sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

SEX TAPE - PERDIDO NA NUVEM

NOTA 6,5

Apesar da temática libidinosa,
comédia mostra-se cheia de
pudores ao não encarar a nudez e
adotar um humor relativamente leve
Antigamente havia quem desejasse fazer carreira na indústria dos filmes pornográficos, mas hoje em dia com a facilidade de acesso a celulares e computadores com câmeras de nível profissional, além da ultra velocidade da internet, qualquer um pode fazer seu próprio vídeo íntimo por curtição. O problema é o que fazer com a gravação quando a adrenalina do tesão cessar e a ficha cair. É esse o dilema do casal Annie (Cameron Diaz) e Jay (Jason Segel) em Sex Tape - Perdidos na Nuvem. Eles são quarentões e casados há mais de dez anos, mas ainda cheios de libido. Pena que dois filhos pequenos e os compromissos profissionais não deixem tempo ocioso para eles extravasarem suas vontades sexuais como na juventude. Eles se conheceram na faculdade e foi amor, ou melhor, tesão à primeira vista e desde então eles sempre se entenderam muito bem na cama, assim como na cozinha, no banheiro, na sala ou até mesmo em locais públicos como parques e bibliotecas. A sintonia era tanta que o rapaz chegava a ter ereções simplesmente ao pressentir que ela estava se aproximando e não importasse onde estavam eles sempre davam um jeitinho e... Pimba! Para matar um pouco as saudades desse tempo e também fazer o casamento sair da rotina, certa noite decidem mandar as crianças para a casa dos avós, se embebedam com tequila e aproveitam para transarem em tudo quanto é posição experimentando as dicas de um livro escrito por um doutor do sexo. Para esquentar a brincadeira, fazem tudo isso diante de uma câmera para depois se divertirem conferindo suas performances. Após a farra, no entanto, Jay se esquece de apagar o arquivo e ele acaba sendo enviado por meio de um aplicativo de sincronização automática de dados para alguns parentes, amigos e conhecidos dos pervertidos, todos aqueles que o produtor musical presenteou com os iPads que iria descartar e recheou com músicas, um jeitinho estapafúrdio do longa ganhar uma grana extra com a publicidade da empresa de tecnologia Apple que é lembrada várias vezes durante a projeção reiterando as qualidades e durabilidade de seus produtos.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

JOÃO E MARIA - CAÇADORES DE BRUXAS

NOTA 3,0

Desinteressante desde o início,
longa tenta fazer versão hardcore
de conto clássico infantil, mas se
torna um trash movie de luxo
Muitos acreditam que as açucaradas versões Disney para contos clássicos são fieis aos conteúdos originais, mas na verdade a maioria guarda detalhes e desfechos macabros ou vingativos, longe de serem boas lições de moral. Essa brecha tem levado muitos estúdios, dentro e fora de Hollywood, a explorar refilmagens, continuações, sátiras ou até mesmo recontar as histórias através da perspectiva de outros personagens. Malévola, Branca de Neve e o Caçador e A Garota da Capa Vermelha são alguns exemplos de doces histórias infantis que ganharam suas versões darks para o cinema. Por não ter uma versão produzida na casa do Mickey Mouse para considerarmos por assim dizer definitiva, muita gente fora de órbita pode acreditar que o enredo de João e Maria - Caçadores de Bruxas segue a risca o conto original dos irmãos Grimm, mas não se engane. Eis aqui apenas um pastiche que falhou na tentativa de ser uma franquia de sucesso. Um dos motivos é porque não se define em um gênero e literalmente atira para tudo quanto é lado. Há situações de aventura, romance, terror, suspense, pancadaria e humor, mas nenhuma bem desenvolvida e assim o filme não tem identidade própria, simplesmente é um emaranhado de cenas alinhavadas por sangue e lutas. Para todos os efeitos é rotulada como uma produção de ação, contudo, desde o início não oferece adrenalina e sim tédio. A introdução é o mesmo argumento do conto. Dois irmãos ainda crianças são abandonados pelos pais em uma floresta e seguem uma trilha de doces até chegar à casa de uma bruxa que deseja devorá-los, mas eles são mais espertos e conseguem escapar e se livrar da megera. O problema é que feiticeiras é o que não faltavam por aí. É a partir dessa ideia que o diretor e roteirista Tommy Wirkola, de Zumbis na Neve (alguém conhece?), fantasiou a respeito do futuro dos menores. Já adultos, agora atendendo pelos nomes de Hansel (Jeremy Renner) e Gretel (Gemma Arterton), a dupla transformou o ato de coragem da infância em profissão. Como caçadores de recompensas, eles vivem viajando pela Europa para exterminar bruxas.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

OS BOXTROLLS

NOTA 7,0

Visualmente belo e criativo, com
ótima mistura de técnicas de animação
contemporâneas e antigas, longa peca
por roteiro maçante e adulto demais
Quem disse que animação infantil precisa ser super colorida? Bem, se é a gurizada que a produtora Laika Entertainment pretende realmente conquistar é melhor ela rever os seus conceitos. Estúdio responsável por Coraline e o Mundo Secreto e Paranorman, apesar do currículo enxuto, já tem suas características bem definidas. Opção por histórias mais sombrias, cores escuras, personagens bizarros e animação em stop motion já são marcas registradas da empresa que as reforça no longa Os Boxtrolls, mais uma tentativa dela se firmar entre os gigantes do segmento em Hollywood. Com o estilo peculiar de suas obras o estúdio tem conseguido chamar a atenção da crítica visto que seus três primeiros lançamentos, incluindo o filme em questão, foram todos indicados ao Oscar da categoria, mas ainda tem dificuldades para encontrar seu público patinando nas bilheterias e agradando mais aos adultos que as crianças. Há justificativas. As temáticas abordadas fogem um pouco dos assuntos comuns ao universo infantil, ou melhor, eles até fazem parte, mas preferimos preservar os menores de certas discussões infelizmente necessárias. A falta de colorido e ritmo lento também não ajudam a atrair a atenção de quem se acostumou às altas doses de adrenalina e explosão de cores das criações da Pixar ou Dreamworks. Os roteiristas Irena Brignull e Adam Pava transpõe para a tela parte do universo imaginado pelo escritor Alan Snow para as mais de 500 páginas que compõe sua obra intitulada "A Gente é Montro!" que começa relatando o sumiço do bebê Trubshaw, fato que muda para sempre os rumos da cidade de Pontequeijo. Nos esgotos vivem os tais boxtrolls, simpáticos monstrinhos que vivem de revirar o lixo dos humanos somente a noite e se vestem com caixotes de mercados, assim adotando como seus nomes próprios as palavras escritas em suas respectivas embalagens. Assim não é para se estranhar que a tal criança desaparecida receba a alcunha de Ovo dada por Peixe, o boxtroll que o encontra em meio a sucata e o adota como filho. O garoto cresceu orgulhoso de ser um membro da espécie e nunca questionou ser diferente fisicamente dos demais.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (1999)

NOTA 7,5

Visualmente belo e com elenco
afiado, adaptação de obra clássica
derrapa ao ser fiel demais ao texto
original, mantendo o tom rebuscado
William Shakespeare escreveu suas obras para o teatro visando um entretenimento de aura única. Cada vez que alguém assistisse uma peça sua viveria uma emoção diferente dependendo de seu estado de espírito, quem estivesse na plateia e até mesmo o envolvimento do elenco com o trabalho no dia. Já o cinema tratou de massificar suas obras, ou seja, levá-las a uma quantidade de público muito maior e que teoricamente dividiria as mesmas percepções inúmeras vezes, afinal o conteúdo estaria registrado em uma versão única. Bobagem! Embora estudiosos de artes e filosofias afirmem que a massificação da cultura padroniza emoções e tira o brilho dos trabalhos, a verdade é que um filme pode sim gerar diversas interpretações e sensações mesmo sendo para todos os efeitos um registro intocável. Por exemplo, como teria sido a adaptação de Sonho de Uma Noite de Verão lançada em 1999 caso o projeto estivesse nas mãos do cineasta Kenneth Branagh, especialista no universo shakespeariano? A julgar por suas elogiadas versões de Hamlet e Muito Barulho Por Nada talvez o projeto tivesse conquistado seus objetivos de encantar crítica e público, mas o diretor e roteirista Michael Hoffman infelizmente não obteve sucesso talvez pelo medo de desrespeitar o legado do mestre literário e se ater a simplesmente fazer um teatro filmado, mas com apuro técnico e visual invejáveis. O roteiro traz três histórias diferentes que se cruzam. A primeira é protagonizada por Hermia (Anna Friel), filha de nobres que foi prometida para Demetrius (Christian Bale), mas ela está apaixonada por Lisandro (Dominic West), rapaz reprovado pelo pai dela, Teseu (David Strathairn). Para viverem o amor proibido, os jovens planejam fugir com a ajuda de Helena (Calista Flockhart), a melhor amiga da jovem. A moça é justamente apaixonada pelo pretendente rejeitado, porém, o rapaz não dá a menor bola para as suas insistentes declarações de amor. Por uma confusão, o quarteto vai parar na floresta onde a segunda trama se desenvolve mostrando um grupo de trabalhadores que está em meio aos ensaios de uma peça teatral liderados pelo tecelão Nick Bottom (Kevin Kline).

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

SHAKESPEARE APAIXONADO

NOTA 9,0

Mesclando ficção e fatos reais,
longa preenche todos os requisitos
de um grande clássico e surpreende
com uma bem humorada homenagem
William Shakespeare é sem dúvidas o autor mais analisado e discutido de toda a História, assim como também suas obras são recordistas em adaptações ou como inspiração para filmes, peças de teatro, novelas, livros e uma infinidade de outros produtos culturais. Todo seu histórico profissional já foi exaustivamente dissecado, mas curiosamente sua vida pessoal continua envolta a especulações. Historiadores há muito tempo desistiram de procurar pistas para montar o quebra-cabeças da intimidade do escritor, assim o que sabemos não passam de suposições que alimentam a aura de mistério em torno de seu nome. Há quem chegue a afirmar que ele não teria escrito nenhum livro, apenas assumia a autoria de manuscritos de um nobre que preferia ficar incógnito. De todas as fases de sua vida, a que é mais intrigante compreende o período de 1585, quando deixou sua residência em Stratford-upon-avon, e 1592 quando ressurgiu em Londres escrevendo peças para companhias teatrais. Durante esses anos que sumiu do mapa ninguém sabe ao certo o que lhe aconteceu, afinal na época ele ainda não era famoso. Como figura célebre que se tornou, era questão de tempo para que o dramaturgo ocupasse a posição de personagem, contudo o primeiro filme a tentar tal ousadia surpreendentemente não é uma cinebiografia, muito menos um projeto lacrimoso. Shakespeare Apaixonado é uma divertida e criativa imersão na fantasia de preencher as citadas lacunas de sua trajetória que precederam sua consagração. À primeira vista, é a parte técnica que chama a atenção com uma caprichada reconstituição de época, figurinos deslumbrantes, trilha sonora deliciosa, fotografia que faz cada take parecer uma bela pintura entre tantos outros predicados, porém, a obra tem muito mais a oferecer com seu refinado texto repleto de referências às obras do autor, mas nada que impeça um leigo no assunto de se emocionar e se divertir. O roteiro de Marc Norman e Tom Stoppard apresenta o homenageado como um jovem escritor desprovido de recursos financeiros, mas dotado de muitas ambições e espírito inventivo. Com seu charme e beleza (embora os estudos indiquem que o autor espantava por sua feiúra), o papel caiu nas mãos de Joseph Fiennes, que adota um estilo a la Don Juan para humanizar o personagem que passa noitadas enfornado em tavernas bebendo todas e cortejando mulheres. Há justificativas. Com poucas virtudes e muitos desvios de caráter, o rapaz também está passando por um período de bloqueio criativo.

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