sábado, 30 de setembro de 2017

DRÁCULA - MORTO MAS FELIZ

Nota 7,0 Comediante Leslie Nielsen apresenta sua versão cômica de lendário personagem

Qual o mais famoso e prolífico personagem do universo de terror? Sem dúvidas o lendário Conde Drácula encabeça a lista das principais criaturas nefastas que atrelaram seu nome a cultura pop, muito com a ajuda do cinema. Desde a época dos filmes mudos e em preto-e-branco, são centenas de histórias estreladas pelo príncipe das trevas, apresentando-se com seu ar de mistério e sedutor ou até mesmo em versões estilizadas, entre fitas de horror, suspense, dramas, romances e obviamente paródias. O saudoso comediante Leslie Nielsen tratou de apresentar sua versão esculachada do personagem em Drácula - Morto Mas Feliz, descaradamente uma brincadeira em cima do bombado longa baseado no livro de Bram Stoker e dirigido por Francis Ford Coppola lançado três anos antes, assim já antecipando uma tendência das décadas seguintes em trepudiar sucessos recentes. A história começa nos apresentando ao procurador Thomas Renfield (Peter MacNicol) que viaja à Transilvania para se encontrar com o sinistro cliente do título para um negócio imobiliário. O rapaz é hipnotizado e passa a obedecer as ordens do vampirão que mostra-se um homem sedutor, refinado, porém, um tantinho atrapalhado. Juntos eles vão para a Inglaterra que será o novo endereço do conde, mas ao final da viagem Renfield se vê confinado em uma clínica psiquiátrica. Aliás, o local é administrado pelo Dr. Seward (Harvey Korman), o vizinho inglês do Drácula que se encanta por uma das filhas do médico. A noite ele invade o quarto de Lucy (Lysette Anthony) para chupar seu sangue e saciar seus desejos. Ao ver duas estranhas marcas no pescoço da jovem e sua estranha palidez, seu pai decide chamar o Dr. Abraham Van Helsing (Mel Brooks), um especialista em doenças estranhas e também em caçar criaturas das trevas. Com cruzes e alhos, ele tenta proteger a garota de ser atacada novamente, mas Drácula é mais esperto e tem poderes que vão além da transformação em morcego. Contudo, ele não mata suas vontades com apenas uma mulher. O vampirão volta suas atenções para a outra filha do vizinho, Mina (Amy Yasbeck), mas não quer simplesmente saciar desejos momentâneos e sim torná-la sua noiva para toda a eternidade.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MONTADO NA BALA

NOTA 5,5

Baseado em conto de Stephen
King, longa tem argumento
interessante, mas seu desenvolvimento
confuso deixa a desejar quanto a tensão
O negativismo atrai coisas ruins e é isso que aprenderá o protagonista de Montado na Bala em uma única e bizarra noite que lhe obrigará a dar mais valor à vida. Baseada no conto “Riding the Bullet” do cultuado escritor norte-americano Stephen King, a narrativa é entrecortada por devaneios de Alan Parker (Jonathan Jackson), um estudante de artes que por vezes desenha figuras sinistras, algo que lembra o espectro da Morte como popularmente conhecemos. A fixação pela temática é tanta que ele chega até mesmo a sonhar com seu próprio funeral, mas as coisas pioram quando é abandonado pela namorada Jessica (Erika Christensen) bem no dia de seu aniversário. Estamos em 1969 e às vésperas do sugestivo Dia das Bruxas, data na qual muitos acreditam que as portas do além se abrem e permitem a comunicação entre vivos e mortos. Como a maior parte dos artistas, Parker se sente diferente dos outros, um excluído que encontra conforto apenas com sua garota, mas agora que tinha perdido seu porto seguro qual sentido teria sua vida? Deprimido, o rapaz tenta se matar cortando os pulsos com uma lâmina de barbear e para sua surpresa tem uma visão do além que acredita ser a própria Morte que veio lhe buscar. Todavia, tudo não passava de uma brincadeira de seus amigos, inclusive o rompimento com Jessica, mas na hora do susto Parker realmente acaba se ferindo e indo parar no hospital. A introdução é digna de filme de quinta categoria, mas o restante do longa melhora razoavelmente. Recuperado como em um passe de mágica, Parker se anima ao ganhar de sua amada ingressos para um esperado show de rock em Toronto, no Canadá, e como ela não poderia acompanhá-lo deu passe livre para ele convidar dois amigos. Boazinha ela não? Contudo, a viagem mela quando ele recebe um telefonema avisando que sua mãe Jean (Barbara Hershey) acabara de sofrer um derrame, o que o obriga a mudar os planos e seguir para a cidade de Lewiston. O início da viagem o faz relembrar a infância, os momentos tristes que sua mãe viveu e a perda precoce de seu pai, porém, sua noite será repleta de tensão e momentos estranhos.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

NA TRILHA DO ASSASSINO

NOTA 4,0

Apesar do bom argumento,
mescla de drama e suspense
peca pelo ritmo arrastado e
personagens que não cativam
Quem se interessaria por um filme com o título simplesmente resumido na palavra ternura? Possivelmente os amantes de dramas água-com-açúcar e o público feminino se animariam, ainda mais tendo Russell Crowe encabeçando o elenco, no entanto, a mudança de título da adaptação do livro “Tenderness” no Brasil foi providencial. Apesar de assumir a genérica alcunha de Na Trilha do Assassino, a opção combina melhor com o conteúdo, mas certamente deverá decepcionar aqueles que ficam na expectativa de perseguições e tiroteios repletos de tensão e adrenalina. Na realidade, a fita é um drama que traz uma galeria de personagens infelizes imersos em um universo igualmente deprimente. A trama escrita por Emil Stern gira em torno de três personagens principais. O tenente Cristofuoro (Crowe) está praticamente se aposentando da polícia da cidade de Buffalo, no Estado de Nova York, e sofre com a situação da esposa que está em coma há um bom tempo. Devido a estas situações, nos seus últimos dias de trabalho na corporação ele tem recebido apenas alguns casos menores para resolver. No entanto, seu passado conta com a solução de crimes de grande relevância. Três anos antes investigou os assassinatos de um pastor e sua esposa e mandou para a cadeia Eric Poole (Jon Foster), o próprio filho do casal então com apenas 15 anos de idade. Quando a ação começa, o jovem já está para completar 18 anos e prestes a ser libertado do centro de detenção. Por sofrer de problemas mentais e ser dependente de antidepressivos, escapou de uma punição mais severa e foi julgado dentro das leis estabelecidas a menores infratores, assim podendo levar uma vida normal assim que atingisse a maioridade. Contudo, Cristofuoro não está convencido que Eric agiu em um rompante de loucura. Visitou-o regularmente enquanto estava preso, mas não conseguiu provas concretas que justifiquem suas desconfianças de que o jovem é um psicopata. O tenente acredita que ele tenha assassinado ao menos duas jovens e matou os pais por eles terem descoberto estes segredos. Como está com tempo de sobra, por sua conta e risco, o policial passa a seguir os passos do ex-detento em liberdade ciente de que mais cedo ou mais tarde ele voltará a matar. Sua obsessão será pegá-lo em flagrante.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

HOMENS EM FÚRIA

NOTA 6,0

Procurando abordar questões
morais e religiosas através de dois
personagens fortes e controversos,
longa se perde e distancia o espectador
Existem filmes que são tão ruins que nem nos importamos em tecer comentários negativos, pelo contrário, é até uma satisfação, uma forma de extravasar a raiva de ter perdido seu precioso tempo com semelhante coisa. Pena que nem sempre é fácil apontar se um filme é bom ou ruim. São vários os exemplos de produções que podem deixar aquele gostinho amargo de insatisfação ao final, contudo, isoladamente possuem pontos positivos relevantes como é o caso de Homens em Fúria, reencontro de Robert De Niro e Edward Norton após quase uma década do lançamento de A Cartada Final. Sem dúvidas ambos são ícones de suas respectivas gerações de atores, mas o aguardado embate de talentos resulta em algo frio, distante do espectador, muito por conta do roteiro assinado por Angus MacLachlan, do mais acessível Retratos de Família. O problema deste distanciamento pode acontecer logo nos primeiros minutos devido a diálogos que soam um tanto artificiais, afinal o fio condutor da trama é um prisioneiro tentando conseguir sua liberdade condicional justificando sua boa conduta, o tempo considerável de sua sentença já cumprido e a saudades que tem de transar com a esposa, diga-se de passagem, algo mencionado com riqueza de detalhes. Quem não se importar com a conversa típica de filmes de malandros e confiar no talento dos protagonistas, a trama pode surpreender pelos rumos que toma. Jack (De Niro) trabalha em um presídio como avaliador de condicionais, ou seja, é ele quem tem a responsabilidade de esgotar as possibilidades de verificação para ter a certeza de que pode devolver um indivíduo ao convívio social antes mesmo dele cumprir totalmente a sua pena, mesmo que para tanto sejam necessários meses ou até anos de empenho. O policial está prestes a se aposentar e a essa altura encara um grande desafio: lidar com Stone (Norton), um presidiário acusado de matar os próprios avós em um incêndio, mas que já cumpriu oito anos de sua pena e não vê a hora de conseguir sua liberdade condicional. O problema é que Jack parece ter perdido sua razão de viver agora que caiu a ficha que vai ser desligado da polícia definitivamente e não está mais empenhado no trabalho, assim ele pouco dá atenção aos apelos do detento que então recorre a Lucetta (Milla Jovovich), sua esposa, para ajudá-lo a persuadir o velho. Com toda a propaganda que fez sobre sua vida sexual, é óbvio que Stone quer que ela seduza o agente e assim consiga persuadi-lo a lhe dar o alvará de soltura, mas Jack é durão e não cai na armadilha. Bem, pelo menos não nas primeiras tentativas da moça.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

POR AMOR (2007)

NOTA 7,0

A história de amor é o que
menos importa em drama que
traz vários pontos relevantes a
respeito de como superar uma perda
Há males que vem para o bem. Duas pessoas acabam unidas por conta de tragédias pessoais, ou melhor, três. Assim resumidamente se define Por Amor, drama eficiente e com bom argumento, mas prejudicado pelo genérico título nacional que vende uma produção romântica adocicada. O clima gélido da cidade em que a trama se passa, cujo nome não é especificado, a trilha sonora melancólica e a opção por cores frias nos cenários e figurinos revelam o tom sério da produção. O longa de estreia do diretor e roteirista David Hollander é muito mais profundo que seu título pode sugerir e trabalha com um dos maiores medos do ser humano: a morte. Na verdade não aborda o medo individual de simplesmente deixar de existir e tampouco dúvidas se há outra vida depois desta, mas sim como os parentes dos falecidos lidam com a dor da perda. Se já é difícil se acostumar com a ideia de que alguém pode morrer por causas naturais ou por conta de alguma doença, imagina o quanto é complexo compreender que uma vida foi interrompida por causa de um ato crimino. É essa situação que acaba aproximando os protagonistas desta obra que começa com uma narração em off de Clay (Spencer Hudson), um adolescente que nasceu surdo e mudo e é através de seu relato mental que a história toma corpo. Seu pai foi assassinado por Mark Jankowski (Brock Johnson), um grande amigo da família que por coincidência aparece na última foto que ele tem do falecido, uma ironia do destino. A dor desta perda acaba levando-o a se identificar com o drama vivido por Andrew Blount (Ashton Kutcher), um jovem esportista que abandona seus sonhos abalado pelo inesperado e brutal assassinato da irmã gêmea queimada e mutilada. Ambos não só perderam de forma cruel seus entes queridos, mas também possuem a sensação de terem herdado as coisas que os falecidos deixaram, mais especificamente suas famílias machucadas para sempre. Os dois, no entanto, se conhecem por um acaso. Andrew estava acompanhando Gloria (Kathy Bates), sua mãe divorciada, a um grupo de apoio aos familiares de vítimas de atos violentos quando conheceu Linda (Michelle Pfeiffer), a mãe de Clay. Ambas as mulheres dividiram suas histórias, angústias e sonhos desfeitos com o grupo, mas a relação destas famílias sói vai ganhar laços sólidos nos tribunais. O julgamento do acusado de matar o marido de Linda não é muito explorado pelo roteiro, acaba sendo solucionado de forma rápida, mas é a desculpa necessária para aproximar a viúva de Andrew, este que terá uma longa jornada em busca de justiça.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

FORA DO MAPA

NOTA 5,0

Talhado para ganhar prêmios e
apesar de essencialmente
contemplativo, drama deixa a

sensação de que poderia ir além
O cinema independente é caracterizado por produções que visam o experimentalismo, ou seja, roteiros que busquem explorar novos horizontes ou apresentem temas batidos sob óticas diferenciadas, assim boa parte dos filmes desta seara conseguem cair no gosto dos críticos facilmente, porém, amargam o fracasso em termos de popularidade. Contudo, já faz alguns anos que a situação tem mudado um pouco graças aos esforços de profissionais que ampliaram a aceitação dos filmes alternativos com boas campanhas que os levaram até os cinemas de shoppings e a serem indicados a prêmios como o Oscar. De qualquer forma, o grande número de produtos lançados por essa corrente de um cinema “menor” acaba inviabilizando a exibição de boa parte deles até mesmo em cineclubes e o destino acaba sendo o lançamento direto em DVD. Situações do tipo nos fazem repensar se tudo o que sai diretamente para venda ou aluguel é realmente de gosto duvidoso, mas obras do tipo de Fora do Mapa também colocam em xeque se as menções de festivais no material publicitário correspondem a sinônimo de qualidade.  Exibido em Cannes e Sundance, o filme narra um período conturbado na vida de uma família que vive isolada em uma região desértica do Novo México. A história é narrada através das memórias da pré-adolescência de Bo Godren (Valentina de Angelis), uma garota com problemas para se adaptar ao estilo forçadamente alternativo dos pais, Charley (Sam Elliott) e Arlene (Joan Allen). A trama começa com um relato estranho. Procurando retratar um pouco da atmosfera medíocre e mística do local, o enredo fala que certa vez um rosto com feições de Jesus Cristo apareceu em uma tortilla (quitute típico latino) em uma cafeteria da cidade. A dona do estabelecimento envernizou a imagem para atrair fiéis e consequentemente mais clientes, mas aos poucos ela foi sumindo. O que isso tem a ver com a trama? Pois é, absolutamente nada, salvo o fato de Bo enfatizar que desde então seu pai se encontra em um profundo estado de depressão que ninguém sabe ao certo a razão. Bem, quando nos familiarizamos com a intimidade da família começamos a entender um pouco essa melancolia, mas jamais chegamos à justificativa plena. Arlene procura reanimar o marido, mas também tem seus momentos de explosão de tristeza, esses sim compreensivos.

domingo, 24 de setembro de 2017

UMA COISA NOVA - AS SURPRESAS DO CORAÇÃO

Nota 3,5 Chato e previsível, romance explora o preconceito às avessas, o negro versus o branco

Estamos no século 21 e ainda existem sim muitos brancos preconceituosos, mas os negros também não ficam atrás. Ao mesmo tempo em que buscam seu lugar e respeito entre os caucasianos, também parecem almejar se cercarem ao máximo de pessoas de sua raça. Bem, como a certa altura esbraveja a protagonista de Uma Coisa Nova – As Surpresas do Coração, só quem diariamente é lembrado que é negro sente na pele o constrangimento e a necessidade de se firma como um igual. A trama de Kriss Turner gira em torno de Kenya McQueen (Sanaa Lathan), uma advogada que aparentemente tem tudo para ser feliz. Tem um trabalho de prestígio, é inteligente, sofisticada e muito bonita, um perfil que chamaria a atenção de qualquer homem, mas se casar é algo que ela não deseja a curto prazo. Contudo, ela se preocupa ao saber de uma pesquisa que aponta que boa parte das mulheres afro-americanas não consegue se casar. Além da lista de pré-requisitos básicos (bonito, alto, com padrão mínimo de vida e por aí vai) que já dificulta encontrar tantas qualidades em um mesmo homem, para a maioria das solteiras há outro empecilho. Elas querem um companheiro da mesma raça. De acordo com a educação que tiveram, lutar pela igualdade em termos sociais é válido, mas unir o sangue negro ao de um branco não é uma boa escolha. Diante das estatísticas, impulsivamente Kenya marca um encontro às escuras e para sua surpresa ela conhece o branquelo e loirinho Brian Kelly (Simon Baker), este que não demonstra qualquer objeção quanto a diferença de cor de pele, mas ela limita-se a ser educada, já tinha convicção de que teria que partir para outra. Na contramão, o destino parecia querer uni-los. Por um acaso eles se reencontram em uma festa e ela comenta que precisa arrumar o jardim da casa que acabara de comprar. Qual a profissão do rapaz? Paisagista é óbvio, assim eles começam a se encontrar com frequência durante a reforma e ele trata de jogar todo o seu charme. Conversa vai e conversa vem e eles estão apaixonados em um piscar de olhos. As amigas dela, também negras, vibram com a notícia, mas a garota que vestindo terninhos de cores sóbrias mostra-se tão confiante na realidade é cheia de grilos quanto a cor da sua pele e colocará tudo a perder.

sábado, 23 de setembro de 2017

O RETORNO DE BLOODWORTH

Nota 4,0 Com narrativa superficial, ritmo lento e falhas, é difícil ser cativado pelos Bloodworth

Dramas acerca de famílias problemáticas são corriqueiros no cinema americano, embora a maioria não se torne sucesso devido a repetições de temas e até mesmo de papéis semelhantes. Produções do tipo tem o objetivo de contar histórias com as quais o espectador consiga se identificar facilmente, pelo menos se envolva com o dilema de um ou outro personagem, mas esse não é o caso de O Retorno de Bloodworth, e o desinteresse começa já pelo título que pode erroneamente evocar um filme de terror ou algo assim. Bem, não chega a ser uma sensação de pavor a volta de E. F. Bloodworth (Kris Kristofferson), mas tal notícia mexe com os ânimos de seus familiares. Depois de 40 anos de ausência, ele escreve uma carta dizendo que está retornando, mas Julia (Frances Conroy), a esposa que abandonou com os três filhos pequenos, nem fica sabendo. Brady (W. Earl Brown - também autor do roteiro) não revela a mãe, mas procura os irmãos Warren (Val Kilmer) e Boyd (Dwigh Yoakam) para saber suas opiniões, pois ele tem certeza de que o pai só está voltando porque já está velho e deseja esperar a morte apoiando-se naqueles que renegou. Contudo, cada um destes homens está as voltas com seus próprios problemas. Warren é um boa vida que só pensa em bebidas, diversão e mulheres, assim vira e mexe está metido em alguma confusão. Enquanto isso, Boyd se preocupa em perseguir a ex-mulher e quer afastá-la de um suposto novo namorado. Já Brady foi o único que não saiu da casa da mãe e guarda mágoas por ter acompanhado de perto o envelhecimento e a tristeza dela, o que pode ter influenciado seu desequilíbrio mental, sendo que é conhecido por lançar feitiços contra seus inimigos. O único que parece se importar com o retorno de Bloodworth é o jovem Fleming (Reece Daniel Thompson), filho de Boyd e único neto do homem que partiu para a cidade grande em busca do sonho de viver de música. Por coincidência, é justamente com o rapaz que o velho pega carona assim que chega em sua cidade natal, um canto qualquer e esquecido do Tennessee. Ele nunca chegou a conhecer o neto, mas de certa forma desconfiava que poderia ser o rapaz gentil que o ajudou, este que não se mostra surpreso ou emocionado ao saber quem o caroneiro era.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

TÁ RINDO DO QUÊ?

NOTA 3,0

União de dois astros da comédia
com diretor e roteirista também
midas do gênero resulta em um
estranho produto sem público certo
Adam Sandler é o cara! Para muitos jovens e defensores dos filmes-pipoca ele é um ídolo e por mais que a maioria de seus trabalhos seja achincalhada e contemplados com prêmios de piores do ano nada parece abalar sua imagem de vitorioso. Seth Rogen não é tão popular como ele, mas também já tem sua turminha de fãs mesmo parecendo estar sempre repetindo personagens em comédias sobre rapazes com síndrome de Peter Pan e levemente pervertidos.  Desbocados e com jeitão descolado, era certo que mais cedo ou mais tarde a dupla iria ser chamada para atuar em um mesmo filme e coube ao diretor e roteirista (e principalmente amigo) Judd Apatow permitir este encontro. Responsável pelo divertido O Virgem de 40 Anos e pelo irregular Ligeiramente Grávidos, ambos com Rogen no elenco, esperava-se muito mais de seu terceiro trabalho, Tá Rindo do Quê?, cujo título original é algo como “Gente Engraçada”. É irônico, mas é justamente personagens divertidos que faltam na produção que para não ser apenas mais uma besteira no mercado busca um equivocado flerte com o drama e extrapola no tempo de duração. Embora assim seja possível desenvolver melhor os perfis dos personagens e o universo em que vivem, a sensação é de que pelo menos uns 30 ou 40 minutos poderiam ter sido cortados. As mais de duas horas engambelam o espectador e não raramente o constrangem com piadas de cunho sexual ou escatológico. Perde-se a conta do número de vezes que os mais variados nomes para órgãos genitais são citados. Quem ainda ri de bobagens do tipo? Contudo, a premissa prometia algo acima da média. George Simmons (Sandler) é um quarentão que construiu uma carreira de sucesso fazendo filmes de comédia de gosto duvidoso, mas que lhe garantiram muito dinheiro e assédio das mulheres. Ele ama o que faz e fica muito feliz com a receptividade do público, porém, seu bom humor é repentinamente abalado quando descobre que está com uma leucemia em estágio avançado e que lhe restaria menos de um ano de vida. Apesar do baque em saber que o tratamento tem chances mínimas de funcionar, ele procura no trabalho uma forma de terapia e decide voltar à casa de espetáculos onde se apresentava no início da carreira com shows de humor stand-up.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

UM SONHO DE PRIMAVERA

NOTA 8,5

Drama de época narra um
curto período na vida de
distintas senhoras, mas um
tempo de grandes transformações
Todos os anos é a mesma coisa. Quando começa a temporada de premiações todas as atenções são voltadas aos filmes que estão marcando presença nos principais festivais e festas, levando natural vantagem em termos de publicidade os títulos que mais recebem indicações para conquistar troféus. Curiosamente, não são raras as vezes que os títulos que concorrem a menos categorias ou até mesmo secundárias são bem mais interessantes e se tornam até mais marcantes que as produções mais bombadas da época. Esse é o caso de Um Sonho de Primavera, um belo filme de época que conquistou dois Globos de Ouro e foi indicado a três Oscars em 1993 (foi lançado cerca de um ano depois de concluídas as filmagens). Misturando drama e humor leve em meio a belíssimas paisagens e cenários, o longa também conta com um impecável elenco feminino, destacando-se Miranda Richardson, uma das atrizes mais requisitadas daquele período e dona de uma beleza exótica e traços fortes. A trama se passa na Inglaterra em meados da década de 1920 e narra as emoções vivenciadas por Lottie (Josie Lawrence), uma inquieta mulher que vive em Londres e se sente frustrada devido ao materialismo de seu marido, o advogado Mellersh Wilkins (Alfred Molina), que pouco dá atenção à esposa. Já Rose (Miranda Richardson) é a esposa do escritor de contos eróticos Frederick Arbuthnot (Jim Broadbent), mas também está insatisfeita com seu casamento. Vivendo situações semelhantes, as duas se conhecem em um clube frequentado apenas por mulheres e juntas decidem alugar um castelo de estilo medieval em uma remota ilha italiana para passarem alguns dias em um local que é um verdadeiro paraíso. As novas amigas também colocam um anúncio no jornal sobre a ideia e mais duas damas, a viúva Fisher (Joan Plowright) e a jovem Caroline (Polly Walker), resolvem fazer a viagem e ajudar na divisão das despesas.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O ATAQUE

NOTA 6,5

Mais uma vez a Casa Branca
é atacada e salva por uma dupla
de heróis improvável em ação
divertida e que cheira nostalgia
Coincidência, espionagem industrial ou simplesmente falta de criatividade? Como explicar que de tempos em tempos surjam filmes com temáticas muito semelhantes? Vulcões em erupção ameaçando uma cidade (O Inferno de Dante e Volcano - A Fúria), meteoros prestes a por um fim na humanidade (Impacto Profundo e Armageddon), a exploração da vida dos insetos (Formiguinhaz e Vida de Inseto) e dos animais marinhos (Procurando Nemo e O Espanta Tubarões) e mágicos em destaque (O Ilusionista e O Grande Truque). Isso sem falar sobre a representação de mesmos conflitos da época da Segunda Guerra Mundial, ainda que seja um período de farto material e vários caminhos a serem explorados. Para engrossar a lista, também temos as produções visando a destruição de um dos lugares mais seguros (e também mais visados) de todo o mundo. Após ser invadida por terroristas norte-coreanos em Invasão à Casa Branca, a sede do governo dos EUA mal teve tempo de ser reconstruída e já virou palco de outro show pirotécnico em O Ataque. Orquestrando a destruição ninguém menos que o diretor alemão Roland Emmerich, conhecido pelo seu apreço aos filmes-catástrofes. E as vezes de fato suas produções são verdadeiros desastres, como 10.000 A.C., ou prometem demais como 2012. Ele já destruiu uma vez a Casa Branca em Independence Day (inclusive faz questão de frisar isso em uma rápida fala logo nos primeiros minutos), mas queria explorar mais as ruínas do local narrando o drama vivido pelo jovem John Cale (Channing Tatum), um ex-militar que trabalha na equipe de segurança do congressista Eli Raphelson (Richard Jenkins), mas que sonha em integrar ao serviço secreto e ser um dos responsáveis pela segurança de James Sawyer (Jamie Foxx), ninguém menos que o presidente americano. Ele tem uma entrevista na sede do governo para realizar seu sonho e aproveita para levar a filha Emily (Joey King) para conhecer o local. Todavia, o passeio é interrompido por uma invasão terrorista e agora realmente terá a chance de salvar a vida do político, mas também terá que se preocupar em salvar a garota que está na mira dos criminosos após ser descoberta enviando filmagens do ataque via celular para a internet.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O PESADELO

NOTA 0,5

Trazendo à tona a lenda do
bicho-papão, suspense além de
abusar de clichês peca em um ponto
principal: simplesmente não assusta
Para quem acompanha a carreira do cineasta Sam Raimi seu apreço pelo gênero de horror não é nenhuma novidade. Sua estreia em The Evil Dead - A Morte do Demônio já comprovava isso. De um trabalho amador iniciado na faculdade de cinema ao comando da milionária trilogia original do personagem Homem-Aranha, como diretor em geral não decepciona, porém, como produtor seu nome estampando a publicidade de um filme gera desconfianças. Era de se esperar que viria a concretizar seu sonho de ser proprietário de uma produtora especializada em fitas de terror e suspense, a Ghost House, mas também havia expectativa que seria mais criterioso na escolha dos projetos que investiria. Entre a estreia com o remake oriental de O Grito e o excelente 30 Dias de Noite no meio do caminho deu o aval para a realização de O Pesadelo que tinha tudo para dar certo, afinal de contas pretendia narrar a história do lendário bicho-papão, nos EUA mais conhecido como o monstro do armário. Quem na infância nunca passou ao menos uma noite em claro de olhos bem atentos ao menor ruído ou sombra? O problema é que para o jovem Tim Jensen (Barry Watson) a historinha para assustar e forçar criancinhas a se comportarem não morreu com a puberdade e o atormenta ainda na vida adulta. Ele jura que quando tinha oito anos viu seu pai sendo tragado para dentro do armário de seu quarto por uma estranha criatura na calada da noite, contudo, toda a sua família sustenta a hipótese que o patriarca simplesmente foi embora de casa deixando tudo e a todos para trás. Sua mãe nunca se recuperou do choque e após algum tempo internada em uma clínica acabou falecendo. Agora Jensen precisa tomar coragem e voltar à casa onde passou sua infância para tratar da venda do imóvel, mas principalmente tentar exorcizar de uma vez por todas os seus temores. Além da incerteza do que de fato aconteceu com seu pai, ele ainda sofre com pesadelos com a mãe, algo a ver com o sentimento de culpa de nos últimos anos a ter abandonado... Bem, poderia ser um gancho interessante a desenvolver, mas para o azar da atriz Lucy Lawless o roteiro resume sua participação a menos de dois minutos. Por outro lado, sorte dela que não ficou com a imagem atrelada a tamanha bobagem, assim como também de Charles Mesure que interpreta o pai na introdução.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

NOTA 8,0

Embora se alongue e ainda assim
esconda alguns fatos sobre os bastidores
do clássico Mary Poppins, fita conquista
com força de seus protagonistas e nostalgia
Por pouco uma das histórias mais clássicas do cinema e dos estúdios Disney não teve um final feliz. Não seria nenhuma tragédia, não houve incêndio e tampouco mortes, mas por um triz o mundo poderia ficar sem um dos mais belos e singelos contos já levados às telas por conta de uma acirrada briga de bastidores. Walt nos Bastidores de Mary Poppins aborda a difícil produção do longa de uma das babás mais famosas de todos os tempos. Lançado em 1964, o longa conquistou cinco Oscars, entre eles o de Melhor Atriz para a inglesa Julie Andrews estreando no cinema no papel-título, uma mulher com poderes mágicos que transforma a amarga rotina de uma família com seu otimismo e alegria. Dizem que na infância as filhas de Walt Disney (Tom Hanks) se apaixonaram pelo livro publicado em 1934 pela escritora australiana Pamela L. Travers (Emma Thompson) e ele fez uma promessa aparentemente bastante simples para quem criara um verdadeiro império da cultura e do entretenimento: transformar as páginas de papel em belas imagens em celulóide. Contudo, não bastava seu dinheiro, fama e poder. Mais do que tudo era preciso vencer a empáfia da criadora que não via com bons olhos o tipo de trabalho do mestre das animações. Durante mais de duas décadas ela resistiu as investidas do magnata, mas quando se viu em apuros financeiros, devido a crise literária que enfrentava a concorrência da televisão e do próprio cinema como meios de entretenimento, aceitou negociar os direitos de sua obra com a condição que pudesse acompanhar de perto o trabalho da equipe por trás das câmeras. Saindo a contra-gosto de sua pacata rotina em Londres para o agitado cenário de Los Angeles, mais especificamente em Hollywood, na realidade ela queria forçar a desistência do projeto uma vez que inseriu no contrato a cláusula de que poderia vetá-lo caso não aprovasse certas liberdades de criação.  A relação de Travers com seu livro não é meramente profissional ou intelectual, mas acima de tudo íntima e nostálgica, o que justifica seu comportamento irascível descaradamente fazendo inúmeras exigências para tentar desanimar a todos. Entrando na pré-estreia de braços dados com Mickey Mouse, o longa tenta fazer média e mostrar a escritora até se divertindo em alguns momentos, mas na realidade odiou o filme e nunca mais cedeu os direitos de suas obras para adaptações.

domingo, 17 de setembro de 2017

O URSO

Nota 7,5 Amizade entre ursos traz belas lições para os humanos em filme emocionante e atípico

Após presenciar a trágica morte de sua mãe, um pequeno órfão é obrigado a lutar sozinho por sua sobrevivência em um ambiente hostil, mas após alguns momentos de dificuldade acaba encontrando alguém que poderia lhe estender a mão, embora também estivesse em apuros e fosse um tanto ranzinza e introspectivo. Ajudando um ao outro, nasce uma grande amizade que os ensinará importantes lições a respeito de convivência e tolerância. Belo enredo, porém, clichê demais. Bem, não é repetitivo se estamos nos referindo ao filme O Urso, produção francesa datada do final dos anos 80 que ainda mantém seu poder de cativar, praticamente como a tão batida convivência entre o homem e o cachorro, mas o roteiro de Gerard Brach é bem mais profundo. Baseado no livro “The Grizzly Bear”, escrito em 1916 pelo naturalista americano James Oliver Curwood, a trama tem como personagem principal Youk, um precoce e corajoso ursinho que depois de ver sua mãe sendo morta por caçadores teve que aprender na marra a sobreviver na floresta fugindo das armas de fogo do homem e de outros animais predadores, além de vencer os obstáculos da natureza como a aridez dos rochedos e a força das águas dos rios. Em meio aos perigos o bichinho encontra Kaar, um grande urso solitário que, mesmo contratriando seus instintos, o ajuda a enfrentar os obstáculos. Tchéky Karyo e Jack Wallace, respectivamente como os caçadores Tom e Bill, são os únicos humanos da fita que conta com um mínimo de diálogos, assim exigindo atenção redobrada do espectador que deve estar preparado para um legítimo programa alternativo, mas que pode ser apreciado por qualquer um desde que não esteja preocupado com a pipoca ou com o telefone que pode tocar de repente. Para curtir esta obra realmente você deve esquecer o mundo em que vive e procurar se concentrar para se sentir um personagem onipresente. Para tanto, o diretor Jean-Jacques Annaud, dos cultuados O Nome da Rosa e Sete Anos no Tibet, não mediu esforços para dar alma ao seu filme e não deixá-lo parecendo um documentário a respeito da vida dos ursos. A recompensa foram alguns prêmios europeus, como o César de Melhor Filme, e até uma indicação ao Oscar de montagem, mas o tempo foi implacável com a obra.

sábado, 16 de setembro de 2017

THE POET - ASSASSINO DE ALUGUEL

Nota 7,0 Embora previsível, suspense prende atenção com trama bem amarrada e verniz cult

Muito se reclama que comédias românticas, filmes envolvendo o mundo dos esportes e produções sobre seriais killers têm uma cartilha padrão a ser seguida para funcionarem, mas o estilo regrado também se estende a outros subgêneros. Os assassinos de aluguel também estão ficando estereotipados e vivendo situações engessadas. Precisam esconder suas verdadeiras identidades, mostram-se frios, inteligentes, mas tem sempre um momento em suas carreiras que algo dá errado em algum serviço e isso faz com que eles se aproximem de suas vítimas, repensem suas vidas e clamem pela redenção. The Poet – Assassino de Aluguel não foge a regra, mas mesmo assim consegue entreter com um enredo bem construído e envolvente, embora totalmente esquematizado para chegar a um final previsível. No roteiro de Barbara Jago e Robert Hammond, René Bonnard (Dougray Scott) está em Viena para mais uma missão.  Ele deve assassinar Jörg Hoogezahl (Peter Moucka), um empresário que ajudou a desviar milhões de euros de um fundo de beneficência para crianças carentes, mas para alguém o querer morto deve ser porque ele está envolvido em muitos outros crimes. Usando como álibi a desculpa de estar procurando uma sala para instalar o escritório de uma multinacional na cidade, o assassino consegue o local perfeito para atirar do alto de um prédio em seu alvo quando este estaria prestes a ir a julgamento. Era atirar e dar no pé, porém, na hora que aperta o gatilho ele é surpreendido por Rick Stern (Andrew Lee Polls), um jovem fotógrafo que estava no prédio para dar uma entrevista a uma jornalista, mas teve o azar de errar de sala e acaba também sendo morto por Bonnard que não poderia confiar no silêncio da testemunha. Perturbado com o que aconteceu, o criminoso decide ir à exposição que a vítima inocente inauguraria a noite para descobrir quem ele era e acaba conhecendo Paula (Laura Elena Harring), irmã do fotógrafo que a usava como modelo para suas criações que tinham como mórbido tema a morte, ou melhor, impactar as pessoas com imagens que as levariam a refletir sobre suas vidas. Pena que esse estranho gancho não traga nada de relevante à trama.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O PROCURADO

NOTA 6,0

Para quem leva a sério o papo de
imagem é tudo este longa de ação é
um prato cheio, entretém visualmente
como poucos, mas entedia com trama tola
Há anos os filmes de ação são garantia de lucros, mas com o tempo os velhos clichês das perseguições de mocinhos a bandidos precisaram ganhar certa sofisticação. Além de narrativas mais complexas, os avanços dos efeitos especiais também serviram para manter o gênero entre os mais rentáveis. A combinação é ainda mais bombástica quando é possível se reunir um elenco de astros e a história ser baseada em algum material prévio, como quadrinhos ou livros. A combinação de todos estes elementos acabou resultando no sucesso de O Procurado, ficção que aborda uma sociedade secreta que a mais de um século assassina em prol de um bem maior caçando pessoas que caso continuassem vivas estariam ligadas a acontecimentos que fariam do mundo um lugar pior. O roteiro de Michael Brandt, Derek Haas e Chris Morgan é baseado na HQ “Wanted” criada por Mark Millar e J. G. Jones cujo argumento já foi adaptado para o cinema diversas vezes de forma não-oficial. Quem nunca assistiu a um filme protagonizado por um Zé ninguém que de uma hora para a outra é transformado em herói ou descobre ser peça fundamental de algum esquema secreto? Wesley Gibson (James McAvoy) é um jovem que aos vinte e poucos anos sente-se um fracassado em todos os sentidos. Não gosta de seu trabalho em uma empresa de contabilidade, é constantemente humilhado por sua supervisora Janice (Lorna Scott) e ainda se faz de cego ao fato de seu melhor amigo Barry (Chris Pratt) fugir do trabalho diversas vezes para ir dar uma rapidinha com sua namorada Cathy (Kristen Hager). Contudo, ele não tem forças ou coragem para dar um basta em tudo isso e simplesmente se acostumou com sua rotina pacata e frustrante, porém, tudo muda completamente quando é recrutado para fazer parte de um impiedoso grupo de assassinos e assim ocupar o lugar que era ocupado por seu pai antes de morrer, mas obviamente ele não sabia bulhufas sobre este passado obscuro.  Ele conhece a bela e enigmática Fox (Angelina Jolie) quando ela o salva de ser assassinado por Cross (Thomas Kretschmann), que tudo indica que foi o responsável pela morte de seu pai, Pekwarsky (Terrence Stamp). Todos eles têm ligações com uma fraternidade de assassinos fundada por um grupo de tecelões que cumprem as profecias que visualizam em um tear.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

DIAS DE GLÓRIA

NOTA 8,0

Longa resgata a história de
soldados africanos que defenderam a
França na Segunda Guerra Mundial,
mas para variar foram esquecidos
Quantas pessoas perderam suas vidas ou jamais voltaram a serem as mesmas após lutarem em guerras? A temática é provavelmente infinita. Não importa quanto tempo passe sempre será possível encontrar histórias do tipo, até porque infelizmente guerras se fazem presente até hoje no cotidiano mundial. Sem dúvidas um dos períodos mais prolíficos para a sétima arte é a Segunda Guerra Mundial e felizmente cada vez mais países estão oferecendo obras a respeito de seus olhares particulares sobre o conflito, dessa forma podemos formatar um painel mais completo deste episódio do que o básico que aprendemos em aulas de História. Dias de Glória traz a toma eventos que mereciam um capítulo exclusivo nos livros: a participação de países africanos na guerra. Em meados de 1943, a França era tomada pela Alemanha e o governo local em exílio tentava organizar um exército para enfrentar os nazistas. O primeiro grupo de soldados recrutados foram cerca de 130 mil homens provenientes das colônias francesas na África que ajudaram a libertar uma pátria-mãe que até então só conheciam por nome. Entre eles estavam Said (Jamel Debbouze), Messaoud (Roschdy Zem), Abdelkader (Sami Bouajila) e Yassir (Samy Naceri), que precisaram aprender a lidar com o preconceito existente ao mesmo tempo em que lutavam pela vitória da França. Com direção do então estreante Rachid Bouchareb, que assina o roteiro em parceria com Olivier Lorelle, a história começa mostrando o recrutamento dos africanos que se alistaram voluntariamente deixando para trás suas famílias, amigos e rotina. Mesmo não sabendo para onde seriam enviados e tampouco se retornariam para casa, estes soldados foram motivados pelos salários oferecidos e pela expectativa de que teriam seus esforços reconhecidos pelo governo francês. Contudo, eles são enviados para a batalha com um mínimo de treinamento, a maioria não sabendo nem como manejar uma arma, e suas roupas vagabundas e os pés calçados com sandálias demonstravam visualmente o despreparo do batalhão. Tratados quase de forma sub-humana, estes homens de origem humilde e pouca ou nenhuma instrução partem para a guerra determinados a vencer, o que de fato aconteceu em diversas batalhas isoladas, mas o número de mortos é dolorosamente maior que o de triunfos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

100 ESCOVADAS ANTES DE DORMIR

NOTA 3,0

Baseado no livro de jovem
italiana que conta suas experiências
sexuais, filme é apimentado para
adolescentes, mas insosso aos adultos
Muito se fala sobre as apavorantes traduções ou troca de títulos feitas no Brasil, muitas vezes parecendo que os responsáveis sequer chegaram a assistir o filme para compreenderem o tema. Sendo assim, merece aplausos a escolha do nome 100 Escovadas Antes de Dormir para narrar o drama de uma adolescente descobrindo a sexualidade. A opção soa enigmática e ao mesmo tempo poética, mas é uma pena que o conteúdo da obra não faça jus a nenhum destes vieses. Deixando hipocrisias de lado, parece que o mercado literário viveu um período inclinado a explorar tramas com temáticas sexuais, mais especificamente publicar diários nos quais adolescentes precoces contam suas aventuras libidinosas, e o sucesso de tais publicações obviamente chamou a atenção da indústria cinematográfica. Enquanto no Brasil a ex-garota de programa Bruna Surfistinha colhia os frutos das vendas de seu livro e sua adaptação para as telonas dava os primeiros sinais, na Itália outra ninfeta já estava à sua frente. Melissa (María Valverde) era uma adolescente virgem que logo no início do filme aparece se masturbando delicadamente, porém, seu momento de prazer é interrompido por sua mãe que chega a seu quarto de supetão para lhe acordar, mas ela consegue disfarçar o que estava fazendo, já devia estar acostumada.  Seu pai é ausente devido ao trabalho e sua mãe Daria (Fabrizia Sacchi) é uma dona de casa que finge não perceber que a filha cresceu. A única que parece se importar com ela é Elvira (Geraldine Chaplin), sua avó que lhe ouve e aconselha, mas não demora muito para a idosa ser internada em um asilo e assim a garota perde seu chão. Antes desse baque ela já demonstrava uma paixão avassaladora por Daniele (Primo Reggiani), um dos garotos de sua escola mais atraente, rico e... Inescrupuloso! Certo dia durante uma festa na casa dele, o rapaz consegue levá-la para um canto isolado e a convence a praticar sexo oral nele que a usa descaradamente como um objeto aproveitando-se de sua ingenuidade e paixão platônica, mas para ela o momento é sublime e lhe rende a esperança de que ele pode vir a amá-la, havendo a promessa de um beijo na boca em uma próxima vez. Depois disso ficou na expectativa de um sinal qualquer de interesse da parte dele, chegando a ter orgasmos durante as aulas pensando no garoto.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

OBSESSÃO (2005)

NOTA 6,0

Drama sintetiza os problemas de
uma mãe possessiva, mas tema é
muito amplo e complexo para pouco
tempo de filme e pretensões do diretor

A palavra obsessão e seus derivados já são tão comumente usados para intitular filmes no Brasil que ela por si só já não causa mais impacto. Geralmente ela é associada a um subgênero do suspense, aquelas historinhas meia-boca sobre relacionamentos rápidos tipo chefe e secretária, mas que para ela é uma paixão para todo o sempre e assim passa a infernizar a vida do amante. Tal conotação talvez tenha ajudado a fazer sumir no horizonte um filme que já não tinha lá grandes chances de conquistar público no Brasil, porém, uma obra com boas intenções e conteúdo. Obsessão é um modesto drama que aborda uma interessante temática sobre psicologia e que marca a estreia na direção de cinema do ator Kevin Bacon (antes, em 1996, ele havia dirigido um telefilme). Com roteiro de Hannah Shakespeare, baseado no livro “Loverboy” de Victoria Redel, a trama gira em torno de Emily Stoll (Kyra Sedgwick), uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas cuja vida pessoal é um tanto vazia. No entanto, ela nunca sonhou em ter um lar tradicional e que dividisse com um marido. Seu único desejo era ter um filho, alguém que a amaria incondicionalmente, e após algumas tentativas frustradas de inseminações artificiais ela tomou coragem e foi tentar realizar seu sonho por caminhos naturais. Após tomar conhecimento em um livro sobre a teoria que uma mulher que conseguisse sair com muitos homens em seu período fértil (entenda levar pra cama) teria grandes chances de gerar uma criança com mais qualidades que as demais, ela literalmente passa a caçar amantes casuais para conseguir apenas alguns minutos de relação, obviamente tentando reparar nesses homens as características que lhe chamavam a atenção e que desejava que seu filho tivesse. Ela consegue engravidar acreditando que absorveu o melhor de cada parceiro para seu bebê, mas na décima semana de gravidez ela sofre um aborto espontâneo. Abalada, eis que ela conhece um homem por acaso e no impulso passa a noite com ele e é justamente dessa recaída que finalmente ela conseguirá ter o seu tão sonhado filho. O homem só revela seu nome ao se despedir, Paul (Campbell Scott), não por acaso o mesmo nome que Emily batiza seu filho. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PARANOIA AMERICANA

NOTA 6,5

Incentivado pelo ócio e pela mídia,
americano declara guerra a vizinho
árabe e sem perceber cai em uma
espiral de loucura que só o prejudica
Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA entraram em uma nova era, um período marcado pela insegurança, suspeitas e aversão a estrangeiros, principalmente aqueles com traços de etnia árabe. O clima de tensão passava a ser observado diariamente em espaços públicos, como em aeroportos e shoppings centers que redobraram os cuidados com segurança, mas nestes casos ainda existe a justificativa de que isso é uma preocupação pelo bem social, regras básicas para uma sociedade se manter íntegra, ainda que em alguns casos as investigações sobre suspeitos foram absurdamente abusivas. E quando o pânico individual torna-se mais ameaçador que o medo coletivo, o que fazer? É sobre esse tema que se sustenta o suspense Paranoia Americana que procura retratar a situação psicológica dos norte-americanos diante do medo de novas ameaças. Se nem mesmo dois dos mais altos e pomposos edifícios do mundo escaparam de se tornar alvos fatais dos terroristas, episódio em que centenas de pessoas faleceram, o que impediria novos ataques a outros símbolos da soberania dos EUA ou até mesmo a violência em massa para atacar civis através de atos aparentemente inofensivos? Quem diria que uma simples carta poderia conter substâncias mortais? Não é coisa de cinema. O mundo todo já viveu esse período do pânico das correspondências adulteradas, assim o receio de que o perigo poderia estar em qualquer lugar realmente tornou-se algo perturbador e é por esse viés que segue a trama escrita por Andrew Joiner. O protagonista Terry Allen (Peter Krause) é o responsável por envolver o espectador em um crescente clima de tensão conforme ele abdica de seus interesses pessoais para tratar de uma especulação que se torna uma obsessão. Profissional da área de contabilidade, o rapaz acabou perdendo seu emprego por conta de um corte de gastos da empresa e isso dias antes de mais um aniversário da tragédia ocorrida com as Torres Gêmeas. Com a recessão do mercado ele não consegue emprego e com tempo livre de sobra acaba se entretendo com os inevitáveis noticiários a respeito de terrorismo afinal sempre existe o temor de que com a proximidade da fatídica data algo de ruim possa novamente acontecer. Morador de um condomínio de classe média, certo noite observando a vista lhe chama a atenção seu novo vizinho, Gabe Hassan (Khaled Abol Naga), um jovem cujos traços físicos não negam sua descendência árabe, o bastante para fazer o desempregado ficar com a pulga atrás da orelha.

domingo, 10 de setembro de 2017

A BOLA DA VEZ

Nota 8,0 Esta é mais uma história de uma criança amadurecendo diante dos percalços da vida

Como é agradável quando encontramos algum filme que estava encostado na locadora ou começamos a assistir na TV sem grandes pretensões e no final das contas temos uma boa surpresa. É curioso, mas muitas produções com elenco famoso e sucesso nos cinemas não chegam aos pés de outras que são lançadas diretamente em DVD. Esse é o caso de A Bola da Vez, uma deliciosa comédia com toques dramáticos pouco conhecida e cujo único nome relevante entre os atores é o de Helena Bonham Carter, que quando não atua em algum filme do marido Tim Burton dá a oportunidade do público conhecer suas verdadeiras feições, evitando o uso de maquiagens e figurinos espalhafatosos. Aqui todo o elenco manda muito bem, mas quem rouba a cena é o ator-mirim Gregg Sulkin com um personagem que sofre com problemas comuns aos garotos de sua faixa etária, mas digamos que ele tem um dilema um tanto particular a resolver. O roteiro de Bridget O’Connor e Peter Starughan, mesma dupla que anos mais tarde concorreria ao Oscar pelo texto de O Espião que Sabia Demais, procura retratar o clima de euforia que contagiava a Inglaterra em 1966, ano em que ela sediava os jogos da Copa do Mundo. No entanto, pelo menos um habitante do país não está ligando para o evento esportivo, pois está muito mais ocupado em pensar em algo que marcará sua vida. Bernie Reubens (Sulkin) é um garoto judeu que não é feliz totalmente. Ele não é popular na escola, é ofuscado pelo irmão mais velho, Alvie (Ben Newton), e seus pais, Manny (Eddie Marsan) e Esther (Carter) também parecem não ter muita consideração por ele. Todavia, ele acredita que tudo será diferente em pouco tempo, assim que ele comemorar o seu Bar Mitzvah, uma tradição judaica que marca a transição dos garotos para a vida adulta. O jovem estava animado com seu ritual de passagem acreditando que tendo o direito de assumir suas responsabilidades e atos finalmente receberia o respeito e notoriedade que merecia. Contudo, em meio a empolgação de organizar casa detalhe da festa, uma notícia lhe chega aos ouvidos como uma verdadeira bomba: a data da comemoração coincide com a final do campeonato de futebol.

sábado, 9 de setembro de 2017

CERCADOS PELO MEDO (2008)

Nota 6,0 Testemunha oculta verdade e coloca vida de inocentes em risco em suspense razoável

Adolescência e criminalidade. Esta é uma mistura perigosa que diariamente alimenta os noticiários, mas ainda há quem pense que tal realidade é quase uma exclusividade do Brasil. Quantas famílias já enviaram seus filhos para o exterior na inocência de que em outro país as coisas são diferentes? Produções como Cercados Pelo Medo servem para dar este alerta. Embora seja uma produção modesta oriunda da TV americana, o longa escrito por Rachel Stuhler é eficiente e cumpre seu objetivo de entreter e porque não levantar uma problemática social. A trama se passa nos arredores de um colégio cujo bairro não tem boa fama e os próprios professores sabem que os alunos consomem drogas livremente e até são seduzidos a fazerem parte do tráfico, mas nenhum teve a coragem de Gloria Abraham (Penelope Ann Miller), a mais nova integrante do grupo de docentes. Em um de seus primeiros dias a caminho do trabalho, ela resolveu pegar um atalho por uma rua quase deserta onde se deparou com um homem disparando uma arma, mas aparentemente sem um objetivo a acertar. Assustada ela acaba indo embora rapidamente, mas mesmo assim Oscar Reyes (Lobo Sebastian) conseguiu gravar bem o seu rosto. Ele é um bandidão conhecido na área por tráfico de drogas e suspeito de pelo menos seis assassinatos, mas mesmo quando capturado pela polícia acaba sendo liberado por falta de provas já que possíveis testemunhas sempre somem misteriosamente. A professora comenta a cena que viu com seu namorado, Daniel Rodriguez (Yancei Arias), também funcionário da escola, mas só alguns dias depois é que descobre que foi testemunha do assassinato de um dos alunos da instituição, Dwayne Evert (Peter Pasco). O garoto fazia algumas entregas de entorpecentes para Reyes e foi acusado de não lhe entregar todo o pagamento das mercadorias. Agora quem está na mira deste criminoso é Gabriel Lopez (Shahine Ezell), amigo do falecido que também entrou para este submundo e logo é ameaçado pelo chefe que tem uma empresa de entregas de fachada e não quer seu nome envolvido com assassinatos, mesmo que para isso seja necessário cometer outros para calar testemunhas.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O ORFANATO

NOTA 8,5

Suspense espanhol surpreende

com narrativa que busca fugir
do lugar comum evitando sustos
fáceis e apostando no horror psicológico
O mínimo que se espera de uma fita de suspense com pegada sobrenatural é levar alguns bons sustos e houve um tempo em que Hollywood era referência no assunto, porém, com o passar do tempo, se perdendo em meio a inúmeros clichês ou incapacidade de inovar, a Meca do cinema viu uma luz no fim do túnel para o gênero recorrendo a refilmagens de longas de horror orientais como O Chamado e O Grito. Não demorou muito e a turminha de olhinhos puxados reivindicou seu espaço no mercado internacional e o resultado foi a saturação da fórmula das almas penadas que buscam vingança ou clamam por justiça. Chegou então a vez do cinema latino literalmente assustar a concorrência, ainda que de forma tímida se compararmos com a febre que foi a época dos poltergeists asiáticos. O longa espanhol O Orfanato até foi apontado por alguns críticos como um marco, uma produção capaz de apontar novas diretrizes para os gêneros de terror e suspense. O tempo passou e provou que o entusiasmo era apenas fogo de palha, embora a qualidade da produção ainda coloque a obra em posição de destaque. O roteiro de Sergio G. Sánchez nos apresenta à Laura (Belén Rueda), uma mulher que retorna com sua família ao orfanato onde passou parte de sua infância com a intenção de transformar o casarão em um abrigo para crianças com necessidades especiais. Como jamais retornou para rever seus colegas, sua volta ao local soa como uma espécie de dívida de gratidão. A mudança acaba despertando a imaginação de Simón (Roger Príncep), o pequeno filho adotivo de Laura, que começa a falar sobre amigos imaginários, mais precisamente seis crianças cujos nomes remetem a alguns dos antigos internos, o que deixa a proprietária do casarão inquieta.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

15 MINUTOS

NOTA 7,0

Longa aborda como a mídia
transforma tragédias em espetáculos
e bandidos em astros, mas em prol do
lado comercial não aprofunda temas
A imprensa a favor do espetáculo e o criminoso se transformando em artista. Esses temas são recorrentes na atualidade e já se tornaram familiares a nós brasileiros, mas o cinema prova que esse espetáculo do pão e circo não é uma exclusividade nossa, pelo contrário, há anos ele faz parte da cultura de diversos países, inclusive os EUA que produzem dezenas de programas e seriados enfocando violência e estudo de perfis de meliantes e assassinos para entreter seu público que assiste a tudo assiduamente, mas sem fazer grandes questionamentos. Por outro lado, a exploração da imagem de um bandido a ponto dele ser elevado a posição de celebridade ou ainda a maneira como os jornalistas assediam os envolvidos a favor da lei e da ordem, como os policiais e investigadores, causam repúdio em muita gente e isso deve ter levado o diretor e roteirista John Herzfeld a escolher o assunto para enfocar no thriller de ação 15 Minutos. Cheio de boas intenções, ele conseguiu construir um longa que prende a atenção com um roteiro repleto de inquietantes ideias, mas que não se aprofunda na discussão do tema principal, contudo, nada que atrapalhe o espetáculo, afinal o longa foi projetado para atender as grandes plateias e tem caráter estritamente comercial. Mesmo costurando vários clichês, o diretor conseguiu um bom resultado realizando cenas com altas doses de ação e violência, além de uma morte inesperada na metade do filme, uma ousadia que beneficia um roteiro que tinha tudo para ser mais do mesmo. A história começa com dois corpos encontrados em um edifício incendiado em Nova York e segundo Jordy Warsaw (Ed Burns), o jovem investigador do Corpo de Bombeiros, o fogo foi estratégico para camuflar um duplo assassinato. Destacado para o caso, Eddie Flemming (Robert De Niro), detetive especializado em homicídios, une-se ao jovem policial para juntos solucionarem o crime, porém, enquanto o veterano há tempos aprendeu a lidar com a forma interesseira que a mídia trata as tragédias, o novato detesta a presença de câmeras e microfones nas áreas dos crimes. Um tanto convencido, o tira veterano aproveita seu contato próximo com os jornalistas, principalmente com o sensacionalista Robert Hawlings (Kelsey Grammer), para estar sempre em destaque na mídia, mas a fama tem um preço e mais cedo ou mais tarde cobra essa dívida.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SINÉDOQUE, NOVA YORK

NOTA 3,0

Não se pode dizer amém a um
filme só por causa de um nome de
peso por trás, afinal não bastam ideias
brilhantes, é preciso saber executá-las 
Você já ouviu falar em Quero Ser John Malkovich, Adaptação ou Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças? Nenhuma das alternativas anteriores? Bem, se você tiver curiosidade e for atrás de informações sobre esses títulos irá descobrir que eles foram muito badalados em premiações em suas respectivas épocas, inclusive no Oscar, e que possuem em comum o fato de serem dotados de narrativas originais provenientes de uma mesma cabeça pensante: Charlie Kaufman. Rapidamente ele se tornou um dos roteiristas mais elogiados dos últimos tempos e certamente por seu histórico teria potencial para seu nome ser elevado a potência de grife cinematográfica tal qual Woody Allen ou Pedro Almodóvar. Faltava se arriscar atrás das câmeras para chegar a tal ponto e foi justamente em sua estreia como diretor que ele derrapou. Sinédoque, Nova York é uma produção que até as plateias mais intelectuais devem ter dificuldades para se envolver, simplesmente uma chatice do início ao fim, porém, que hoje pode se tornar um produto de cinéfilos fetichistas não só por fazer parte da coleção Kaufman, mas também por ter como protagonista Phillip Seymour Hoffman que mesmo com uma passagem relativamente curta no universo cinematográfico acabou se tornando um ícone das produções alternativas e angariando uma legião de fãs. Ele dá vida à Caden Cortard, um diretor de teatro que está envolto aos preparativos de uma nova peça ao mesmo tempo em que está enfrentando problemas pessoais. Sua esposa, a artista plástica Alede Lack (Catherine Keener), resolveu deixá-lo e ir viver em Berlim levando consigo a única filha do casal, a pequena Olive (Sadie Goldstein). Madeleine Gravis (Hope Davis), sua terapeuta, aparenta estar mais interessada em divulgar o livro que acabara de escrever do que em ajudá-lo, mas Caden tem consciência de que está mal de saúde e sua vida totalmente sem rumo, mas descobre uma maneira de fazer uma autoterapia. Aproveitando-se de uma boa soma de dinheiro e carta branca que recebe de um investidor para realizar uma peça da maneira que bem entendesse, ele reúne um grupo de atores em um armazém em Nova York para ensaiarem um texto onde poderia dar vazão à sua criatividade e paralelamente contar uma história com eventos e sentimentos que fizessem alusão à sua própria vida. Lançando mão do recurso da metáfora, se a vida do protagonista é insossa, sua peça idem e o filme por tabela também não estabelece vínculos com o espectador, embora conte com todos os ingredientes de um típico filme alternativo, aquele formato que muita gente enche a boca para falar que adora, mas na verdade gasta seu dinheiro com superproduções em 3D ou de super-heróis.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

SURPRESA EM DOBRO

NOTA 3,0

Apoiando-se no carisma e fama
de seus protagonistas, comédia é uma
entediante reciclagem de piadas sem
graça que não fazem jus à marca Disney
John Travolta e Robin Williams no passado já foram sinônimos de grandes bilheterias, mas há tempos vivem maus momentos tentando se reciclar ou apostando em produções com fórmulas testadas e aprovadas. Até a velhinha simpática de Uma Babá Quase Perfeita estava prestes a voltar à ativa tardiamente pouco antes do falecimento de seu intérprete, sinal de como as coisas andavam ruins. Em 2009 a Disney, que também há certo tempo almejava um grande sucesso na linha do entretenimento familiar, mas sem recorrer à animação ou histórias de princesas, resolveu juntar os atros na comédia Surpresa em Dobro, porém, os problemas deste trabalho começam pela titulagem. O original é algo como “Cachorros Velhos” e no Brasil quem bateu o martelo final não deve ter visto o longa, afinal não há surpresa alguma, pelo contrário, o roteiro de David Diamond e David Weissman é uma colcha de retalhos com praticamente todas as piadas que já bateram cartão no gênero. Temos o cumprimento oriental que não raramente acaba com batidas de cabeças, remédios que causam efeitos colaterais que constrangem as pessoas, o cinquentão que quer se fazer de mocinho e se dá mal com tatuagens e bronzeamento artificial, as clássicas piadas envolvendo comidas e cuspidas, as competições que sempre acabam mal para quem fica de bobeira e por aí vai. Tirando as flatulências e até alguns momentos de insinuação que os protagonistas formariam um casal gay, parece que todo o arquivo de piadas já usadas pela Disney foi reaproveitado, incluindo a dupla de opostos que se atraem. Charlie (Travolta) é um cara metido a conquistador, brincalhão e que gosta de levar a vida sem estresse, mas mesmo assim é o melhor amigo há mais de trinta anos de Dan (Williams), bem mais responsável e sério. Os dois são sócios em uma agência publicitária e estão prestes a fechar um acordo milionário com uma empresa japonesa, o que poderia colocar seus nomes entre os maiores nomes do marketing esportivo. Justamente neste momento de tanta importância para suas vidas profissionais surge um imprevisto particular. De uma hora para a outra Dan descobre que é pai de um casal de gêmeos, Zach (Conner Rayburn) e Emily (Ella Bleu Travolta), frutos de um rápido e literalmente embriagante flerte realizado na esperança de superar um divórcio. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O VISITANTE (2007)

NOTA 7,5

Aparentemente mais um drama
a respeito da força das amizades,
longa aborda também os conflitos
quanto a imigração de forma objetiva
Você pode estar em Nova York, Paris, Londres, Madri ou até mesmo em São Paulo. Não importa onde você estiver e uma triste realidade irá se repetir: o desprezo com os estrangeiros. Não estamos nos referindo ao turista que se hospeda em hotéis e vai preparado para gastar com compras e programas culturais e sociais, ou seja, que vai de alguma forma contribuir com a economia do país visitado. O problema para os donos da casa são os imigrantes que muitas vezes partem de seus locais de origem com uma mão na frente e outra atrás e acham que basta atravessar uma fronteira para começar uma vida nova. Esse é um dos temas abordados pelo drama O Visitante, produção lançada muito discretamente não só no Brasil como até mesmo nos EUA, mas que ganhou ligeira projeção graças a surpreendente e merecida indicação ao Oscar para o veterano ator Richard Jenkins. Ele interpreta Walter Vale, um professor universitário sessentão que está sem um objetivo na vida. Solitário desde o falecimento da esposa, ele leva uma rotina pacata na universidade em que trabalha em Connecticut, mas almeja escrever um livro, só não sabe quando terá disposição e ideias para tanto. Certo dia ele é enviado para uma conferência em Nova York mesmo não tendo um pingo de vontade de comparecer ao evento. Sem escapatória, ele viaja e decide passar alguns dias em seu apartamento na cidade o qual não visitava há anos. Para seu espanto, quando abre a porta descobre que o local tem novos donos, um casal de imigrantes ilegais formado pelo simpático sírio Tarek (Haaz Sleiman) e pela senegalesa Zainab (Danai Gurira), ela bem mais esquentadinha. Eles esclarecem que alugaram o imóvel acreditando que negociaram com o proprietário em pessoa e nem desconfiavam que tinham caído em um golpe, mas felizmente Vale tem bom coração (talvez nem ele soubesse disso) e permite que o casal divida o apartamento com ele até que encontrem um novo lugar para ficarem e da convivência forçada surge uma inesperada amizade. O rapaz é músico e começa a ensinar os segredos da percussão ao professor através de um instrumento africano, este que já demonstrava interesse no assunto dedicando-se a frustradas aulas de piano como forma de preservar as lembranças da esposa que era uma pianista de mão cheia.

domingo, 3 de setembro de 2017

A RECRUTA HOLLYWOOD

Nota 3,0 Comédia tenta reciclar clichê da milionária descendo do salto, mas pouco diverte

Uma das receitas mais batidas do humor é a adaptação forçada de um milionário a uma vida paupérrima a qual é submetido repentinamente. A Recruta Hollywood segue este velho argumento sem trazer inovações. Talvez o único diferencial seja tirar uma dondoquinha de seu universo cor-de-rosa para jogá-la em um mundo mais masculinizado. O roteiro de April Blair e Kelly Bowe nos apresenta à Megan Valentine (Jessica Simpson), uma estrela de cinema riquíssima acostumada a paparicos e futilidades. Seu estilo para se vestir, a la Barbie para maiores, tira do sério seu empresário, Nigel Crew (Michael Hitchcock), que acredita que a imagem da atriz fora das câmeras influencia diretamente em sua vida profissional. Para se ter noção de sua popularidade ela foi considerada a melhor intérprete na premiação concedida pelo voto popular dos detentos de uma penitenciária. Não é uma estrela pornô, mas também está a anos-luz de ter talento para o drama, assim construiu sua fama em cima de comédias de gosto duvidoso. Seria o roteiro inspirado na vida da própria Simpson? Bem, ela ainda namora o metidinho Derek O’Grady (Bryce Johnson), seu par no mais recente lançamento nos cinemas e é óbvio que o relacionamento chama mais a atenção que o filme em si. Só é difícil saber quem sairia mais beneficiado desta relação, ou seja, quem teria a carreira alavancada. No entanto, uma sucessão de eventos acaba em uma única noite levando a garota à bancarrota. Deslumbrada, ela jamais cuidou de suas finanças e confiou sua contabilidade a um primo que pouco a pouco desviou toda a sua fortuna, assim até sua luxuosa casa ela perderia para quitar dívidas que deixaram de ser pagas. Neste momento, nada melhor que a atenção de uma pessoa que se goste muito, mas Megan se surpreende ao flagrar o namorado na cama com seu empresário. Desorientada, ela acaba batendo o carro, mas não sofre ferimentos, apenas fica sem saber para onde ir. Vagando sem rumo, ela amanhece na porta da sede do alistamento do exército e pede para usar o banheiro. Na recepção, ao ver vídeos de mulheres fardadas e demonstrando autoconfiança, magicamente a estrelinha sente vontade de pertencer àquele mundo, algo reforçado pelo soldado que a atendeu que lhe vende a ideia que a corporação oferece novos horizontes.

sábado, 2 de setembro de 2017

CODINOME CASSIUS 7

Nota 3,0 Ousando revelar um segredo rapidamente, longa não tem truques para prender atenção

Depois da Segunda Guerra Mundial, talvez o longo período da Guerra Fria tenha sido um dos mais utilizados como pano de fundo para filmes e não há previsão para que a fonte se esgote. Sobre o conflito, que teve seu auge em 1962 com a chamada Crise dos Mísseis Cubanos e oficialmente foi encerrado em 1991 com a dissolução da União Soviética, temos acesso ao básico nos livros escolares, mas o cinema ajuda a compreender alguns pormenores da situação, contudo, o suspense Codinome Cassius 7 não deve entrar nesta seleta lista de títulos e apenas ser lembrado como mais uma tentativa frustrada de mostrar que Richard Gere pode fugir do estereótipo de galã romântico. Na trama escrita por Derek Hass e Michael Brandt, este também diretor, Gere dá via a Paul Shepherdson, um ex-agente da CIA que é chamado às pressas para colaborar nas investigações do assassinato de um político americano que já a algum tempo vinha sendo investigado. A maneira como ele morreu lembra muito a antigos casos, assim é levantada a hipótese de que um famoso criminoso russo apelidado de Cassius 7 voltou à ativa, provavelmente para aniquilar alvos remanescentes. O policial aposentado passou anos de sua carreira estudando o método de agir do suspeito, mas garante que ele mesmo o matou em 1989. Sem ninguém saber sua real identidade, a morte do matador é encarada como um golpe para ele sair de cena, mas agora que há uma segunda chance para capturá-lo não pode haver falhas. Paul é obrigado desta vez a trabalhar em parceria com Ben Geary (Topher Grace), um jovem oficial do FBI obcecado pela trajetória de Cassius 7, tanto que o transformou em objeto de estudo para seu mestrado. Obviamente, a dupla se estranha já que trabalham com objetivos diferentes. Paul quer provar que a morte do político foi feita por outro criminoso, mas seu parceiro se fixa nas suspeitas iniciais. A premissa é um tanto batida, mas Brandt procurou ousar e revelar a identidade do assassino prematuramente, mesmo tendo cerca de uma hora de projeção a rechear.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS

NOTA 7,5

Embora previsível e repleto de
clichês, comédia romântica cativa
com seus protagonistas nada perfeitos,
ritmo ágil e algumas boas piadas
Cameron Diaz e Ashton Kutcher buscam variar os gêneros de filmes em que trabalham, mas parece que a comédia romântica é definitivamente a praia deles, assim é estranho que tenha demorado tanto tempo para o encontro dos astros. Jogo de Amor em Las Vegas foi um surpreendente sucesso nos EUA não apenas por contar com protagonistas carismáticos, mas também foi beneficiado pela época de lançamento. Muitas adaptações de heróis e personagens populares chegaram aos cinemas visando principalmente o público masculino, assim esta opção de humor surgiu como um bálsamo para o público feminino. Em outros países como no Brasil, já em 2008 restringindo o espaço às produções despojadas de firulas visuais, o longa foi apenas mais uma produção água-com-açúcar a aportar nos cinemas. Bem, realmente a primeira vista pode ser resumido como um passatempo bacana cujo final obviamente já conhecemos de antemão, mas o que importa é o recheio muito bem preparado pela roteirista Dana Fox, o que eleva o nível da obra. Há muito tempo não surgia um produto do gênero que realmente provocasse boas gargalhadas e ainda sem perder o romantismo. O grande trunfo é apostar em protagonistas sem escrúpulos, mas ainda assim cativantes. Las Vegas é conhecida como a Cidade do Pecado, local onde há inúmeros cassinos, bares e boates estrategicamente projetados para fazer os frequentadores perderem a noção do tempo e gastarem muita grana, o que não raramente causa algumas dores de cabeça quando estão em sã consciência, daí o popular ditado “o que acontece em Vegas fica em Vegas”. É como uma lembrança proibida, porém, o que poderia gerar má fama acaba virando atrativo para turistas em busca de diversão sem limites, como é o caso de Jack Fuller (Kutcher) e Joy McNally (Diaz) que estavam a fim de afogar suas mágoas. Ele é o típico jovem desencanado que procura levar a vida de maneira mansa e acabou de perder o emprego (mesmo trabalhando com o pai) enquanto ela é uma responsável corretora da bolsa de valores que foi abandonada pelo noivo repentinamente. Ambos moram em Nova York e jamais se cruzaram, mas quis o destino que eles fossem se encontrar no antro do pecado.

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