domingo, 28 de fevereiro de 2016

CASA COMIGO?

Nota 6,5 Com trama um tanto previsível, longa prende atenção graças ao carisma dos protagonistas

Podem mudar o elenco, procurar diversificar os cenários, adicionar drama ou comédia dependendo da necessidade, mas a premissa básica de um açucarado romance é ter em cena um casal bonito e simpático que deve começar a história se odiando, mas que termine junto apaixonados. Tal premissa básica é intocável e Casa Comigo? não foge à regra, a começar pelo título que já deixa bem explícito que o final feliz está garantido. O roteiro de Deborah Kaplan e Harry Elfont, mesma dupla de O Melhor Amigo da Noiva, tem como protagonista Anna (Amy Adams), uma jovem metódica que ganha a vida como decoradora de apartamentos, atendendo principalmente noivos que estão prestes a oficializar seus matrimônios. Seu trabalho é transformar em realidade o sonho dos clientes, montando espaços belos e aconchegantes nos quais eles possam imaginar o quão maravilhosa pode ser a vida a dois. Contudo, ela própria pressente que seu casamento está longe de acontecer. Ela namora há um bom tempo Jeremy (Adam Scott), um requisitado jovem médico que involuntariamente (ou não) sempre a decepciona quando ela acredita que ele finalmente vai lhe pedir para subir ao altar. As cenas iniciais do casal deixam claro que a monotonia impera neste relacionamento. Mesmo assim, quando ele precisa viajar para participar de um congresso em Dublin, na Irlanda, a noiva ansiosa decide ir atrás para tirar proveito de uma tradição local: toda vez que o ano é bissexto são as mulheres que pedem a mão do companheiro no exato dia 29 de fevereiro. Chegando lá, a moça se enrosca com diversos imprevistos, a começar pelo mal tempo que a impede de seguir viagem de avião e precisa aceitar a carona de Declan (Matthew Goode), um sujeito boa pinta, mas um tanto truculento. Com um longo percurso de estrada pela frente, com direito a clássica cena da dondoca tentando espantar vaquinhas de seu caminho com gritinhos, sabemos bem o que vai acontecer. Anna e Declan vão trocar inúmeras farpas, ela reclamando do jeito grosseiro dele e este, por sua vez, implicando com o estilo patricinha da moça, mas sabemos que no final os opostos se atraem.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A FRAUDE (2005)

Nota 6,0 Suspense tem boas reviravoltas expostas em diálogos inteligentes em trama intrigante

Estamos tão acostumados com a cultura do imediatismo que facilmente podemos deixar de assistir a bons filmes simplesmente por eles não entregarem o ouro logo de cara e exigirem um pouco mais de atenção e paciência. Se prestarmos atenção, existem várias produções que já na introdução dizem a que vieram ou já deixam dicas para sabermos de antemão seus desfechos. Quando o enredo é mais inteligente e estruturado infelizmente são poucos que optam por assistir até o fim, principalmente se o início não é empolgante. A Fraude pode ser classificado como uma fita desse tipo. A narrativa é lenta e os primeiros minutos não têm diretamente algo a ver com o assunto principal do enredo, apresenta apenas a temática superficialmente. O diretor e roteirista Baltasar Kormakur preferiu conduzir seu trabalho sem pressa, delineando bem os personagens e procurando não deixar arestas em suas trajetórias, visto que nos minutos finais reviravoltas acontecem e é nesse ponto que muitos projetos ao menos razoáveis acabam naufragando. Não é o caso do filme em questão. O enredo nos apresenta à Abe Holt (Forest Whitaker), um experiente investigador de uma companhia de seguros que é enviado para a pequena cidade de North Hastings para averiguar o caso de um homem que morreu carbonizado após um acidente de carro. A única beneficiária do seguro de vida da vítima seria sua irmã Isold (Julia Stiles) que teria direito a uma apólice de um milhão de dólares. Apesar de tudo apontar ser verídico neste caso, alguma coisa inquieta Holt que está praticamente convicto de que está lidando com um episódio de falcatrua. Mesmo querendo desvendar a verdade, ele fica com receio em prejudicar Isold que tem um filho pequeno para criar, Thor (Alfred Harmsworth), e que aparentemente sofre violência doméstica do marido Fred (Jeremy Renner).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

STELLA (2008)

NOTA 8,0

Drama tem enredo de fácil
identificação e prova que o
incentivo à cultura e o convívio
social podem sim mudar vidas
A integração, a motivação, conceitos de disciplina, lições de respeito, entre tantas outras coisas, são alguns dos benefícios que o esporte proporciona a uma criança ou a um adolescente e ajuda a torná-lo um adulto vencedor e exemplo de vida. Isso o cinema já mostrou em inúmeras oportunidades, mas as vezes o foco é no argumento das artes e das amizades como instrumentos de incentivo para despertar potenciais e colocar nos eixos rotinas desordenadas ou tristes. Geralmente só enxergamos isso em produções cujos protagonistas são pessoas indiscutivelmente de classe baixas e a mercê das drogas e de todo tipo de violência, mas ainda bem que existem variações como o longa francês Stella. A talentosa Léora Barbara dá vida com extrema naturalidade à garota do título, uma francesinha de 11 anos de idade que não tem uma existência paupérrima, pelo contrário, aos olhares mais desatentos até  pode ser considerada uma criança privilegiada, mas na realidade vive na periferia de Paris e sem grande expectativas de um futuro melhor. Estamos no final da década de 1970, época de intensa movimentação no mundo todo com importantes quebras de tabus, rebuliços políticos e cultura disseminada. A garota mora com seus pais, Roselyne (Karole Rocher) e Serge (Benjamin Biolay), em um edifício decadente que fica em cima do bar da família frequentado por marginais, viciados e prostitutas, assim ela cresceu em um ambiente que lhe proporcionou aprender certas malandragens e a tocar a vida de acordo com a forma que a banda toca. Dá mesma maneira ela encara os estudos, sendo extremamente desatenta nas aulas e tirando as piores notas possíveis na escola que a admitiu. A garota sente que sua origem humilde é alvo de humilhações por parte de professores e alunos da instituição de nível acima da média para seus padrões de vida, o que lhe desperta certos instintos de rebeldia. Sua mãe finge não se importar com a situação da única filha, mas insiste na ideia de que se ela não estudar seu destino será atender clientes no bar.

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