domingo, 8 de setembro de 2019

JACK E A MECÂNICA DO CORAÇÃO

Nota 7,5 Usando uma ótima metáfora, animação fala sobre o amor usando elementos excêntricos

Não se engane. Apesar de multicolorido, Jack e a Mecânica do Coração não é uma animação de cunho infantil, mais parecendo um enredo para adultos tingido de cores fortes, principalmente por vermelho. Todavia, o assunto que permeia todo o filme é pertinente à todas as idades: o amor. De origem francesa, a produção pode ser considerada um conto de fadas moderno. Passada na cidade de Edimburgo em meados dos século 19,  a trama nos apresenta ao frágil Jack que nasceu em um dia extremamente frio e de muita nevasca e como consequência seu coração congelou logo que sua mãe lhe deu a luz. Madeleine, sua parteira considerada por muitos uma feiticeira, para salvar sua vida coloca no lugar do órgão petrificado um relógio cuco,  o que implica que durante toda a sua vida o menino terá que seguir certas regras: nunca mexer nos ponteiros, sempre se manter calmo e jamais se apaixonar. Preocupada em manter o mecanismo sempre funcionando em perfeito estado, ela própria assume a criação do garoto, com a aprovação da mãe biológica, e até ele completar dez anos de idade conseguiu mantê-lo sobre constante vigília em casa, mas assim que faz o seu primeiro passeio conhece e se encanta por Miss Acácia, uma jovem e atraente cantora de rua. Jack então por pouco não sofre um colapso graças à sua tutora que o resgata a tempo, mas o susto não o impede de sair de casa novamente, desta vez em fuga motivado pelo desejo de reencontrar a garota por quem se apaixonou. Obviamente, haverá em seu caminho um rival para dificultar as coisas, porém, seu maior desafio é consigo mesmo. Sua vida está em risco, afinal tendo seu amor correspondido ou não uma das regras para sua sobrevivência estaria sendo quebrada. De fato, dói amar e ser amado e o filme constrói uma metáfora quanto a vivência desse sentimento usando a manutenção do coração mecânico. Qualquer desavisado poderia acreditar que se trata de uma produção do diretor Tim Burton devida a estranheza e engenhosidade do argumento, aos personagens excêntricos e ao visual gótico e extravagante, características que também remetem bastante à outra animação, Festa no Céu. 

sábado, 7 de setembro de 2019

HUSH - A MORTE OUVE

Nota 7,0 Apesar da ideia batida, fita ganha fôlego com limitações da mocinha e vilão sem escrúpulos

A Netflix virou a casa das pequenas fitas de horror e suspense. Pequenas em todos os sentidos. Além do baixo orçamento, são produções de durações enxutas, roteiro engessado e elenco com no máximo três pessoas, sem contar um ou outro que surge em poucas cenas e em nada agregam. Contudo, é preciso constatar: a maioria resulta em excelentes passatempos. Isso se você não for muito exigente e tiver boa vontade para engolir certos exageros e devaneios e Hush - A Morte Ouve não foge à regra, apesar da premissa curiosa e os primeiros minutos serem instigantes.  O que uma pessoa surda, muda e solitária faria para se defender no caso de ser perseguida por um psicopata?. Mantida para causar impacto, a palavra em inglês do título significa silêncio e isso é ao que basicamente se resume a vida da escritora Maddie (Kate Siegel) que perdeu a audição e a capacidade de falar ainda muito jovem. Como a maioria dos profissionais da área, a moça resolveu viver isolada em uma casa de campo onde poderia se inspirar e criar com mais tranquilidade, tendo como único contato pessoal a vizinha Sarah (Samantha Sloyan). Certa noite, surge em sua porta um criminoso (John Gallagher Jr.) disposto a não violentá-la sexualmente, mas sim psicologicamente e até a morte. O diretor Mike Flanagan não enrola e logo coloca vítima e algoz frente a frente, mas não sem antes usar a técnica de usar a câmera como visão de um personagem. O psicopata, mascarado e armado com flechas, não mantém certa distância para observar seu alvo. Ele literalmente se põe a observar a moça plantado em sua porta e ainda ousa a provocar com batidas no vidro, uma maneira de se divertir antes de entrar em ação, afinal de contas fizesse o barulho que fosse ela nem se daria conta por causa de sua deficiência. Ele consegue entrar com facilidade da casa, mas não a ataca de imediato. Surrupia o seu iphone para através de fotos evidenciar sua presença e quando a moça se dá conta que está em perigo consegue a tempo prender o bandido do lado de fora, mas na verdade é ela quem está presa em uma armadilha em sua própria casa. Com tudo meticulosamente calculado, o bandido trata de furar os pneus do carro da jovem e cortar a energia elétrica, assim são apenas os dois em um jogo travado em imitado espaço físico e sob a penumbra da noite.

sábado, 24 de agosto de 2019

ELE ESTÁ LÁ FORA

Nota 7,5 Tensão crescente e ambiente claustrofóbico garantem interesse em trama previsível

Uma casa confortável, cercada por uma vegetação abundante e isolada de tudo e de todos. Muitos sonham com um retiro do tipo, mas o que não faltam são filmes de terror e suspense para levar a se pensar duas ou mais vezes nesse ideal utópico. Ele Está Lá Fora é mais um a engrossar a lista mesmo exigindo bastante boa vontade do espectador para acreditar em tudo que acontece a uma família em uma única noite. Planejando alguns dias de descanso no campo, Laura (Yvonne Strahovski) parte com as duas filhas pequenas, Kayla e Maddie (as irmãs na vida real Anna e Abigail Pniowsky), para uma bela casa de aluguel à beira do lago. Ela é recebida por Owen (Julian Bailey), o segurança da residência que conta que os proprietários foram embora depois que o filho portador de problemas mentais sumiu. Como todo suspense com cara de telefilme que se preze, tudo é bem mastigadinho e então já temos a dica de que o tal desaparecido não está tão longe e só estava a espera de visitas indesejadas. Isso não é spoiler, o título já diz tudo. O importante é saber quais as táticas de ataque do psicopata e o roteiro de Mike Scannell facilita as coisas para o vilão. Cada passo das vítimas encaixa-se perfeitamente a seus propósitos. Digamos que para alguém insano o cara é inteligentíssimo e arma em tempo recorde armadilhas mirabolantes. A primeira delas evoca o popular conto de João e Maria com as crianças sendo atraídas para dentro da floresta e encontrando um mesa arrumadinha e com dois bolinhos apetitosos e coloridos. Maddie, a mais nova, é a única que come e a noite preocupa a mãe com uma sequência de vômitos. Em uma das golfadas surge um pequeno pedaço de fita escrito "olá" e quando Laura parte o outro doce encontra mais uma fita, a de "adeus". Essa é a deixa para o vilão encapuzado surgir próximo a uma árvore e ser observado por mãe e filhas através de janelas totalmente desprotegidas, mas ele não quer simplesmente atacá-las. Seu interesse maior é amedrontá-las para alimentar sua própria perversão, assim usa e abusa de aparições relâmpagos, provoca barulhos e faz questão de se mostrar onipresente através de armadilhas e fazendo uso de macabros bonecos esculpidos em madeira representando as viítimas.

domingo, 18 de agosto de 2019

ENSINANDO A VIVER

Nota 7,0 Em processo de adoção, pai e filho aprendem a viver em família e se adaptar ao mundo

Estamos acostumados com o estilo de filmes que abordam superações e aprendizados, sempre muito emotivos, com grandiosas lições de moral e não raramente com temáticas ligadas à educação escolar ou ao esporte. Por conta da super exploração, principalmente em Hollywood, a maioria das produções desta seara acabam caindo no esquecimento, mas Ensinando a Viver não merecia tal destino, ainda que não ofereça grandes novidades. O segredo para ser acima da média é simplesmente a forma eficiente com que o diretor Menno Meyjes emprega diversos clichês sem abusar muito da inteligência do espectador, além de tirar bom proveito de seus protagonistas interpretados por um jovem promissor e um ator experiente. David Gordon (John Cusack) cresceu cheio de traumas de infância, não conseguia se encaixar no mundo como um garoto normal e por isso era constantemente rejeitado pelos colegas, mas todos os problemas que passou o ajudaram a se tornar um bem-sucedido escritor de livros infantis de ficção científica. Ele próprio acreditava que um dia extraterrestres viriam buscá-lo. Tentando superar a morte da esposa, que perdera durante o processo de adoção de uma criança, dois anos depois ele decide retomar essa ideia, mas o escolhido teria que ser alguém tão imaginativo quanto ele. Eis que surge Dennis (Bobby Coleman), um menino abandonado em um orfanato cheio de excentricidades, dentre elas detestar a luz solar, viver escondido dentro de uma caixa de papelão e dizer com toda convicção que veio de Marte para uma missão especial. Apoiado por sua grande amiga Harlee (Amanda Peet), Gordon decide se aproximar do garoto com quem tanto se identificou mesmo sabendo das dificuldades para criar uma criança aparentemente problemática. É óbvio que a relação irá fazer muito bem a ambos que com a troca de experiências irão juntos superar suas dificuldades emocionais.

sábado, 17 de agosto de 2019

AS VOZES

Nota 7,5 Produção bizarra cativa com protagonista problemático dividido entre ser mocinho e vilão

Um trash movie, ao pé da letra, é aquele que deseja ser levado a sério, mas involuntariamente acaba se tornando melhor que uma comédia assumida. Isso se deve a cenas mal dirigidas, interpretações vexatórias e quando há necessidade de uso de efeitos especiais e maquiagem pesada, mas pouco orçamento, aí é que o caldo entorna de vez. Por conta desse percalços, muitas fitas de terror são rotuladas como filmes B, mas não que isso seja um problemão, que o diga o diretor Sam Raimi que até hoje colhe elogios com seu tosco longa de estreia The Evil Dead - A Morte do Demônio. Também é muito comum o termo terrir, aí sim a mescla proposital de terror e comédia, dois gêneros antagônicos já misturados em diversas oportunidades, mas raramente com resultados satisfatórios. Geralmente são produções muito bem equiparadas, mas que fazem questão de parecerem toscas. Esse é o caso de As Vozes, à primeira vista ridículo, mas que após o baque inicial do festival de absurdos torna-se uma obra relativamente bem estruturada. O início alto astral, com direito a trilha sonora dançante, pode indicar uma inofensiva comédia romântica, mas as aparências enganam. A trama nos apresenta à Jerry (Ryan Reynolds), aparentemente um pacato operário de uma fábrica de banheiras, mas que vive em constante acompanhamento pela Dr. Warren (Jacki Weaver), sua psiquiatra, por conta de traumas da infância manifestados por seu dom (ou maldição?) em ouvir vozes de animais. Recém saído de uma clínica, ele acaba ficando obcecado por Fiona (Gemma Arterton), uma colega de trabalho que não demonstra real interesse em ter um caso, mas quando finalmente aceita uma carona acaba sendo morta brutalmente pelo rapaz. Isso mesmo! Por um mal entendido, ela acabou faltando a um encontro e o sentimento de rejeição perturbou ainda mais o cara que já não estava tomando seus remédios de forma controlada. Influenciado por conselhos que parecem vir do além, Jerry deixa seus instintos assassinos aflorarem ao atropelar um alce na estrada e assusta a moça que tenta fugir, mas acaba sendo capturada e ele sem querer lhe dá o mesmo destino que o animal.

domingo, 11 de agosto de 2019

NUNCA FUI BEIJADA

Nota 7,5 A fim de crescer profissionalmente, jovem tem a chance de fazer as pazes com seu passado

Drew Barrymore chamou atenção pelo desempenho natural e sincero quando ainda muito pequena atuou no clássico E.T. - O Extraterrestre, mas assim como muitos atores mirins acabou vindo a se envolver com o mundo das drogas, mas felizmente sua história não terminou trágica ou melancólica como a de alguns deles. Ela conseguiu se livrar do vício e retomar sua carreira e encontrou nas comédias e romances seu porto seguro. Em 1999, já sendo proprietária de sua própria produtora de filmes, mas ciente que ainda era uma atriz de dotes limitados, não quis dar passos maiores que suas pernas e aceitou protagonizar Nunca Fui Beijada, uma produção sem grandes atrativos, mas com uma história divertida e atemporal que cativa adolescentes (e também aqueles que já foram) abordando traumas e expectativas comuns à faixa etária. Pode-se dizer que a fita tem o mérito de ser uma produção sobre as dificuldades da maturidade disfarçado de comédia adolescente e Barrymore deita e rola com as situações vivenciadas por sua personagem. Ela interpreta Josie Geller, a revisora de um jornal que, aos 25 anos e muito competente no que faz, está insatisfeita com seu trabalho e sonha com uma oportunidade para se tornar repórter. Contudo, seus chefes não acreditam em seu potencial e a rotulam como uma pessoa muito ingênua para apurar fatos e realizar investigações, mas quando Rigford (Garry Marshall) resolve lhe dar um voto de confiança também acaba lhe oferecendo uma tarefa bastante complicada: se infiltrar como aluna em um colégio para retratar da forma mais fiel possível a rotina de um estudante em tempos de grandes transformações sociais (era final da década de 1990 , a internet era artigo de luxo e os celulares já começavam a ditar as regras das relações interpessoais, por exemplo). O que a deixa reticente em ter aceito a proposta é que ainda guarda péssimas recordações de sua adolescência, época em que era motivo de chacota dos colegas por ser uma aluna de comportamento exemplar e muito inteligente. Mesmo desestimulada por Gus Strauss (John C. Reilly), seu editor e melhor amigo, ela encara o desafio como uma forma de ajudá-la a exorcizar os fantasmas do passado.

sábado, 10 de agosto de 2019

REFÚGIO DO MEDO

Nota 7,0 Embora revele seu grande trunfo precocemente, longa mantém bom clima de suspense

Escolher um título é uma tarefa tão importante e complicada quanto realizar um filme em si. Muitas boas produções acabam não atingindo o merecido reconhecimento por conta de uma única ou simples junção de palavras que podem colocar tudo a perder. Esse é o caso de Refúgio do Medo que pode criar certas expectativas e não correspondê-las. Ainda bem! O longa dirigido por Brad Anderson, do elogiado O Operário, é muito melhor e surpreendente que o terror barato que o título recebido no Brasil vende. A trama se passa em 1899 quando o jovem psiquiatra Edward Newgate (Jim Sturgees) acaba de se formar da universidade e é recrutado para trabalhar em um manicômio no meio do nada. Lá ele conhece o doutor Silas Lamb (Ben Kingsley), o mantenedor da instituição que descarta os métodos de violência tão comuns à época para tratar de seus pacientes, e também a jovem Eliza Graves (Kate Backinsale), uma das internas por quem se apaixona perdidamente. Todavia, com o passar do tempo, o rapaz começa a notar um comportamento estranho dos funcionários do local, inclusive do seu diretor que parece incentivar e participar de algumas das psicoses dos internos. Contudo, nada o surpreenderá mais que a descoberta nos subterrâneos do hospício de vários prisioneiros que alegam ser pessoas em sã consciência, funcionários do local que foram dominados pelos próprios doentes liderados por Lamb que esconde sua faceta de loucura. Os pacientes de fato dominaram a instituição ou são espertos o bastante para enganar o jovem médico para conseguirem a liberdade? Nota-se que a trama tem certos resquícios de A Ilha do Medo, do mestre Martin Scorsese, mas nada que suscite comparações ferrenhas. Inspirado no conto "O Sistema do Doutor Alcatrão e do Professor Pena", de Edgar Alan Poe, o roteiro de Joseph Gangemi não busca surpreender o espectador com momentos ou revelações arrebatadoras, tanto que o que poderia ser spoiler neste texto é revelado no próprio filme até com certa precocidade. A questão é não temer enfrentar o desconhecido e sim saber como lidar com um fato comprovado e aparentemente irremediável.

domingo, 4 de agosto de 2019

UM DOMINGO DE CHUVA

Nota 6,0 Sem maniqueísmos drama recicla clichê do crescimento pessoal pela troca de experiências

Basta estender uma mão para tentar mudar uma vida. No caso do longa Um Domingo de Chuva a ajuda tem via dupla e ambos os lados se beneficiam. Reggie (Julian Skatkin) é um menino prodígio e único filho de uma milionária que reside em um luxuoso castelo incrustado em meio a agitada cidade Nova York, porém, é uma criança solitária e reprimida. Órfão de pai, o garoto não tem do que se queixar em termos materiais dos tratos de sua mãe, porém, ela fica a dever quanto a carinho e dedicação sendo uma pessoa quase ausente em casa. Quando surge a oportunidade de uma vaga para ser babá dele, a jovem Eleanor (Leighton Meester) a agarra com todas as suas forças a fim de superar um mal momento. Musicista desempregada e decepcionada após brigar com Dênis (Billie Joe Armstrong), seu namorado machista, ela se vê obrigada a recomeçar sua vida do zero, mas o convívio entre ela e o menino inicialmente não é dos melhores por conta de suas personalidades opostas. Ele é inteligente e sério demais para a idade enquanto ela é até bastante responsável, mas sabe levar a vida com mais leveza e alegria apesar dos pesares. Obviamente, a convivência forçada acaba criando um grande laço de amizade entre eles. O argumento não é lá muito original, de fato é bem parecido com o de Grande Menina, Pequena Mulher e de tantas outras produções que de tão genéricas até nos escapam os nomes, mas se as comédias românticas reciclam ideias e por vezes alcançam sucesso por que outros gêneros também não poderiam se beneficiar dando cara nova a histórias batidas? Fugindo dos estereótipos da criança chata versus a adulta infantilóide, o diretor e roteirista Frank Whaley, mais conhecido por seu trabalho como ator em diversos seriados, soube usar o clichê a seu favor e criou dois personagens bastante humanos, com doses semelhantes de defeitos e virtudes, e de perfis de fácil identificação com o público.

sábado, 3 de agosto de 2019

PAIXÃO BANDIDA

Nota 1,0 Mescla de comédia romântica com ação policial resulta em algo insosso e sem propósito

Desde que o mundo é mundo as histórias acerca de relações fraternas provam que, além de amor, podem ser permeadas de ódio e não são poucos os casos que comprovam isso. É desse argumento que parte Paixão Bandida uma comédia de humor negro com toques de filme policial que foi enterrada pelo passar dos anos. E com toda a razão. Contando com protagonistas hoje famosos, mas na época engatinhando na profissão, é perceptível a falta de pulso na direção e na condução da trama e o resultado é um longa medíocre e sem justificativa para ter sido feito. Quando o casal Clayton se separa cada uma das partes fica com a tutela de um filho, já que os irmãos nunca se deram bem. Sam (Vicent D'Onofrio), o mais velho, fazia questão de aprontar o tempo todo com Jjaks (Keanu Reeves) e a separação parecia a única maneira de manter as coisas sob controle, isso até o casamento do primogênito quando eles se reencontram a pedido da mãe após vinte anos de afastamento. O evento na verdade é uma farsa, pois Freddie (Cameron Diaz), a noiva, está sendo obrigada a se casar. Ela é acusada de desfalque pelos bandidos com os quais seu verdadeiro marido está envolvido e precisa se unir a um pretendente rico para aplicar um golpe. Abandonando o sonho de ir para Las Vegas e tentar a vida artística, ela acaba aceitando se casar, mas o plano começa a ruir logo no dia das bodas. Basta cruzar seus olhos com os de Jjaks para que a moça, sem saber que ele é seu futuro cunhado, apaixone-se à primeira vista. E assim o reencontro dos irmãos não é, como eles próprios previam, algo fácil e agora eles tem uma nova razão para se odiar: estão apaixonados pela mesma mulher. Quando Freddie convence seu verdadeiro amor a fugir com ela, o casal passa a ser perseguido por Sam e seus amigos e começa a viver uma rotina de chantagens, trapaças e ataques de violência.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

CAPITÃO FANTÁSTICO

NOTA 8.0

Longa aborda família pouco convencional
surpreendida por um choque de
culturas e que passa a rever seus
conceitos sem abrir mão do amor que os une
Viver em meio à natureza, sem compromissos com horários, preocupações com trabalho, o conhecimento mandado às favas e poder até mesmo não usar roupas. Um sonho, não é? Mas quem disse que viver isolado do mundo, quase que sob condições primitivas, não implica certas regras e conceitos. De forma bastante descontraída Capitão Fantástico aborda tal tema e coloca o público para repensar a maneira que encaram suas vidas. Leslie (Trin Miller) e Ben Cash (Viggo Mortensen) resolveram levar uma vida calcada na utopia ao lado dos seis filhos. Fugindo do mundo corporativo, do capitalismo e do consumismo, a família vive em uma cabana incrustada em uma floresta e seu cotidiano é rígido e extremo baseando-se no preparo físico intenso, trabalhos manuais, treino de sobrevivência, mas também há espaço para a cultura através de leituras, apreciações de músicas e muito diálogo franco entre todos eles. Até as crianças menores aprendem a lidar com armas e tem aulas de educação sexual sem rodeios. Televisão, celulares e internet nem pensar. Entretanto, nem tudo são flores. Uma crise abala o clã quando a matriarca manifesta certa bipolaridade, o que a força a voltar para a civilização em busca de tratamento e os desdobramentos do caso forçam o restante da família a deixar o convívio com a natureza, mesmo que momentaneamente. Então a falta de traquejo social fica em evidência e os filhos do casal passam a questionar o estilo de vida que levam e é hora do paizão mostrar a força de seus ideais e apartar o deslumbramento e sentimento de inferioridade que recai sobre sua turminha. Ou talvez ele próprio repensar seus conceitos. O longa apresenta a intimidade desta família nada convencional a partir da ausência de Leslie, o que implica em um reencontro com os pais dela, Abigail (Ann Dowd) e Jack (Frank Lnagella), este que em um primeiro momento pode ser visto com tons de vilania, mas não é surpresa alguma que o idoso não aceita o estilo de vida que o genro defende e o acusa de ter desvirtuado sua filha e agora faz o mesmo com seus netos. Seus argumento são válidos, mas Ben tem sempre uma resposta inteligente na ponta da língua para retrucar. É o choque de culturas que dá a tônica do filme que se alterna entre momentos divertidos e outros reflexivos.

terça-feira, 23 de julho de 2019

ARMAÇÕES DO AMOR

NOTA 4,0

Mesmo contando com atores
experientes no gênero, longa não
diverte e tampouco emociona com
trama insossa e com diversos equívocos
Um cara já passando dos trinta e poucos anos resiste em sair da casa dos pais para não perder os paparicos, porém, ele não é nenhum adulto infantilóide. Já faz tempo que trocou o pega-pega com os amigos na rua para se divertir com a pegação que rola nas baladas. Esse perfil pouco interessante é o papel que Matthew McGonaughey defende na comédia romântica Armações do Amor ao lado de uma das rainhas do gênero, Sarah Jessica Parker.  Ele dá vida à Tripp, um vendedor de barcos de luxo já na faixa dos 35 anos de idade, mas que não conquistou sua independência plena. Diga-se de passagem, isso pouco lhe importa. Ele leva uma vida com todo conforto possível vivendo com os pais Al (Terry Bradshaw) e Sue (Kathy Bates), o que não o impede de ter uma vida amorosa bastante ativa. Ou seria melhor dizer sexual? Ele jamais permite que seus namoros durem muito tempo e quando percebe que a relação está ficando séria tem uma tática até que bastante original para pular fora. Toda a garota sonha com o dia de conhecer os pais do namorado, mas espera que após o encontro o rapaz a leve para sua própria casa e terminem a noite na cama. Tripp já prefere que a moça se frustre que ele ainda viva com os pais e acabe com tudo, uma armação que sempre foi muito bem sucedida até o dia que os coroas também decidiram bolar um plano para enxotar o filhão para fora de casa. O casal contrata os serviços de Paula (Parker), uma bela mulher especialista em fazer os homens caírem a seus pés a ponto de forçá-los a optarem por uma vida independente. Para não rotulá-la como uma espécie de acompanhante de luxo, digamos que seu trabalho é elevar a auto-estima de seus clientes e provar que morar sozinho e arcar com despesas e afazeres domésticos é necessário para alimentar a imagem de um homem bem sucedido. Ela se aproxima de seu alvo, obviamente ele se interessa, mas para a surpresa do solteirão ela passa pelo teste do encontro com os sogros e isso o faz crer que finalmente encontrou a mulher ideal para casar. Por sua vez, a moça também se interessa pelo rapaz, mas chega o momento que ele descobre toda a verdade, eles rompem, ela decide ir embora da cidade... Enfim, o filme então segue a cartilha convencional do gênero.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

CÓPIA FIEL

NOTA 8,0

Longa discute o valor de uma cópia
em relação à originalidade abordando
o encontro de duas pessoas e propondo
uma análise reflexiva sobre sentimentos
O que é melhor, ter um produto original ou uma cópia? A resposta parece óbvia, todos querem a exclusividade, mas optar pela imitação (não é o mesmo que pirataria) não significa necessariamente a preferência por algo de qualidade inferior, pelo contrário. Produtos feitos em série podem sim ter seu valor e até mesmo ressaltar as qualidades de sua matriz. A discussão é bastante complexa e filosófica e Cópia Fiel coloca em xeque a questão dentro do ambiente artístico e cultural. Este é o primeiro filme do diretor iraniano Abbas Kiarostami rodado fora de sua terra natal, uma produção que se preocupa mais com diálogos e ritmo do que com longas cenas de contemplação e silêncio, um eficiente cartão de visitas para o cineasta se apresentar a uma fatia de público que desconhece ou discrimina seu estilo. Na realidade ele prossegue com seu cinema autoral, mas aqui conta com uma produção mais requintada e com a estrela Juliette Binoche como protagonista, atriz francesa com passe livre na indústria de cinema americano, mais um ponto para ajudar a popularizar o trabalho do cineasta. A trama começa apresentando uma palestra do escritor inglês James Miller (William Shimell) divagando sobre como a qualidade e o valor de uma obra dependem do contexto e do olhar particular de quem a analisa. Assim, defende que a cópia acaba agregando valor ao produto original uma vez que o valoriza consideravelmente a ponto de alimentar o desejo de ser imitado. Essa abordagem não se aplicaria somente a conceitos de arte, mas também ao comportamento humano, mais especificamente aos seus sentimentos. Ele está na Toscana, na Itália, divulgando seu mais novo livro (homônimo ao filme) e na platéia está Elle (Binoche), a dona de uma galeria de arte que comprou vários exemplares para dar de presente a conhecidos. Quando conseguem se aproximar, eles passam horas a fio passeando por pontos turísticos e discutindo sobre arte, filosofia e a complexidade dos seres humanos. Quando fazem uma parada em uma cafeteria, eles são confundidos como se formassem um casal e por brincadeira passam a se portar como tal. A partir de então a sensação é que uma subtrama mais importante que a explorada na introdução passa a desenrolar. Os personagens já não são mais os mesmos.

domingo, 21 de julho de 2019

O MELHOR DE MIM

Nota 5,0 Da grife Nicholas Sparks, longa conta mais uma história de amor fadada ao fracasso

O autor Nicholas Sparks se transformou em uma franquia... De repetições. Suas obras versam basicamente sobre amores fadados ao infortúnio, histórias protagonizadas por um belo casal que se une contra adversidades que possam impedi-los de viver um grande amor, mas o destino sempre lhes reserva um final impactante ou traumático. Foi assim com Um Amor Para Recordar, Querido John e Um Porto Seguro, por exemplo. Até o queridinho popular Diário de Uma Paixão segue tal vertente, mas ganha pontos por ter uma trama mais realística em comparação aos demais best sellers do escritor. O Melhor de Mim  entra na lista de seus livros já adaptados para o cinema apenas de forma numérica. Qualitativamente não agrega nada. Com direção de Michael Hoffman, do simpático Um Dia Especial (que tinha tudo para ser mais uma história do Midas da literatura romântica, mas não é), a trama acompanha a trajetória de Amanda (Liana Liberato) e Dawson (Luke Bracey), dois jovens que se apaixonam perdidamente, mas a relação não é aprovada pelos pais dela que consideram o pretendente um pobretão e oriundo de uma família de desajustados. Quando o rapaz resolve fugir de casa e tentar uma vida melhor, ele é acolhido por Tuck (Gerald McRaney), um ex-militar viúvo que oferece total apoio à esse relacionamento que sofre com episódios de violência, acidentes, preconceito, doenças e tudo quanto é desgraça. O destino não parecia a favor destes jovens e eles acabam se separando e após duas décadas, ou melhor, depois de exatos 21 anos como é frisado várias vezes, eles voltam a se reencontrar por ocasião da morte do senhor que os apoiara na juventude. Nesta fase o casal é interpretado por Michelle Monaghan e James Marsden, nomes mais conhecidos do grande público, mas nem por isso deixam de entediar boa parte da fita. É a partir de suas memórias que vamos tendo conhecimento desta história de amor e os fatos que os levaram a romper. Distantes por tanto tempo e tendo seguidos caminhos completamente opostos, ambos colocarão o amor que viveram um dia à prova e vão tentar dar mais uma chance um ao outro, porém, outra vez parece que o destino estará contra esta união.

sábado, 20 de julho de 2019

SEQUESTRANDO STELLA

Nota 7,0 Com elenco enxuto e sem perder o foco, suspense supera clichês com agilidade e tensão

Fazer um filme ao menos mediano sobre sequestro não é uma tarefa fácil, afinal praticamente todas as situações possíveis imaginando o que pode acontecer entre vítimas e criminosos durante o período de cativeiro já foram exploradas pelo cinema. Contudo, com uma história bem contada, qualquer clichê pode ganhar sobrevida. É isso que oferece o suspense alemão Sequestrando Stella, do diretor Thomas Sieben que assina o roteiro em parceria com J. Blakeson. Vic (Clemens Schick) e Tom (Max von der Groeben) são ex-colegas de prisão que assim que conseguem a liberdade decidem por colocar em prática um novo golpe sequestrando a filha de um milionário. A partir de um artigo publicado em um jornal, a vítima escolhida é Stella (Jella Haas), uma jovem que nunca teve muita atenção do pai. O esquema de ação é o mesmo já visto em diversas produções do estilo. A jovem é capturada em um momento de distração, forçada a entrar em uma van até ser amarrada em um lugar ermo. Para que nada dê errado, a dupla, que age sempre munida de capuz e máscaras, monta um esquema forte de segurança para o cativeiro, mas não previam que algumas coisas inesperadas surgissem  no meio do caminho. É nesse ponto que o filme se difere de tantos outros que abordam tema semelhante. Com poucos personagens em cena e bons momentos de tensão verossímeis, o longa fisga o espectador de maneira simples e honesta sem precisar recorrer a mirabolantes planos que apenas dão um nó na cabeça de quem assiste (isso quando também não embola elenco e direção). O profissionalismo dos delinquentes é valorizado por Sieben logo na introdução, assim sua câmera flagra de forma minuciosa todos os seus gestos dando a nítida noção de que planos de sequestros são coisas só para mentes brilhantes bolarem. Tudo é friamente calculado, desde a compra de artefatos de ameaça e tortura até o cuidado do cativeiro ser revestido com espumas nas paredes para evitar o vazamento de conversas e gritos. Demora até o primeiro diálogo surgir, mas o material visual dos preparativos para o crime é o suficiente para prender e instigar a atenção.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A GAROTA DA CAPA VERMELHA

NOTA 3,5

Prometida como versão assustadora
de conto clássico infantil, longa se perde
com cenas gratuitas, personagens em
excesso e triângulo amoroso insosso
Os contos clássicos infantis são fontes inesgotáveis de inspiração para o cinema, a televisão, o teatro e até para a própria literatura que vive repaginando histórias já conhecidas. Algumas delas já sofreram tantas readaptações que hoje em dia é até difícil saber quais as versões originais. Muitos acreditam que os chamados contos de fadas usados para ninar criancinhas mundo a fora na realidade não tinham o objetivo de embalar o sono de ninguém e seriam carregados de elementos fortes, perversos, trágicos e até mesmo de mensagens subliminares. Por serem as mais populares, muitos acreditam que a versão dos filmes Disney são verdadeiras, o que não procede, mas bem verdade que muitas das fábulas ditas infantis jamais ganhariam o colorido e o toque de humor da empresa devido a seus conteúdos. É com essa brecha que muitas companhias estão tentando lucrar lançando versões mais pesadas e voltadas ao público adolescente. Para os fãs da saga Crepúsculo, o suspense A Garota da Capa Vermelha pode parecer uma continuação da história de amor e ódio entre vampiros e lobisomens, até porque ambos os projetos tem na direção Catherine Hardwicke. Ela dirigiu apenas o primeiro filme da franquia, mas o suficiente para viciar seu trabalho seguinte. Criado em meados do século 19 pelos famosos irmãos Grimm, o conto da Chapeuzinho Vermelho é uma de suas obras que nunca ganhou uma versão arrebatadora em forma de longa-metragem, tornando-se assim um prato cheio para novas interpretações ou simplesmente para que algum diretor corajoso adaptasse o texto original sem muitas firulas. Mais preocupada com invencionices e em faturar outra vez uma bolada, a diretora acabou derrapando feio no comando da adaptação da simplória fábula. Personagens em excesso, trama confusa e um romance insosso explicam os fracos resultados financeiros da fita. Visualmente a produção chama a atenção com uma ambientação fria e soturna, mas a trama deixa a desejar e toda a aura de mistério que a parte técnica promete é destroçada por um roteiro pouco envolvente e que recorre a manjada fórmula do triângulo amoroso adolescente.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A NOVELA DAS OITO

NOTA 3,0

Longa aborda os tempos difíceis
da ditadura através da relação dos
personagens com uma novela da época,
mas o ingrediente principal faltou
Embora ainda chame a atenção, é inegável que nos passado as telenovelas desfrutavam de uma cômoda posição de destaque entre as opções de lazer, um frisson capaz de fazer praticamente o Brasil todo parar com o intuito de acompanhar um capítulo envolto em grandes expectativas. Sem outras grande opções para roubar a atenção do público e com a ditadura militar em constante vigilância, até meados da década de 1980 esse tipo de programa não era um simples passatempo. Visto por alguns como um meio de alienação, para outros era uma forma ousada de expor conflitos e modismos de forma velada. Literalmente marcando época, ditando moda e sacudindo o país, "Dancin' Days" escrita por Gilberto Braga foi exibida no final do período setentista fazendo um retrato da classe média do Rio de Janeiro daqueles tempos e de quebra popularizando a disco music na esteira do sucesso do filme Os Embalos de Sábado a Noite. A novela estreou em meio a um turbulento cenário político sob o regime militar de Ernesto Geisel que com mão pesada coagia a população e censurava artistas, isso quando as pessoas não eram rifadas do mapa envoltas a estranhos sumiços e mortes, muitos sem resolução crível até hoje. O diretor Odilon Rocha em A Novela das Oito, seu longa de estreia, utiliza uma narrativa em estilo mosaico, aquele tipo que entrelaça conflitos de vários personagens, a fim de traçar um panorama dessa efervescente época. Em comum todos eles tem a paixão ou o repúdio pelo folhetim protagonizado por Sônia Braga. A prostituta Amanda (Vanessa Giácomo) é uma das fãs ardorosas e procura atender seus clientes sempre após o término dos capítulos. Com o que fatura ela pode se dar ao luxo de ter uma empregada doméstica, mas Dora (Claudia Ohana) tem um passado como ex-militante que a patroa desconhece. Presa e torturada, ela se viu obrigada a se mudar para São Paulo usando uma identidade falsa e deixando para trás seu único filho, Caio (Paulo Lontra), que acaba sendo criado com rigidez pelos avós desde muito pequeno.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

JUNTOS E MISTURADOS

NOTA 5,0

Terceira parceria entre Adam
Sandler e Drew Barrymore mostra
sinais de desgaste da dupla, mas estilo
de humor do ator ainda domina a fita
Adam Sandler e Drew Barrymore trabalharam juntos pela primeira vez em 1998 no pouco lembrado Afinado no Amor, interpretando dois jovens de perfis completamente opostos que se apaixonam à primeira  vista. Com uma premissa batida destas o ostracismo da fita é perfeitamente justificável. Mais sorte a dupla teve no reencontro seis anos mais tarde em Como Se Fosse a Primeira Vez. Com seus nomes já valendo peso de ouro e uma história bem mais elaborada, a do cara que precisa diariamente reconquistar uma garota que sofre de um estranho tipo de amnésia, essa comédia romântica caiu no gosto popular e se tornou campeã de reprises na televisão. A química do casal sem dúvidas é o grande trunfo da fita, não menosprezando o enredo levemente diferenciado. Se o passar de alguns poucos anos os beneficiou em termos de amadurecimento, tanto pessoal quanto profissional, que tal mais um reencontro, agora uma década depois? Sandler certamente deve ter pensado nisso quando convidou a atriz para dividir as atenções em Juntos e Misturados, mas o resultado não mostra avanços e sim retrocessos para seus currículos. A história começa com o primeiro encontro a sós de Jim (Sandler) e Lauren (Barrymore), mas o jantar mais parece uma aula prática de como fugir de um relacionamento. Da escolha do local, um restaurante famoso por suas garçonetes gostosonas vestindo roupas insinuantes, passando pela atenção especial dedicada ao que está passando na TV e até chegar ao prato principal com camarões apimentados que culmina em um escatológico fim de noite, a introdução não é nada convidativa. Depois disso eles acabam se cruzando vez ou outra por acaso, sempre em meio a situações embaraçosas, até que se veem obrigados a dividir uma mesma suíte em uma viagem para a África. Por uma daquelas estranhas coincidências roteirísticas, somos forçados a engolir que o passeio a um resort de luxo com tudo pago caiu dos céus para ambos. Detalhe, o público-alvo do lugar são casais a fim de curtir uma segunda lua-de-mel, a maioria levando a tira-colo os filhos, uma peculiaridade que vem a calhar ao casal-torto. Jim é um pai viúvo que não tem o menor traquejo para cuidar de suas três filhas, oferecendo uma criação masculinizada, o que inclui cortes de cabelo em barbearia e roupas esportivas que compra com desconto na loja em que trabalha.

terça-feira, 16 de julho de 2019

AS COISAS IMPOSSÍVEIS DO AMOR

NOTA 7,5

Sem maniqueísmos, longa apresenta
protagonista envolvida em diversos
conflitos sentimentais e seu casamento
depende do equilíbrio entre todos eles
O que seria impossível no amor? Superar a dor da perda de um bebê? Tentar conquistar o filho que o marido teve em outro relacionamento? Procurar ter um convívio harmonioso com a ex-mulher dele? Ou amar a si mesmo do jeito que é com seus defeitos e virtudes? As respostas para tais perguntas tentam ser encontradas em As Coisas Impossíveis do Amor, simpático drama protagonizado por Natalie Portman. Entre um ensaio e o outro para Cisne Negro, que lhe rendeu o Oscar e tantos outros prêmios, a atriz arranjou um tempinho na agenda para este bem intencionado filme que provavelmente só chegou a ser lançado nos EUA por conta da popularidade conquistada pela moça. Engavetado por dois anos, sendo lançado no Brasil sem direito a passagem pelos cinemas, o desprezo pela produção não é justificável. A trama gira em torno de Emilia (Portman), uma recém-formada advogada que vai trabalhar em um conceituado escritório e se apaixona por Jack Woolf (Scott Cohen), seu chefe. Ele é casado e inicialmente nem nota o interesse da moça, mas ela é surpreendida quando é convocada para uma viagem de negócios com ele. Logo na primeira noite juntos eles acabam iniciando um romance e depois de algumas semanas chega a notícia que ela acabou engravidando, mas a expectativa da chegada da criança acaba terminando como uma grande frustração. Três dias após o nascimento, Isabel acaba falecendo por asfixia enquanto mamava. Sentindo-se culpada por um momento de distração, Emilia tenta neutralizar o trauma e manter seu casamento a todo custo, o que implica em tentar viver em harmonia com Carolyn (Lisa Kudrow), a então já ex-esposa de Woolf, e com William (Charlie Tahan), seu provocador enteado devidamente envenenado pela mãe enraivecida. Como desgraça pouca é bobagem, a moça ainda precisa domar seu orgulho e mágoa e se reaproximar de Sheldon (Michael Cristofer), seu pai adúltero a quem nunca perdoou por ter abandonado sua mãe.

domingo, 19 de maio de 2019

A LEOA

Nota 8,5 Doença rara é abordada com maturidade, sensibilidade e dramaticidade no ponto ideal

Assim como a produção de muitos países chega na base do conta-gotas ao Brasil, o cinema norueguês também raramente tem a oportunidade. Nesse ponto, os serviços de streaming são positivos oferecendo uma grande vitrine a títulos pouco divulgados que podem vir a ser conhecidos não apenas por um público mais seleto, mas também por populares que tem total condição de compreenderem seus conteúdos como é o caso de A Leoa cujo mote principal é o preconceito. Em meados de 1910, Eva (Mathilde Thomine Storm) nasceu com um problema genético raro que aumenta excessivamente a quantidade de pêlos por todo o corpo, a então pouco conhecida hipertricose. Desde os primeiros minutos de vida sofreu com a rejeição do próprio pai, Gustav (Rolf Lassgärd), além de ter perdido a mãe durante o parto. Crescendo praticamente fechada em casa, não podia sequer se aproximar das janelas, e cheia de sonhos a serem realizados como o direito a estudar, a menina ainda criança procurou enfrentar o preconceito de seu pequeno vilarejo, mas talvez não imaginasse o tanto de dificuldades que enfrentaria. A única pessoa com quem a pequena podia contar é com sua ama de leite Hannah (Kjersti Tveteräs), depois também sua tutora, que nunca demonstrou estranheza por sua aparência, sempre fora muita amável e a protegia quando julgava que seu pai passava dos limites da super proteção, embora sempre fosse com as melhores intenções e também para ele próprio não sofrer humilhações. Criando um mundo próprio enclausurada, Eva acaba por desenvolver uma inteligência acima da média, principalmente quanto a cálculos matemáticos com o que viria a trabalhar no futuro, porém, na adolescência vivenciou momentos libertadores ao ingressar em um grupo circense composto por outras pessoas portadoras de anomalias, mas nem por isso incapazes ou desprovidas de algum dom em especial. Nesta fase de sua vida ela também experimenta pela primeira vez a atenção sincera de seu pai que a leva para uma viagem à Copenhagen onde ocorreria uma conferência entre cientistas para debater moléstias de pele.

sábado, 18 de maio de 2019

CRIATURAS (1986)

Nota 6,5 Longa já nasceu envelhecido, mas assume com orgulho e bom humor sua vocação trash

A hora do... espanto, calafrio, pesadelo, lobisomem, mortos-vivos e por aí vai. Na década de 1980 era comum no Brasil o batismo de fitas de terror e ficção científica com tal início, uma forma de pegar carona no sucesso alheio ou de turbinar produções capengas. Nessa toada chegou aos cinemas o longa A Hora das Criaturas, como também foi comercializado nos tempos do VHS e ainda é batizado em raras apresentações na TV fechada. Todavia, seu nome original e também comercializado em DVD é Criaturas, denominação mais eficiente visto que é o primeiro de uma franquia que rendeu outros três filmes que apenas acrescentavam o numeral correspondente ao título minimalista. E ainda bem que parou no quarto capítulo, afinal o primeiro já espremia leite de pedra, mas mesmo assim tornou-se uma pérola trash e um marco nostálgico no gênero horror. A trama começa quando pequenos seres extraterrestres estão prestes a serem levados a uma prisão espacial para serem aniquilados, mas conseguem roubar uma nave e vão parar obviamente na Terra, onde mais? Os Critters são criaturas peludinhas, dotados de dentes pontiagudos e olhos vermelhos, soltam espinhos pelas costas, se movimentam rolando como bolas e se comunicam por meio de uma linguagem específica. Eles aterrissam em uma pequena cidade rural dos EUA próximo à fazenda de Jay Brown (Billy Green Bush), que até então levava uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Dee Wallace), da filha adolescente April (Nadine Van der Velde) e do arteiro caçula Brad (Scott Grimes), um experiente criador de bombinhas (característica que terá importância no decorrer do filme). Rapidamente os pequenos alienígenas invadem a propriedade dessa família e fazem sua primeira vítima devorando Steve (Billy Zane, em início de carreira), o namoradinho de April bem na hora que tentava ter sua primeira vez com a mocinha. Inevitável a piada: pensou que ia se dar bem comendo a gatinha e acabou literalmente comido! Os pestinhas ainda devoram as fiações da casa, assim cortando a luz e a linha do telefone e deixando os Brown isolados, contudo, Brad consegue fugir e passa a observar o comportamento dos Critters que tem um apetite descomunal e em compasso com seus crescimentos acelerados.

domingo, 12 de maio de 2019

PEQUENO DEMÔNIO

Nota 7,0 Parodiando o clássico A Profecia, longa faz humor com maturidade e sem escrachos

A Netflix não quer ser apenas a maior exibidora de filmes via streaming. Também quer ser reconhecida como uma grande produtora de conteúdo audiovisual e desde que causou frisson com Beasts of no Nation, que curiosamente não teve seu título traduzido para o português, a empresa entrou de cabeça na indústria cinematográfica e já conta com um respeitável catálogo. Bem, pelo menos em termos de quantidade. Há quem diga que a produtora investe em roteiros que parecem ter sido rejeitados para cinema e até mesmo como telefilmes. Como em qualquer outra companhia do ramo, existem bastante títulos esquecíveis, mas garimpando podem se achar boas surpresas como a comédia Pequeno Demônio que bebe diretamente na fonte do clássico A Profecia (o original dirigido por Edgar Wright). O boa-praça corretor de imóveis Gary (Adam Scott) casou-se recentemente com Samantha (Evangeline Lilly) e na bagagem da esposa veio a tira-colo o filho dela, o pequeno Lucas (Owen Douglas). Por mais que se esforce o padrasto não consegue se aproximar do enteado que vive imerso na solidão, mas não demora muito a perceber que o melhor a fazer é manter distância do menino. Coisas estranhas começam a acontecer, se já não fosse bastante suspeito o moleque ter como brinquedo preferido um fantoche na forma de um bode chifrudo, e o rapaz passa a suspeitar que o garoto está envolto a algum segredo sombrio e há quem o queira convencer que se trata do anticristo em carne e osso. Com a ajuda da masculinizada colega de trabalho Al (Bridget Everett), Gary começa a investigar mais a fundo a história de Lucas desde o seu nascimento. É aí que as peças se encaixam e o corretor descobre o porquê de nos tempos do namoro a companheira ter evitado ao máximo o contato entre os dois homens de sua vida. Ajudando a amarrar a trama, várias referências a outros títulos de horror podem aguçar a curiosidade dos espectadores e deixar o programa mais divertido, como a aparição de sinistras gêmeas evocando O Iluminado e a televisão fora do ar que ecoa vozes em lembrança à Poltergeist. Em homenagem menos explícita, até It - A Coisa é citado em uma hilária sequência durante uma festa de aniversário.

sábado, 11 de maio de 2019

RISCO DUPLO

Nota 5,0 Digna de telefilme, trama bem amarradinha e ágil escamoteia previsibilidade e furos

Tem filmes que são bem fraquinhos, esquecíveis rapidamente, mas é intrigante como durante suas exibições conseguem prender a atenção e por alguns instantes até serem considerados boas produções. No auge das videolocadoras, muitas fitas de baixo orçamento ou de argumentos capengas ganharam notoriedade e o gênero suspense policial é um dos que mais se beneficiou nesta fase. Se não fosse encabeçado por um astro já de décadas e uma estrela em ascensão certamente Risco Duplo não chegaria a ser exibido nos cinemas e aportaria diretamente nas prateleiras dos videoclubes. O roteiro de David Weisberg e Douglas Cook é extremamente genérico, mas nem por isso deixa de ser razoavelmente interessante. Libby Parsons (Ashley Judd) estava muito feliz com a viagem de veleiro que faria com seu marido Nick (Bruce Greenwood), mas nem podia imaginar que o passeio se tornaria seu pior pesadelo e mudaria irremediavelmente seu futuro. Após alguns drinks e uma intensa noite de amor, a moça desperta sem o companheiro ao lado e com o corpo todo ensanguentado e à procura desesperada por ele acaba encontrando a arma do crime, uma faca de cozinha. Com o artefato em mãos, ela é surpreendida por um barco da guarda costeira acionado pela própria vítima dizendo que havia sido violentamente atacado. Beneficiária de uma polpuda apólice de seguro, inevitavelmente ela é acusada por assassinar o marido cujo corpo nunca foi encontrado. Condenada à alguns angustiantes anos de prisão, Libby decide entregar seu filho pequeno aos cuidados de Angie (Annabeth Gish), sua melhor amiga, a fim de evitar que a criança fique sob a tutela do Estado, mas estranha quando após as primeiras semanas de encarceramento o garoto deixa de visitá-la. Depois de muita insistência ela consegue localizar a amiga e fazer uma ligação, é quando descobre que Nick armou sua morte fictícia para roubar o dinheiro do seguro e que está vivendo muito bem ao lado do filho e da amante, cujo nome revelado não deixa ninguém boquiaberto.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A NOIVA (2017)

NOTA 5,0

Apesar da expectativa gerada
por ser russo, terror decepciona
ao copiar estilo hollywoodiano,
dos chavões aos deslizes
É sabido que Hollywood produz muitos filmes de terror e mesmo requentando ideias ainda mantém aquecida a indústria do cinema americano. Países orientais tiveram sua fase de evidência com o gênero enquanto da Espanha vez ou outra pipocam algumas produções de arrepiar que carimbam o passaporte de diretores e roteiristas para trabalharem nos EUA. Contudo, nos últimos anos, verifica-se que outros países sem tradição com fitas de horror estão buscando explorar tal território, ainda que de forma tímida. Só pelo fato de ser oriundo da Rússia, o longa A Noiva já aguça a curiosidade, porém, justamente por criar expectativas acaba decepcionando. Escrito e dirigido por Svyatoslav Podgaevskiy, o filme usa como argumento uma antiga lenda local a respeito de que os mortos podem sobreviver através das fotografias que tem o poder de aprisionarem suas almas e assim mantê-las no mundo dos vivos. Para explanar rapidamente tal tradição, a introdução se passa em meados do século 19 quando, inconformado com a perda da pretendente às vésperas do casamento, o noivo (Igor Khripunov) decide fotografá-la com uma maquiagem sobre as pálpebras fechadas dando o efeito de olhos esbugalhados. Porém, ele vai além e tenta transferir a alma da falecida para o corpo de uma virgem sacrificada em um ritual, mesmo que o resultado não a traga de volta à vida por completo. Ele poderia ter o espírito da amada novamente, mas jamais o seu corpo. De início arrepiante, ficasse a trama ambientada neste período o longa certamente seria bem mais interessante, porém, há um salto no tempo de dois séculos para acompanharmos a história de Nastya (Victoria Agalakoya), uma jovem que está prestes a realizar seu sonho de se casar com Vanya (Vyacheslav Chepurchenko), aquele que acredita ser o homem da sua vida. Contudo, somente após a cerimônia civil é que ela vem a finalmente conhecer a família do rapaz em uma viagem até o vilarejo onde ele viveu. Ela é recebida de forma muito amistosa por todos da casa (obviamente isolada), principalmente por Liza (Aleksandra Rebenok), sua cunhada, mas aos poucos vai percebendo que a velha residência esconde obscuros segredos.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

DUAS DE MIM

NOTA 3,0

Com características claramente
televisivas, comédia perde bom
argumento apostando em piadas
manjadas e elenco engessado
Fale bem ou fale mal, mas falem de mim. Tal frase parece guiar os caminhos das comédias brasileiras. Gênero tradicional de nosso cinema há alguns anos e porque não dizer o que o ajuda a sustentar nossa indústria, solidificou-se um estilo muito próximo ao do humor feito para a televisão. É como se o público estivesse acostumado a ir na sala escura para assistir o que pode ter de graça em casa. Não a toa muitos comediantes da telinha (bem com os super televisores de hoje em dia o termo é até obsoleto) foram catapultados a estrelas cinematográficas como Leandro Hassum, Ingrid Guimarães, Fábio Porchat, entre tantos outros. Em geral seus currículos agregam expressivos títulos, ao menos em temos de bilheterias, mas mesmo quando fracassam seus filmes continuam ecoando na memória do público graças a massivas campanhas de marketing que acompanham seus lançamentos, assim garantindo sobrevida aos mesmos em serviços de streaming e reprises na TV. Primeiro projeto como protagonista da comediante Thalita Carauta, que ficou conhecida pelo humorístico "Zorra Total", a comédia Duas de Mim poderia se encaixar neste pacote, mas infelizmente o acúmulo de equívocos depõem contra sua carreira. A atriz dá vida a Suryellen, uma moradora do subúrbio carioca que tem uma difícil rotina diariamente madrugando para preparar as marmitas que vende de porta em porta na parte da manhã antes de pegar no batente em seu emprego oficial. Ela lava pratos em um renomado restaurante, mas sonha com a oportunidade de ser a chef de cozinha do mesmo sem receber o mínimo de atenção da dona do estabelecimento, a antipática Valentina (Alessandra Maestrini). Em casa a pobre coitada ainda corta um dobrado para cuidar do filho pré-adolescente Maxsuel (Gabriel Lima), da mãe reclamona Sonja (Maria Gladys) e da irmã mais nova Sarelly (Letícia Lima) que só pensa em curtir a vida. Dia após dia a batalhadora mulher vive esse martírio, mas cansada de tanto trabalho e pouco retorno, tanto financeiro quanto de gratidão, certa vez inocentemente faz o pedido de ter outra de si mesma para dividir as tantas tarefas que acumula. Ela faz o pedido na frente de uma misteriosa, porém, simpática vendedora de doces (Stella Miranda) enquanto prova um de seus bolos. Logo na primeira mordida seu sonho se realiza  e surge uma cópia sua idêntica fisicamente, mas completamente diferente em termos de comportamento.

domingo, 28 de abril de 2019

PORQUE CHORAM OS HOMENS

Nota 6,5 Apresentando mais um recorte a respeito da Segunda Guerra, longa peca pela lentidão

O nome Johnny Depp liderando um elenco geralmente garante ao filme certa visibilidade, mas o drama Porque Choram os Homens não se beneficiou de sua fama, talvez porque sua alcunha geralmente esteja ligada a produções extravagantes e o próprio costume encarnar personagens bizarros. Aqui ele aparece de cara limpa, o que já não chama muito a atenção, mas também acaba ofuscado já que não é o protagonista. A estrela da fita é a talentosa Christina Ricci, com quem o ator já havia feito par no terror A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça um ano antes. As funções se inverteram e dessa vez ela tem o papel principal, mas infelizmente em um filme bonito visualmente, mas de narrativa lenta que injustamente não agradou nem mesmo a crítica. A história começa na Rússia em 1926, quando o pai da pequena Fegele (Ricci) vai para os EUA, então conhecido como América, em busca de trabalho e enriquecimento. Algumas noites após ficar aos cuidados da avó, a garotinha descobre a respeito de um ataque em solo americano em que todas as casas de um vilarejo foram incendiadas. Órfã de mãe e agora também de pai, a judiazinha é enviada com alguns poucos trocados junto a um grupo de camponeses que pretendiam entrar de forma ilegal na América, contudo, sem saber falar uma palavra sequer em inglês, ela acaba desembarcando na Inglaterra onde recebe o nome de Suzie por uma família adotiva. Aos poucos ela vai descobrindo seu talento para cantar e na juventude já esquecera seu idioma natal. Buscando desenvolver seu dom, ela se muda para Paris, entra para uma companhia de dança e conhece a desinibida Lola (Cate Blanchett), uma mulher mais velha e experiente que deseja subir na vida custe o que custar, de preferência com o apoio de um marido rico. A vida das amigas muda radicalmente quando a oportunista começa a ter um caso com Dante (John Turturro), um arrogante e famoso cantor de ópera italiano, enquanto Suzie se aproxima de César (Depp), um cigano que conhece durante uma de suas apresentações. Com a invasão da Alemanha à Polônia, inicia-se a Segunda Guerra Mundial, conflito que irá interferir diretamente na vida destas quatro pessoas.

sábado, 27 de abril de 2019

O QUARTO DOS ESQUECIDOS

Nota 2,0 Desperdiçando gancho histórico, suspense segue lugar comum e preso a clichês insossos 

Um dos grandes problemas dos filmes de terror e suspense contemporâneos é o fato de suas histórias transcorrerem em universos onde o medo não existe. Com exceção a algumas experiências de diretores europeus, principalmente espanhóis, casas assombradas por eventos macabros do passado não assustam mais. O piso de madeira que range, as portas e janelas que abrem e fecham sozinhas e a penumbra que costuma pairar dentro e fora de construções antigas já não causam sustos há um bom tempo e são passíveis de causar risos fáceis. Por investir em truques manjados como esse, O Quarto dos Esquecidos é de fato esquecível, completamente. Por conta de problemas financeiros da empresa produtora, o longa ficou no limbo por dois anos até que recebeu sinal verde para ser lançado, mas já com expectativas nulas e fazendo jus ao seu título original, algo como "O Quarto das Decepções". Como de costume em longas do tipo, os protagonistas decidem se mudar para uma casa isolada em busca de sossego afim de se recuperarem de uma fase conturbada. Dana (Kate Beckinsale) e o marido David (Mel Raido) chegam ao casarão cheios de expectativas positivas para superarem o trauma da morte acidental da filha recém-nascida. O casal tem um outro rebento, o pequeno Lucas (Duncan Joiner), o que contradiz a aquisição de uma mansão para apenas três moradores, ainda mais um local em ruínas. A justificativa é que a moça é arquiteta e pretende ocupar sua mente e tempo livre conduzindo a reforma, contudo, seus planos acabam sendo atrapalhados conforme passa a ser atormentada por bizarras visões, principalmente após descobrir um quarto escondido que não consta na planta da construção. Obviamente sua sanidade é colocada em xeque e ao espectador resta apenas esperar por sustos previsíveis e pela revelação sobre o misterioso passado da casa que, diga-se de passagem, não vai fazer ninguém ficar sem fôlego.

domingo, 14 de abril de 2019

TODOS OS CÃES MERECEM O CÉU

Nota 3,0 Abordando o mundo dos gângsteres, longa não dialoga com crianças e nem com adultos

Na Irlanda, ou melhor, na New Orleans da agitada e revolucionária década de 1930, o submundo do crime está efervescente. Um gângster todo poderoso que chefia uma casa de jogos clandestina na cidade quer se livrar a todo custo de seu terrível ex-sócio. Para isso lhe prepara um ajuste final: remete o rival para as portas do céu. O argumento aponta para um filme sério e violento, digno de uma produção estilo noir, isso se os personagens não fossem cãezinhos coloridos e falantes. Todos os Cães Merecem o Céu parte de uma premissa ousada, transpondo um universo adulto e cinzento tentando buscar a sintonia com o público infantil através de uma paleta de cores fortes e vívidas e de animaizinhos simpático. O roteiro de Mitchel Savage nos apresenta ao pastor alemão Charlie Barkin que acaba sendo traído e assassinado pelo inescrupuloso bulldog Cicatriz, até então seu sócio em negócios ilegais. Quando chega ao céu seu espírito consegue tomar posse do relógio da vida, um artefato mágico que lhe dá o direito de voltar ao mundo dos vivos e assim ter a chance de se vingar. Nesse retorno ele acaba descobrindo a arma secreta para o enriquecimento ilícito e contínuo de seu algoz. O bandidão mantém em cativeiro a graciosa orfãzinha Ana Maria que tem a habilidade e a sensibilidade para conversar com os animais, assim Cicatriz consegue saber antecipadamente os vencedores dos páreos de corridas de cavalos, ratos e até de tartarugas. Inicialmente o malandro Charlie também pretendia tirar proveito de alguma forma do dom especial da garotinha, mas acaba se afeiçoando a ela e decidindo protegê-la. E assim os dois, com  a ajuda do bassê Sarnento, procuram uma maneira de dar uma merecida lição em cicatriz e acabar com seu império de crimes.

sábado, 13 de abril de 2019

CANÇÃO PARA MARION

Nota 6,0 Na onda da valorização de talentos veteranos, longa se apóia em carisma dos protagonistas

A arte como ferramenta para educar, entreter e até mesmo dar sentido para a vida é um tema corriqueiro no cinema e a música se encaixa perfeitamente nessa vertente. Geralmente o tema é associado à educação de crianças e adolescentes, mas como o mundo está envelhecendo a temática também se aplica para ajudar os idosos a permanecerem ativos na sociedade. Se dedicar ao artesanato, à escrita ou a música são atividades que implicam no objetivo da superação, assim tornam-se grandes aliadas da terceira idade trazendo benefícios para a auto-estima e qualidade de vida dessas pessoas que, em geral, vivem seus últimos anos de forma melancólica seja pela solidão, marcas de um passado sofrido ou acometidas por doenças. Este último problema é o caso da personagem-título do drama  Canção Para Marion interpretada com sensibilidade ímpar pela veterana Vanessa Redgrave. Batatas fritas e sorvetes. Esta é a recomendação da médica para esta senhora que ama a vida, mas sofre com um agressivo câncer que já não tem mais possibilidades de cura. Em outras palavras, ela estava liberada para fazer o que quisesse com o tempo de vida que lhe resta e decide então se dedicar ao que mais lhe dá prazer: cantar. Ela passa a fazer parte do coral de um clube da terceira idade e é incentivada pela animada regente Elizabeth (Gemma Arterton), uma jovem que encoraja seus maduros pupilos a não se intimidarem e mostrar à sociedade que podem e devem se divertir cantando e dançando. Contudo, mesmo sabendo que tal atividade devolveu a alegria à sua esposa em um momento tão difícil, o fechado e rabugento Arthur (Terence Stamp) se opõe a tal exposição. Ele a acompanha nos ensaios, mas a espera fora da sala de aula e sempre faz questão de ser arredio com os outros velhinhos do coral que, ao contrário dele, esbanjam simpatia. A forma como o roteirista e diretor Paul Andrew Williams conduz a trama não deixa brecha para surpresas. Embora bastante previsível, não deixa de ser agradável acompanhar a rotina deste casal, o típico caso dos opostos que se atraem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

NOTA 7,0

Embora siga os clichês dos filmes
de assassinos mascarados, trama
ágil, com clima adequado e vitalidade
do elenco conquistam o espectador
O final da década de 1990 foi marcada pela volta dos slashers movies graças a revitalização que Pânico e sua primeira sequência trouxeram ao campo do terror. Obviamente dezenas de outras produções tentaram pegar carona nessa onda, mas todas qualitativamente revelaram-se inferiores. Desta safra salvam-se um ou outro título entre eles Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, que está longe de ser um marco, mas é bem melhor que qualquer Sexta-Feira 13 da vida mesmo com mote semelhante. Um pequeno toque e o argumento continua bastante atual e interessante. Vivemos em uma época em que ameaças podem ser feitas pela internet e se o autor delas não for perspicaz e arquitetar um engenhoso plano facilmente pode ser identificado. Fotos que podem ser manipuladas digitalmente, redes sociais, emails, torpedos... Existe um grande arsenal de, digamos, armas brancas para se amedrontar alguém, da mesma forma que elas também estão disponíveis para a vítima se defender e descobrir quem a persegue. Agora imagine-se vivendo em uma época em que a comunicação se não fosse via telefone era por meio de cartas ou bilhetes através dos quais um sádico podia se esconder atrás de uma caligrafia diferenciada ou escrevendo ameaças com letras recortadas de jornais e revistas. Pior ainda se os recadinhos amedrontadores tivessem fundamentos e você com culpa no cartório. É essa sensação de ser vigiado e de que a qualquer momento um segredo obscuro poderá vir a tona que vivenciam quatro jovens que após uma noite de festa e muita bebedeira acabam por atropelar acidentalmente um homem em uma estrada deserta. Inconsequentes, eles preferem não levar o caso à polícia e fazem um pacto de se livrar do corpo jogando-o ao mar e de que nunca mais tocariam no assunto, porém, a amizade deles nunca mais será a mesma... Nem suas vidas. A data para que voltem a ser atormentados é emblemática: próxima a 04 de julho (verão no hemisfério norte, inverno para nós), dia da independência dos EUA, uma comemoração pelo heroísmo da sociedade estadunidense, postura que os protagonistas do filme precisam adotar caso queiram sobreviver.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O NOIVO DA MINHA MELHOR AMIGA

Nota 2,5 Com mote nada original e triângulo amoroso fraco, coadjuvantes seguram as pontas

Em 1997, O Casamento do Meu Melhor Amigo trouxe certo frescor ao já batido campo das comédias românticas contando uma história agradável e divertida comandada por um então jovem elenco em ascensão. Uma década depois O Melhor Amigo da Noiva tentou pegar carona não só no título do sucesso estrelado por Julia Roberts, mas a trama em si guardava certas semelhanças, porém, sem personagens carismáticos. Mais alguns anos se passam e O Noivo da Minha Melhor Amiga chegou para embolar ainda mais as coisas entre casamentos e melhores amigos, todavia, desta vez o título rebuscado e nada original faz jus ao conteúdo. O mote é similar aos longas citados. Rachel (Ginnifer Goodwin) e Darcy (Kate Hudson) são amigas inseparáveis desde a infância e o casamento de uma delas deveria ser motivo de alegria para ambas, não de discórdia. Rachel deixou escapar sua oportunidade de viver um grande amor quando apresentou Dex (Colin Egglesfield), seu colega no curso de direito, para a garota que sempre gostou de ser o centro das atenções e nunca teve papas na língua. Conhecendo o perfil da amiga, introvertida, com baixa auto-estima e centrada nos estudos, Darcy não pensa duas vezes antes de se atirar nos braços do rapaz. Rola algum sentimento entre eles, aquele típico caso dos opostos que se atraem, e o tempo passa rápido e não demora muito e já estão de casamento marcado, obviamente tendo Rachel convocada para ser a madrinha. Numa festa em comemoração ao seu aniversário de 30 anos a jovem advogada bebe um pouco além da conta e acaba passando a noite com o namorado da amiga. Ela já nutria uma paixão platônica por ele desde a juventude e tardiamente descobre que o sentimento é recíproco. Contudo, não seria tarde para assumirem a paixão? Dex tem receio de magoar a noiva, assim como Rachel não quer perder a sua grande amiga, porém, se amam de verdade e não querem viver como amantes.

sábado, 12 de janeiro de 2019

A INQUILINA

Nota 1,0 Mesmo com roteiro investindo em uma inversão de papeis, suspense é frio e arrastado

Dizem que existe uma maldição que ronda quem é premiado com o Oscar. A atriz Sally Field foi premiada como melhor atriz em 1979 por Norma Rae e cinco ano mais tarde por Um Lugar no Coração. Depois disso entrou numa maré de azar emendando papéis coadjuvantes e sem destaque e trabalhos para a televisão. Foram quase três décadas de espera até voltar a brilhar no tapete vermelho, desta vez como atriz coadjuvante por Lincoln. Será que a trajetória de Hilary Swank será parecida? Vencedora da estatueta dourada por Meninos Não Choram e Menina de Ouro, também prêmios em um curto espaço de tempo, depois disso ela tem estrelado verdadeiras bombas, salvo um ou outro trabalho. A Inquilina é mais um para engrossar a lista. Elá dá vida à Juliet, uma médica que está passando por um momento difícil após ser traída pelo namorado e decidida a procurar um novo endereço para ajudar a dar novos rumos a sua vida. Por coincidência ela recebe um telefonema com uma oferta inacreditável para alugar um apartamento em um antigo edifício. Max (Jeffrey Dean Morgan), o proprietário do imóvel, acolhe cordialmente a nova inquilina, mas logo nas primeiras noites a moça percebe que o local é estranho, com barulhos amedrontadores de madrugada. Em paralelo as noites mal dormidas, Juliet passa a flertar com seu senhorio, mas a relação com este homem aparentemente gentil e inofensivo pode se revelar um perigo iminente para esta fragilizada mulher. E a trama é essa. Bem manjada e pronto! O roteiro de Antti Jokinen e Tobert Orr não perde tempo criando desnecessárias situações de sustos e logo deixa clara a obsessão de Max pela médica, esta que tende a considerá-lo apenas um amigo, mesmo com uma latente tensão sexual entre eles.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS

NOTA 8,0

Divertida e nostálgica, mescla
de aventura e comédia ainda é
entretenimento garantido sem se
tornar refém de efeitos especiais
E.T. - O Extraterrestre, Os Goonies, Willow - A Terra da Magia, Labirinto - A Magia do Tempo, Viagem Insólita... Estes são apenas alguns títulos que mesclavam aventura, comédia e fantasia que marcaram a geração oitentista, mas entre eles não há nenhum com a chancela Disney de qualidade. Por um longo período o estúdio mergulhou em um abismo criativo, embora hoje algumas animações da época sejam consideradas clássicas como Aristogatas e Bernardo e Bianca. Mesmo com a criação de uma subsidiária especialmente para tocar projetos voltados ao público infanto-juvenil com atores de verdade, as cifras arrecadadas não justificavam os investimentos. O peso da morte do senhor Walt Disney se refletia visualmente na qualidade e lucros da sua produtora, até que já beirando a entrada da década 1990 uma luz no fim do túnel fora apontada. Disposta a recuperar seu espaço não só no campo da animação, impulsionada pelo sucesso de A Pequena Sereia, mas também como fábrica de blockbusters,  a empresa apostou em uma ideia relativamente simples. Querida, Encolhi as Crianças trata de um tema fascinante e já explorado diversas vezes pelo cinema e pela televisão. O que acontece quando uma pessoa é reduzida ao tamanho de uma formiga? Ou melhor, quando adquire altura menor ainda que a de um inseto? É isso que ocorre às inocentes vítimas de uma máquina miniaturizadora inventada pelo frustrado professor Wayne Szalinski (Rick Moranis) que sem perceber o que aconteceu em seu laboratório caseiro acaba varrendo os próprios filhos e os do vizinho junto com o lixo. Nick (Robert Olivieri), que com seus grandes óculos e estilo nerd não nega a vocação para seguir os mesmos passos que o pai, e sua irmã mais velha Amy (Amy O'Neill) então se veem obrigados a unir forças com o adolescente Junior (Thomas Wilson Brown) e o sarcástico garoto Ron (Jared Rushton), os herdeiros do mal humorado Russ Thompson (Matt Frawer).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

APOCALYPTO

NOTA 8,0

Carente de registro fidedigno,
cultura maia é destaque em longa
que é um deleite para os olhos, mas
somente para quem tem estômago forte
Na ativa desde meados da década de 1970 e tornado-se símbolo do cinema de ação, tendo as franquias Mad Max e Máquina Mortífera como destaques em seu currículo, Mel Gibson construiu uma carreira vitoriosa como ator, mas desde que experimentou o gostinho de assumir o comando das câmeras sua trajetória profissional deu uma grande guinada. Após estrear como diretor discretamente no drama O Homem Sem Face, não demorou muito e logo abocanhou o Oscar pelo épico Coração Valente e então passou a atuar menos, mas nem por isso passou a dirigir um filme atrás do outro. Como cineasta bissexto, Gibson decidiu dar as costas ao cinemão americano e passou a se dedicar a projetos que o desafiassem na direção e produção. Assim, em 2004, causou frisson o lançamento de sua polêmica visão de A Paixão de Cristo, longa no qual dispensou o idioma inglês e afrontou a indústria hollywoodiana adotando os dialetos aramaico, latim e hebraico e obrigando os americanos a lerem legendas (eles odeiam e também não suportam dublagens). Abusando da violência explícita para retratar o calvário das últimas horas de vida de Jesus, ele tirou uma modesta quantia de sua própria conta bancária para custear seu duvidoso projeto, mas conseguiu faturar trocentas vezes mais que o valor investido e isso o incentivou a realizar um novo e excêntrico sonho. Certo que há público para apreciar coisas diferentes e afoito a oferecer uma experiência tão visceral e sensorial quanto seu trabalho anterior, Gibson mergulhou de cabeça na realização de Apocalyto, aventura épica abordando a cultura de um povo erradicado. Dividido em três atos bem específicos roteirizados pelo próprio em parceria com Farhad Safinia, o longa é ambientado na época da queda do império maia na América Central em meados do século 9. Com as parcas colheitas devido a falta de chuvas, os governantes desta civilização acreditavam que a solução para o problema agrícola envolveria erigir mais templos e oferecer um maior número de sacrifícios humanos para aplacar a ira de seu Deus.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

AMIGAS COM DINHEIRO

NOTA 6,0

Com alguns diálogos e situações
divertidas e críticas e estética e
narrativa de seriado, longa faz um
ligeiro retrato da classe média
Um grupo de amigas reunidas em torno de uma mesa de jantar e às gargalhadas. Elas não são mais adolescentes em busca de seus príncipes encantados. Já estão entre os 30 e 40 e poucos anos de idade, são bem resolvidas em suas vidas amorosas e realizadas na profissão. Bem, essa é a impressão que nos passa uma das cenas principais de Amigas com Dinheiro, porém, por trás da aparente felicidade todas elas têm seus problemas pessoais, mas suas finanças estão perfeitamente saudáveis. Todavia, uma delas em especial é a patinha feia da turma, ou melhor, a patinha sem dinheiro, já que beleza tem de sobra em Jennifer Aniston, apresentada como o nome principal do elenco, mas que divide a cena com coadjuvantes de peso e no final das contas todos acabam nivelados ao mesmo nível de importância na trama. O título seria perfeito para um enredo que mostrasse os dilemas de adolescentes patricinhas às voltas com compras de roupas e supérfluos, mas felizmente o caminho aqui é outro. A premissa pode vender a falsa ideia de esta ser mais uma simplória e repetitiva comédia romântica, mas em suas entrelinhas encontram-se críticas à classe média norte-americana (que também serve para os riquinhos de outros países, incluindo o Brasil), um retrato que, embora estereotipado em alguns momentos, procura desmascarar a falsa felicidade em que muitas pessoas vivem imersas, mas não espere algo na linha do premiado Beleza Americana por exemplo. Escrito e dirigido por Nicole Holofcener, responsável por alguns episódios de seriados com alma feminina como “Sex and the City” e “Gilmore Girls”, é perceptível que o longa procura repetir a estética e o estilo narrativo televisivo, incluindo um clima leve que para os mais desatentos pode ajudar a resumir a obra como apenas uma bobagem na qual um bando de mulheres sem ter o que fazer procuram nos pequenos detalhes do cotidiano alguma razão para se ocuparem, seja brigando com seus parceiros ou metendo o bedelho na vida das amigas. O roteiro segue o dia-a-dia de quatro amigas de infância que hoje estão numa fase mais madura e vivem em um bairro nobre de Los Angeles. Frannie (Joan Cusack) é uma boa dona de casa e organiza eventos beneficentes, Jane (Frances McDormand) é uma estilista respeitável e Christine (Catherine Keener) é um promissora roteirista.  A quarta mulher do grupo é Olivia (Anniston) que mesmo sendo uma professora formada não consegue ter um emprego fixo e ganha a vida como diarista. Todas elas se encontram com certa frequência, mas temas ligados a finanças ou ostentação procuram ser evitados, porém, sempre rola alguma saia justa que Olivia acaba levando na esportiva.

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