quarta-feira, 28 de novembro de 2018

JOGADA DE REI

NOTA 8,0

Apesar da temática manjada,
longa ganha pontos com empenho do
elenco e por apresentar o jogo de xadrez
como motivação a jovens sem perspectivas
O cinema já apresentou centenas, senão dezenas, de histórias de superação e mudanças de comportamento incitados pela dedicação de um professor ou membro de alguma comunidade deficitária. Tal temática é universal, mas é certo que os EUA é o maior produtor de filmes do tipo, como os emblemáticos Ao Mestre Com Carinho e Sociedade dos Poetas Mortos, entre tantos outros. Geralmente baseados em episódios da vida real, tais produções não costumam fazer grandes bilheterias e a maioria é lançada diretamente para consumo doméstico, no entanto garantem vida longa graças ao tema atemporal e as mensagens edificantes que deixam. Jogada de Rei é mais um título a engrossar tal lista. Cuba Gooding Jr. é incumbido de encarnar o personagem real Eugene Brown que aprendeu com seus erros e decidiu compartilhar as lições que teve para tentar salvar as vidas de jovens sem rumo como ele foi um dia. Ele passou dezessete anos na prisão onde aprendeu a se autocontrolar com as dificuldades cotidianas e a jogar xadrez com Searcy (Dennis Haysbert), um detento mais velho e experiente. Com o jogo de raciocínio lógico, ele tem a percepção que a vida não pode ser construída por atitudes impensadas. Basta uma ação impulsiva e tudo pode se perder. Quando ganha sua liberdade, Brown volta às ruas de Washington com o desejo de recuperar o tempo perdido principalmente com os filhos Katrina (Rachael Thomas), estudante de direito que rejeita o pai completamente, e Marcus (Jordan Calloway), que está na cadeia seguindo o mesmo caminho desvirtuado paterno. Outro problema a enfrentar são as dificuldades para conseguir um emprego sendo fichado na polícia. Mentindo sobre seu passado, ele é aceito como faxineiro de uma escola frequentada por uma turma barra pesada. Não demora muito para que uma professora temendo as ameaças feitas pelos alunos abandone o cargo, a chance para o ex-presidiário assumir uma classe como monitor temporário, mesmo sem qualquer experiência no campo da educação. Com a má fama do colégio, funciona o ditado que diz quem não tem cão caça com gato e o que era para ser uma medida paliativa para cobrir alguns poucos dias acaba se estendendo a longo prazo.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

AMEAÇA VIRTUAL

NOTA 4,0

Abordando o universo da tecnologia,
incluindo sua parte mais nebulosa,
longa parece datado e se perde em meio
a clichês de fitas de ação e espionagem
A chegada do século 21 cercada de expectativas em torno dos rumos da tecnologia e o ódio global e generalizado ao empresário Bill Gates, criador da poderosa empresa Microsoft e então o homem mais rico de todo o mundo, foram as sementes que originaram o suspense Ameaça Virtual, produção esquecida desde seu lançamento. Em 2001 o multimilionário enfrentava problemas com a justiça americana e muitas fortunas e empresas poderosas ligadas ao ramo da Internet estavam em crise e no meio desse cenário caótico o diretor Peter Howitt lançou seu filme, porém, ele deveria ter chegado aos cinemas um pouco antes para ter mais validade. Seria efeito do tal bug do milênio? Não, mais certo que foi erro de estratégia dos produtores e o longa acabou com fama de datado precocemente. Hoje pode ser visto como uma modesta documentação da época, mas lembrando que a trama é uma ficção até que provem o contrário. Copiando as vestes, trejeitos e até o penteado, o ator Tim Robbins se encarregou de personificar Gates na pele de Gary Winston, um gênio da computação que construiu um império e que tem como hábito fazer doações e ações de caridades na tentativa de ganhar aliados e limpar sua barra sempre que necessário, afinal processos acusando-o de monopólio em seu ramo não lhe faltavam. Qualquer semelhança com o perfil do "homenageado" não é mera coincidência. Ele é o dono da N.U.R.V. (em português levaria o nome de algo como "Nunca Subestime a Visão Radical) e promete lançar um projeto que revolucionaria a maneira como as pessoas se comunicam cotidianamente. Batizado de Synapse, o programa formaria uma rede de transmissão de dados que permitiria que todos os aparelhos digitais pudessem manter uma linha de comunicação constante e direta. Exemplificando, uma pessoa poderia fazer uma ligação telefônica e ao mesmo tempo que conversa observar o que a pessoa estaria fazendo naquele exato momento e vice-versa. Hoje isso soa ultrapassado, mas para a época era uma avanço e tanto.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

EU OS DECLARO MARIDO E... LARRY

NOTA 7,0

Adotando um discurso politicamente
correto, mas sem dispensar piadas de
gosto duvidoso, longa consegue
divertir e trazer mensagens positivas
Adam Sandler não é um excepcional sinônimo para o gênero comédia. Não para aqueles que apreciam um humor de qualidade ou até mesmo satírico. Seus trabalhos são puro nonsense. Todavia o ator acabou conquistando uma legião de fãs e geralmente extrapola o aproveitamento de sua fama com atuações exageradas e repetitivas, porém, não se pode negar que é um astro que permite que seus companheiros de cena também se destaquem. Deixando o humor físico e as caras e bocas de lado (bem, nem tanto assim), Sandler divide com seu velho amigo Kevin James as boas piadas de Eu os Declaro Marido e... Larry, uma eficiente comédia na qual eles interpretam dois héteros tentando se passar por gays para ganharem benefícios de um programa social do governo. Embora a primeira vista possa parecer mais uma produção para achincalhar a imagem dos homossexuais, na realidade o humor aqui é usado de forma agradável e consciente levando uma mensagem otimista e reflexiva ao público, afinal todos têm direito a serem felizes, mas o caminho para alcançar tal felicidade cabe a cada um escolher e aos demais só resta ao menos respeitarem. É certo que não é com essas palavras que literalmente tiramos uma boa lição do filme, só os mais bondosos podem perceber tal ideia. O recado mais forte é sobre a valorização da amizade, principalmente nos momentos de dificuldades. Chuck Levine (Sandler) e Larry Valentine (James) são dois destemidos bombeiros que não são unidos apenas profissionalmente, mas também são grandes amigos quando estão longe dos incêndios e livre de seus uniformes de trabalho. Larry ficou viúvo muito cedo e se preocupa com o futuro dos filhos, mas devido a problemas burocráticos não consegue colocá-los como beneficiários em seu seguro de vida. Para tanto ele precisaria se casar novamente, mas o problema é que ele ainda não superou a perda da esposa e sabe que não pode confiar em qualquer mulher quando há dinheiro envolvido na relação. O jeito é recorrer ao seu grande amigo que tem com ele uma dívida de gratidão por ter salvo sua vida em um incidente de trabalho.

domingo, 25 de novembro de 2018

UMA MÃE PARA MEU BEBÊ

Nota 7,0 Tolerância, responsabilidade e amizade são discutidos em comédia leve e acima da média

Assim como no Brasil tornou-se comum um comediante de sucesso da TV fazer carreira no cinema, em Hollywood também temos exemplos de fenômenos que estendem sua popularidade migrando para as telonas. De tempos em tempos surge um nome que parece dominar as atenções e a indústria aproveita-se para tirar o máximo de seu proveito, mas não tarda para que a decadência bata a sua... Não! Para Tina Fey não é chegada a hora de completar essa maldita frase. Muito premiada pela série "30 Rock"e ex-participante do lendário programa "Saturday Night Live", seu debut nos cinemas foi com honrarias. Ela surgiu no espaço cinematográfico como uma mera coadjuvante em Meninas Malvadas, mas seu papel de destaque estava mesmo nos bastidores. Simplesmente é dela o roteiro desta comédia teen que surpreende abordando com humor ácido e crítico o universo dos jovens. Seu texto é elogiado até hoje, assim é de se questionar: será que Uma Mãe Para Meu Bebê poderia ser bem melhor caso ela tivesse roteirizado além de atuar? No mínimo poderíamos esperar algo sarcástico, mas temos que nos contentar com a versão do diretor e roteirista Michael McCullers que se não oferece oportunidade para sonoras gargalhadas, ao menos deixa quem assiste com um sorriso sincero no rosto por sua leveza e simplicidade. Fey interpreta Kate, uma mulher de meia-idade realizada profissionalmente, mas na vida pessoal fracassada, tendo tido apenas um namorado a vida inteira. Quando decide que é hora de ter um filho, mesmo que fosse uma produção independente, ela perde o chão ao descobrir ser estéril e então procura os serviços de uma empresa especializada em mães de aluguel. É assim que surge em sua vida a espevitada e desmiolada Angie (Amy Poehler), uma jovem de pouca instrução, pobre, viciada em cigarros e bebidas e totalmente desencanada de problemas, um perfil extremamente oposto ao de sua contratante, uma mulher de educação refinada, inteligente, porém, neurótica e controladora.

sábado, 24 de novembro de 2018

AS RUÍNAS

Nota 7,0 Com pinta de filme B, longa surpreende com tensão crescente em meio a situação extrema

O cinema norte-americano já ofereceu no passado grandes produções de horror, mas ultimamente tudo que vem de lá é tão pueril, artificial e clichê que qualquer sinal mínimo de originalidade é capaz de elevar um filme medíocre ao patamar de obra de arte. Monstros lendários, animais mutantes, assassinos mascarados, fantasmas de olhinhos puxados e carnificina sem rodeios. O gênero terror vive de fases, mas algumas delas tem períodos de declínio e muitas produções acabam já sendo lançadas pré-definidas como fitas trash. Hoje em dia, por exemplo, poucos se animam a assistir enredos sobre humanos fugindo de animais enfurecidos. Na hora nos vem a cabeça referências a efeitos especiais precários, atuações risíveis e tramas... Bem, história para contar é só um detalhe, o que importa são as mortes e quanto mais detalhadas melhor. Houve uma época em que também tornaram-se comuns as desventuras de exploradores presos em cavernas malditas, assombradas, perigosas e por aí vai. A falta de imaginação para intitular tais produções já funcionam como um aviso das bombas que se tratam. As Ruínas poderia cair facilmente neste grupo seleto e infeliz, mas se salva razoavelmente por ter em seus créditos o roteirista Scott Smith que sabiamente resolveu adaptar seu próprio livro. Mesmo com algumas sutis modificações, nada melhor que o próprio criador cuidar de sua criatura. Ele já havia feito isso com sua obra Um Plano Simples cujo roteiro foi indicado ao Oscar. Aventurando-se pelo campo do horror, ele não realiza um trabalho transgressor, marcante ou digno de elogios rasgados, simplesmente entrega um produto razoavelmente diferenciado em meio ao marasmo da época, embora o cenário não tenha se modificado muito nos últimos anos. Dois casais jovens, Jeff (Jonathan Tucker) e Amy (Jena Malone) acompanhados de Eric (Shawn Ashmore) e Stacy (Laura Ramsey), estão curtindo férias no México, mas pouco antes de voltarem para casa tem o azar de conhecer Mathias (Joe Anderson), um alemão bom de lábia que os convida para ajudá-lo a procurar seu irmão Henrich (Jordan Patrick Smith), que foi participar de uma escavação arqueológica, mas não dá notícias há vários dias.

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