segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

AS BICICLETAS DE BELLEVILLE

NOTA 9,5

Animação é como um sopro de
originalidade, embora use
técnicas tradicionais e por
vezes pareça um desenho mudo
Antigamente desenho animado era sinônimo de Hanna-Barbera. Animações feitas para cinema automaticamente lembravam Disney. Os estúdios e produtoras que se arriscavam no mercado infantil acabavam optando por fazer filmes live action para disputar uma brechinha para exibição nas salas de cinemas ou até poderiam fazer desenhos, mas geralmente eles eram exclusivos para abastecer o mercado de locações e vendas diretas ao consumidor. Nesse cenário restrito, achar uma animação que não fosse americana era uma tarefa muito difícil e os adultos se divertiam com os produtos destinados as crianças, alguns, diga-se de passagem, estritamente feitos para esse público, mas os tempos mudaram. Hoje muitos exploram esse nicho e as premiações têm ajudado a divulgar os trabalhos dos artistas do mundo todo, permitindo inclusive o contato de um público maior com produções animadas destinadas a adultos. Algumas pegam pesado na linguagem, no visual e nas provocações, mas outros produtos do tipo preferem usar artifícios mais clássicos e poéticos e ainda assim conseguem chamar a atenção de crianças mais crescidinhas, apesar de o enfoque ser agradar na realidade a seus pais. Esse é o caso de As Bicicletas de Belleville, uma coprodução entre a França, o Canadá e a Bélgica que no mínimo podemos considerar atípica no cenário cinematográfico do século 21. Curiosa, criativa, brilhante, única, original, bizarra ou chata. São várias as interpretações que podem ser feitas desta obra dependendo do ponto de vista do espectador. Para os mais jovens e os apreciadores de filmes-pipoca a produção deve receber as críticas negativas, mas para os cinéfilos e público mais maduro ou intelectual os elogios são rasgados e provavelmente predominantes e merecidos ao trabalho do cineasta francês Sylvain Chomet. Estreando em longas-metragens quando chegava aos quarenta anos de idade, o animador já tinha vasta experiência na área de desenho e quadrinhos e colocou todos os seus conhecimentos em prática neste seu primeiro trabalho como diretor e o resultado é impressionante e talvez inédito até então. Os traços estranhos dos cenários e personagens que lembram a rascunhos criam um visual muito interessante e propositalmente caricatural, mas que infelizmente deve incomodar aos mais convencionais.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

CASA COMIGO?

Nota 6,5 Com trama um tanto previsível, longa prende atenção graças ao carisma dos protagonistas

Podem mudar o elenco, procurar diversificar os cenários, adicionar drama ou comédia dependendo da necessidade, mas a premissa básica de um açucarado romance é ter em cena um casal bonito e simpático que deve começar a história se odiando, mas que termine junto apaixonados. Tal premissa básica é intocável e Casa Comigo? não foge à regra, a começar pelo título que já deixa bem explícito que o final feliz está garantido. O roteiro de Deborah Kaplan e Harry Elfont, mesma dupla de O Melhor Amigo da Noiva, tem como protagonista Anna (Amy Adams), uma jovem metódica que ganha a vida como decoradora de apartamentos, atendendo principalmente noivos que estão prestes a oficializar seus matrimônios. Seu trabalho é transformar em realidade o sonho dos clientes, montando espaços belos e aconchegantes nos quais eles possam imaginar o quão maravilhosa pode ser a vida a dois. Contudo, ela própria pressente que seu casamento está longe de acontecer. Ela namora há um bom tempo Jeremy (Adam Scott), um requisitado jovem médico que involuntariamente (ou não) sempre a decepciona quando ela acredita que ele finalmente vai lhe pedir para subir ao altar. As cenas iniciais do casal deixam claro que a monotonia impera neste relacionamento. Mesmo assim, quando ele precisa viajar para participar de um congresso em Dublin, na Irlanda, a noiva ansiosa decide ir atrás para tirar proveito de uma tradição local: toda vez que o ano é bissexto são as mulheres que pedem a mão do companheiro no exato dia 29 de fevereiro. Chegando lá, a moça se enrosca com diversos imprevistos, a começar pelo mal tempo que a impede de seguir viagem de avião e precisa aceitar a carona de Declan (Matthew Goode), um sujeito boa pinta, mas um tanto truculento. Com um longo percurso de estrada pela frente, com direito a clássica cena da dondoca tentando espantar vaquinhas de seu caminho com gritinhos, sabemos bem o que vai acontecer. Anna e Declan vão trocar inúmeras farpas, ela reclamando do jeito grosseiro dele e este, por sua vez, implicando com o estilo patricinha da moça, mas sabemos que no final os opostos se atraem.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A FRAUDE (2005)

Nota 6,0 Suspense tem boas reviravoltas expostas em diálogos inteligentes em trama intrigante

Estamos tão acostumados com a cultura do imediatismo que facilmente podemos deixar de assistir a bons filmes simplesmente por eles não entregarem o ouro logo de cara e exigirem um pouco mais de atenção e paciência. Se prestarmos atenção, existem várias produções que já na introdução dizem a que vieram ou já deixam dicas para sabermos de antemão seus desfechos. Quando o enredo é mais inteligente e estruturado infelizmente são poucos que optam por assistir até o fim, principalmente se o início não é empolgante. A Fraude pode ser classificado como uma fita desse tipo. A narrativa é lenta e os primeiros minutos não têm diretamente algo a ver com o assunto principal do enredo, apresenta apenas a temática superficialmente. O diretor e roteirista Baltasar Kormakur preferiu conduzir seu trabalho sem pressa, delineando bem os personagens e procurando não deixar arestas em suas trajetórias, visto que nos minutos finais reviravoltas acontecem e é nesse ponto que muitos projetos ao menos razoáveis acabam naufragando. Não é o caso do filme em questão. O enredo nos apresenta à Abe Holt (Forest Whitaker), um experiente investigador de uma companhia de seguros que é enviado para a pequena cidade de North Hastings para averiguar o caso de um homem que morreu carbonizado após um acidente de carro. A única beneficiária do seguro de vida da vítima seria sua irmã Isold (Julia Stiles) que teria direito a uma apólice de um milhão de dólares. Apesar de tudo apontar ser verídico neste caso, alguma coisa inquieta Holt que está praticamente convicto de que está lidando com um episódio de falcatrua. Mesmo querendo desvendar a verdade, ele fica com receio em prejudicar Isold que tem um filho pequeno para criar, Thor (Alfred Harmsworth), e que aparentemente sofre violência doméstica do marido Fred (Jeremy Renner).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

TÁ TODO MUNDO LOUCO!

NOTA 9,0

Apostando em piadas
esdrúxulas e outras muito
inteligentes, longa resgata
humor típico dos anos 80
Whoopi Goldberg, Cuba Gooding Jr, John Cleese, o eterno Mister. Bean, o ator Rowan Atkinson, e mais um punhado de artistas que você não sabe o nome, mas tem certeza de que já os viu em diversas comédias. Imaginem todos eles juntos em um mesmo filme. Seria o circo dos horrores?  Para muitos sim, mas não há como negar que Tá Todo Mundo Louco! provoca boas gargalhadas. Assumidamente uma comédia do tipo besteirol, a julgar pelos créditos iniciais com o manjado truque de bonequinhos animados para apresentar o elenco, prestando bem atenção podemos encontrar piadas inteligentes jogadas em meio a amalucada narrativa sobre uma excêntrica gincana. Um grupo de bilionários liderados por Donald Sinclair (Cleese), que adora jogatinas e apostas, resolve inventar um novo jogo, uma espécie de reality show. Eles escolhem aleatoriamente algumas pessoas que se hospedaram em um hotel-cassino, como Owen (Gooding Jr.), Vera (Whoopi) e Enrico (Atkinson), e propõem a elas um caça ao tesouro. A vários quilômetros do hotel, no Novo México, está escondida uma grande quantia de dinheiro em uma estação do metrô e ela será dada a quem chegar ao local primeiro. Assim os escolhidos, junto com amigos ou familiares, partem em uma louca disputa, cada grupo seguindo um caminho diferente, mas enfrentando situações igualmente bizarras. Enquanto isso, os ricaços se divertem acompanhando o trajeto de cada um através dos chips que colocaram nas chaves que foram dadas aos participantes. A partir do sinal da largada, tudo pode acontecer e entram em cena todos os tipos de piadas. Escatológicas, surreais, inteligentes, sarcásticas e inocentes. Desde o duplo sentido da introdução mostrando um rapaz sendo cobrado em voz alta por ter pedido filmes adultos no hotel, deixando no ar se ele realmente os pediu ou era uma cobrança abusiva, até um personagem que de uma hora para a outro começa a dormir, a única certeza é que as pessoas de todas as idades irão se deparar com um farto cardápio de humor.  

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

NOTA 8,5

Busca pela mãe e o contato
com um mundo novo são
os temas de saga de um
personagem diferente
Existem cineastas que preferem seguir uma linha de trabalho metódica e evitam explorar diversos gêneros do cinema, mas alguns conseguem manter algumas características de sua filmografia independente de estar trabalhando com drama, humor ou suspense. O diretor Neil Jordan é um exemplo que se encaixa nessa definição. Dono de um currículo bem diversificado, suas obras tem em comum o apreço por personagens excêntricos ou marginalizados pela sociedade. Com essa fórmula conseguiu fazer fortuna com Entrevista Com o Vampiro, obra que tenta humanizar e dramatizar um pouco o cotidiano de um ser condenado ou presenteado com a vida eterna, e também ela é um dos alicerces de A Premonição, trabalho irregular do diretor que tenta explicar a mente e as atitudes de um psicopata usando o manjado truque dos problemas enraizados na infância. Embora ele tenha trabalhos muito famosos datados da década de 1980, sem dúvida seu ápice profissional foi na década seguinte com o lançamento de Traídos Pelo Desejo, um trabalho muito respeitado pela crítica e que trazia como um dos personagens principais um travesti. O homossexualismo é novamente a fonte de inspiração do cineasta em Café da Manhã em Plutão, projeto repleto de bons atores em pequenas participações e uma parte técnica e artística de primeira, porém, desta vez as premiações e críticos não foram muito generosos com o diretor. O filme praticamente passou em brancas nuvens em quase todo o mundo, mas merece um voto de confiança. Baseado em um livro de Patrick McCabe, aqui a figura escolhida para protagonizar a trama é um jovem travesti em busca de suas raízes durante a década de 1970, momento em que liberação e repressão se fundiam em um mundo conturbado, ou seja, um cenário não muito diferente do que o mundo é hoje. Em 1997, Jordan já havia adaptado outro livro do autor e conquistou o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim por Nó na Garganta.  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

AEON FLUX

NOTA 2,5

Baseado em série de animação
de pouca projeção, longa sobre
futuro realmente está há anos-luz
de empolgar o espectador
O gênero de ficção científica já gozou de muito prestígio décadas atrás quando as produções não só procuravam impactar o público com efeitos especiais gerados com o que havia de mais moderno em termos de tecnologia, mas também com enredos que serviam como alegoria ou faziam alusões ou críticas a temas contemporâneos à época. O tempo passou e a overdose de produções que vislumbravam como seria o futuro da humanidade acabou chegando a um nível de saturação muito grande, até porque se tornaram muito mais reféns dos efeitos visuais, e o gênero acabou se resumindo a algumas poucas produções capengas lançadas diretamente para abastecer locadoras, raramente sendo exibidas nos cinemas. Com a popularização dos jogos de vídeos games e dos seriados que se tornaram populares ao exibir visões apocalípticas do mundo futurista, a ficção científica renovou seu fôlego timidamente, o que não significa necessariamente algo bom. Se por um lado realimentou a esperança de um gênero fadado a extinção, as produções do tipo lançadas nos primeiros anos do século 21 são totalmente desnecessárias, salvo raras exceções. Um bom exemplo de tempo e dinheiro desperdiçado é Aeon Flux. Quem? Se você se fez essa indagação este é mais um motivo para afirmar que a diretora Karyn Kusama se dedicou a um trabalho insípido. O título desta aventura futurista é o mesmo nome de sua protagonista, uma heroína de pouca projeção de um modo geral, mas que de certa forma marcou a adolescência ou sua fase inicial de muito marmanjo. Exibida em meados dos anos 90 pela MTV (inclusive no Brasil), emissora que então começava a viver o ápice de sua popularidade, a série de animação feita para adultos criada por Peter Chung mostrava como estaria o Planeta Terra daqui a quatro séculos. A trama roteirizada por Phil Hay e Matt Manfredi para o filme segue a mesma premissa, porém, sua história é tão frágil e desinteressante que acaba perdendo espaço inquestionavelmente ao visual do longa, isso porque em termos técnicos a cineasta, em sua segunda experiência atrás das câmeras, só oferece o básico que se espera de uma produção de tal porte. Com tal comparação você já tem uma ideia do que te espera. Por ter dirigido um obscuro filme chamado Boa de Briga é que Karyn deve ter conseguido o passe livre para assumir a direção desta aventura que passou por inúmeros percalços em sua pré-produção. Se forem pancadarias milimetricamente coreografadas que a geração MTV quer é o que ela teria, pensaram certamente os produtores do canal que abraçaram o projeto em seu núcleo cinematográfico. O difícil é entender como Charlize Theron embarcou nessa, ainda mais sendo este o seu primeiro longa lançado após o Oscar por Monster – Desejo Assassino.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ZOHAN - O AGENTE BOM DE CORTE

NOTA 2,0

Adam Sandler se supera no
quesito mau gosto e é o
protagonista de comédia
apelativa e de pouca graça
Adam Sandler construiu sua carreira tendo como alicerce os projetos humorísticos. Já se arriscou no drama com o subestimado Reine Sobre Mim, mas foi com comédias simpáticas do tipo Como se Fosse a Primeira Vez e Click que ele projetou seu nome de vez. Infelizmente a cada bom projeto que aceita participar em contrapartida ele assume também um papel em uma produção de gosto duvidoso em seguida. Ele já estava em um bom patamar da carreira em 2008 e certamente não deviam lhe faltar convites para bons trabalhos, mas então o que o motivou a protagonizar o besteirol Zohan – O Agente Bom de Corte? A resposta só pode ser uma proposta milionária ou agenda vazia de compromissos na época. Só assim para explicar tamanha decadência. O ator faz o papel-título, um agente do alto comando militar israelense que teve suas férias na praia interrompidas pelo chamado de uma nova missão. Ele fica sabendo que Fantasma (John Turturro), um terrorista palestino que havia capturado há pouco tempo, conseguiu escapar mais uma vez e precisa ser encontrado o mais rápido possível. Porém, esse serviço tão importante não é o trabalho dos sonhos de Zohan. Na realidade ele deseja ser cabeleireiro e este novo confronto veio em boa hora para ele colocar um plano em prática: fingir sua própria morte e partir para Nova York, o local onde tudo acontece. Apesar de querer deixar para trás sua vida de guerras e batalhas, rapidamente ele descobre que não é tão fácil escapar das suas raízes. Até aí a história caminha de maneira aceitável e com as piadas grotescas já esperadas, mas as coisas mudam quando ele consegue um emprego em um salão de beleza. Algumas poucas piadas inteligentes e realmente engraçadas são diluídas no meio de uma avalanche de situações vexatórias que vem a seguir que exploram ao máximo o apelo sexual inserido forçosamente ao enredo.   

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN

NOTA 6,0

Demasiadamente longo e
com uma mistura irregular
de gêneros e referências,
esta obra divide opiniões
O tempo é o senhor da razão e para o cinema ele age da mesma forma. O que era um sucesso estrondoso quando lançado pode se tornar algo totalmente esquecível no futuro ou pode ocorrer o contrário, assim o que passou em brancas nuvens ou foi criticado negativamente pode se tornar o filme cult de amanhã. Para termos esses resultados podemos ser influenciados por inúmeros fatores como pouca experiência de vida para compreender um enredo, ser convencidos por críticas que lemos em jornais, revistas, internet ou que recebemos de amigos e parentes e até a adoração exagerada por algum artista ou diretor pode apontar qual caminho seguiremos na hora de formar uma opinião. O que é certo é que dificilmente em qualquer assunto em discussão é possível se chegar a um pensamento unânime, apenas é possível argumentar o máximo possível para defender uma idéia e deixar as outras pessoas tirarem suas próprias conclusões. Seguindo essa linha de pensamento podemos concluir que Tudo Acontece em Elizabethtown é um título excelente para suscitar discussões do tipo. Quando lançado não fez sucesso e foi malhado pela crítica, mas é comum passado alguns anos encontrar comentários na internet defensores a este trabalho do diretor Cameron Crowe, elogiado pela crítica e público por filmes como Jerry Maguire – A Grande Virada e Quase Famosos. Bem, nesta mistura de romance, drama e comédia que se desenrola em uma pequena cidade americana de caráter tradicional e interiorano é difícil entender como alguns apontam a obra como redondinha, jargão utilizado para denominar algo perfeito. Antes de qualquer coisa vamos à trama.  Drew Baylor (Orlando Bloom) está vivendo uma fase de inferno astral. Perdeu o emprego, foi abandonado pela namorada e está sem saber o que fazer da vida. Prestes a cometer suicídio ele recebe a notícia de que seu pai morreu o que o obriga a voltar à pequena Elizabethtown para o velório e assim confrontar memórias do passado de sua família e até mesmo conhecer parentes que não fazia a menor idéia que existiam. No caminho, mais especificamente dentro do avião, ele faz amizade com a aeromoça Claire (Kirsten Dunst), que pouco a pouco passa a se aproximar do jovem entre uma viagem e outra e tenta ajudá-lo a reorganizar sua vida. Resumidamente, essa é a sinopse e renderia um bom filme de uma hora e meia no máximo, mas o problema é que o desenrolar da trama ora é lento e ora é agitado, tem excesso de personagens secundários e uma duração de duas horas aproximadamente. O resultado é irregular e nem todo mundo deve se sentir satisfeito ao subir na tela os créditos finais. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

QUANDO EM ROMA

Nota 4,5 Diretor de filmes de ação experimenta o campo do romance, mas comete muitos erros

As comédias românticas cujo casal protagonista não é lá muito conhecido ou a introdução da história não é satisfatória fatalmente não empolgam o espectador que acredita estar assistindo a mais um daqueles filmes que causam risos não por seu conteúdo, mas sim por serem mal feitos. Bem, Quando em Roma não é maravilhoso, mas também não é o pior filme já feito. Ele está no mesmo patamar da maioria de seus colegas de gênero: regular, apenas um passatempo que não irá mudar sua vida e tampouco piorá-la. A história criada por David Diamond e David Weissman é protagonizada por Beth (Kristen Bell), uma jovem que trabalha no ramo das artes organizando exposições e é muito bem sucedida no que faz, porém, no amor ela é uma fracassada. Todos seus relacionamentos não dão certo e parece que sempre é ela o problema do casal. Sua sorte muda literalmente quando viaja para Roma para o casamento de sua irmã. Na festa ela conhece o jornalista Nick (Josh Duhamel), por quem se interessa e a recíproca parece verdadeira, mas em poucas horas seu encanto acaba ao flagrá-lo com outra mulher em atitudes suspeitas. Meio perturbada, ela entra em uma fonte de água em uma praça e começa a caçar as moedas que as pessoas jogam acreditando no folclore da fonte dos desejos. Voltando a Nova York, como num passe de mágica, ela começa a ser perseguida por vários homens que se declaram apaixonados, inclusive pelo próprio rapaz por quem se encantou no casamento. Esse repentino interesse de Nick era tudo o que ela mais queria, mas será que o jornalista estaria realmente apaixonado por Beth ou seria apenas o efeito da magia da fonte? Se for o caso, quanto tempo o feitiço duraria?

sábado, 20 de fevereiro de 2016

PRESENÇA DE ELLENA

Nota 6,0 Baseado em fatos reais, suspense feito para a TV perde fôlego pelo excesso de pistas

A mente humana é uma caixinha de surpresas e por isso não devemos nos surpreender com os mais estapafúrdios casos policiais envolvendo pessoas com distúrbios psicológicos. Dependendo dos motivos que levam uma pessoa a ter um comportamento criminoso podemos julgar uma bizarrice, mas por incrível que pareça casos semelhantes podem ser mais comuns do que imaginamos. Erotomaníacos é o nome dado as pessoas que passam a se comportar de forma diferenciada e erotizada após sofrerem alguma grande decepção ou trauma em relação ao sexo e então começam a perseguir algum objeto de desejo podendo chegar a atos extremos e perigosos, sendo um distúrbio mais comum em mulheres. Esse pode ser o problema da protagonista de Presença de Ellena, roteirizado por Matthew Tabak que se baseou em um artigo redigido por Marie Brenner inspirado em fatos reais. Ellena Roberts (Jenna Elfman) certo dia se encontrou por um acaso com o famoso médico David Stillman (Sam Robards) na porta de um aeroporto e aceitou uma carona. Após um jantar, eles passam a noite juntos. Os encontros começam a ficar cada vez mais constantes, mas o problema é que ele é um homem casado e não aceita abandonar sua esposa e família. Assim, Ellena começa a enviar cartas e a telefonar para a residência do amante e até mesmo passa a assumir a identidade de sua rival, Claire (Jane Wheeler), em algumas ocasiões para ter acesso ao médico. O caso vai parar nos tribunais sob a alegação de assédio e ameaças à integridade física e moral da família Stillman e a moça é defendida pela advogada Sara (Kate Burton), esta que se surpreende conforme vai se aprofundando no caso. Defendendo o médico está Sam (Mark Camacho), este que afirma que a história do romance entre Ellena e David não passa de uma fantasia psicótica da acusada. De que lado a verdade está?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MATILDA

NOTA 9,0

Produção infantil também
consegue agradar aos
adultos com trama com
boas lições e críticas
As crianças prodígios já foram temas de diversos filmes destinados a divertir toda a família, mas é uma pena que na maioria das vezes elas sejam retratadas de forma estereotipadas que acabam tornando-as chatinhas e pouco críveis. Foi preciso o olhar anárquico de Danny DeVito para ganharmos um novo e simpático modelo de menor super inteligente no cinema. Conhecido por suas atuações cômicas e geralmente secundárias, o baixinho com cara de palerma se dá muito bem atrás das câmeras unindo humor inocente ao negro e ainda adicionando em seus trabalhos generosas doses de sarcasmo e crítica à sociedade, embora as pessoas comumente se refiram apenas ao longa A Guerra dos Roses como um bom trabalho de direção do ator. É preciso dar um voto de confiança e reavaliar seu desempenho segurando as rédeas de Matilda, um verdadeiro clássico da "Sessão da Tarde" que diverte e traz ensinamentos para crianças e adultos.  A garota do título é interpretada com vigor e graciosidade pela talentosa Mara Wilson, literalmente uma criança prodígio. Desde muito novinha ela já atuava no cinema, tendo participado de filmes como Uma Babá Quase Perfeita e de uma refilmagem do clássico natalino Milagre na Rua 34, e era apontada como uma das grandes promessas de Hollywood, mas não foi o que aconteceu, embora ela ainda se dedique as artes dramáticas em projetos teatrais. Ela acabou virando um símbolo de nostalgia para muita gente e vivendo a menina esperta e com dons especiais desta produção infantil chegou ao ápice de sua carreira. Matilda é uma criança brilhante que ainda bebê já demonstrava uma inteligência acima da média, ainda mais considerando os pais que tem. Zinnia (Rhea Perlman) é uma deslumbrada dona de casa que só pensa em futilidades. Já seu pai Harry (DeVito) é um vendedor de carros que na realidade é um adepto dos trambiques para lucrar alguns trocados a mais. O casal é realmente perfeito. Combinam tanto nos hábitos rudimentares quanto na ignorância, características que também foram passadas ao primogênito. Com uma família dessas nem parece que Matilda faz parte do clã e é exatamente assim que ela se sente, passando a maior parte do tempo sozinha, ou melhor, na companhia dos livros. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

UM NOME NA LISTA

NOTA 6,0

Suspense se torna cansativo ao
enveredar pelo caminho da
conspiração política, mas ainda
assim 
entretém com qualidade
O cinema desde os seus primórdios apresenta histórias fascinantes ao público, todavia algumas de suas melhores tramas podem não estar na tela e sim em seus bastidores, ironicamente as vezes bem mais interessantes que os filmes em si. A metalinguagem é um recurso que costuma agradar os espectadores. O cinema falando sobre cinema é instigante, mas no caso de Um Nome na Lista a receita não deu certo. Fracasso nos EUA, o longa infelizmente chegou na surdina ao Brasil e certamente em tantos outros países, ainda que supostamente trate de um caso real envolvendo o famoso Orson Welles, o diretor do clássico Cidadão Kane. Quem? Pois é, talvez a monossilábica pergunta seja a resposta para o fracasso do longa do cineasta Oliver Parker, de O Marido Ideal. Embora se exalte que vivemos na era dos conectados, o que fica cada vez mais claro é que em meio a tanta informação o público quase não absorve conteúdo algum e tem muita gente que se diz cinéfila que sequer ouviu falar em Welles que aqui é personificado com vigor por Danny Huston, não por acaso um ator que cresceu entre os sets de filmagens (ele é filho do saudoso cineasta John Huston, pai da também atriz Anjelica Huston). A trama roteirizada pelo próprio Parker, baseada no romance de Davide Ferrario, se passa em 1948, época ruim na vida de Welles que sofria com baixa popularidade, havia se separado recentemente da atriz Rita Hayworth, outra figura lendária de Hollywood, e para sobreviver estava aceitando qualquer convite ligado ao meio cinematográfico, inclusive atuar em um filme B rodado em Roma, na Itália. “Memórias de um Mágico” era uma produção um tanto obscura, com roteiro e direção duvidosos, o que irritava Lea Padovani (Paz Vega), a estrela feminina do elenco, atriz um tanto temperamental que se estranha com Welles logo no primeiro encontro. Este por sua vez não se sentia muito a vontade protagonizando um projeto que não confiava nem um pouco e ainda sentia a pressão da imprensa local que só queria saber das fofocas a respeito de seu mal fadado casamento. Contudo, ele não podia imaginar o que iria acontecer durante as filmagens. Alessandro Dellere (Frano Lasic), um dos atores, acabou falecendo misteriosamente enquanto atuava e sua última palavra ele sussurrou ao pé do ouvido de Welles, mas o rapaz acabou omitindo esse detalhe da polícia que acredita que a morte foi ocasionada por overdose de drogas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

MELANCOLIA

NOTA 8,0

Polêmico cienasta acerta
ao abordar a extinção da
humanidade de forma
intimista e sem firulas
Pode ser intencional ou não, mas é um fato comprovado que o cineasta Lars Von Trier se beneficia da aura que sua filmografia carrega: reflexiva, polêmica e original. Ele tem seu público e consegue a cada novo lançamento se manter em evidência de alguma forma, sempre gerando certo burburinho que colabora para a campanha do filme. As vezes ele exagera com materiais excessivamente fortes e em outras derrapa com histórias que basicamente se apóiam em olhares e gestos que tomam o lugar dos diálogos. Seja como for, um projeto com a assinatura deste profissional, embora destinada a platéias seletas, certamente consegue com mais facilidade sair do papel e até chegar ao circuito de exibição simplesmente porque falam por si só. Não precisam de um título, elenco e tampouco sinopse definidos para que ganhem o aval de algum estúdio, basta o nome do cineasta atrelado. Ele é como um Midas do cinema alternativo. Tudo que toca vira ouro. Pode não reluzir seu brilho imediatamente, mas com o passar dos anos suas obras tornam-se cultuadas e chamam a atenção de cinéfilos, inclusive de jovens. Foi assim com Ondas do Destino, Dançando no Escuro e Dogville. O mesmo efeito deve se repetir com Melancolia, produção que chegou com muita expectativa aos cinemas graças ao marketing extra gerado pelas polêmicas que o diretor instaurou com algumas infelizes declarações sobre o nazismo que disparou durante o Festival de Cannes, evento que deu o prêmio de Melhor Atriz para Kirsten Dunst, atriz mais conhecida por papéis insossos em produções hollywoodianas ou, na melhor das hipóteses, lembrada como a namorada do Homem-Aranha. Ela é uma das protagonistas. A outra é Charlotte Gainsbourg, que já havia trabalhado com Trier no impactante Anticristo. Elas vivem irmãs, respectivamente Justine e Claire, e o filme se divide em dois atos, cada um enfocando uma delas e levando seus nomes. Apesar disso, a personagem de Kirsten tem uma participação ativa em ambas as sequências. Como de costume, o enredo é um tanto excêntrico e provocativo, porém, no conjunto a obra é irregular apesar de um fato ligar os dois episódios. Pode ser incômoda numa visão geral ou quando vista separadamente, mas a produção ao mesmo tempo possui elementos que seduzem os adeptos do cinema reflexivo, sendo possível até enxergar de forma linear tal narrativa. A interpretação do conteúdo de um filme, seja ele alternativo ou extremamente comercial, varia e dificilmente se chega a um parecer unânime, ainda mais quando se trata de um produto de um diretor que gosta de provocar e não mastigar as coisas. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O TERMINAL

NOTA 7,5

Tom Hanks carrega nas costas
produção inteligente e divertida
até sua metade, mas que ultrapassa
o tempo de paciência do espectador
Um aeroporto é um local por onde passam centenas de pessoas todos os dias, das mais diferentes culturas e países. Muitos acabam vivendo mais na ponte aérea do que em suas próprias casas e justamente pensando nisso o diretor Steven Spielberg se inspirou para fazer O Terminal, um trabalho atípico em seu currículo e, por mais incrível que pareça, baseado no caso real de um iraniano impedido de voltar ao seu país e que foi obrigado a viver por mais de quinze anos nas dependências de um aeroporto na França. O cineasta voltou a se unir a Tom Hanks, com quem já havia trabalhado em O Resgate do Soldado Ryan e Prenda-me Se For Capaz, para uma produção que deseja levar o público às lágrimas, mas escamoteia o roteiro com pitadas sutis e deliciosas de humor. Mesmo assim, é preciso advertir que o longa sofre com um ritmo inadequado e uma duração excessiva, dessa forma a primeira hora realmente entretém, é bem divertida e muito criativa, mas a segunda decepciona pela sua lentidão, excesso de drama e clichês e conclusões que deixam a desejar. O protagonista da trama é Viktor Navorski (Tom Hanks), um cidadão da Europa Oriental, mais especificamente da Krakozhia, que viaja rumo a Nova York justamente quando seu país sofre um golpe de estado, o que faz com que seu passaporte fique inválido. Ao chegar no aeroporto, ele não consegue autorização para entrar nos EUA, mas não compreende o porquê. Ele também fica impossibilitado de retornar à sua terra natal, já que as fronteiras foram fechadas após o golpe e o governo americano não reconhece a atual situação política do país em conflito. Conforme informado pelo oficial de segurança Frank Dixon (Stanley Tucci), Navorski não pode ser considerado um refugiado político e nem mesmo um turista, simplesmente ele é um homem sem pátria. Sem poder se instalar em solo americano e nem seguir viagem, ele é obrigado a ficar esperando a liberação de seu passaporte dentro das dependências do aeroporto e assim passa muitos dias e noites descobrindo o complexo mundo do terminal onde está preso. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AS DUAS FACES DA LEI

NOTA 4,0

Encontro de dois grandes
atores revela-se fraco e o
típico filme para preencher
as madrugadas da TV 
O sonho de qualquer diretor e até mesmo do público é ver grandes estrelas em cena e quando é possível reunir dois dos maiores nomes do cinema americano o entusiasmo é ainda maior. Al Pacino e Robert De Niro já dividiram os créditos de um mesmo filme em duas ocasiões, mas em ambas o encontro decepcionou. Não que as produções fossem ruins, pelo contrário, mas a decepção fica por conta de um embate que não aconteceu. Na década de 1970, em O Poderoso Chefão - Parte II, eles estavam dando ainda os primeiros passos na carreira, mas seus talentos para as artes dramáticas já eram notados. Infelizmente, não chegaram a fazer uma cena sequer juntos. Já em 1995 foi anunciado finalmente o grande encontro dos dois super astros em um longa de estilo policial, porém, foi uma propaganda enganosa. Vivendo antagonistas em Fogo Contra Fogo, fizeram apenas uma sequência em conjunto. Bem, enquanto se está vivo tudo pode acontecer e eis que surge o roteiro de As Duas Faces da Lei, a grande chance dos dois atores formarem uma dupla de verdade, daquelas que se tornam inesquecíveis. O resultado mais uma vez foi decepcionante e o vilão é a própria história. Nos outros casos citados, o problema também era a narrativa, mas é porque elas não abriram caminhos para o tal encontro. Já nesta terceira parceria, digamos assim, a coisa pega desde a concepção inicial do projeto. A história é razoável, mas não está a altura de seus protagonistas que mereciam algo bem melhor. Na época, eles já estavam há tempos em um patamar da carreira muito confortável e não precisavam aceitar qualquer tipo de convite. Apesar de ultimamente o currículo de ambos estar capenga, é bem provável que a idéia de finalmente dividirem quase todas as cenas de um filme os seduziu, mas o mesmo não ocorreu com os espectadores. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

AS PEDRAS DE FOGO

Nota 7,0 Típica aventura infanto-juvenil tem gostinho nostálgico, apesar dos efeitos moderninhos

O gênero fantasia sempre foi uma fonte rentável para o cinema e a infância e a adolescência de muita gente ficou marcada por produções do tipo como, por exemplo, A História Sem Fim. Forte lembrança da década de 1980, nos anos 2000 tal vertente voltou com força total com o respaldo da literatura, como é o caso das séries As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis entre outras. De olho no público que literalmente quer esquecer o mundo real e entrar em um imaginário quando decide ver um filme, fisgando inclusive boa parte da audiência adulta, o volume de produtos do tipo aumentou consideravelmente entre adaptações de livros e projetos originais. O problema é que nessa onda de pegar carona no sucesso dos outros muitos bons projetos não tiveram a chance de serem apresentados a uma grande faixa de público, sendo automaticamente rotulados como filmes do tipo caça-níquel, ou seja, produções B entregues em embalagens de luxo e da moda. Facilmente classificado desta maneira poderia ser a aventura As Pedras de Fogo pelo simples fato do longa não ter tido um amparo publicitário digno e nem ter passado pelo escurinho das salas de exibição no Brasil, mas engana-se quem o reduz a nada sem nem mesmo ter conhecimento de seu conteúdo, apenas julgando pelo seu anonimato involuntário. A trama criada por Matthew Grainger e Jonathan King, este último também assinando a obra como diretor, traz uma interessante premissa que coloca os irmãos gêmeos Rachel (Sophie McBride) e Theo (Tom Cameron) no centro das atenções. Após perderem a mãe em um acidente, eles vão passar uma temporada na casa dos tios, Klay (Micheala Rooney) e Cliff (Matthew Chamberlain), que fica localizada a beira de um lago que na verdade esconde uma cratera vulcânica. Mesmo vez ou outra ameaçados por algum tremor de terra, o que impressiona os adolescentes na realidade é um velho casarão que fica do outro lado da água cujos habitantes, os Wilberforces, são vistos com estranheza pelos vizinhos pelos seus atos introspectivos. Os jovens irmãos se sentem atraídos pela casa e certa noite decidem ir até lá para explorá-la e se surpreendem com o que descobrem.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O ZODÍACO

Nota 5,0 Bons ganchos são desperdiçados por narrativa limitada e que carece de tensão e clímax

Suspenses baseados em fatos reais costumam ter uma platéia cativa, ainda mais quando as histórias que os inspiraram são recentes ou tornaram-se célebres casos que desafiaram a inteligência da polícia e causaram pânico por anos. O Zodíaco é apenas uma das diversas produções que procuraram desvendar os mistérios que envolviam a mente sádica e o espírito corajoso de um famoso serial killer que assombrou a Califórnia por cerca de dez anos. A trama começa exatamente no dia 20 de dezembro de 1968 quando a pequena cidade de Vallejo foi surpreendida com um crime bárbaro que resultou na morte um jovem casal de namorados que para a polícia foram vítimas de um assaltante, mas para o detetive Matt Parish (Justin Chambers) o episódio não poderia ser explicado dessa maneira, afinal não havia indícios de que algo havia sido roubado ou ao menos tocado por mãos diferentes. A partir disso, este homem começa a ofercer todo o seu tempo para solucionar o caso, mas sua dedicação extrema acaba lhe trazendo problemas em casa, já que passa a dedicar pouca atenção para a esposa Laura (Robin Tunney) e ao filho Johnny (Rory Culkin), este que pouco a pouco também parece se interessar em decifrar o enigma do serial killer que se autodenomina Zodíaco que não por acaso só ataca nas datas que coincidem com a realização de uma teoria astronômica. Eis que seis meses depois do primeiro crime, um novo casal torna-se alvo, só que desta vez o criminoso foi ousado e logo após o ataque ele próprio ligou para a polícia dando a localização das vítimas e assumindo a autoria do crime, assim como sua responsabilidade nas mortes ocorridas no último mês de dezembro. O sadismo do Zodíaco não está apenas em matar jovens, mas também em desafiar a polícia, os jornais e até mesmo o FBI com cartas enigmáticas com mensagens cifradas e códigos que poderiam revelar pistas de seus próximos crimes e quem sabe até mesmo sua própria identidade. O que causa mais impacto é que as perícias dos crimes revelam que suas táticas de ataque e para fuzilamento seguem regras típicas de treinamentos para policiais, o que indica que ele poderia ter feito parte ou ainda estar infiltrado no grupo que o quer ver atrás das grades.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A CASA DE CERA

NOTA 9,0

Com cenografia perfeita e
um roteiro bem amarrado,
longa consegue disfarçar os
clichês e dar bons sustos
Um grupo de jovens vagando em um lugar isolado precisa correr contra o tempo para sobreviver aos ataques de um serial killer. Essa linha poderia resumir grande parte das produções de terror não só contemporâneas, mas também de várias décadas atrás. Porém, felizmente, sempre existe algum ser pensante que consegue dar uma cara nova a uma fórmula desgastada. O diretor espanhol Jaume Collet-Serra mostra-se seguro e cheio de boas idéias nesta sua estréia em Hollywood. Alguns anos depois ele se daria bem novamente comandando A Órfã. O segredo das obras do cineasta é o investimento em roteiro e ambientação, pontos geralmente esquecidos em filmes sobre assassinos em série que mais parecem feitos a toque de caixa. A trama realmente poderia ser resumida como a primeira linha deste texto, mas no caso o espectador não se depara com um monte de atrocidades logo de cara. Existe um longo prólogo para nos situarmos a respeito do grupo de jovens e termos subsídios suficientes para mais a frente sofrer ou se alegrar com suas mortes. Aqui também já é revelado um pouco do passado e da vida que leva o assassino da vez, coisa que geralmente só acontece nas conclusões, isso se ainda a produção tiver um mínimo de respeito com o público. Muitas fazem um show sanguinolento o filme todo para no final não haver revelação alguma, apenas o tradicional gancho para uma sequência. A história de A Casa de Cera traz algumas sutis diferenças em relação a outros projetos semelhantes como os protagonistas que não formam um casal de namorados. Carly (Elisha Cuthbert) e Nick (Chad Michael Murray) são irmãos e estão indo com os amigos acompanhar um jogo de futebol americano em uma região afastada. Durante a viagem, eles têm problemas com um dos carros e aceitam a ajuda de um estranho homem que os leva até Ambrose, uma pitoresca cidade que abriga um museu de cera. Ao invés de celebridades, o lugar possui estátuas que representam cidadãos comuns, obras perfeitas de um grande artista local. Porém, quem faz todas elas usa métodos de arrepiar para chegar a tal perfeição.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

SECRETARIAT - UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL

NOTA 6,5

Através da história do cavalo mais
veloz de todos os tempos, longa
 aborda a superação de uma mulher
em universo predominante masculino
Beisebol, tênis e futebol americano. Estes são alguns dos esportes prediletos do público norte-americano, mas pode ser acrescentado nesta lista o hipismo. Só assim para explicar a quantidade de filmes envolvendo o universo das corridas de cavalos já lançados. Para muitos esse tipo de produção é coisa do passado, mas certamente há nicho de público para a temática. Vira e mexe algum novo título surge, alguns até apadrinhados pela crítica como Seabiscuit - Alma de Herói e Cavalo de Guerra, indicados respectivamente a sete e seis Oscars. Fato é que a maioria das fitas do tipo são lançadas com pouco marketing ou diretamente para consumo doméstico, caso de Sonhadora, Flicka e Alma de Campeão. O destino destas obras denunciam que um roteiro esquemático, batido e lacrimejante não atrai muito a atenção do público para assisti-los nos cinemas, porém, para curti-los no aconchego do lar e em família elas se tornam excelentes opções. Por ironia, em geral, o grande problema destes enredos também se torna seu maior triunfo. As histórias de bichinhos cativantes que não falam uma palavra sequer precisam de algum artifício a mais para chamar a atenção. Geralmente a opção é pelo drama edificante que agrada aos mais velhos e ainda serve para passar algumas boas lições a respeito de amor e solidariedade aos jovens. Melhor ainda se o argumento for baseado em fatos reais e é nesse viés que segue a trama de Secretariat - Uma História Impossível. A personagem-título é uma égua que permanece no posto do equino mais veloz do mundo mesmo muitos anos após sua morte, contudo, ela não é a verdadeira protagonista dessa produção. Na verdade o foco é na história de superação de Penny Chenery (Diane Lane). Em meados da década de 1970, quando sua mãe veio a falecer e seu pai Chris (Scott Glenn - desperdiçado, quase sem falas) adoece, a então dona-de-casa decide que é hora de assumir os negócios da família mesmo nunca tendo muito contato com os assuntos referentes a fazenda onde nasceu e foi criada. O local já rendera muito dinheiro e garantia o sustento do clã, mas suas terras não eram mais férteis e manter o estábulo gerava mais gastos que lucros.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SPLICE - A NOVA ESPÉCIE

NOTA 8,0

Com todo jeitão de filme B,
produção consegue ser
intrigante graças a uma
bizarra relação
O gênero ficção científica já teve seus tempos de glória. O contato com seres de outros planetas, as naves espaciais ou criaturas geradas através de experiências genéticas outrora causavam impacto, mas ainda hoje existem aqueles aficionados por tais temas. Deve ser por isso que vez ou outra uma produção do tipo é feita, porém, a maioria lançada diretamente para locadoras e venda ao consumidor. A categoria acabou ganhando características de filme B e causam geralmente mais risos do que espanto ou qualquer coisa do tipo. Neste cenário Splice - A Nova Espécie surpreende, até por ter sido exibido em cinemas, embora rapidamente. Apesar de ser mais um trabalho baseado no velho clichê do monstro se voltando contra seu criador, ele ganha pontos ao não se transformar em um nojento filme de terror ou de pura carnificina. A história envolve a nova experiência de um casal de cientistas, Clive Nicoli (Adrien Brody) e Elsa Kast (Sarah Polley), ambos muito famosos no meio científico por investirem nas pesquisas a respeito da combinação do DNA de diversos animais que resultam em criaturas bizarras. Agora eles querem ir além e revolucionar a ciência combinando o código genético de bichos com o de seres humanos, porém, seus financiadores vetam a idéia, apesar de seu intuito ser para estudos sobre novos medicamentos para graves doenças. Mesmo assim eles levam o projeto adiante em segredo e assim nasce Dren (Delphine Chanéac), um ser humanóide com fortes características de um réptil cujo ciclo de vida é extremamente rápido e a fase adulta é atingida em questão de meses, mas não se pode prever quanto tempo poderá se manter viva. Seus criadores tentam escondê-la no laboratório para estudar seu comportamento e evolução, mas logo precisam transferi-la para um lugar mais seguro, assim Dren passa a ter contato com um mundo novo que desperta nela sentimentos e reações diversas e inesperadas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

72 HORAS

NOTA 7,5

Paul Haggis, diretor e roteirista
premiado, faz sua estreia em um
filme legitimamente comercial
reciclando velhos clichês
Tudo que é demais uma hora enjoa. Filmes que misturam ação e suspense hoje em dia dificilmente surpreendem ou podem ser classificados como excelentes. A reciclagem de temas e até a estagnação de certos atores repetindo papéis nestes gêneros levaram as produções desses estilos para o limbo. Felizmente, vez ou outra surge algum nome em potencial para dar uma sacudida nesse cenário e quem sabe trazer de volta os bons tempos em que perseguições e tiroteios rendiam boas bilheterias e elogios e não eram apenas um amontoado de cenas de ações sem propósitos definidos. Um nome quente para o restabelecimento da saúde deste campo é o de Paul Haggis que tem visto sua carreira ascender de forma meteórica depois de se envolver em projetos sérios e premiados, como Crash - No Limite e No Vale das Sombras. Seja como roteirista, diretor ou ainda acumulando as duas funções, este profissional decidiu se aventurar em algo no melhor estilo hollywoodiano: um filme que entretém, com um enredo interessante, um ator de peso encabeçando o elenco e no fim um produto que provavelmente será esquecido algum tempo depois. Assim é 72 Horas, um thriller de ação cuja trama recorre ao recurso da perseguição de inocentes para tanto. E o resultado neste caso é até acima da média. O enredo gira em torno de um homem comum que se mete a cometer verdadeiras loucuras para fazer justiça com as próprias mãos, ou melhor, com o próprio cérebro, já que seus planos são um tanto mirabolantes. O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida perfeita até que sua esposa Lara (Elizabeth Banks) foi presa acusada de um crime que alega não ter cometido. Após três anos de vários recursos negados pela justiça, a mulher acaba se tornando uma pessoa suicida por não suportar a distância de seu filho que está crescendo longe dela. Brennan percebe que só há uma saída: elaborar um plano de fuga meticuloso para tirá-la da prisão correndo todos os riscos. Ele recorre ao que pode para aprender, por exemplo, a arrombar carros e abrir fechaduras e consegue conversar com o ex-prisioneiro Damon Pennington (Liam Neeson) que escapou inúmeras vezes da carceragem e lhe dá dicas do que vai ter de enfrentar. É um caminho sem volta e é preciso estar disposto a tudo, inclusive a matar. Agora, Brennan e Lara terão apenas 72 horas para fugir e tentar ir o mais longe possível levando com eles o filho.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

SUPER 8

NOTA 8,5

Aventura resgata a inocência e
a diversão típicas das produções
dos anos 80 unindo nostalgia e
originalidade para novas gerações
Hoje quando rotulamos um filme como do tipo sessão da tarde é preciso lembrar que estamos fazendo uma alusão e um elogio ao que já foi um dia a sessão vespertina homônima há décadas exibida pela Rede Globo cujo estilo foi copiado por outras emissoras, até mesmo fechadas. Os títulos segregados como recomendáveis para toda a família atualmente são desenhos, produções Disney, romances água-com-açúcar e comédias com animais falantes, mas onde estão as aventuras clássicas dos anos 80 ou similares? Steven Spielberg era um nome que geralmente estava atrelado a tais produções, seja na direção, roteiro ou produção e seus trabalhos marcaram gerações, mas infelizmente os mais novinhos não tiveram a oportunidade de conhecê-los no calor do momento. Atualmente, só mesmo nostálgicos para perderem alguns preciosos minutos do seu tempo para viverem ou reviverem tais emoções, mas seria muito injusto que a criançada e os adolescentes dos primeiros anos do século 21 crescessem sem experimentarem a sensação de acompanharem uma deliciosa aventura a moda antiga. Em tempos em que a nostalgia está em alta e as refilmagens pipocam aos montes, Super 8 é um produto extremamente bem-vindo e uma forma original de se homenagear o passado que de quebra ainda pode trazer a tona o gostinho de uma legítima sessão da tarde. Esta aventura fantasiosa desde o título deixa em evidência seus objetivos, uma referência a um antigo modelo de câmera e que muitos cineastas hoje renomados usavam na infância e adolescência para fazerem seus próprios filmes, um indício do que seriam no futuro, como é o caso de Spielberg e de J. J. Abrams, respectivamente produtor e diretor da aventura em questão. Aliás, esta obra é cheia de homenagens ao homem que concebeu E.T. – O Extraterrestre e tantos outros sucessos infanto-juvenis, o que confere um atrativo a mais para chamar a atenção dos adultos que certamente vão curtir reconhecer as referências e influências de outros títulos. As lembranças de um passado cinematográfico ainda vivo na memória de muito marmanjo podem não surtir o mesmo efeito nas novas gerações que provavelmente não conhecem algumas das obras homenageadas, mas nada que impeça a diversão. Porém, é preciso ressaltar que a aventura não tem o ritmo frenético das produções atuais. Existe ação, mas tudo segue uma linha diferenciada de narrativa, o que pode impactar negativamente alguns espectadores mais jovens. Bem, um respiro de vez em quando não faz mal a ninguém e ninguém deve ficar se sentindo um peixe fora d’água, muito pelo contrário. Como a maior parte das produções, há alguns furos no roteiro que não comprometem a trama e o sentimentalismo impresso no final deve gerar algumas reclamações, mas já que a obra é uma homenagem ao estilo "spielberguiano", certa dose de emoção no final não poderia faltar.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

GEORGE, O REI DA FLORESTA 2

Nota 4,5 Mesmo com mudança do ator principal, comédia consegue alcançar seus rasos objetivos

É natural que qualquer sequência gerada mesmo que de um sucesso desperte desconfianças quanto as qualidades e o nível de diversão oferecidos por ela em relação ao original. O pé atrás é ainda maior caso essa segunda parte seja lançada diretamente em home vídeo e seu protagonista seja trocado. George, O Rei da Floresta 2 sofre com todos os preconceitos possíveis que acabam por rotular automaticamente uma continuação como um autêntico caça-níquel, mas há exceções. Este trabalho do diretor David Grossman consegue fugir deste estigma e ser tão bom quanto o original, guardadas as devidas proporções e obviamente levando em consideração o público-alvo a quem a fita se destina. A trama acontece após cinco anos que Ursula (Julie Benz) se uniu a George (Christopher Showerman). Eles já têm um filho, o pequeno George Jr. (Angus T. Jones), e isso obriga o Rei da Floresta a dividir o seu tempo entre as obrigações com a família e os problemas dos animais que habitam sua vizinhança, mas mesmo assim o herói paspalhão vive feliz. Quer dizer, isso até que sua sogra, a maldosa Beatrice Stanphoe (Christina Pickles), aparece para fazer a cabeça de sua filha para que ela e o neto passem a morar em São Francisco rodeados do bom e do melhor (e também do pior) que a civilização pode oferecer.  Ela também quer tomar conta das terras de George e para tanto precisa roubar um documento que está com o rapaz. Na cidade grande, seus planos maquiavélicos ganham um importante aliado: Lyle (Thomas Haden Church), o ex-noivo de Ursula que está disposto a tudo para recuperar sua amada, também fazendo a cabeça dela para ela abandonar o marido e a selva.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

GEORGE, O REI DA FLORESTA

Nota 6,0 Variação do personagem Tarzan consegue prender atenção em comédia previsível

O lendário personagem Tarzan, criação original de Edgar Burroughs, já foi protagonista de muitas aventuras no cinema e na televisão, mas também serviu de inspiração a outros tantos tipos de humanos que acabaram sendo criados em meio a selva por animais considerados selvagens. George, O Rei da Floresta é um deles. O longa é baseado nas aventuras dos personagens criados por Jay Ward para um seriado de animação para a TV datado dos anos 60. O tom de homenagem começa logo pela introdução que explica as origens do protagonista através de um desenho animado, além da narração em off que pontua a narrativa colaborar para a sensação de nostalgia. No coração da selva africana, um bebê é criado por um grupo de gorilas, tornando-se um rapaz forte e valente, porém, muito desastrado e inocente.  Ele é George (Brendan Fraser), conhecido também como o Rei da Floresta. Um dia, aparece em seu território Ursula Stanhope (Leslie Mann), uma jovem que vai explorar a selva africana. Logo seu noivo Lyle Van de Groot (Thomas Haden Church) decide ir à África para encontrá-la e conta a todos da expedição a lenda do "macaco branco", o que alimenta a cobiça dos caçadores Max (Greg Crutwell) e Thor (Abraham Benrubi). Eis que num momento de perigo, o tal macaco surge para salvar Ursula e a leva para sua casa e se apaixona na hora. Enquanto os dois começam a se aproximar, o medroso Lyle planeja resgatar sua noiva e capturar George para levá-lo à São Francisco com má intenções. Pela cartilha das sessões da tarde, um rapaz totalmente selvagem e sem cultura em uma cidade grande e moderna só pode significar uma coisa: confusão à vista!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (2005)

NOTA 9,0

Refilmagem de clássico infantil
respeita a premissa original, mas
adiciona cores, ritmo e espertas
críticas aos perfis das crianças
Um mundo a parte muito colorido, onde há bastante diversão, novidades a cada canto que se olhe e o melhor é que praticamente tudo é comestível e bem docinho. Para completar, o anfitrião é uma figura excêntrica que usa roupas extravagantes e parece não querer crescer. Se fosse algumas décadas atrás essa descrição caberia perfeitamente para a propaganda de um programa da Xuxa. Também não estamos falando do mundo encantado em que o clássico personagem Peter Pan vive. Esse é o cenário com o qual o ator Gene Wilder conquistou milhões de crianças no mundo todo na década de 1970 sob a batuta de Mel Stuart. Como infelizmente a memória do público é curta, mas seu preconceito com filmes antigos é grande, o jeito para apresentar este citado mundo paralelo a novas gerações seria uma refilmagem, motivo que geralmente causa arrepios a cinéfilos mais tradicionalistas, mas atiça a curiosidade de platéias mais jovens, principalmente quando existem efeitos especiais em jogo. A ideia ganhou cores mais fortes e chamativas, além de trucagens visuais benéficas para a história e uma trama com mais elementos bizarros saídos diretamente da mente insana do diretor Tim Burton comandando novamente Johnny Depp, o seu ator predileto. A refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate, baseado no livro homônimo do britânico Road Dahl, é uma deliciosa aventura com boas doses de humor que uniu mais uma vez dois dos maiores nomes do cinema dos últimos tempos, aliás, podem chiar a vontade os mais tradicionalistas, mas é inegável que a produção cai como uma luva ao estilo cinematográfico cultuado pela dupla. Curiosamente, mesmo com uma legião de fãs do original e muitos outros fanáticos pelos trabalhos do cineasta e do protagonista, a readaptação de um clássico setentista para a era moderna não agradou completamente. Fez muito dinheiro, mas em contrapartida somou uma grande quantidade críticas negativas e provavelmente não esperadas e tal proporção. Todavia, a premissa da obra original foi respeitada. A história readaptada pelo escritor John August, que já assinou os roteiros de outros trabalhos do cineasta, nos apresenta à Willy Wonka (Depp), o estranho dono de uma fábrica de doces que há anos decidiu se esconder do mundo devido a problemas de seu passado, mas, principalmente, porque percebeu que suas receitas secretas e mágicas estavam sendo roubadas e produzidas por empresas concorrentes. De repente, de uma hora para a outra, ele decide realizar um concurso para levar cinco crianças com um acompanhante cada para conhecer o interior de seu mundo doce e de sonhos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ESCOLA DE IDIOTAS

NOTA 5,5

Apesar do título, longa tem um
bom argumento e narrativa
crítica até certo ponto,  mas na
reta final entrega-se aos clichês
Um título deveria teoricamente deixar claro qual a proposta de um filme, mas existem casos em que ele pode expressar mais de uma ideia, podendo colaborar ou atrapalhar a venda de um produto. Um bom exemplo é Escola de Idiotas que logo de cara deve passar a impressão de ser uma comédia típica para adolescentes, ou seja, recheada de baixarias, palavrões e escatologia, conceito reforçado quando tomamos conhecimento do elenco com um enganoso destaque para o nome de Ben Stiller que faz uma rápida participação no longa. Bem, quem espera realmente uma diversão que aposte em trash comedy (o que há de pior em termos de humor), deve se decepcionar, mas para quem não espera muito desta produção pode se surpreender levemente ao perceber que por trás do verniz de bobagens gratuitas existe uma mensagem bacana a ser levada ao público, interessando principalmente àqueles que se sentem um zero à esquerda. A sequência inicial é exagerada, mas certamente fisga a atenção dos espectadores, pois acerta em um ponto-chave: quem nunca se sentiu um completo idiota ao menos uma vez na vida? O problema é que para o jovem Roger (Jon Heder) tal sensação é contínua e já dura muitos anos. Ansioso e com baixa autoestima, ele não só é um fracassado na vida pessoal, morrendo de medo de dar um primeiro passo para começar um relacionamento amoroso com a vizinha Amanda (Jacinda Barrett), como também não se dá bem no campo profissional, chegando a perder até seu uniforme de guarda de trânsito para uma dupla de criminosos gaiatos. Sua chance de mudar de vida pode ser um curso diferente de tudo o que ele já ouviu falar. Ele e uma penca de outros fracassados numa tentativa desesperada se submetem aos ensinamentos nada didáticos do grosseirão e sarcástico Dr. P (Billy Bob Thornton) que promete transformá-los em verdadeiros vencedores, porém, ele é um tremendo picareta que na verdade provoca seus alunos até a última gota de paciência. Contudo, esse tratamento de choque ministrado com a ajuda do fiel ajudante do professor, o grandalhão Lesher (Michael Clarke Duncan), tem fundamentos e o objetivo de mostrar que uma pessoa só pode ser feliz se sair do lugar e lutar pelo que deseja, mas é óbvio que nem todos se saem bem no curso. Um detalhe é que somente homens existem matriculados, talvez uma constatação da máxima que diz que as mulheres são o sexo forte.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

DRIVE

NOTA 8,0

Longa dá uma reciclada no
gênero thriller com novas
dinâmica e narrativa, incluindo
um protagonista enigmático
Infelizmente hoje em dia muita gente leva em consideração os efeitos especiais e sonoros na hora de escolher um filme, o que dá certa vantagem para as produções de ação e a possibilidade de retornar aos holofotes brucutus característicos dos anos 80 como Sylvester Stallone, e não é mais nem preciso ir ao cinema para curtir imagens e sons inacreditáveis. Para os amantes de produtos desse tipo certamente um enredo que fala sobre um sujeito esquisitão que leva uma vida dupla se dividindo entre o trabalho como dublê em filmes e uns bicos para o mundo da máfia deve soar como adrenalina pura ainda mais quando nos deparamos com o titulo, Drive, assim mesmo sem traduções literais ou estapafúrdias para o português. Porém, basta acompanhar a introdução para que muitos comecem a chiar. Ryan Gosling vive o protagonista cujo nome nunca é revelado, simplesmente ele é o motorista. Logo no início ele está prestando serviços para uma dupla de ladrões que está em fuga após um assalto. A perseguição clássica de mocinhos aos bandidos está em cena, mas esqueça de qualquer barulho ensurdecedor, capotagens e frases idiotas ou manjadas trocadas entre as partes envolvidas. O recado está dado. Apesar do estilo ação hollywoodiana se fazer presente, aqui o conteúdo prevalece sobre o tiroteio e o corre-corre e deve causar estranheza a longa apresentação dos créditos iniciais ao som de uma música melosa e nostálgica em substituição as tão tradicionais batidas do rock, hip hop ou som eletrônico pesado. Quem vencer nos primeiros minutos a resistência quanto a esta estética visual e sonora diferenciada, parabéns! Certamente estará pronto para acompanhar uma trama que dá certa reciclada no gênero ação, mas que infelizmente em seus últimos atos volta a investir em velhos clichês, mas sem deixar a narrativa ficar tediosa. Baseado no livro homônimo de James Sallis, o roteiro de Hossein Amini, do drama de época Asas do Amor, acompanha o cotidiano de um motorista que trabalha como mecânico e dublê em produções de ação de Hollywood, mas nas horas vagas faz alguns servicinhos sujos. Sempre muito calado e sem esboçar sorrisos, o rapaz estranhamente acaba desenvolvendo uma amizade com Irene (Carey Mulligan), sua vizinha que tem um filho pequeno. Eles passam a conviver cada vez mais próximos como se formassem uma família, mas não demora para que Standard (Oscar Isaac), o marido da moça, saia da prisão e queira retomar seu lugar de chefe do clã, todavia ele ainda tem dívidas a serem acertadas com outros prisioneiros. Vendo a situação difícil dos vizinhos, o motorista convence Standard a realizar um último assalto, mas o golpe dá errado e agora todos eles correm risco de vida.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CIDADE DO SILÊNCIO

NOTA 8,0

Drama denuncia a exploração do
trabalho e os perigos que rondam
cidade que prefere abafar polêmicas
em nome de interesses financeiros
Embora hoje muitos tenham acesso a tecnologia de ponta, o que indicaria bons níveis econômicos e culturais, e a mídia venda a ideia que o mundo tecnológico abrange as pessoas em níveis semelhantes em todos os países, é extremamente necessário vez ou outra pararmos para pensar que enquanto você e seus amigos se divertem com tablets, iphones e tantas outras bugigangas moderninhas ainda existem milhares de pessoas espalhadas por aí que vivem em condições precárias e nem mesmo podem ter um aparelho de TV. O pior de tudo é constatar que são justamente estas pessoas a margem da sociedade ideal que trabalham na fabricação dos bens de consumo que a elite consome. É fato que poucos hoje em dia acreditam em contos da carochinha, mas ainda assim há muitos poderosos querendo fazer fortunas jogando para debaixo do tapete as sujeiras que envolvem o mundo dos negócios e explorando a mão-de-obra de grupos menos favorecidos intelectualmente e em termos financeiros. É em torno desse jogo de interesses desprovido de direitos básicos aos seres humanos que gira a trama de Cidade do Silêncio, um providencial filme-denúncia que embora tenha tido como primeira vitrine o Festival de Berlim e seja protagonizado por Jennifer Lopez e Antonio Banderas, chegou ao Brasil diretamente para locação e não causou barulho, o que é até curioso visto que, guardadas as devidas proporções, o tema principal bate de frente com situações contraditórias e vexatórias que encontramos no nosso país, escândalos que envolvem até mesmo marcas renomadas que exploram trabalhadores brasileiros e também de outros países que tentam a sorte por aqui. O filme roteirizado e dirigido por Gregory Nava escancara alguns dos podres que existem por trás do chamado Tratado de Livre Comércio. Baseado em fatos reais, ou melhor, sintetizando em uma mesma história centenas de casos semelhantes, o longa revela que o famoso acordo que permite que empresas do mundo inteiro montem fábricas na região de fronteira entre o México e os EUA não é tão próspero quanto parece ser. A cidade de Juarez tem sua economia praticamente toda baseada nos lucros obtidos de empresas fabricantes de equipamentos eletrônicos para exportação. Além da isenção de impostos, os empresários têm como chamariz o fato da mão-de-obra- ser muito barata, basicamente composta por mulheres latinas, muitas delas adolescentes que chegam a deixar suas famílias em outros países para conseguirem um emprego que lhes ofereça algum tipo de estabilidade financeira.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

STELLA (2008)

NOTA 8,0

Drama tem enredo de fácil
identificação e prova que o
incentivo à cultura e o convívio
social podem sim mudar vidas
A integração, a motivação, conceitos de disciplina, lições de respeito, entre tantas outras coisas, são alguns dos benefícios que o esporte proporciona a uma criança ou a um adolescente e ajuda a torná-lo um adulto vencedor e exemplo de vida. Isso o cinema já mostrou em inúmeras oportunidades, mas as vezes o foco é no argumento das artes e das amizades como instrumentos de incentivo para despertar potenciais e colocar nos eixos rotinas desordenadas ou tristes. Geralmente só enxergamos isso em produções cujos protagonistas são pessoas indiscutivelmente de classe baixas e a mercê das drogas e de todo tipo de violência, mas ainda bem que existem variações como o longa francês Stella. A talentosa Léora Barbara dá vida com extrema naturalidade à garota do título, uma francesinha de 11 anos de idade que não tem uma existência paupérrima, pelo contrário, aos olhares mais desatentos até  pode ser considerada uma criança privilegiada, mas na realidade vive na periferia de Paris e sem grande expectativas de um futuro melhor. Estamos no final da década de 1970, época de intensa movimentação no mundo todo com importantes quebras de tabus, rebuliços políticos e cultura disseminada. A garota mora com seus pais, Roselyne (Karole Rocher) e Serge (Benjamin Biolay), em um edifício decadente que fica em cima do bar da família frequentado por marginais, viciados e prostitutas, assim ela cresceu em um ambiente que lhe proporcionou aprender certas malandragens e a tocar a vida de acordo com a forma que a banda toca. Dá mesma maneira ela encara os estudos, sendo extremamente desatenta nas aulas e tirando as piores notas possíveis na escola que a admitiu. A garota sente que sua origem humilde é alvo de humilhações por parte de professores e alunos da instituição de nível acima da média para seus padrões de vida, o que lhe desperta certos instintos de rebeldia. Sua mãe finge não se importar com a situação da única filha, mas insiste na ideia de que se ela não estudar seu destino será atender clientes no bar.

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