quarta-feira, 30 de setembro de 2015

JAMES E O PÊSSEGO GIGANTE

NOTA 8,0

Bizarrices e estilo tradicional
de contos infantis se unem
para contar a história de um
garoto em busca de um sonho
Quando falamos em animação em stop-motion logo nos lembramos dos famosos A Noiva Cadáver e A Fuga das Galinhas, mas poucos se recordam de James e o Pêssego Gigante, uma bela animação utilizando esta antiga e eficiente técnica. Com pouco menos de uma hora e meia de duração, este é um filme compacto e eficiente no qual parece tudo estar em seu devido lugar e livre de excessos. Antes mesmo da estreia a Walt Disney já considerava a obra como um novo Toy Story, um novo marco na História da animação e do próprio estúdio. Lançado cerca de um ano depois da aventura dos brinquedos falantes, a obra era aguardada com ansiedade pelos executivos da empresa, mas acabaram se decepcionando com os resultados. Fracasso nas bilheterias, o longa não recuperou sua saúde financeira e prestígio nem mesmo com as vendas de fitas VHS e DVDs. Bem, realmente é difícil dispensar a atenção com um produto como este quando os desenhos computadorizados com seus personagens cheios de energia e piadas na ponta da língua tomam conta do mercado. Mas sempre é tempo de corrigir as injustiças. Obviamente não há como comentar este desenho sem tocar no título O Estranho Mundo de Jack, lançado em 1993 e que também utiliza a técnica de animação de bonecos de massinha para contar uma história tão fantasiosa quanto a de James. Erroneamente ambas as animações são creditadas ao diretor Tim Burton, mas na verdade ele é o produtor delas. A direção dos dois longas é de um de seus pupilos, Henry Selick, o mesmo que anos mais tarde realizaria Coraline e o Mundo Secreto. A junção destes dois nomes por trás de um filme é um tanto interessante. Um entrou com sua dose de bizarrice usual para ser adicionada ao espírito de clássico infantil que o outro cineasta almejava. O resultado é bem satisfatório. Baseado no livro homônimo publicado em 1961 por Roald Dahl, o mesmo autor que escreveu a história que deu origem ao filme Matilda entre tantas outras que se tornaram clássicos infantis, a trama neste caso foi suavizada para se encaixar no perfil das produções Disney, mas não perdeu o sentido e tampouco o encantamento, mantendo os elementos extraordinários e deliciosos imprescindíveis a qualquer fábula infantil.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

CONTÁGIO

NOTA 8,0

Longa aborda como seria a
reação da população mundial
em seus diversos níveis em
caso de uma situação limite
Hollywood já destruiu o mundo através de catástrofes naturais, invasões alienígenas, choque entre a Terra e gigantescos meteoros, eventos inexplicáveis e até conseguiu imaginar a extinção da humanidade em um futuro bem distante quando o Sol se apagar definitivamente. O apocalipse também pode vir através das ações e reações desmedidas dos seres humanos e é isso que nos mostra Contágio um suspense que bebe na fonte das guerras epidemiológicas, um tema que foi bastante usado entre os anos 80 e 90, períodos em que a ciência e a medicina conseguiram grandes avanços no combate de doenças que eram fatais, mas em contrapartida novos vírus e bactérias surgiram para aterrorizar a população mundial. Quem já está na casa dos vinte anos hoje em dia certamente lembra, por exemplo, o pânico que foi causado pela descoberta do vírus Ebola. Para aproveitar o tema em evidência, os produtores americanos correram para lançar filmes medíocres a toque de caixa explorando o filão, o que colaborou para que esse tipo de produção fosse classificada como trash e sobrevivesse no mercado de home vídeo apenas. Até hoje uma ou outra bomba é lançada diretamente em DVD, mas felizmente ainda há mentes brilhantes no cinemão ianque que podem dar um sopro de vida aos gêneros combalidos. Steven Soderbergh, acostumado a reunir um elenco grande e repleto de estrelas, tenta neste caso repetir a estrutura do filme que lhe deu o Oscar de Melhor Diretor, Traffic. Mais uma vez ele traz à tona um tema polêmico e várias histórias que de alguma forma se conectam, embora alguns personagens desta vez pudessem ser suprimidos, pois não agregam absolutamente nada ao enredo. Na realidade a super população do longa se deve ao objetivo do cineasta em criar um rico painel de situações mostrando como o medo do fim eminente age sobre as pessoas. Para tanto ele escolheu um tema batido, a descoberta de um vírus letal que em pouco tempo se espalha pelo mundo, mas conseguiu injetar ânimo em uma produção que tinha tudo para ser apenas mais um filme B qualquer. O roteiro de Scott Z Burns, que havia escrito antes para o cineasta O Desinformante, constrói uma teia levemente tensa que faz uma crítica bastante contundente a uma época em que o individualismo e a falta de ética imperam, sendo assim é óbvio que sobram farpas para a área política da qual o cineasta claramente não compactua com seus ideais e ações.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ARMADILHAS DO CORAÇÃO

NOTA 4,5

Baseado em clássico de
Oscar Wilde, longa abusa do
tom teatral e em alguns
momentos chega a confundir
A literatura é uma fonte inesgotável de inspiração para o cinema, mas é fato que existem obras ou até mesmo estilos de escritas que acabam sendo difíceis de serem transformadas em imagens. O famoso escritor irlandês Oscar Wilde é um desses ícones culturais cujas obras ainda não tiveram adaptações cinematográficas dignas. Seu estilo flerta entre sutis e ferozes críticas à Inglaterra de sua época combinadas a diálogos inteligentes e irônicos, mas talvez o tom teatral de suas obras dificulte suas apreciações quando cineastas resolvem literalmente transformá-las em filmes. É esse um dos grandes problemas de Armadilhas do Coração, uma comédia romântica visualmente chamativa, mas cujo desenvolvimento peca por ser extremamente rocambolesco e com diálogos carregados de entonação e frases de efeito, o que acaba resultando em cenas frias e pouco convincentes, ainda que a trama se passe no final do século 19 perdoando-se assim o modo refinado como os personagens se comunicam. Os protagonistas são dois rapazes de classe média alta que se metem em confusões amorosas tudo por causa de um simples nome. Algernon Moncrieff (Ruper Everett), ou simplesmente Algy, é um charmoso cavalheiro de uma família rica, mas gasta todo seu dinheiro com futilidades e diversão. Já Jack Worthing (Colin Firth) é seu melhor amigo há anos, mas não herdou sua fortuna, pelo contrário, a fez com seu próprio esforço. Algy acabou criando um alter ego para ajudá-lo a se livrar dos problemas criados por suas constantes crises financeiras e descobre que Jack também criou uma falsa identidade para poder frequentar as ruas de Londres. Coincidente e contraditoriamente ambos adotam o nome Earnest para os personagens que criaram por ele inspirar sinceridade, confiabilidade. Para poder se ausentar de sua casa de campo sem levantar suspeitas, Jack inventa um irmão fictício que necessita de suas visitas constantes, mas quando ele está na cidade grande o tal Earnest se transforma em um exímio galanteador que se apaixona por Gwendolen (Frances O’Connor). Prima de Algy, ela corresponde aos galanteios do rapaz, mas sua mãe, Augusta Bracknell (Judi Dench), uma dama da alta sociedade, proíbe o romance até que o pretendente descubra suas origens, um passado que realmente Jack não teve já que cresceu sem os pais presentes.

domingo, 27 de setembro de 2015

TREINANDO O PAPAI

Nota 6,0 Brucutu exibido vira um pai exemplar em comédia claramente produzida pela Disney

Seguindo os passos de Arnold Schwarzenegger e Vin Diesel, astros de fitas de ação que também tentaram a sorte no campo da comédia, Dwayne Johnson, o ex-lutador conhecido como "The Rock", foi lançado como na carreira de ator tendo como principal atributo seus avantajados músculos, mas não demorou muito para alguns produtores perceberem sua empatia junto ao público infantil e o empurraram para o campo do humor. Em Treinando o Papai ele vive Joe Kingman, o líder e principal estrela de um time de futebol americano acostumado com fama, assédio das mulheres, regalias e festas. Ele sempre foi conhecido por atitudes egoístas tanto dentro quanto fora do campo e só aceitava dividir sua luxuosa residência com seu cachorro de estimação e com sua coleção de objetos homenageando o cantor Elvis Presley, a única pessoas que considera estar à sua atura em termos de prestígio e importância. Todavia, de uma hora para a outra, sua rotina invejável muda drasticamente quando se vê obrigado a dividir seu sagrado santuário com uma garotinha de apenas sete anos. Peyton Kelly (Madison Pettis) bate à sua parte dizendo que é sua filha e que ele deveria cuidar dela durante algumas semanas enquanto a mãe está em uma viagem missionária pelo continente africano. A menina seria fruto de um último encontro entre o esportista e sua ex-mulher antes de optarem pela separação. Passado o susto inicial, é chegada a hora de enfrentar a realidade. Durante cerca de um mês, Kingman terá que aprender a equilibrar sua vida pessoal, profissional e de solteirão inveterado com a função de pai. Adeus baladas, encontros noturnos e treinos pesados e bem-vindo as aulas de balé, compras no shopping e brincadeiras com bonecas.

sábado, 26 de setembro de 2015

A CILADA (2000)

Nota 2,0 Como todo filme estrelado por Wesley Snipes, adrenalina tem de sobra e criatividade zero

Desculpe a falta de finesse, mas falar mal de A Cilada é como chutar um bêbado caído no chão, não tem a menor graça. Aliás, é uma forma de reiterar o quão desprezível é o currículo de Wesley Snipes, salvo uma ou outra produção no máximo mediana. O ator, que teve a carreira prejudicada ao ser encarcerado por sonegação de impostos, teve raros lapsos de veia artística genuína e acabou se acomodando no gênero de ação no qual apenas repetia os mesmo tipos de papeis. Herói ou bandido, o público sabia exatamente o que esperar de seus filmes e o astro que fez fortuna com a trilogia Blade - O Caçador de Vampiros nos últimos anos só tem conseguido emplacar no home vídeo. Seu nome já não faz bilheteria há um bom tempo e o longa em questão, dirigido por Christian Duguay, já mostrava que o retrocesso caminhava lado a lado com a imitação. Clichês não faltam à produção que na época foi divulgada exaustivamente por um trailer de cinema que praticamente resumia o longa em dois ou três minutos. Quem se dispunha a suportar as longas duas horas da fita tinha a impressão de apenas acompanhar cenas adicionais para amarrar os momentos principais já previamente divulgados. Na trama, China e EUA estão prestes a assinar um acordo de paz entre suas nações, então é acionado Neil Shaw (Snipes), um agente especial da ONU para cuidar da segurança do encontro entre os líderes dos dois países. Em paralelo, um contêiner lotado de corpo de refugiados vietnamitas aparece abandonado em Nova York e poucos dias depois o embaixador chinês Wu (James Hong) é baleado durante um evento de confraternização. O título brasileiro já entrega o que deveria ser o trunfo da fita. Por uma confusão, Shaw passa a ser o principal suspeito do assassinato ficando na mira do FBI e de uma quadrilha de gângster e precisa correr contra o tempo para provar sua inocência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

OS OLHOS DE JULIA

NOTA 8,0

Suspense espanhol é uma
boa surpresa que investe em
trama policial com toques
de sobrenatural
Enquanto em Hollywood o gênero de terror sobrevive aos trancos e barrancos graças aos filmes sobre seriais killers, casas assombradas e refilmagens de sucesso do passado ou de outros países, é através do sotaque espanhol que nos últimos tempos temos tido a oportunidade de sentir calafrios de verdade. Rec, por exemplo, agradou a crítica, gerou duas sequências, ganhou versão americana e cativou um expressivo grupo de fãs, porém, o criador dessa revolução no cinema não ganhou o mesmo destaque que o nome Guillermo Del Toro. O cineasta mexicano tornou-se famoso no mundo todo após o estrondoso sucesso do inovador O Labirinto do Fauno e bastou seu nome envolvido na produção de O Orfanato para que certo burburinho fosse gerado e um novo “pequeno grande” filme surgisse. É uma pena que o mesmo não aconteceu com Os Olhos de Julia, até porque a distribuidora praticamente ignorou o longa e o lançou em DVD praticamente em brancas nuvens. Apesar de algumas situações previsíveis e outras que deixam pontas e dúvidas, no geral o filme surpreende e garante boas reviravoltas explorando o impacto da perda da visão, talvez o mais importante dos sentidos para os seres humanos, relacionando a uma trama de suspense que pode ou não ser real. O enredo gira em torno de Julia (Belén Rueda), uma mulher que decide investigar por conta própria às circunstâncias que levaram sua irmã gêmea Sara a se suicidar, porém, ela acredita que a tragédia aconteceu por conta de um assassinato. Assim ela começa a procurar indícios dos últimos atos de sua irmã em vida e quanto mais se aprofunda nas investigações mais se convence de que ocorreu um crime envolvendo outra pessoa e que de alguma maneira isso está ligado à doença degenerativa dos olhos que acabou cegando Sara e que agora já está se manifestando também em Julia. Para completar o pacote desgraça pouca é bobagem um homem misterioso que parece estar perseguindo esta corajosa mulher traz a tona novas dúvidas sobre o caso. Poderia realmente Sara ter se suicidado e Julia estar delirando? Ou as desconfianças da jovem têm fundamentos e é a polícia quem não quer enxergar a verdade?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

AGENTE 86

NOTA 8,0

Longa resgata com sucesso
o humor característico de
seriado dos anos 60
respeitando suas origens
Hollywood sempre manteve boas relações com os canais de televisão para assim conseguir tirar uma lasquinha dos sucessos que entretinham o público no aconchego do lar. Muitos seriados famosos ganharam suas versões em longa-metragem ainda na época em que eles estavam no ar ou pouco tempo depois de terminarem para assim aproveitar o calor do momento, mas o tempo tratou de reduzi-las a pó. Nos primeiros anos do século 21 a moda era apostar na nostalgia e resgatar a fama de séries antigas. S.W.A.T – Comando Especial Miami Vice, por exemplo, não fizeram o barulho esperado, mas o primeiro filme de As Panteras foi um mega sucesso, até por conta do apelo junto ao público infanto-juvenil. A mesma situação beneficiou a boa aceitação de Agente 86, a adaptação da cultuada série de humor homônima criada por Mel Brooks e Buck Henry em 1965 e que durou cinco temporadas, sobrevivendo na memória dos espectadores de praticamente todo o mundo graças as suas incontáveis reprises. Para conquistar novas platéias e fugir das críticas dos nostálgicos, a produção foi esperta ao contratar os próprios criadores da série para prestarem consultoria, assim preservando a essência do seriado sessentista em sua transposição para o cinema. Com humor ágil e piadas que se alternavam entre sutis, críticas e no melhor estilo pastelão, a intenção do texto nos anos 60 era justamente parodiar os filmes de agentes secretos, como a cinessérie James Bond que ainda estava dando os primeiros passos, e tinha como pano de fundo um importante período da história mundial, a Guerra Fria, período de embate entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética ou em outras palavras o conflito entre o capitalismo e o comunismo. A versão modernizada tratou de atualizar tal situação, mas ainda assim mantendo a espinha dorsal da história. O diretor Peter Segal, de Golpe Baixo, não era um fanático pela série, mas captou com precisão o essencial dela e ainda soube dosar bem as inovações pertinentes.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

HISTÓRIAS CRUZADAS

NOTA 7,5

Longa aborda o racismo
e a relação patroa versus
empregada nos anos 60, mas
é o elenco que se destaca
Nos EUA é muito comum o termo “feel good movie”, algo como filmes que trazem mensagens positivas, aqueles que deixam o espectador com uma boa sensação ao subirem os créditos finais. Para os críticos de cinema essas produções são dotadas de artifícios que manipulam as emoções para fazer as pessoas se envolverem e até mesmo chorarem facilmente, ou seja, trocando em miúdos, consideram trabalhos que não acrescentam absolutamente nada na história do cinema ou para aumentar o intelecto do público tornando-se assim obras desnecessárias. Por outro lado, tais filmes estão cada vez mais ganhando as atenções das premiações. Os organizadores de festivais e festas dos melhores do ano estão visando chamar a atenção de plateias mais jovens dando visibilidade a produções que caíram no gosto popular, como foi o caso de Histórias Cruzadas, uma das maiores surpresas nas bilheterias americanas na temporada de premiações de 2012. O enredo eficiente e de fácil assimilação aliado a um competente elenco feminino trataram de fisgar as atenções. A pequena e pacata cidade de Jackson, no estado do Mississipi, parece que parou no tempo e as pessoas vivem em uma sociedade que separa negros e brancos, pobres e ricos. Em plena década de 1960, durante a conturbada luta pelos direitos civis e o início dos debates sobre a discriminação racial, Skeeter (Emma Stone) retorna a sua cidade natal e está decidida a seguir a carreira de escritora. Porém, o tema que ela escolheu para seu primeiro livro é um tanto espinhoso e mexe com os brios da sociedade americana conservadora, muito bem representada pela malvada Hilly (Bryce Dallas Howard). A jovem escritora começa a entrevistar mulheres negras que deixaram suas famílias e as próprias vidas de lado para trabalharem como empregadas e babás nas casas da elite branca, classe social da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen (Viola Davis), a empregada da casa da melhor amiga da escritora, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada os vizinhos. Apesar das críticas e olhares maldosos, Skeeter e Aibileen tornam-se amigas e juntas conseguem novos depoimentos, como da atrevida governanta Minny (Octavia Spencer), ainda que as empregadas sintam receio de revelar os segredos de seus patrões para não serem punidas.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

AS VIAGENS DE GULLIVER

NOTA 4,0

Clássico conto infantil
ganha versão moderninha
que fica devendo tanto no
roteiro quanto no visual
Muitas das histórias que hoje consideramos clássicos infantis na realidade quando escritas foram pensadas para agradar ao público adulto e recheadas de mensagens subliminares. As inúmeras adaptações para cinema, teatro, TV e até para originar novos contos ou livros acabam pouco a pouco modificando os originais até que chegamos ao ponto de concluir que as açucaradas produções da Disney é que de fato são as mais próximas das versões reais. Talvez por isso um clássico livro que já gerou ou inspirou diversas peças teatrais, filmes, animações e frequentemente é citado com a finalidade da sátira não caiu no gosto da criançada. Faltou a fadinha Sininho (ou Tinker Bell para os contemporâneos) para dar o toque mágico que equivale à assinatura do estúdio do Mickey Mouse e das princesas. Coube a um ator de apelo popular e querido pelas crianças a tarefa de apresentar aos mais novos as aventuras de um gigante em uma terra habitada por pessoas bem pequenininhas, porém, As Viagens de Gulliver estrelada por Jack Black foi alvo de uma enxurrada de críticas negativas.  É certo que há produções que pretendem agradar crianças e adultos bem piores, mas realmente não há como tecer muitos elogios a esta enésima versão do clássico literário do escritor inglês Jonathan Swift, diga-se de passagem não creditado no filme, publicado pela primeira vez em meados do século 18, um conto aparentemente ingênuo, mas carregado de críticas subliminares às ações e ideais dos ingleses da época, tanto os pobres quanto os nobres. A adaptação cinematográfica do diretor Rob Letterman, da excelente animação O Espanta Tubarões e aqui estreando na direção de atores de carne e osso, não tem espaço para críticas inteligentes e é pouco fiel à trama original, mas sabe como agradar seu público-alvo, as crianças, com piadas bobas, aventuras mornas, um gancho romântico e usando e abusando de canções que se tornaram hits, além de uma avalanche de merchandisings e citações a fenômenos da indústria do entretenimento.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O QUARTO PODER

NOTA 9,0

Com premissa simples e
dois bons atores, longa
revela os bastidores do
falso jornalismo da TV
Sônia Abrão, José Luis Datena, Marcelo Rezende e tantos outros nomes da TV que dizem trabalhar seriamente com as notícias já viraram sinônimo de piada. Todo mundo sabe que para eles a audiência vem em primeiro lugar e para tanto eles usam e abusam do sensacionalismo para segurar o espectador na frente da televisão, tanto que em 2012 surgiram boatos de que leis seriam criadas para limitar o trabalho da imprensa, já que por várias vezes tal interferência em casos policiais acabou por levar alguns episódios a finais trágicos e a manipulação da opinião pública. Claro que o sensacionalismo também está presente em outros meios de comunicação, mas ele se mostra muito mais agressivo na TV. Apesar de hoje em dia esse tipo de jornalismo estar em franca decadência, levando apresentadores a reclamarem ao vivo que não se conformam que as pessoas preferem fugir da realidade a acompanhar seus espalhafatosos relatos acerca da violência do cotidiano, esse modelo já teve seu auge, mas muito tempo antes Hollywood já previa isso, como prova O Quarto Poder. O longa dirigido pelo cultuado Costa-Gravas é uma crítica às formas de se fazer jornalismo na década de 1990 e mesmo se passando tantos anos desde seu lançamento o conteúdo continua extremamente atual e desperta a discussão e a reflexão. Em busca do máximo de repercussão possível, os noticiários selecionam entre os fatos mais importantes do dia aqueles que podem ser explorados lados sentimentais e humanos, o que explica a mobilização que sequestros e homicídios provocam. Discutir economia, avanços da ciência ou matérias sobre comportamento não causam tanto impacto quanto mostrar os dramas dos parentes de uma vítima de assassinato ou o sofrimento e a tensão de um refém e seu sequestrador. É justamente neste último exemplo que é calcado o roteiro de Tom Matthews e Eric Williams. Em Madeline, na Califórnia, o decadente jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman) tem que se contentar em fazer matérias de pouca importância para ter seu salário todo mês, mas provavelmente jamais esperaria que uma pauta sobre o museu de história natural da cidade poderia ser sua chance de virar o jogo. Sam Baily (John Travolta) era o segurança do local, mas foi demitido e não se conforma. Decidido a retomar seu lugar, ela vai armado falar com a diretora da instituição e sem querer fere um antigo colega de trabalho.

domingo, 20 de setembro de 2015

O MESTRE DA VIDA

Nota 5,0 Mais um drama investe na relação aprendiz e pupilo, mas fica a dever em emoção

A dinâmica entre mestre e aprendiz já foi explorada dezenas de vezes pelo cinema. Entre títulos irregulares, outros bons e alguns excepcionais, os exemplos são incontáveis. Seja em sala de aula ou aprendendo um ofício, a temática já inspirou diversos roteiristas e cineastas dispostos a construir belas histórias focadas na troca de experiências entre mentores, geralmente pessoas reclusas e solitárias, e jovens dotados de talentos especiais, mas não raramente perdidos na vida. Tramas sobre professores que mudam as vidas de alunos problemáticos através do carisma, incentivos e respeito, não se aproveitando da autoridade implícita a seus cargos para mandar e humilhar, são as mais comuns. A fórmula é básica: um tutor ensinando ao aprendiz tudo o que sabe não só sobre seu trabalho, mas também importantes conceitos sociais da mesma forma que um pai passa ao filho importantes ensinamentos, em outras palavras, educa e o prepara para enfrentar a vida. De quebra, o próprio mestre acaba por reconquistar com o pupilo o gosto por viver. Com tantas produções semelhantes é difícil oferecer algo novo e que traga uma visão diferente ao tema. O Mestre da Vida infelizmente é apenas mais uma obra a entrar no rol de produções bem intencionadas, porém, destinadas a serem esquecidas. Baseada em fatos reais, esta é a história de John Talia Jr. (Trevor Morgan), um talentoso e tímido estudante que sonha em se tornar um grande artista plástico. Ao tentar vender uma de suas obras, ele descobre que é vizinho de um grande pintor russo, Nicoli Seroff (Armin Müeller-Stahl). Disposto a trocar experiências e aprender com o mestre que tanto admira, o rapaz vai até a sua casa e se surpreende ao ver que o veterano não só desistiu da profissão como também de sua própria vida, desejando ficar em paz e sozinho até a hora de sua morte. Mesmo assim, após muita insistência, o pintor convida Talia para passar uma temporada em sua casa de campo, período em que o estudante aprende a ver o mundo através de olhos mais críticos enquanto seu mestre reaprende a ver a vida de um modo mais inocente e descompromissado.

sábado, 19 de setembro de 2015

OS CINCO SENTIDOS

Nota 8,0 A partir de um mosaico intimista de personagens, longa divaga sobre solidão, afeto e prazer

Uma boa ideia pode surgir a qualquer momento e de onde menos se espera. Pode ser inspirada até mesmo por um ruído, um sabor, uma imagem, um perfume, uma textura, enfim, são sensações que podem despertar o interesse em contar uma história. Isso sem falar nas memórias de viagens, do próprio cotidiano e das experiências compartilhadas com todos que cruzam nossos caminhos, sejam elas positivas ou negativas. Durante dois anos o canadense Jeremy Podeswa excursionou por vários países divulgando um de seus filmes, assim tendo a oportunidade de conhecer diversos tipos de pessoas e reavaliando sua visão sobre relacionamentos. Assim ele começou a formatar Os Cinco Sentidos, drama que alinha as tramas de diversos personagens, com menor ou maior grau de intensidade, tendo em comum o fato de morarem ou trabalharem em um mesmo edifício e todas elas de alguma forma terem perdido algum dos sentidos. Um pacato bairro é surpreendido pela notícia do desaparecimento de uma garotinha, Amy Lee (Elize Frances Stolk), que vai ao parque com a vizinha Rachel (Nadia Litz), esta que se distrai observando alguns casais que passeavam por lá e acaba perdendo a menina de vista. Anna Miller (Molly Parker), a mãe da criança, se desespera e recebe apoio da massagista Ruth (Gabrielle Rose) que precisa redescobrir seu tato e se reaproximar da filha, justamente a menina que até que se prove o contrário é responsável pelo possível sequestro de Amy. Já Robert (Daniel MacIvor) é um faxineiro que está reavaliando seus casos amorosos com homens e mulheres para tentar definir qual caminho deve seguir e para tanto tenta descobrir o cheiro do amor na pessoa certa. Enquanto isso a confeiteira Rona (Mary-Louise Parker) ganha a vida fazendo bolos decorados, mas seus doces ultimamente estão sem sabor já que seu paladar está menos apurado que de costume. Contudo, a paixão pelo chefe de cozinha italiano Roberto (Marco Leonardi) pode ajudá-la a recuperar seu dom, mas sua amizade com Monica (Sonia Laplante) pode azedar a relação. Por fim, Richard (Philippe Volter) é um oftalmologista que está enfrentando problemas de audição e precisa encontrar novas formas para compreender o mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O GRANDE TRUQUE

NOTA 8,5

Duelo de vaidades entre dois
mágicos coloca em risco
não só suas vidas, mas a
loucura extrapola limites
O nome do diretor Christopher Nolan ficou conhecido quando o thriller Amnésia começou a colecionar indicações a prêmios e críticas positivas. Logo ele estava saltando do cinema independente para o comercial com a difícil tarefa de ressuscitar a franquia de um super-herói. Batman Begins foi um estrondoso sucesso e abriu caminho para um novo filme do Homem-Morcego, mas antes disso ainda deu tempo do cineasta realizar outro trabalho, talvez um que faça mais o seu estilo. O Grande Truque parecia ser apenas mais uma produção qualquer ostentando um elenco de peso, porém, para a surpresa de muitos, ela conseguiu aliar diversão e qualidade de uma forma que poucos filmes conseguem, principalmente considerando que seu lançamento foi feito fora do período das premiações ou férias, em uma época em que boa parte dos lançamentos são bobagens para ocupar os cinemas. Será que é por isso que o longa foi esquecido pelo Oscar e outros prêmios? A história se passa em Londres no século 19 e envolve uma intensa disputa entre dois mágicos. Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) se conhecem há muitos anos e sempre competiram amigavelmente entre si, mas a amizade dos ilusionistas é colocada em xeque quando o sentimento de rivalidade é intensificado. Cada um quer fazer o melhor show de mágica possível e a obsessão passa a ditar as regras levando os dois homens a ações extremas e trágicas. Mas será que apenas a rixa profissional está os influenciando ou existe algo mais nesta história? O roteiro não é linear e mistura passado e presente. Logo no início Angier é morto misteriosamente e seu concorrente direto passa a ser o principal suspeito e é preso. Na prisão Borden recebe o diário do falecido e agora tem em mãos os segredos pessoais e profissionais de seu rival. Em flashback são apresentadas imagens dos espetáculos e das disputas e o vai e vem do tempo é constante, assim são plantadas pistas para o espectador desvendar o grande mistério da trama, mas como um bom mágico Nolan não deixa espaço suficiente de tempo entre os acontecimentos justamente para quem assiste não poder pensar, tirar conclusões precipitadas e tirar o brilho do grand finale.    

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O SABOR DA MAGIA

NOTA 4,0

Com temática mística, romance
tem um visual de encher os olhos
e bela trilha sonora, mas, por ironia,
peca pela falta de tempero
Um dos maiores atrativos do cinema produzido por países exóticos ou pouco conhecidos é descobrirmos como vivem as populações locais e suas tradições. Com os efeitos da globalização, hoje não interessam apenas os costumes, mas também como eles são respeitados e inseridos no cotidiano daquelas pessoas que vivem fora de seu país de origem. A adaptação de indianos ao agitado dia-a-dia americano é um dos temas mais explorados pela sétima arte nos últimos tempos, principalmente em romances, gênero perfeito para se abordar como um sentimento em comum pode superar diferenças e conflitos étnicos. O Sabor da Magia é uma produção que se encaixa perfeitamente nesta proposta por conta de seu argumento, mas o resultado final fica aquém das expectativas. A história tem como protagonista Tilo (Aishwara Rai), uma imigrante indiana que vive nos EUA e ganha a vida vendendo especiarias e receitas mágicas em um bazar, estabelecimento próprio e que ela procura respeitar não se ausentando por um minuto sequer durante o expediente seguindo as tradições de seu povo. Após uma infância traumática na qual ela foi sequestrada por um grupo de bandidos, a comerciante foi acolhida ainda muito jovem por uma bondosa senhora (Zohra Segal) que lhe ensinou todos os segredos envolvendo o poder das especiarias e dos elementos naturais para curar doenças entre outras finalidades, lições que ajudaram a despertar seu poder mediúnico. Em troca, a garota fez um juramento que jamais usaria tais receitas mágicas para seu próprio bem e abdicaria do amor, assim ela nunca poderia se apaixonar, nem mesmo tocar na pele de um homem, caso contrário perderia sua sensibilidade para lidar com os aromas e sabores. Contudo, ela não resiste quando conhece por acaso Doug (Dylan McDermott). Ao ajudá-lo com os ferimentos devido a um acidente de trânsito, eles acabam se apaixonando e a partir de então os clientes de Tilo começam a relatar problemas provavelmente ocasionados pelas receitas que ela vendeu. Agora ela tem que decidir entre viver esta paixão ou deixar de lado seus sentimentos para ter de volta seu dom.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

MENTIRAS SINCERAS

NOTA 6,0

Drama explora a
intimidade de casal que vive
de aparências, mas o destino
trata de desmascará-lo
Existem alguns filmes que não tem defeitos a primeira vista e talvez assistidos pela segunda ou terceira vez também não revelem nenhum detalhe que os desqualifiquem, mas ainda assim não são obras memoráveis, todavia, não temos coragem de desmerecê-las. Mentiras Sinceras é um produto desse tipo. Não fez barulho em sua rápida passagem pelos cinemas e hoje é um título mais conhecido por um seleto grupo de espectadores que não o elevam a potência máxima de obra de arte, mas sabem reconhecer as suas qualidades e apontar como o principal defeito do longa a falta de ousadia e ambição do diretor inglês Julian Fellowes. Estreando no cargo de direção, mas experiente na área de roteiros, tendo ganhado um Oscar pelo texto de Assassinato em Gosford Park, este profissional também é ator, o que explica a sua predileção em realizar um filme para atores brilharem e as situações servirem como meras desculpas para os personagens extravasarem suas emoções contidas em nome de valores sociais, morais ou até mesmo por medo de seus próprios sentimentos. James Manning (Tom Wilkinson) e sua esposa Anne (Emily Watson), bem mais jovem que ele, formam o típico casal de fachada. Para amigos, vizinhos e parentes parecem muito felizes no casamento, mas na intimidade eles mal se falam e parecem guardar segredos e ressentimentos um do outro. Contudo, ele vê esta relação com bons olhos e acredita que vive um casamento feliz. Já ela tem certeza do contrário, mas parecer ter se acostumado a viver na rotina e relativamente distante do companheiro. Vez ou outra o casal deixa o melancólico cotidiano londrino para aproveitar algum tempo no campo e James tem a possibilidade de se divertir com os jogos de críquete, mas certo dia sua esposa acaba aproveitando essa distração do marido e arruma uma nova companhia. Bill Bule (Rupert Everett) é herdeiro de uma rica família inglesa, mas acaba de voltar dos EUA com novos hábitos e modos de pensar. É justamente o modo desencanado de ver a vida que chama a atenção de Anne, um comportamento totalmente oposto a seriedade de seu marido.  

terça-feira, 15 de setembro de 2015

SETE DIAS COM MARILYN

NOTA 8,5

Biografia acompanha um
curto período da vida da
estrela, mas o suficiente
para revelar a Marilyn real
Hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher e nada melhor que lembrar uma atriz que se tornou não só um símbolo sexual, mas também deixou sua marca no cinema, mesmo com uma breve carreira, e com seu visual exuberante permanece com sua imagem viva até hoje no imaginário coletivo.  Todavia, quem espera assistir Sete Dias com Marilyn e se deparar com uma bela e merecida homenagem ao mito Miss Monroe regada à clichês pode se decepcionar com o resultado, a começar pelo fato da fita não se limitar a apenas endeusá-la, mas ceder espaço para desconstruir sua imagem de mulher perfeita. Apesar de intitular a produção, a diva não é a protagonista da trama na realidade. A vaga de personagem principal é ocupada por um homem, um apaixonado pela estrela que sonhou em trabalhar ao seu lado, mas conseguiu mais que isso e participou da vida íntima de sua musa e registrou as memórias desses momentos no livro “Minha Semana com Marilyn”, na tradução literal. O autor, o jovem Colin Clark (Eddie Redmayne), narra sua visão da mulher que existiu atrás do mito, longe dos holofotes e da imprensa. Através de seus escritos, adaptados pelo roteirista Adrian Hodges, além de relembrarmos o furacão que ela era em sua vida pública, temos a possibilidade de conhecer a fragilidade e insegurança desta atriz que ao mesmo tempo era temperamental e intensa em altíssimos graus. Coube à requisitada Michelle Williams o dever de interpretar esse ícone de Hollywood e ela não decepcionou, sendo indicada ao Oscar e vencendo o Globo de Ouro de atriz em comédia, mas não se engane, os risos são poucos. A veia dramática é que rege a narrativa. Em meados dos anos 50, sentindo-se deslocado em sua própria família, diga-se passagem, com posses e bastante refinada, Clark decide partir para Londres ao descobrir que o ator e diretor Laurence Olivier (Kenneth Branagh) estava para começar a pré-produção de um novo filme, O Príncipe Encantado. Estar perto dos astros do cinema sempre foi o desejo do jovem e para tanto ele aceita o cargo de um dos assistentes do diretor, tudo para ficar o mais próximo possível da estrela da fita, a sedutora Marilyn Monroe que na época estava aproveitando a lua-de-mel com seu novo marido, o terceiro, o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott). 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

SOB O EFEITO DA ÁGUA

NOTA 7,0

Longa explora as
dificuldades pelas quais uma
ex-viciada em drogas passa
para não ceder às tentações
Um simples mergulho no mar ou na piscina pode mudar completamente o astral de uma pessoa. Quando estamos dentro d’água relaxamos e esquecemos os problemas, mas quando voltamos à superfície não temos como fugir da realidade. É mais ou menos esta a sensação da protagonista de Sob o Efeito da Água, uma produção independente australiana que deixa de lado o nacionalismo e joga de escanteio a imagem do país bem desenvolvido para nos apresentar a imagem de uma terra corrompida pelo vício das drogas. A trama é desenvolvida no subúrbio de Sidney, em Cabramatta, região conhecida por ser a capital da heroína na Austrália. Isso explica o porquê de todos os personagens deste drama terem algum envolvimento com as drogas. Tracey (Cate Blanchet) é uma ex-usuária de heroína que dedicou os últimos quatro anos para colocar ordem na sua vida. Além de se livrar do vício, vive com a mãe, a super protetora Janelle (Noni Hazlehurst), conseguiu um trabalho digno e agora deseja montar uma lan-house em parceria com seu chefe, porém, seu passado acaba atrapalhando nas negociações para um empréstimo no banco. Seu melhor amigo Lionel (Hugo Weaving), um viciado que já namorou com sua mãe, esta que o culpa pelo vício da filha, não consegue se livrar das drogas pela decepção de não poder viver um relacionamento amoroso pleno com um chefão local do tráfico, Brad (Sam Neill), um bissexual que ganha a vida como traficante de entorpecentes e que acaba passando por um divórcio escandaloso após serem descobertos seus casos homossexuais com adolescentes. Lionel, um ex-astro dos esportes, acaba precisando vender as lembranças desta época boa para sustentar seu vício e sua relação com Tracey é conturbada, mas ainda assim verdadeira e carregada de sentimentos. Até o irmão da moça, Ray (Martin Henderson), faz parte deste mundo sujo traficando drogas. Como esquecer o vício em um ambiente desses?

domingo, 13 de setembro de 2015

TEMOS VAGAS 2 - A PRIMEIRA DIÁRIA

Nota 7,0 Prequel acima da média enfoca o início das atividades macabras de um decadente motel

Parece uma regrinha básica de Hollywood: qualquer filme de horror, seja ele sucesso ou não, precisa gerar ao menos uma sequência para ganhar alguns trocados dos aficionados pelo gênero, porém, dificilmente tais produções superam as originais. O que dizer então de uma fita do tipo ganhando uma continuação sem seus protagonistas originais e ainda com um roteiro calcado em acontecimentos anteriores ao primeiro filme? Tudo leva a crer que esse prequel será uma verdadeira bomba, mas Temos Vagas 2 - A Primeira Diária acaba surpreendendo positivamente, isso se você não for um expectador extremamente crítico. Embora não tenha sido o responsável pelo primeiro filme, o diretor Eric Bross conseguiu manter o clima de tensão semelhante oferecendo bons sustos e injetando uma dose maior de adrenalina. Um decadente motel de beira de estrada acaba sendo bastante frequentado por viajantes que desejam descansar a noite, mas também pode ser o destino escolhido por alguns casais para passarem alguns momentos a sós em um lugar isolado e tranquilo. Com câmeras estrategicamente posicionadas nos quartos, o gerente Reece (Brian Klugman) e seu funcionário Gordon (David Moscow) se divertem assistindo e gravando as intimidades dos hóspedes, mas certa noite essa diversão voyeurista ganha contornos macabros com a chegada de Smith (Scott G. Anderson). Ele se hospedou com uma jovem e foi flagrado a violentando e a esfaqueando até a morte. Pego em flagrante, o assassino acaba convencendo os funcionários do motel a lhe ajudarem com seus planos bizarros. Assim ele propõe que o deixem praticar seus atos violentos à vontade e eles poderiam gravar as sessões de tortura e assassinatos e depois disponibilizarem as fitas para venda clandestina. O negócio vai bem até que os jovens Caleb (Trevor Wright), Jessica (Agnes Bruckner) e Tanner (Arjay Smith) se hospedam certa noite. Com a passagem do grupo por lá tudo pode mudar para a gangue de sádicos.

sábado, 12 de setembro de 2015

TEMOS VAGAS

Nota 8,0 Suspense deixa o espectador roendo unhas com um eletrizante jogo de perseguição

Ainda há quem saiba provocar bons sustos em Hollywood sem recorrer a banhos de sangue e tampouco vilões estereotipados. O diretor Nimród Antal, com um currículo tímido no cinema húngaro, voltou para sua terra natal, os EUA, para filmar Temos Vagas, um thriller enxuto e extremamente eficiente que deixa o espectador roendo as unhas de tensão praticamente do início ao fim. Trabalhando com uma linha de terror mais realista, valorizando a tensão e oferecendo um espaço tímido para a violência explícita, a produção investe em uma turma de sádicos que se divertem mutilando corpos e que lucra comercializando fitas contendo gravações de tais atos, um fato que infelizmente ocorre com uma frequência impressionante. David (Luke Wilson) e Amy (Kate Beckinsale) vivem brigando e estão prestes a se separar, mas antes precisam comparecer juntos a um último compromisso familiar em uma outra cidade. Em meio a viagem, seguindo um caminho desértico e escuro, eles tem um problema no carro, aceitam a ajuda de um estranho e são obrigados a passar a noite em um decadente motel de beira de estrada. O gerente do local é Mason (Frank Whaley), um homem de atitudes estranhas, mas aparentemente inofensivo. Após se alojarem no quarto, o casal encontra uma coleção de fitas de vídeos caseiros contendo muitas cenas de violência, tortura explícita e até mesmo assassinatos. Detalhe: o cenário das gravações é o mesmo quarto onde eles estão instalados. Eles então encontram câmeras espalhadas por todo cômodo e percebem que caíram em uma grande armadilha. Não demora muito para que uma gangue de sádicos voyeurs passe a atormentá-los e o casal é obrigado a deixar as diferenças de lado e se unir para não serem os protagonistas de um bizarro filme de terror. É a deixa para que o roteiro descarte o gancho da crise do casal mostrando um companheirismo acima do normal para tentarem escapar dessa, mas tudo bem, quem não faria o mesmo em uma situação limite?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

TÃO FORTE E TÃO PERTO

NOTA 7,5

Abordagem diferenciada
sobre fatídico episódio e suas
consequências trazem certo
frescor e leveza à drama
As tristes e chocantes lembranças do fatídico dia 11 de setembro de 2001 envolvendo o ataque às Torres Gêmeas nos EUA ainda estão presentes na memória de todos aqueles que acompanharam as notícias inacreditáveis que iam sendo informadas minuto a minuto pela imprensa mundial e continuam sendo perpetuadas já que servem como uma grande fonte de inspiração para os diretores de cinema. Entre documentários, grandes produções e outras de proporções modestas, são vários os exemplos de filmes que retrataram de forma realista, amena ou com forte apelo dramático este episódio marcante da História moderna. Dez anos após a tragédia, foi a vez do cineasta Stephen Daldry, especialista em dramas e três vezes indicado ao Oscar, abordar o tema em Tão Forte e Tão Perto. Sem dúvidas esta obra está longe de ser um dos seus melhores trabalhos, mas está acima da média de outros produtos que trataram desta temática, tanto que surpreendentemente foi indicada pela Academia de Cinema ao prêmio de Melhor Filme, embora tal feito em nada ajudou em sua repercussão e bilheteria. Todavia, é uma obra a ser descoberta pelo grande público. A trama gira em torno de Oskar Schell (Thomas Horn), um garoto que tem um ótimo relacionamento com o pai, Thomas (Tom Hanks), este que sempre estimulou o lado aventureiro e lúdico do filho. Infelizmente, ele perde esta figura paterna no citado atentado terrorista e tal fato foi um grande baque em sua vida e também na da sua mãe, Linda (Sandra Bullock), de quem ele procura esconder a última mensagem que o pai deixou na secretária eletrônica a qual até ele mesmo recusa-se a ouvir.  Algum tempo depois, Oskar encontra em meio aos pertences do pai uma chave dentro de um envelope. O menino então desconfia que este é mais um dos costumeiros enigmas que seu pai lhe propunha e parte para uma expedição pela cidade de Nova York em busca de pessoas cujo sobrenome seja Black, a única palavra escrita no tal envelope que encontrou. Assim, ele passa a entrar em contato com os mais diversos tipos de pessoas e situações, certamente amizades e aprendizados que mais cedo ou mais tarde farão diferença na vida do garoto.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

ED TV

NOTA 7,0

Um cara simples vira um astro da
noite para o dia em um reality show
onde as armações ditam as regras,
tema que viria ser uma febre mundial
Você acha que Hollywood já de algum tempo está sofrendo uma crise de atividade com tantas refilmagens e continuações?  As vezes ela nos surpreende com bons e inventivos projetos, mas as vezes o que chama a atenção é um estranho fenômeno: a coincidência de temas.  Ou seriam casos de espionagem industrial? E não está em pauta a obviedade das comédias românticas ou fitas de ação que costumam reciclar velhas e conhecidas fórmulas. Ninguém faz um filme de um dia para o outro e é curioso que em um curto espaço de tempo filmes com temáticas muito semelhantes e originais sejam lançadas. Entre os exemplos, temos a exploração dos realities shows em filmes no final da década de 1990, na época um assunto ainda muito enraizado na cultura americana e praticamente desconhecido no resto do mundo. O Show de Truman conquistou elogios da crítica graças a um roteiro inovador, visionário e, obviamente, por contar com o astro Jim Carrey pela primeira apostando em seu talento dramático. O longa até hoje é muito lembrado e desperta a curiosidade de novas gerações, ao contrário de Ed TV lançado poucos meses depois e que naufragou nas bilheterias americanas e nem chegou a passar nos cinemas brasileiros. A trama começa mostrando a disputa de duas pessoas influentes de um mesmo canal de televisão que estão tentando emplacar um nova programa capaz de tirar a empresa do ostracismo. A produtora Cynthia Topping (Ellen DeGeneres) cria uma atração revolucionária para prender a atenção dos telespectadores oferecendo a possibilidade do cotidiano de um cidadão comum ser acompanhado diariamente em tempo integral. O candidato escolhido é Ed Pekurny (Matthew McConaughey), um cara na casa dos 30 anos, solteirão e que ainda vive com a família, diga-se de passagem, um tipo que ele viria a reprisar alguns anos depois em Armações do Amor. Atendente de uma locadora de vídeo (nostálgico ver a exposição das fitas de VHS), ele teria o perfil ideal para retratar o sonho do cidadão de classe média baixa que cresce na vida sem precisar fazer esforço algum, apenas curtindo seus quinze minutos de fama. Bom, no caso de Ed, são alguns dias em exposição ao vivo e sem cortes de edição. A princípio ele curte intensamente a novidade e o sucesso, mas não demora muito para o frisson passar, afinal a vida desse rapaz é um marasmo só.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

MATCH POINT - PONTO FINAL

NOTA 8,5

Após uma safra de longas
fracassados, Woody Allen
dá a volta por cima
investindo em novos ares
O cineasta Woody Allen, também ator, escritor, produtor e até músico, há várias décadas está na estrada colecionando fãs, desafetos, sucessos e fracassos. Com uma carreira marcada por obras premiadas e elogiadas datadas dos anos 70 e 80, nos últimos anos as sombras dos seus equívocos cinematográficos parecem persegui-lo. Lançando praticamente um filme por ano, passaram a ser raros os momentos de brilhantismo de Allen que só viu sua fama extrapolar limites e o sucesso voltar a bater a sua porta com Match Point - Ponto Final, após anos de certo ostracismo. Seu nome sempre estampava algum cartaz ou capa de DVD, mas foi uma única indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original, além de menções em outras premiações, que fizeram este entusiasta das paisagens urbanas americanas ressurgir na mídia. Um público novo e de idade jovem foi instigado a conhecer mais sobre este profissional e se juntou aos antigos apreciadores dos trabalhos do cineasta para aplaudir e elogiar uma obra que definitivamente não parece ter sido feita por ele, destoando em muitos aspectos de sua filmografia. O público e produtores americanos há anos vinham desprezando os seus trabalhos e tal falta de atenção certamente se refletiu em suas obras drasticamente, a ponto que seu nome já não era o bastante para gerar certa expectativa quando houvesse algum lançamento. Após Melinda e Melinda passar em brancas nuvens, o cineasta teve dificuldades para conseguir financiamento para seu próximo projeto e precisou romper com a tradição. Ao chegar na casa dos 70 anos de idade, pela primeira vez ele filmou fora de Nova York e pelo visto gostou da experiência tanto que a repetiu em futuras ocasiões explorando belíssimas paisagens européias. Londres foi o cenário eleito para contar a história de Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers), um jogador de tênis profissional que decide abandonar as competições e se dedicar a dar aulas do esporte em um clube frequentado pela elite. É lá que ele conhece Tom Hewett (Matthew Goode), um jovem de família rica com quem ele faz amizade rapidamente. Convidado para ir a uma apresentação de ópera, Wilton é apresentado à irmã de seu novo amigo, a bela Chloe (Emily Mortimer), com quem ele passa a se relacionar.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

UMA MÃE EM APUROS

NOTA 4,0

Longa acompanha 24
horas de um agitado dia
de uma mãe que se dedica
integralmente à família
Filmes que acompanham a rotina de um personagem durante as 24 horas de um único dia não são novidades e é até uma premissa muito comum nos gêneros de ação e suspense, agora em comédias tal ideia pode soar como uma novidade bem-vinda. Contudo, talvez justamente pelo fato de não ser comum no humor não deu certo a proposta do espectador participar da loucura de um dia da vida de uma mulher moderna do subúrbio nova-iorquino. Faltou intimidade com o estilo por parte da roteirista e diretora Katherine Dieckman na condução da comédia de costumes Uma Mãe em Apuros. Eliza Welch é uma escritora que se dedica à redação de um blog, mas suas principais atividades são ser mãe, dona de casa e a esposa de Avery (Anthony Edwards), um amoroso homem que entope sua casa de livros raros sonhando em um dia faturar alto com as vendas deles. Certo dia ela está atarefada um pouco além do normal. Fora a obrigação de cuidar do filho mais novo, Lucas (papel revezado pelos gêmeos David e Matthew Schallipp), que está começando a dar os primeiros passos, cozinhar, limpara a casa, trocar ideias e experiências com outras mães na tradicional visita ao playground, entre tantas outras tarefas rotineiras, neste dia em específico ela ainda está preparando a festa de seis anos de sua filha mais velha, Clara (Daisy Tahan), precisa desfazer uma confusão que causou sem querer envolvendo Sheila (Minnie Driver), sua melhor amiga, e ainda está decidida a participar de um concurso no qual precisa fazer uma redação sobre o que a maternidade lhe representa. Para dar vida a essa mulher mil e uma utilidades que abdicou das costumeiras vaidades femininas e até mesmo de sua carreira promissora como escritora para se dedicar integralmente à família, foi escalada a talentosa Uma Thurman. Além de seu nome ser um chamariz natural de público, a atriz não tem medo de mudar seu visual, mesmo quando precisa se enfear.  Com cabelos desarrumados e um figurino sempre franzino ou simplista, ela encarna com perfeição a típica mãezona que não mede esforços para ver seus filhos felizes e por tabela também o marido. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO

NOTA 6,5

Para os padrões de sua

época de lançamento, 
longa nacional é ousado em
seu estilo narrativo
A segunda metade dos anos 90 marcou o recomeço da produção de cinema no Brasil, mas apesar dos esforços muitos trabalhos acabaram passando em brancas nuvens ou só tiveram sucesso instantâneo. É certo que muitos cineastas realizaram projetos muito mais visando sua satisfação pessoal que lucros, mas ainda bem que alguns profissionais mais antenados souberam perceber que o cinema nacional só daria certo se nossos filmes se aproximassem ao estilo comercial hollywoodiano, assim não impactando negativamente o público e o acostumando aos poucos a apreciar os trabalhos de seu país. Pequeno Dicionário Amoroso é um exemplo de que o Brasil naquela época já não precisava se ater somente a temas históricos, políticos ou de denúncia social, mas já estava apto a investir em gêneros pouco explorados em nossa cinematografia e ainda dar um toque diferenciado. Experiente na área de documentários, Sandra Werneck estreava na direção de longas de ficção com o pé direito, mas obviamente também cometeu escorregadelas dependendo do ponto de vista. A espinha dorsal deste trabalho é o típico amor a primeira vista com direito a paqueras, frases de efeito e gargalhadas dos enamorados em situações comuns do cotidiano. A arquiteta Luiza (Andréa Beltrão) e o biólogo Gabriel (Daniel Dantas) se conheceram por acaso em um lugar inusitado, um cemitério, mas a empatia foi de ambas as partes e logo eles começaram a namorar. Porém, à medida que o envolvimento aumenta, eles passam a perceber quem nem tudo são flores e passam a questionar a natureza de seus sentimentos. O entusiasmo, a felicidade e a novidade do início de namoro dão espaço ao marasmo, à tristeza e às brigas. A situação piora quando Luísa descobre que Gabriel havia feito vasectomia há algum tempo, assim seu sonho de ser mãe de um filho do homem que ama vai por água abaixo. Entre a fase boa e a má do casal, eles recebem o apoio de amigos fiéis que tentam mostrar os pontos positivos e negativos de um relacionamento amoroso, assim como os prós e os contras de estar solteiro.

domingo, 6 de setembro de 2015

BELLA

Nota 7,0 Mesmo abusando do dramalhão, longa toca com trama de superação e de fácil identificação

Dramas feitos fora dos padrões hollywoodianos costumam decepcionar muita gente, mas esse é mais um problema de preconceito do que a respeito de qualidade. Muitas vezes eles são carregados de mensagens e histórias edificantes, mas em geral abusam de momentos contemplativos, idas e vindas no tempo e suas conclusões costumam deixar questões no ar para o espectador refletir ou simplesmente se encerram sem o tradicional felizes para sempre. Justamente pelo modo diferenciado de contar histórias produções do tipo tendem a agradar mais aos críticos que o grande público e acabam ficando restritos a nichos específicos, mas nem tudo que é feito fora do eixo de Hollywood necessariamente precisa ser esculpido para ganhar prêmios em festivais e tampouco pertencer ao estilo papo-cabeça. Isso é o que prova o agradável drama Bella. A história se passa em uma movimentada área de Nova York onde Manny (Manny Perez) é o bem-sucedido dono de um restaurante de comida típica latina. Ele tentou estender a chance que teve para subir na vida ao seu irmão caçula Jose (Eduardo Verástegui) e o nomeou chef de cozinha, mas o clima entre os dois não é dos melhores. A gota d'água acontece quando o empresário despede a garçonete Nina (Tammy Blanchard) por causa de seus constantes atrasos. Solidário, Jose a convida para acompanhá-lo em uma visita que deseja realizar a seus pais e no caminho conta um pouco de seu doloroso passado. Ele já foi um jogador de futebol de sucesso, disputado por clubes de diversos países, mas precisou interromper a carreira no ápice após causar a morte acidental de uma criança e ser condenado à prisão. A tristeza que Jose carrega consigo até hoje o toca profundamente ao passo que Nina também sofre com os erros que cometeu na sua vida como, por exemplo, uma gravidez indesejada justamente agora que foi demitida do emprego. Dividindo suas tristezas e frustrações, essas duas pessoas então se unem para constituírem novas possibilidades para suas vidas.

sábado, 5 de setembro de 2015

O INQUILINO (2008)

Nota 3,0 Com duas tramas paralelas, longa perde fio da meada e é desenvolvido de forma enfadonha

Tentando construir um suspense intrigante que segurasse a atenção do espectador até o fim, David Ontaatje acabou se enrolando até o pescoço. Produtor, roteirista e diretor de O Inquilino, ele ousou ao ter a ideia de refilmar o primeiro thriller assinado pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, um de seus primeiros trabalhos ainda dos tempos do cinema mudo. Com várias linhas narrativas a serem trabalhadas usando apenas imagens para construir um enredo conciso, esse trabalho não é um dos mais lembrados na filmografia do famoso cineasta, todavia, tem o seu valor, principalmente pela época que representa dentro da História da sétima arte. Ondaatje procurou reimaginar o mesmo enredo adicionando diálogos e reunindo todos os clichês possíveis dos filmes de suspense policial. A premissa é até interessante, mas na intenção de jogar pistas falsas para o espectador brincar de detetive, p diretor acabou se atrapalhando e deixou diversas pontas a serem aparadas. A trama gira em torno de um assassino que está assombrando as ruas de West Hollywood vitimando as prostitutas da região. Coincidentemente seus atos lembram muito o estilo dos crimes cometidos em meados do século 19 pelo lendário Jack, o Estripador. O agente Chandler Manning (Alfred Molina) está em seu encalço, mas precisa lidar com o fato de que provavelmente capturou e condenou à morte um inocente sete anos antes, um homem que estava sendo investigado por duas mortes que guardam características semelhantes com a onda atual de assassinatos, o que indica que o verdadeiro criminoso está de volta. Quanto mais o detetive se envolve com as novas investigações mais as coisas ficam enroladas para o seu lado, inclusive passando a ser apontado também como um provável suspeito. Paralelamente a esses eventos, Helen Bunting (Hope Davis) aluga o quarto dos fundos de sua casa para Malcolm (Simon Baker), um misterioso escritor que chega à cidade na mesma época em que a onda de assassinatos é retomada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

POSSUÍDOS (2006)

NOTA 6,0

Longa surpreende, para o
bem ou para o mal, com
um intenso e claustrofóbico
thriller psicológico
Existem vários exemplos de filmes que acabam não encontrando seu público devido a uma má escolha de título. Esse é um problema comum quando as produções chegam aos países estrangeiros. No Brasil, muitas obras ganharam alcunhas de doer, outras que nada tem a ver com o enredo e também ocorrem casos de três filmes ou até mais ganharem o mesmo título, o que só confunde o público que acaba por comprar gato por lebre muitas vezes. Também podem ocorrer situações que o título original não pareça nada atrativo e acabe sendo trocado por algo mais genérico como é o caso de Possuídos, cujo nome original é “Bug”, que numa coincidência proposital de nosso mercado também intitula um suspense estrelado por Denzel Washington. Porém, quem espera encontrar uma trama sobre demônios, a grande jogada da distribuidora Califórnia, certamente irá se decepcionar, pois de espíritos demoníacos não temos nem sombras. A obra em questão é um thriller psicológico, mas dificilmente alguém se interessaria em assistir algo chamado simplesmente de “Inseto”, como seria na tradução literal. Sim, essas pequenas e asquerosas criaturas são os vilões deste trabalho do diretor William Friedkin, o responsável pelo famoso O Exorcista, mas não espere uma bobagem no estilo dos trash movies do passado nos quais seres humanos eram transformados em monstros quando submetidos a experiências com insetos, mas de certa forma a produção não escapa de ser rotulada como um tremendo filme B. O enredo é carregado de tensão, mas o medo é construído pouco a pouco e não simplesmente despejado sobre o espectador. Quando a história está em seu clímax, por mais absurdo que ele possa parecer, já estamos totalmente envolvidos e participando da loucura dos personagens, isso se você se permitir participar desta viagem alucinógena. Insetos, possessão que não existe, loucura, tensão, pinta de filme ruim, mas ao mesmo tempo bom, um diretor conceituado no comando, afinal que raio de produção é essa? Realmente esta é uma obra ímpar que não é muito fácil de ser compreendida e talvez por isso se torne boa, pois surpreende o espectador de alguma forma. Colecionando críticas positivas e negativas nas mesmas proporções, ela é feita com estética para agradar as massas, mas seu conteúdo pode parecer um tanto complexo. O texto costuma agradar as platéias mais intelectuais, mas seu visual pode causar repúdio. Enfim, este trabalho é difícil até mesmo de ser catalogado em um gênero específico, devendo ser encarado mais como um projeto experimental para fazer sentido e aí até podemos dar razão e aplaudir as loucuras de Friedkin, na época das filmagens entrando na casa dos 70 anos, mas com vigor de um estreante na profissão.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

TUDO PELA FAMA

NOTA 7,0

Comédia faz uma bem
humorada crítica à TV, aos
realities shows e à busca do
sucesso instantâneo
Ter os seus quinze minutos de fama parece ser uma obsessão mundial. Não importa onde você viva, sempre tem alguém querendo aparecer sem se dar conta que pode estar pagando um tremendo mico. É incrível o que uma pessoa é capaz de fazer para poder participar, por exemplo, de um reality show, uma febre doentia que mexe com a fantasia das mentes mais fracas que acreditam que um belo corpo talhado em academia ou pelo cirurgião plástico é o bastante para garantir um futuro. Será que hoje em dia ex-Big Brother ou ex-Fazenda já são considerados como referência a uma profissão e enriquecem algum currículo? Embora os realities mais populares sejam aqueles que confinam anônimos ou famosos decadentes em uma mesma casa para serem observados como se fossem animais nos zoológicos, existem dezenas de modelos de programas que se encaixam nessa definição oriundos de todos os cantos do planeta e que, diga-se de passagem, são bem mais interessantes. Muitos deles já puderam ou ainda podem ser conferidos pelos brasileiros através de canais fechados que exibem os programas originais ou até mesmo na TV aberta, mas neste caso as emissoras nacionais adquirem os direitos sobre os formatos e os inserem como quadros de programas tradicionais como a “Dança dos Famosos” exibida pelo Faustão ou o “Jogo de Panelas” comandado por Ana Maria Braga. Também fazem sucesso por aqui os realities musicais que reúnem novos talentos em busca de uma chance para saírem dos barzinhos da vida, porém, curiosamente os vencedores dificilmente chegam a gozar plenamente do sucesso, voltando rapidamente ao ostracismo. No limbo dos esquecidos é que se encontra também a comédia Tudo Pela Fama, cujo tema principal é o sucesso baseado na imagem, um projeto coerente com o momento artístico e cultural que vivemos há mais de uma década, mas que fracassou até mesmo nos EUA em pleno auge do programa “American Idol”, modelo que por aqui se transformou no trash “Ídolos”. Quando um filme é lançado diretamente para as locadoras ou venda ao consumidor sem passagem pelo cinema é de praxe rotular como um produto ruim, mas algumas injustiças acabam acontecendo por causa dessa avaliação precipitada como neste caso em que uma crítica inteligente é feita a um fenômeno que mexe com as emoções dos populares, mas eles próprios não percebem que de show de realidade pouca coisa existe no tal programa de calouros. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

APENAS UMA NOITE

NOTA 7,0

Fidelidade, amor e desejos
reprimidos são discutidos
em romance realista que
foge dos clichês do gênero
Os filmes independentes são conhecidos por geralmente contarem histórias que prezam pelo realismo e não fazem questão de finais felizes ou apoteóticos. Nem mesmo reviravoltas de fazer o queixo do espectador cair são prioridades. Então o que pode atrair atores famosos e público para esse tipo de produção? Para os artistas, participar de filmes assim traz status a seus currículos e quem assiste se sente atraído para ver essa reunião de astros ou simplesmente para fazer o gênero de espectador cult. Bem, a julgar pelo elenco, realmente não deixa de ser uma boa opção o drama romântico Apenas Uma Noite que tem o mérito de reunir atores jovens, talentosos e muito requisitados pelo cinemão comercial. A base do enredo é trabalhar a forma como dois jovens adultos casados lidam com a liberdade temporária quando se encontram separados por algumas horas. Michael (Sam Worthington) e Joanna (Keira Knightley) formam um casal comum que se uniram muito cedo e não tiveram a oportunidade de experimentar plenamente os prazeres da vida. Certa vez, durante uma festa, a esposa percebe que seu marido parece ter muita intimidade com uma colega de trabalho, a sensual Laura (Eva Mendes). Joanna observa passivamente o comportamento deles ao mesmo tempo em que passa a refletir sobre os rumos de seu relacionamento com o marido. No dia seguinte Michael tem uma viagem de trabalho, obviamente acompanhado de Laura, e por arte do destino sua esposa encontra por acaso um ex-affair seu, o francês Alex (Guillaume Canet). Por apenas uma noite o casal estará separado e cada um deles terá a oportunidade de vivenciar experiências com parceiros diferentes ou simplesmente resistir as tentações e optar pela fidelidade. Dessa forma, o longa dirigido pela estreante Massy Tadjedin revela-se uma mistura estética e narrativa de Namorados Para Sempre com Closer – Perto Demais, ainda com pitadas de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol. Praticamente temos em cena apenas dois casais, ainda que não oficiais, discutindo a relação deles e também como eles vivem com seus respectivos cônjuges ou revelam experiências passadas ou ainda sentimentos reprimidos. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O ENIGMA DO COLAR

NOTA 7,0

Recriando vexatório episódio da
História da França, roteiro é tão
intrincado quanto os fatos reais em
que se baseia confundindo espectador
Sem dúvidas na escola aprendemos apenas o básico nas aulas de História, tanto que muitos professores indicam literaturas complementares, sites e filmes a quem interessar se aprofundar nos temas. É uma pena que nem sempre o material extra seja de fácil acesso. Muitas produções de cinema ricas em conteúdo histórico acabaram perdidas no tempo, seja na transição das fitas VHS para o DVD ou por terem tido uma tiragem reduzida na época de seu lançamento. Questões a respeito de direitos autorais e de distribuição também acabam tirando muitas obras de circulação e este pode ser o caso de O Enigma do Colar, caprichado drama baseado em fatos reais estrelado por nomes de peso e premiados. A produção acabou se tornando um item de colecionador, um produto raríssimo que aborda uma importante e curiosa passagem da trajetória política e social da França, uma rede conspirações que levou uma rainha a ser odiada fervorosamente e que também contribuiu para a revolução contra o absolutismo. A protagonista da intriga, no entanto, não é muito conhecida fora do território francês, mas em seu país permanece como um mistério que desperta especulações. Jeanne de La Motte-Valois (Hillary Swank) é uma jovem que foi criada por uma família adotiva após ver o assassinato cruel de seus próprios pais, um casal oriundo da nobreza que acabou perdendo de uma hora para a outra toda sua fortuna e consequentemente tiveram seu sobrenome desvalorizado. Acusados de conspirar contra a monarquia, desde então as memórias da garota ficaram marcadas por cenas de humilhação e tortura, mas isso não a impediu de alimentar o sonho de conseguir reconquistar sua posição de destaque na sociedade, mas para tanto precisará enfrentar intrigas, ser desonesta e trair seus próprios princípios. Mesmo bem intencionada, só assim para sobreviver em uma sociedade interesseira e insensível. A todo custo Jeanne quer tentar alguma aproximação com a vaidosa e imponente Rainha Maria Antonieta (Joely Richardson) no intuito de conseguir algum tipo de ressarcimento por sua herança perdida e obviamente resgatar o poder do nome dos Valois. No entanto, ela nem ao menos consegue ser notada por vossa majestade, porém, em uma dessas tentativas frustradas, a jovem conhece Retaux de Vilette (Simon Baker), um rapaz galanteador e influente que vem a se tornar seu amante e promete reintroduzi-la no universo da nobreza.

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