domingo, 11 de agosto de 2019

NUNCA FUI BEIJADA

Nota 7,5 A fim de crescer profissionalmente, jovem tem a chance de fazer as pazes com seu passado

Drew Barrymore chamou atenção pelo desempenho natural e sincero quando ainda muito pequena atuou no clássico E.T. - O Extraterrestre, mas assim como muitos atores mirins acabou vindo a se envolver com o mundo das drogas, mas felizmente sua história não terminou trágica ou melancólica como a de alguns deles. Ela conseguiu se livrar do vício e retomar sua carreira e encontrou nas comédias e romances seu porto seguro. Em 1999, já sendo proprietária de sua própria produtora de filmes, mas ciente que ainda era uma atriz de dotes limitados, não quis dar passos maiores que suas pernas e aceitou protagonizar Nunca Fui Beijada, uma produção sem grandes atrativos, mas com uma história divertida e atemporal que cativa adolescentes (e também aqueles que já foram) abordando traumas e expectativas comuns à faixa etária. Pode-se dizer que a fita tem o mérito de ser uma produção sobre as dificuldades da maturidade disfarçado de comédia adolescente e Barrymore deita e rola com as situações vivenciadas por sua personagem. Ela interpreta Josie Geller, a revisora de um jornal que, aos 25 anos e muito competente no que faz, está insatisfeita com seu trabalho e sonha com uma oportunidade para se tornar repórter. Contudo, seus chefes não acreditam em seu potencial e a rotulam como uma pessoa muito ingênua para apurar fatos e realizar investigações, mas quando Rigford (Garry Marshall) resolve lhe dar um voto de confiança também acaba lhe oferecendo uma tarefa bastante complicada: se infiltrar como aluna em um colégio para retratar da forma mais fiel possível a rotina de um estudante em tempos de grandes transformações sociais (era final da década de 1990 , a internet era artigo de luxo e os celulares já começavam a ditar as regras das relações interpessoais, por exemplo). O que a deixa reticente em ter aceito a proposta é que ainda guarda péssimas recordações de sua adolescência, época em que era motivo de chacota dos colegas por ser uma aluna de comportamento exemplar e muito inteligente. Mesmo desestimulada por Gus Strauss (John C. Reilly), seu editor e melhor amigo, ela encara o desafio como uma forma de ajudá-la a exorcizar os fantasmas do passado.

sábado, 10 de agosto de 2019

REFÚGIO DO MEDO

Nota 7,0 Embora revele seu grande trunfo precocemente, longa mantém bom clima de suspense

Escolher um título é uma tarefa tão importante e complicada quanto realizar um filme em si. Muitas boas produções acabam não atingindo o merecido reconhecimento por conta de uma única ou simples junção de palavras que podem colocar tudo a perder. Esse é o caso de Refúgio do Medo que pode criar certas expectativas e não correspondê-las. Ainda bem! O longa dirigido por Brad Anderson, do elogiado O Operário, é muito melhor e surpreendente que o terror barato que o título recebido no Brasil vende. A trama se passa em 1899 quando o jovem psiquiatra Edward Newgate (Jim Sturgees) acaba de se formar da universidade e é recrutado para trabalhar em um manicômio no meio do nada. Lá ele conhece o doutor Silas Lamb (Ben Kingsley), o mantenedor da instituição que descarta os métodos de violência tão comuns à época para tratar de seus pacientes, e também a jovem Eliza Graves (Kate Backinsale), uma das internas por quem se apaixona perdidamente. Todavia, com o passar do tempo, o rapaz começa a notar um comportamento estranho dos funcionários do local, inclusive do seu diretor que parece incentivar e participar de algumas das psicoses dos internos. Contudo, nada o surpreenderá mais que a descoberta nos subterrâneos do hospício de vários prisioneiros que alegam ser pessoas em sã consciência, funcionários do local que foram dominados pelos próprios doentes liderados por Lamb que esconde sua faceta de loucura. Os pacientes de fato dominaram a instituição ou são espertos o bastante para enganar o jovem médico para conseguirem a liberdade? Nota-se que a trama tem certos resquícios de A Ilha do Medo, do mestre Martin Scorsese, mas nada que suscite comparações ferrenhas. Inspirado no conto "O Sistema do Doutor Alcatrão e do Professor Pena", de Edgar Alan Poe, o roteiro de Joseph Gangemi não busca surpreender o espectador com momentos ou revelações arrebatadoras, tanto que o que poderia ser spoiler neste texto é revelado no próprio filme até com certa precocidade. A questão é não temer enfrentar o desconhecido e sim saber como lidar com um fato comprovado e aparentemente irremediável.

domingo, 4 de agosto de 2019

UM DOMINGO DE CHUVA

Nota 6,0 Sem maniqueísmos drama recicla clichê do crescimento pessoal pela troca de experiências

Basta estender uma mão para tentar mudar uma vida. No caso do longa Um Domingo de Chuva a ajuda tem via dupla e ambos os lados se beneficiam. Reggie (Julian Skatkin) é um menino prodígio e único filho de uma milionária que reside em um luxuoso castelo incrustado em meio a agitada cidade Nova York, porém, é uma criança solitária e reprimida. Órfão de pai, o garoto não tem do que se queixar em termos materiais dos tratos de sua mãe, porém, ela fica a dever quanto a carinho e dedicação sendo uma pessoa quase ausente em casa. Quando surge a oportunidade de uma vaga para ser babá dele, a jovem Eleanor (Leighton Meester) a agarra com todas as suas forças a fim de superar um mal momento. Musicista desempregada e decepcionada após brigar com Dênis (Billie Joe Armstrong), seu namorado machista, ela se vê obrigada a recomeçar sua vida do zero, mas o convívio entre ela e o menino inicialmente não é dos melhores por conta de suas personalidades opostas. Ele é inteligente e sério demais para a idade enquanto ela é até bastante responsável, mas sabe levar a vida com mais leveza e alegria apesar dos pesares. Obviamente, a convivência forçada acaba criando um grande laço de amizade entre eles. O argumento não é lá muito original, de fato é bem parecido com o de Grande Menina, Pequena Mulher e de tantas outras produções que de tão genéricas até nos escapam os nomes, mas se as comédias românticas reciclam ideias e por vezes alcançam sucesso por que outros gêneros também não poderiam se beneficiar dando cara nova a histórias batidas? Fugindo dos estereótipos da criança chata versus a adulta infantilóide, o diretor e roteirista Frank Whaley, mais conhecido por seu trabalho como ator em diversos seriados, soube usar o clichê a seu favor e criou dois personagens bastante humanos, com doses semelhantes de defeitos e virtudes, e de perfis de fácil identificação com o público.

sábado, 3 de agosto de 2019

PAIXÃO BANDIDA

Nota 1,0 Mescla de comédia romântica com ação policial resulta em algo insosso e sem propósito

Desde que o mundo é mundo as histórias acerca de relações fraternas provam que, além de amor, podem ser permeadas de ódio e não são poucos os casos que comprovam isso. É desse argumento que parte Paixão Bandida uma comédia de humor negro com toques de filme policial que foi enterrada pelo passar dos anos. E com toda a razão. Contando com protagonistas hoje famosos, mas na época engatinhando na profissão, é perceptível a falta de pulso na direção e na condução da trama e o resultado é um longa medíocre e sem justificativa para ter sido feito. Quando o casal Clayton se separa cada uma das partes fica com a tutela de um filho, já que os irmãos nunca se deram bem. Sam (Vicent D'Onofrio), o mais velho, fazia questão de aprontar o tempo todo com Jjaks (Keanu Reeves) e a separação parecia a única maneira de manter as coisas sob controle, isso até o casamento do primogênito quando eles se reencontram a pedido da mãe após vinte anos de afastamento. O evento na verdade é uma farsa, pois Freddie (Cameron Diaz), a noiva, está sendo obrigada a se casar. Ela é acusada de desfalque pelos bandidos com os quais seu verdadeiro marido está envolvido e precisa se unir a um pretendente rico para aplicar um golpe. Abandonando o sonho de ir para Las Vegas e tentar a vida artística, ela acaba aceitando se casar, mas o plano começa a ruir logo no dia das bodas. Basta cruzar seus olhos com os de Jjaks para que a moça, sem saber que ele é seu futuro cunhado, apaixone-se à primeira vista. E assim o reencontro dos irmãos não é, como eles próprios previam, algo fácil e agora eles tem uma nova razão para se odiar: estão apaixonados pela mesma mulher. Quando Freddie convence seu verdadeiro amor a fugir com ela, o casal passa a ser perseguido por Sam e seus amigos e começa a viver uma rotina de chantagens, trapaças e ataques de violência.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

CAPITÃO FANTÁSTICO

NOTA 8.0

Longa aborda família pouco convencional
surpreendida por um choque de
culturas e que passa a rever seus
conceitos sem abrir mão do amor que os une
Viver em meio à natureza, sem compromissos com horários, preocupações com trabalho, o conhecimento mandado às favas e poder até mesmo não usar roupas. Um sonho, não é? Mas quem disse que viver isolado do mundo, quase que sob condições primitivas, não implica certas regras e conceitos. De forma bastante descontraída Capitão Fantástico aborda tal tema e coloca o público para repensar a maneira que encaram suas vidas. Leslie (Trin Miller) e Ben Cash (Viggo Mortensen) resolveram levar uma vida calcada na utopia ao lado dos seis filhos. Fugindo do mundo corporativo, do capitalismo e do consumismo, a família vive em uma cabana incrustada em uma floresta e seu cotidiano é rígido e extremo baseando-se no preparo físico intenso, trabalhos manuais, treino de sobrevivência, mas também há espaço para a cultura através de leituras, apreciações de músicas e muito diálogo franco entre todos eles. Até as crianças menores aprendem a lidar com armas e tem aulas de educação sexual sem rodeios. Televisão, celulares e internet nem pensar. Entretanto, nem tudo são flores. Uma crise abala o clã quando a matriarca manifesta certa bipolaridade, o que a força a voltar para a civilização em busca de tratamento e os desdobramentos do caso forçam o restante da família a deixar o convívio com a natureza, mesmo que momentaneamente. Então a falta de traquejo social fica em evidência e os filhos do casal passam a questionar o estilo de vida que levam e é hora do paizão mostrar a força de seus ideais e apartar o deslumbramento e sentimento de inferioridade que recai sobre sua turminha. Ou talvez ele próprio repensar seus conceitos. O longa apresenta a intimidade desta família nada convencional a partir da ausência de Leslie, o que implica em um reencontro com os pais dela, Abigail (Ann Dowd) e Jack (Frank Lnagella), este que em um primeiro momento pode ser visto com tons de vilania, mas não é surpresa alguma que o idoso não aceita o estilo de vida que o genro defende e o acusa de ter desvirtuado sua filha e agora faz o mesmo com seus netos. Seus argumento são válidos, mas Ben tem sempre uma resposta inteligente na ponta da língua para retrucar. É o choque de culturas que dá a tônica do filme que se alterna entre momentos divertidos e outros reflexivos.

terça-feira, 23 de julho de 2019

ARMAÇÕES DO AMOR

NOTA 4,0

Mesmo contando com atores
experientes no gênero, longa não
diverte e tampouco emociona com
trama insossa e com diversos equívocos
Um cara já passando dos trinta e poucos anos resiste em sair da casa dos pais para não perder os paparicos, porém, ele não é nenhum adulto infantilóide. Já faz tempo que trocou o pega-pega com os amigos na rua para se divertir com a pegação que rola nas baladas. Esse perfil pouco interessante é o papel que Matthew McGonaughey defende na comédia romântica Armações do Amor ao lado de uma das rainhas do gênero, Sarah Jessica Parker.  Ele dá vida à Tripp, um vendedor de barcos de luxo já na faixa dos 35 anos de idade, mas que não conquistou sua independência plena. Diga-se de passagem, isso pouco lhe importa. Ele leva uma vida com todo conforto possível vivendo com os pais Al (Terry Bradshaw) e Sue (Kathy Bates), o que não o impede de ter uma vida amorosa bastante ativa. Ou seria melhor dizer sexual? Ele jamais permite que seus namoros durem muito tempo e quando percebe que a relação está ficando séria tem uma tática até que bastante original para pular fora. Toda a garota sonha com o dia de conhecer os pais do namorado, mas espera que após o encontro o rapaz a leve para sua própria casa e terminem a noite na cama. Tripp já prefere que a moça se frustre que ele ainda viva com os pais e acabe com tudo, uma armação que sempre foi muito bem sucedida até o dia que os coroas também decidiram bolar um plano para enxotar o filhão para fora de casa. O casal contrata os serviços de Paula (Parker), uma bela mulher especialista em fazer os homens caírem a seus pés a ponto de forçá-los a optarem por uma vida independente. Para não rotulá-la como uma espécie de acompanhante de luxo, digamos que seu trabalho é elevar a auto-estima de seus clientes e provar que morar sozinho e arcar com despesas e afazeres domésticos é necessário para alimentar a imagem de um homem bem sucedido. Ela se aproxima de seu alvo, obviamente ele se interessa, mas para a surpresa do solteirão ela passa pelo teste do encontro com os sogros e isso o faz crer que finalmente encontrou a mulher ideal para casar. Por sua vez, a moça também se interessa pelo rapaz, mas chega o momento que ele descobre toda a verdade, eles rompem, ela decide ir embora da cidade... Enfim, o filme então segue a cartilha convencional do gênero.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

CÓPIA FIEL

NOTA 8,0

Longa discute o valor de uma cópia
em relação à originalidade abordando
o encontro de duas pessoas e propondo
uma análise reflexiva sobre sentimentos
O que é melhor, ter um produto original ou uma cópia? A resposta parece óbvia, todos querem a exclusividade, mas optar pela imitação (não é o mesmo que pirataria) não significa necessariamente a preferência por algo de qualidade inferior, pelo contrário. Produtos feitos em série podem sim ter seu valor e até mesmo ressaltar as qualidades de sua matriz. A discussão é bastante complexa e filosófica e Cópia Fiel coloca em xeque a questão dentro do ambiente artístico e cultural. Este é o primeiro filme do diretor iraniano Abbas Kiarostami rodado fora de sua terra natal, uma produção que se preocupa mais com diálogos e ritmo do que com longas cenas de contemplação e silêncio, um eficiente cartão de visitas para o cineasta se apresentar a uma fatia de público que desconhece ou discrimina seu estilo. Na realidade ele prossegue com seu cinema autoral, mas aqui conta com uma produção mais requintada e com a estrela Juliette Binoche como protagonista, atriz francesa com passe livre na indústria de cinema americano, mais um ponto para ajudar a popularizar o trabalho do cineasta. A trama começa apresentando uma palestra do escritor inglês James Miller (William Shimell) divagando sobre como a qualidade e o valor de uma obra dependem do contexto e do olhar particular de quem a analisa. Assim, defende que a cópia acaba agregando valor ao produto original uma vez que o valoriza consideravelmente a ponto de alimentar o desejo de ser imitado. Essa abordagem não se aplicaria somente a conceitos de arte, mas também ao comportamento humano, mais especificamente aos seus sentimentos. Ele está na Toscana, na Itália, divulgando seu mais novo livro (homônimo ao filme) e na platéia está Elle (Binoche), a dona de uma galeria de arte que comprou vários exemplares para dar de presente a conhecidos. Quando conseguem se aproximar, eles passam horas a fio passeando por pontos turísticos e discutindo sobre arte, filosofia e a complexidade dos seres humanos. Quando fazem uma parada em uma cafeteria, eles são confundidos como se formassem um casal e por brincadeira passam a se portar como tal. A partir de então a sensação é que uma subtrama mais importante que a explorada na introdução passa a desenrolar. Os personagens já não são mais os mesmos.

domingo, 21 de julho de 2019

O MELHOR DE MIM

Nota 5,0 Da grife Nicholas Sparks, longa conta mais uma história de amor fadada ao fracasso

O autor Nicholas Sparks se transformou em uma franquia... De repetições. Suas obras versam basicamente sobre amores fadados ao infortúnio, histórias protagonizadas por um belo casal que se une contra adversidades que possam impedi-los de viver um grande amor, mas o destino sempre lhes reserva um final impactante ou traumático. Foi assim com Um Amor Para Recordar, Querido John e Um Porto Seguro, por exemplo. Até o queridinho popular Diário de Uma Paixão segue tal vertente, mas ganha pontos por ter uma trama mais realística em comparação aos demais best sellers do escritor. O Melhor de Mim  entra na lista de seus livros já adaptados para o cinema apenas de forma numérica. Qualitativamente não agrega nada. Com direção de Michael Hoffman, do simpático Um Dia Especial (que tinha tudo para ser mais uma história do Midas da literatura romântica, mas não é), a trama acompanha a trajetória de Amanda (Liana Liberato) e Dawson (Luke Bracey), dois jovens que se apaixonam perdidamente, mas a relação não é aprovada pelos pais dela que consideram o pretendente um pobretão e oriundo de uma família de desajustados. Quando o rapaz resolve fugir de casa e tentar uma vida melhor, ele é acolhido por Tuck (Gerald McRaney), um ex-militar viúvo que oferece total apoio à esse relacionamento que sofre com episódios de violência, acidentes, preconceito, doenças e tudo quanto é desgraça. O destino não parecia a favor destes jovens e eles acabam se separando e após duas décadas, ou melhor, depois de exatos 21 anos como é frisado várias vezes, eles voltam a se reencontrar por ocasião da morte do senhor que os apoiara na juventude. Nesta fase o casal é interpretado por Michelle Monaghan e James Marsden, nomes mais conhecidos do grande público, mas nem por isso deixam de entediar boa parte da fita. É a partir de suas memórias que vamos tendo conhecimento desta história de amor e os fatos que os levaram a romper. Distantes por tanto tempo e tendo seguidos caminhos completamente opostos, ambos colocarão o amor que viveram um dia à prova e vão tentar dar mais uma chance um ao outro, porém, outra vez parece que o destino estará contra esta união.

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