terça-feira, 31 de julho de 2018

FALA SÉRIO, MÃE!

NOTA 6,0

Comédia aposta no choque entre
gerações, mas faz humor apenas com
situações triviais e não se aprofunda
na parte dramática do conflito
Enquanto Paulo Gustavo e Leandro Hassum mantém uma disputa acirrada pelo posto de grande nome masculino do cinema de humor nacional, correndo por fora ainda Bruno Mazzeo e Marcelo Adnet para tal posto, do lado feminino Ingrid Guimarães reina absoluta desde que lançou De Pernas Pro Ar, produção despretensiosa que termina como uma trilogia de sucesso. Embora com poucos filmes no currículo, a atriz tem o aval de seu público televisivo que se acostumou principalmente com seus trejeitos e sua maneira ágil de contar piadas. Contudo, em Fala Sério, Mãe! ela parece mais comedida e obrigada a dividir o protagonismo. Sua personagem começa narrando o longa, mas antes mesmo de meia hora de projeção a própria entrega que chegou o momento de outra pessoa continuar a história a seu modo. Então a bola é passada para a estrelinha teen Larissa Manuela, já a alguns anos um rosto representativo do SBT, mas que aqui viu a chance de se aproximar do universo da Globo, canal que fatalmente mais cedo ou mais tarde irá pertencer. O filme é um tanto clichê explorando os conflitos entre gerações a partir de situações cotidianas e banais. Adaptada do livro homônimo de Thalita Rebouças (um nome de sucesso considerável no cambaleante mercado editorial brasileiro), a trama começa nos apresentando Ângela Cristina (Ingrid) que pouco depois de se casar descobre estar grávida e como toda mamãe de primeira viagem está cheia de dúvidas e expectativas. Os primeiros minutos são dedicados a apresentar os tropeços dela e do marido Armando (Marcelo Laham) nos cuidados com uma criança, como as noites em claro quando tinham ainda uma bebezinha e tentar solucionar pacificamente pequenos conflitos quando a menina passa a ter vida social mais intensa, mas eles gostaram tanto de ser pais que não demorou muito e já tinham em casa três crianças. O ideal seria que o roteiro se preocupasse em mostrar as dificuldades do casal para lidar com as peculiaridades de cada filho ao mesmo tempo em que percebiam que a relação íntima deles dava sinais claros de fragilidade, um argumento bem mais consistente. Contudo, tal linha poderia fugir das verdadeiras intenções: um programa família com apelo juvenil.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

A OUTRA (2008)

NOTA 7,0

Longa aborda a história de
Maria, irmã mais nova da polêmica
Ana Bolena, mas se preocupa mais
com a estética do que com o enredo
A história de Anne Boleyn (que viveu entre 1500 e 1536), ou mais popularmente conhecida como Ana Bolena, é bastante curiosa e já foi levada para as telas do cinema e da televisão algumas vezes. A Outra tenta ser a versão definitiva de sua trajetória apoiando-se em uma requintada produção e, principalmente, no talento e força da interpretação de Natalie Portman que mescla falsidade, luxúria, persuasão e perversidade para compor o perfil da polêmica inglesa. Contudo, como o título deixa claro, o longa destaca também os acontecimentos envolvendo a irmã caçula da jovem, a imaculada Maria, vivida contidamente por uma Scarlett Johansson atípica. A moça é uma figura praticamente ignorada nos livros de História, mas também marcante na trajetória da corte do rei Henrique VIII, interpretado por Eric Bana. Tendo como base o livro "A Irmã de Ana Bolena", de Philippa Gregory, o roteiro de Peter Morgan condensa vários anos das vidas destes personagens em aproximadamente duas horas de narrativa, assim não há espaço para trabalhar os perfis de forma multifacetadas. A inescrupulosa é assim até o fim, a bondosa é capaz de sucumbir a traições e humilhações sem reivindicações e o homem disputado pelas irmãs é um otário que não sabe o que quer da vida. Henrique Tudor tinha o poder de mandar e desmandar na vida de todos, inclusive no que dizia a respeito de suas intimidades, mas haviam coisas que não poderia interferir. Ele vivia um casamento infeliz com Catarina de Aragão (Ana Torrent), da Espanha, tudo porque ela não lhe deu o tão esperado filho homem que daria continuidade a sua linhagem e assumiria o trono. O rei então passa a procurar nas redondezas alguma jovem que pudesse realizar seu sonho... Ou seria obrigação?

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