viu o trailer antes é inevitável. A fita também sofre do mal que assola a maioria das comédias tendo suas melhores cenas reveladas no material de divulgação. As demais que tratam de amarrar tais sequências são apenas imbróglios.

Comédia - 95 min - 2006
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