domingo, 31 de julho de 2016

FÉRIAS NO TRAILER

Nota 4,0 Comédia com quê de nostalgia diverte, mas os momentos ruins pesam além da conta

Robin Williams já foi aplaudido em papéis dramáticos como os que teve em Sociedade do Poetas Mortos e Patch Adams – O Amor é Contagioso, aliás ganhou um Oscar de ator coadjuvante por Gênio Indomável. Tentou dar uma guinada na carreira apostando em produções mais sombrias como Insônia e Retratos de uma Obsessão, mas não tem jeito, o ator sempre retorna ao seu porto seguro: a comédia. Por mais que envelheça, ele sempre consegue deixar transparecer em seus trabalhos de humor uma alegria tipicamente infantil e tornou-se um tipo certeiro para viver aquele paizão que toda comédia familiar preza. Em Férias no Trailer, uma variação do saudoso Férias Frustradas, ele dá vida a Bob Munro, um estressado chefe de família que se dedica muito ao trabalho. Decidido a tirar uns dias de descanso, ele quer levar sua esposa Jamie (Cheryl Hines) e seus filhos adolescentes Carl (Josh Hutcherson) e Cassie (Joanna Levesque, mais conhecida como a cantora JoJo) para uma viagem ao Havaí, porém, na última hora Bob decide mudar os planos sem comunicar a família previamente. Para não perder o emprego ele precisa ir a uma reunião no Colorado e então decide matar dois coelhos de uma vez só e levar os parentes junto. A viagem ao paraíso acaba se transformando em um trajeto infernal tendo como veículo um desconfortável trailer que, diga-se de passagem, passeia pelos mais variados ambientes, alternando cenários reais e outros que apelam para terríveis efeitos de computação. O pai faz o que pode para tentar agitar o passeio, mas parece que tudo dá errado e o destino está contra eles. A família então deixa ainda mais evidente que sua desestruturação é um fato consumado, mas passam a rever suas atitudes quando conhecem na estrada outro clã, os adeptos do estilo country Gonickes liderados pelo patriarca Travis (Jeff Daniels), que embora tão atrapalhados e problemáticos quanto os Munros parecem extremamente unidos e encaram a vida com muita mais leveza.

sábado, 30 de julho de 2016

TRÁFICO DE BEBÊS (2004)

Nota 7,0 Telefilme presta importante serviço social, mas infelizmente não se aprofunda no tema

Para realizar um sonho vale a pena pagar o preço que for, mesmo que precise abrir mão de princípios e ajudar o crime organizado? É essa a discussão colocada em xeque em Tráfico de Bebês, drama policial feito para a TV, mas bastante eficiente apesar de sua estética e narrativa de novela. A trama de John Wierick é inspirada em fatos reais e gira em torno do casal Nathalie (Dana Delanei) e Steve Johnson (Hart Bochner) que há muito tempo querem ter um filho, mas não conseguiram por vias naturais e tampouco estão acertando investindo na adoção. Movida pelo impulso, Nathalie se entusiasma quando encontra na internet um site que promete facilitar os trâmites para um casal conseguir um bebê legalmente e ela não pensa duas vezes antes de preencher uma ficha, o que irrita inicialmente seu marido, pois agora informações confidenciais do casal podem estar nas mãos de pessoas de má índole. A mesma desconfiança é compartilhada pela advogada deles, Kathy (Ellen David), que acha esquisito as poucas informações disponíveis sobre Gabor Szabo (Bruce Ramsey), também advogado e que passou um email quase que instantâneo para Nathalie falando que deseja entregar para adoção a sua própria filha, a pequena Gitta. O primeiro encontro entre os Johnsons e o doador da criança é bastante amistoso e praticamente deixa acertado que a bebezinha em menos de 24 horas terá um novo lar, porém, na hora da entrega definitiva um golpe é revelado. Szabo não quer discutir os termos legais da adoção e sim quanto ela vale financeiramente. Aproveitando-se das informações sobre o padrão de vida e do estado emocional de seus “clientes”, o inescrupuloso advogado pede uma alta quantia e enquanto os candidatos a pais pensam a respeito ele continua oferecendo Gitta para outras famílias. Na época em que a ação se passa, imperdoavelmente não identificada (talvez 2004, ano da produção), infelizmente negociar uma criança não era considerado crime em Nova Iorque, assim o criminoso costumava fechar seus negócios em lugares neutros na grande metrópole. Mesmo assim, seus passos já estavam sendo vigiados.  Joey Perratta (Romano Orzari) e Laura Jackson (Claudia Besso), dois representantes da polícia, tentam um encontro fingindo estarem interessados em uma adoção, mas Szabo percebe que eles sabem muito sobre o esquema, afinal o rapaz toca no assunto pagamento quando a maioria dos casais se surpreende e se irrita ao saberem que estão fazendo parte de uma espécie de leilão.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

MAMA

NOTA 7,0

Em tom quase de fábula, longa
narra uma história de terror em que
os aspetos dramáticos se sobressaem
aliados a estética sombria e fantasiosa 
Como diz o velho ditado popular, ser mãe é padecer no paraíso e o cinema de horror e suspense bebe sem moderação nessa fonte. Desde o clássico O Bebê de Rosemary até as releituras ianques de sucessos orientais como O Chamado, o pânico de mães tentando proteger seus rebentos de forças do mal parece uma inspiração sem fim. O terror soft Mama trafega com dois argumentos a serem desenvolvidos, o de uma mãe em busca de alguma cria para oferecer sua atenção e carinho e o de uma tia rebelde que é forçada a cuidar das sobrinhas e aos poucos aprende os sabores e dissabores da maternidade. O prólogo é dos mais interessantes. As irmãs Vitoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse), respectivamente com cerca de 3 e 1 ano de idade, foram levadas pelo próprio pai para uma isolada cabana na floresta após ele assassinar a esposa e sofrer um acidente de carro na neve durante a fuga. Arrependido ou talvez envergonhado por algo que ela tenha feito, agora sua intenção era também matar as crianças e depois se suicidar, mas alguma estranha criatura dá cabo de sua vida, porém, salva e passa a criar as meninas. Consideradas desaparecidas, elas são reencontradas cinco anos depois vivendo praticamente como animais, andando de quatro, grunhindo e ariscas a qualquer tipo de contato social, seguindo apenas seus instintos. Agora elas estão sob a guarda temporária de seu tio paterno Lucas (Nicolaj Coster-Waldau) que mal conhecem, mas mostra-se paciente e amável, todavia, passarão mais tempo com a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain), roqueira que preza sua liberdade e que ironicamente surge a primeira vez em cena agradecendo aos céus por um teste de gravidez negativo. A vida desregrada do casal muda completamente e com a ajuda do Dr. Dreyfuss (Daniel Kash) eles tentam incorporar os papéis de pais, mas o médico tem um interesse maior no caso e deseja estuda-lo profundamente. Ele acredita que as garotas inventaram uma mãe postiça, a quem chamam de Mama, e alimentando esta fantasia conseguiram sobreviver, no entanto, como praticamente única referência de carinho e proteção que tinham, agora estão com dificuldades para se desvencilhar da invenção. Contrariando as explicações científicas, o comportamento das irmãs e diversas situações levam a crer que a tal entidade realmente existe. Possessiva e cruel, ela não gosta nada de ver suas meninas criando laços afetivos com outros e passa a manifestar sua insatisfação até mesmo ameaçando-as. Ainda há um gancho paralelo envolvendo Jean (Jane Moffat), uma tia materna das meninas, mas a disputa judicial é descartada e a personagem só terá uma sutil serventia próximo a conclusão.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

COWBOYS E ALIENS

NOTA 3,0

Idéia original desperdiçada
por roteiro confuso poderia
render uma nova franquia
de sucesso, mas decepciona
Hollywood está sempre em busca de alguma novidade para sacudir o mercado, seja um novo viés para um gênero batido ou uma história que possa se tornar uma franquia de sucesso e garantir o sustento de alguns estúdios e produtoras durante alguns anos ou quem sabe até por tempo indeterminado. Melhor ainda quando estas duas possibilidades podem ser reunidas em um único projeto e talvez foi nessa onda que o diretor Jon Fraveau embarcou quando decidiu conduzir Cowboys e Aliens, um longa que no mínimo podemos tachá-lo como criativo e que tem toda a pinta que poderia vir a se tornar uma série cinematográfica marcante. Ficamos com tal impressão até que iniciamos o filme, mas dificilmente não caímos do cavalo quando vemos a realização da idéia. Após o estrondoso sucesso de Homem de Ferro, o diretor procurou inovar e gerar ramificações para o gênero de aventura. Assim, ele teve a idéia de unir passado e futuro em um mesmo longa, uma mistura inusitada de dois gêneros ficcionais totalmente opostos. A ficção faz parte do cinema há muitos anos, mas ainda soa como algo futurista e as pessoas sonham com o dia em que poderão ver de perto naves espaciais e os enigmáticos extraterrestres. Por outro lado, o western marcou o cinema entre as décadas de 1940 e 1960 e hoje em dia é raro surgir um bom filme de homens com hábitos rudimentares, montados em seus cavalos e empunhando suas armas intimando seus inimigos para um duelo onde só um pode sobreviver. A idéia de alienígenas em meio a um cenário de bang-bang é até interessante, mas na prática não funciona. Ao menos neste caso não rolou. Baseada em uma série de quadrinhos homônima que, segundo boatos, nem havia sido lançada quando as filmagens começaram, a narrativa mantém um ritmo irregular e arrastado, ora com momentos cansativos e ora apostando em explosões e efeitos especiais manjados para acordar o espectador. A criatividade da premissa contrasta com os lugares comuns que as situações apresentadas sugerem, além de que o enredo não é lá muito cativante. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O OUTRO LADO DA NOBREZA

NOTA 8,0

Drama de época tem mensagem
atual com protagonista que
almeja vida de luxúria e riquezas,
mas se decepciona com seu sonho
O que é ser um nobre? Uma pessoa que não tem nada para fazer e que gasta seu tempo ocioso com festas, bebedeiras, comendo de tudo do bom e do melhor, além de estar sempre adornado por belas roupas e jóias? Talvez esta fosse a visão de Robert Merivel, o protagonista do drama de época O Outro Lado da Nobreza. Interpretado pelo ator Robert Downey Jr. em um momento em que os excessos de sua vida pessoal ainda não chamavam mais a atenção que seus trabalhos, o personagem é um jovem e talentoso estudante de medicina londrino do século 17, época em que sua profissão estava sendo muito requisitada, mas a ciência era desafiada pela superstição visto que até os mais ricos eram em sua maioria desprovidos de cultura. Merivel acabava se destacando entre seus colegas da área por sua coragem em realizar tarefas com total naturalidade, como tocar o coração de um paciente que estava com o órgão exposto, porém, o que ele tinha de competente também tinha de mulherengo, tanto que até penhorou sua caixa de instrumentos para pagar suas diversões. Observando atentamente o citado episódio do toque no coração, o rei Charles II (Sam Neil) resolve chamá-lo para ajudar a salvar a vida de alguém que está morrendo e sem a qual não pode viver. Se conseguir curá-la ele se tornaria o médico oficial da corte. Aceito o desafio, Merivel se espanta ao descobrir que a tal Lulu não é uma mulher e sim a cadela de estimação do rei. Seus conhecimentos de medicina não eram tão amplos a ponto de recuperar um animal, mas a sorte estava do seu lado e repentinamente a paciente dada como morta começa a gemer e a latir. A partir desse dia sua vida muda completamente deixando sua vocação de lado e permitindo que a cegueira da ambição o atingisse. Vivendo de luxo, diversão e fazendo todas as vontades do rei, inclusive diverti-lo com palhaçadas, há quem diga que o médico se tornou um bobo da corte sem se dar conta, todavia, dos mais bem pagos. Seu amigo de faculdade, John Pearce (David Thewlis), tentou lhe abrir os olhos sobre a realidade da vida entre os nobres, mas Merivel preferiu virar as costas e ir morar no palácio. Mal sabia que a vida de regalias lhe custaria um preço alto.

terça-feira, 26 de julho de 2016

A VIÚVA DE SAINT-PIERRE

NOTA 8,5

Drama épico aborda a questão
da pena de morte e ao mesmo
tempo narra a história de um
casal que afronta a hipocrisia
A condenação de uma pessoa a morte para pagar pelos crimes que cometeu até hoje é um assunto polêmico e que divide opiniões, porém, tal discussão já dura séculos. Se hoje em dia a pena de morte pode ser sinônimo de câmaras de gás, injeções letais e cadeiras elétricas, há séculos atrás ser condenado era ser sentenciado a ser guilhotinado em praça pública, um pequeno show masoquista para o pessoal a favor da execução e uma tortura para os demais que eram obrigados a ver tais cenas para as assimilarem como forma de punição para aqueles que infringissem as leis, assim forçando-os a seguir padrões rígidos de moral e costumes. Tratar de tal temática não é tarefa fácil, mas o cineasta francês Patrice Leconte encontrou uma forma razoavelmente mais amena para abordá-la aliando-a ao poder que a paixão exerce sobre uma pessoa e ao secular embate entre os defensores da sinceridade e os adeptos da hipocrisia. Co-produção entre a França e o Canadá, A Viúva de Saint-Pierre é um épico que praticamente divide-se em dois atos que se relacionam intimamente. No primeiro temos o nascimento de um excêntrico triângulo amoroso que coloca seus integrantes na mira das pessoas mais conservadoras, embora consiga atiçar a curiosidade de algumas delas. Já da metade para o final vemos o drama de um homem prestes a ser guilhotinado cujo fim trágico pode mudar radicalmente a vida de outros. O roteiro criado pelo cineasta em parceria com Claude Faraldo conta uma história que começa a ser desenvolvida em 1849 na até então tranquila e pequena ilha de Saint-Pierre, território francês perto da costa canadense (na época parte do Canadá era possessão da França). A calma do lugar é rompida quando dois marinheiros bêbados, Ariel Neel Auguste (Emir Kusturica) e Louis Ollivier (Reynald Bouchard), matam de forma insensata Coupard (Michel Daigle), um morador do vilarejo. Ambos são sentenciados a morte, mas Ollivier, que tinha sido condenado a trabalhos forçados, morre em um acidente a caminho da prisão. Já o outro réu, que confessou ter dados os golpes de faca fatais na vítima por um motivo tolo, fica aguardando a chegada de uma guilhotina, pois a República exige que qualquer civil que tenha recebido a pena capital tem de ter a cabeça decepada para servir de exemplo. Além do instrumento de execução, também é necessário um carrasco, pois não há ninguém na ilha que queira exercer esta função. Enquanto aguarda que os problemas para sua execução sejam resolvidos, Neel fica confinado em uma cela que é muito próxima da casa de Jean (Daniel Auteuil), o capitão que controla a polícia e o presídio. Logo sua esposa, Pauline (Juliette Binoche), também conhecida com Madame La (chamada de Madame A na tradução em português), sente vontade de conhecer o prisioneiro e lhe pede que a ajude a cuidar de seu jardim, claro que com o consentimento de seu marido que jamais lhe negou pedido algum.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

BRUNA SURFISTINHA

NOTA 8,0

Sexo, fama, dinheiro, drogas,
humilhação e decadência são os
temas presentes na vida da garota
que deu nova imagem à prostituição
Quem é Raquel Pacheco? Atriz, escritora, artista plástica, uma mulher do meio político, enfim algum nome que fez algo expressivo pela História do Brasil ou ao menos para seu estado ou cidade? Em 2009, época das filmagens de sua cinebiografia, tais indagações já não fariam tanto sentido, mas se você ainda hoje não liga o nome a pessoa é porque está fora de órbita. Ela simplesmente é a musa inspiradora do longa que leva seu nome de guerra, Bruna Surfistinha, drama que levou multidões aos cinemas e ainda alimenta a curiosidade de muita gente, afinal apresenta uma enxuta visão de como foi a rápida ascensão, decadência e volta por cima de uma garota de programa que acabou trazendo glamour para aquela que é considerada a profissão mais antiga do mundo. Claro que ainda existem muitas pessoas que nem pensam em assistir tal produção, um preconceito que a própria “celebridade” biografada incentivou, talvez sem perceber, sujeitando-se durante um bom tempo a participações em programas de TV e cedendo entrevistas que não estavam afim de mostrar o quanto é dura e perigosa a vida de uma prostituta, mas sim em esmiuçar os detalhes picantes e curiosos dos atendimentos que Raquel fez, assim vendendo de certa forma uma imagem positiva da atividade e afrontando a moral e os bons costumes que boa parte dos brasileiros diz ainda preservar. Contudo, é preciso frisar que este trabalho do diretor estreante em cinema Marcus Baldini é uma grata surpresa capaz de deixar boquiaberto quem tem o pé atrás com a superexposição de Surfistinha na mídia, uma cinebiografia que segue os moldes hollywoodianos de produções do tipo. Deborah Secco, na época vivendo um período áureo de sua popularidade, assumiu o papel principal e se entregou de corpo e alma ao trabalho que lhe exigiu transformações físicas e imersão na mente e nos sentimentos da personagem para trazer a dignidade diante do público que a homenageada almejava e não permitir que as cenas de sexo se transformassem na chave do sucesso do filme. Baseado no livro “O Doce Veneno do Escorpião”, assinado pela própria Surfistinha e que rapidamente se tornou um campeão de vendas, o roteiro foi construído por Homero Olivetto, José de Carvalho e Antônia Pellegrino que preferiram fazer algumas alterações no tipo de narrativa para adaptar a obra para a linguagem cinematográfica. Originalmente a época da conturbada adolescência e seu futuro como prostituta que transcende as barreiras da marginalidade se intercalam, mas no longa foi feita a opção em manter o foco das atenções quando ela decide abandonar o conforto da casa dos pais pela liberdade com consequências negativas da vida nas ruas. Mas não pense que o melodrama toma conta do pedaço. Com momentos de ironia, o filme mostra que Surfistinha mais que uma profissional do sexo também foi psicóloga e idolatrada dando dicas para salvar casamentos, aconselhando em problemas, dando prazer aos menos favorecidos pela natureza e tornado-se uma personalidade que ajudou a transformar a internet como uma nova fábrica de sucessos.

domingo, 24 de julho de 2016

FALSÁRIA

Nota 6,5 Ironias e críticas são destiladas enquanto uma série de mal entendidos é desenvolvida

Existem filmes que acabam só chegando ao público com um empurrãzinho de algum fator que conspire a seu favor, mas as vezes nem com essa forcinha as coisas dão certo como é o caso do drama de época Falsária que provavelmente só chegou até nós em meados de 2005 graças a meteórica ascensão da carreira de Scarlett Johansson. Na época a moça já cultivava a fama de aceitar papéis digamos “pouco católicos”, por isso deve surpreender a muitos quando vemos que a tal mau caráter do título na verdade é interpretada por Helen Hunt. Ela dá vida a Sra. Stella Erlynne, uma mulher elegante e refinada, mas que não está mais conseguindo andar pelas ruas de Nova York dos anos 30 sem ser apontada por alguém. Praticamente todas as pessoas da alta sociedade sabem que ela sustenta seu padrão de vida com a ajuda financeira que recebe de milionários casados que buscam aventuras fora de casa, mas o cerco parece estar fechando, assim como a carteira de seus amantes. Após ver a foto de um jovem casal publicada em um jornal, ela decide partir para a costa italiana, um novo reduto da aristocracia americana, porém, já faz a viagem com segundas intenções. Rapidamente ela conhece Robert Windemere (Mark Umbers) comprando um presente para sua esposa Meg (Scarlett) e o ajuda. Em retribuição ele lhe oferece uma carona até o hotel em que está hospedada, mas acaba sendo visto por algumas pessoas de seu convício social que passam a tecer comentários precipitados. Não demora muito e ela também conhece Meg e tenta fazer o papel de amiga conselheira, mas a jovem acaba desconfiando de que ela e seu marido estão se encontrando as escondidas, ainda que Erlynne também não esconda estar flertando com o Sr. Tuppy (Tom Wilkinson) que parece não se importar com a má fama desta mulher. As desconfianças de Meg aumentam ainda mais ao serem alimentadas pelos comentários de John Darlington (Stephen Campbell Moore), amigo de longa data de Robert e que parece não confiar na lealdade do rapaz quanto ao casamento. Aos poucos, ele deixa claro que está apaixonado pela garota e vê na provocante Erlynne a chance de destruir um casamento para conseguir a mulher que deseja e a falsária, por sua vez, parece saber algum segredo sobre o casal Windemere que a ajudará financeiramente por meio de chantagens.

sábado, 23 de julho de 2016

SEDE DE VINGANÇA

Nota 6,0 Obsessão por vingança leva homem comum a atos extremos em obra simples e eficiente

O nome do escritor Stephen King ajuda a vender um filme aos produtores e consequentemente é certeza absoluta de retorno financeiro. Bem, nem sempre os resultados são satisfatórios. A trajetória do autor no cinema é repleta de altos e baixos. O próprio já chegou a ser diretor da adaptação de uma de suas obras decepcionado com os resultados que outros cineastas ofereceram em outras oportunidades. O fato é que as vezes menos é mais e é isso que prova o suspense Sede de Vingança que está longe de ser uma das melhores adaptações cinematográficas do escritor e tampouco uma obra memorável de seu gênero, mas de qualquer forma prende a atenção do início ao fim. Baseado em um curto conto de King, a trama começa com um discurso vingativo de um homem enquanto a câmera capta a aspereza de um asfalto de estrada. Ele é Robinson (Wes Bentley), um professor de ciências que vivia muito feliz com a esposa Elizabeth (Emmanuelle Vaugier) que não vê a hora de engravidar. A vida do casal muda completamente quando presenciam uma chocante cena em uma região desértica dos EUA. Um caminhão repleto de mulheres traficadas para fins de prostituição é interceptado por Jimmy Dolan (Christian Slater), o maior mafioso da região. Ele promove uma verdadeira chacina, o casal observa tudo e depois denuncia à polícia, esta que já está saturada de denúncias do tipo e parece até compactuar que tragédias assim aconteçam para amedrontar novos possíveis imigrantes ilegais que desejam invadir o território norte-americano para roubar as terras e empregos que por direito seriam da população ianque. Mesmo com o absurdo descaso da polícia local, que preconceituosa creditava o tal crime a um negro, o casal segue em frente com a denúncia e então passa a viver sob a proteção do FBI até que chegue o dia do julgamento de Dolan. O problema é que nem preso ele está ainda.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A SÉTIMA ALMA

NOTA 2,0

Apesar da boa premissa, longa
peca pela falta de originalidade,
ritmo irregular e aspecto datado,
não dialogando com o público alvo
Não é a toa que o diretor Wes Craven ganhou a alcunha de Mestre do Terror. Na década de 1980 ele deu vida a um icônico serial killer, o repulsivo Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, mas ele não só encontrou uma fórmula criativa e extremamente gráfica de assustar como também teve o mérito de certa forma pintar um retrato da juventude ianque suburbana que consequentemente viria a se tornar um espelho para jovens de outros países. Entre uma cena e outra de morte, o cineasta conseguiu inserir temas pertinentes ao universo de seu público-alvo como a perda da inocência e a sensação de impotência dos adolescentes diante de uma realidade que os sufocava. Os tempos eram outros e as produções de horror tinham uma preocupação maior com o conteúdo, assim por trás do sucesso da franquia (ou pelo menos de alguns de seus capítulos) haviam ideias relevantes para justificar os ataques em sonhos bem realísticos do cara das famosas garras afiadas. Muitos tentaram o mesmo sucesso investindo em vilões sarcásticos ou irremediavelmente impiedosos e o próprio diretor precisou se reinventar dentro das regras que o próprio ajudou a sedimentar. Contudo, A Sétima Alma, penúltimo filme do cineasta que faleceu em 2015, não tem um porquê de existir. Não traz nada substancial em seu enredo e tampouco assusta, pelo contrário, até exagera nos momentos de humor involuntário. A produção parece envelhecida em diversos aspectos e desconectada das novas gerações que pensam e agem na mesma velocidade de um computador top de linha. A trama se passa em Riverton, pequena cidade do interior que está sendo assolada por um serial killer conhecido como Estripador. Criativo não? O criminoso seria Abel Plenkov (Raul Esparza), um homem que anos atrás sofria com o transtorno de múltiplas personalidades e em um de seus surtos assassinou a esposa grávida na frente da própria filha pequena que por pouco teve sua vida poupada. Em um lapso em que recobra o seu juízo perfeito o rapaz pede socorro ao médico que já acompanhava seu caso de esquizofrenia, mas de nada adianta. Qualquer incauto que cruzasse seu caminho era cruelmente morto, até mesmo policiais e socorristas, porém, o maluco não era indestrutível. Bastante ferido, ele cai em um rio e acredita-se que tenha se afogado, embora seu corpo jamais fora encontrado.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

LEÕES E CORDEIROS

NOTA 7,5

Longa atípico promove a reflexão
através de três tramas paralelas a
respeito da guerra ao terror, mas
excesso de diálogos incomoda
Redford. Streep. Cruise. Usando os sobrenomes de seus principais nomes do elenco para a publicidade, Leões e Cordeiros prometia ser um daqueles filmes que marcam época e conquistam todos os prêmios, contudo, revelou-se uma grande frustração para o público que, desculpe o trocadilho, sentiu-se comprando gato por lebre. É compreensível seu fracasso de repercussão entre os populares, assim como também é justificável a considerável quantidade de elogios que a obra colheu da crítica especializada. A primeira coisa que é preciso saber é que este é um filme diferente, um estilo narrativo e uma proposta incomuns no cinema americano. Será mesmo? Há muitas pequenas produções ianques que não tem medo de mexer em feridas, mas ainda é preciso que nomes fortes ou o apoio da mídia ajudem tais mensagens a chegarem ao grande público. Robert Redford, um dos responsáveis por atrair os holofotes para o cinema independente, quis neste caso chamar a atenção das pessoas para o rumo que os EUA estava tomando. O ator parecia estar disposto a causar barulho e espantar os fantasmas da fria recepção que teve seu último trabalho como diretor, Lendas da Vida, filmado sete anos antes, e adotou como temática a discussão política sobre a participação de seu país na guerra contra o terror priorizando a reflexão. Todavia, justiça seja feita, o pontapé inicial do projeto foi dado pelo roteirista Matthew Michael Carnahan, de O Reino, que teve inspiração para escrever quando certo dia assistindo aos noticiários da TV se indagou de que forma as pessoas estavam percebendo os acontecimentos da guerra no Iraque sendo que as notícias volta e meia estavam sento entrecortadas por fatos esportivos entre outros. Provavelmente apenas um pequeno número de telespectadores conseguiria refletir com precisão sobre o assunto e era muito importante que tal temática se popularizasse. Inicialmente pensado como um roteiro para o teatro, o que justifica o excesso de diálogos e pouquíssimas mudanças de cenários, o texto chegou às mãos de Tom Cruise, então iniciando sua carreira como manda-chuva em uma produtora de cinema. Bem relacionado, conseguiu facilmente que Redford se interessasse em dirigir e atuar e este agregou Meryl Streep ao projeto, sua amiga de longa data. Longe de ser um entretenimento qualquer, esta é uma obra verborrágica e que exige atenção redobrada do espectador, inclusive mais de uma sessão para aqueles que tiverem a inteligência de perceberem que a falta de ação é substituída pela abundância de conteúdo e interpretações fortes e marcantes. Foi uma tentativa arriscada de Cruise que assumiu um estúdio de cinema estreando com um projeto claramente de baixo potencial para bilheterias, embora seu título possa indicar algo interessante. Força versus submissão? Na realidade a junção dessas palavras é uma alusão a impressão que alemães tinham de suas posições em relação aos soldados britânicos na Primeira Guerra Mundial, o que já indica que essa obra faz mais jus a atenção de aficionados por História que certamente sabem identificar as raízes dos problemas contemporâneos no passado.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

ESPELHO, ESPELHO MEU

NOTA 7,0

Longa faz paródia de
conto clássico colocando
a Rainha Má como
personagem principal
A maioria dos contos de fadas são histórias criadas há séculos atrás que sofreram diversas modificações com o passar dos anos e através de suas inúmeras versões literárias, teatrais, televisivas e cinematográficas. Comumente, mas erroneamente, consideramos as tramas originais aquelas adaptadas pelos estúdios Disney e como lendas europeias, mas na verdade atualmente pouco sabemos sobre as reais origens desses textos clássicos e encantadores. Muitos dizem até que tais contos podiam ter desfechos de arrepiar e macabros. Assim, reinventar estas histórias ou tentar apresentá-las o mais próximo possível da maneira como foram concebidas se tornaram um campo fértil para o cinema. Depois de Alice no País das Maravilhas e A Garota da Capa Vermelha, projetos que foram duramente criticados, praticamente na mesma época duas produtoras resolveram resgatar o conto “Branca de Neve e os Sete Anões”, cada uma com uma abordagem diferente. Um destes trabalhos é Espelho, Espelho Meu. O diretor indiano Tarsem Singh, do psicodélico A Cela e da batalha épica Imortais, tratou de dar um enfoque diferente a versão tradicional que conhecemos do conto e deixou nos cenários e figurinos extravagantes sua marca registrada. O enredo criado por Mellissa Wallack e Jason Keller começa nos moldes de Encantada com uma animação revelando o início de vida de Branca de Neve através da narração sarcástica em off da Rainha Má. Após esta breve introdução os atores de carne e osso entram em cena. Lily Collins assume o posto de mocinha e Julia Roberts o de vilã. Aos 18 anos de idade, Branca de neve vive enclausurada no castelo de seu falecido pai, mas está sob os cuidados de sua malvada e vaidosa madrasta que deseja se casar com o príncipe Andrew (Armie Hammer) e salvar as finanças do reino. Estes personagens, assim como outros, têm perfis diferentes dos que estamos acostumados. A jovem donzela de pele clara e cabelos escuros não é indefesa. Corajosa e espevitada, é ela quem salva o príncipe em uma de suas escapadas do castelo. Tão belo quanto desastroso, ele foi assaltado por um grupo de sete anões saqueadores montados em pernas-de-pau. Depois disso ele é apresentado à rainha que imediatamente o elege como a sua tábua de salvação para poder continuar vivendo de luxos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

ENCONTRO DE AMOR

NOTA 5,0

Longa recicla a fórmula do
romance entre a garota pobre
e o homem rico, mas no fundo é
mais do mesmo e com falhas
O velho e conhecido conto da “Cinderela” escrito em meados do distante século 17 pelo francês Charles Perrault continua sendo uma fértil fonte de inspiração para o cinema, mesmo em tempos em que tal história já foi contada e recontada das mais variadas formas por todos os cantos do mundo seja em forma de peças teatrais, programas de TV e até mesmo releituras literárias. O problema é que cada vez que o texto ganha uma nova versão mais batido o tema fica, porém, as comédias românticas contemporâneas adoram requentar a fórmula da garota pobre que se apaixona por um homem rico e até o avesso dessa relação (o rapaz humilde conquistando uma ricaça) já está se tornando saturado no mundo cinematográfico. Produtos do tipo não costumam gerar bilheterias exorbitantes, mas contam com um público cativo e fiel que adora assistir um filme já sabendo como ele terminará, comprovando que não são apenas as crianças que gostam de ouvir repetidas vezes a mesma história. Encontro de Amor é mais uma comédia romântica a investir na citada fórmula previsível, mas que hoje já pode se dar ao luxo de contar com o status de clássico estilo sessão da tarde. Nada mais apropriado para uma produção leve, descontraída e que agrada crianças e o público feminino, mas os homens também podem se entreter desde que entrem no espírito do programa, ou seja, cérebro desligado e embarcando sem preconceitos nesta história de uma das primeiras Cinderelas representantes do século 21. O repúdio ou o envolvimento imediato dos espectadores é intimamente ligado com a sensação “já vi esse filme”, e isso não é por acaso. O argumento original é do finado John Hughes, criador de populares sucessos do passado destinados a entreter a todas idades como Curtindo a Vida Adoidado e Esqueceram de Mim, mas no trabalho em questão ele deixou as peripécias e anarquias infanto-juvenis de lado para mergulhar de cabeça em uma piscina de água com açúcar, porém, o material acabou tendo o roteiro desenvolvido por Kevin Wade, que pouco antes havia feito sucesso com o texto de Encontro Marcado.  O pupilo soube fazer a lição de casa direitinho e nem mesmo o clichê da protagonista trocando de roupa várias vezes até encontrar o modelito perfeito para viver sua noite de sonhos foi descartado. A trama gira em torno de Marisa Ventura (Jennifer Lopez), uma mãe solteira que mora em Nova York e como tantas outras latinas trabalha como camareira em um dos mais famosos e requintados hotéis da cidade. Um dia ela é incentivada por uma colega de trabalho a provar as roupas de uma hóspede muito rica, Caroline Lane (Natasha Richardson), e graças ao seu filho Ty (Tyler Posey) a vida de Marisa está prestes a sair da monotonia por causa de um encontro inesperado que o garoto inocentemente provoca.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A PROVA (2005)

NOTA 5,5

Drama adaptado de elogiado
texto teatral fica devendo em
emoção e por vezes acaba
distanciando o espectador
Loucos no cinema só servem para distrair platéias protagonizando cenas cômicas ou amedrontando personagens em filmes de terror e suspense. Será mesmo? Este é um pensamento antiquado e que só deve ser profanado por pessoas com memória muito curta ou nenhum conhecimento da sétima arte, pois a lista de produções que levam a sério a temática ou que registram a vida de pessoas com mentes brilhantes mesmo com algum tipo de deficiência mental é bastante extensa. Filósofos, escritores, pintores, músicos, enfim uma rica galeria de personagens do tipo, geniais e ao mesmo tempo problemáticos, sejam eles reais ou ficcionais, trataram de emocionar pessoas no mundo todo como no caso dos longas Gênio Indomável e Uma Mente Brilhante, por exemplo. Pois é justamente no quesito emoção que derrapa o drama A Prova que tinha praticamente todos os elementos necessários para ser um sucesso. Na direção John Madden repetindo a dobradinha do premiado Shakespeare Apaixonado com a atriz Gwyneth Paltrow, contudo, o cineasta parece pouco inspirado estendendo-se demais em cenas com longos diálogos que por vezes podem parecer sem sentido ao espectador. Mesmo assim a protagonista se esforça para transmitir sentimentos com sua atormentada Catherine, personagem que ela já havia interpretado anteriormente em uma montagem teatral de sucesso em Londres (também ganhou versão brasileira nos palcos). O roteiro original foi adaptado para as telas por Rebecca Miller em parceria com o próprio autor David Auburn, uma forma de tentar preservar a essência e a qualidade do aclamado e premiado texto. Por fim, um elenco respeitável para interagir com Paltrow, no entanto, o resultado final é enfadonho e a conclusão deixa a desejar. A trama gira em torno de Catherine, uma moça que abdicou de sua vida por cerca de cinco anos para poder cuidar de seu pai, Robert (Anthony Hopkins), um gênio da matemática que passou a sofrer com os males da esclerose no final da vida. Autor de centenas de manuscritos e teorias inovadoras, o estudioso dizia que sua loucura não era devido a velhice, mas já era um mal que lhe acompanhava desde seus vinte e poucos anos, quase como uma maldição a qual estavam sujeitas praticamente todas as mentes brilhantes. Catherine receia vir a sofrer também com a loucura já que está chegando na tal idade crítica e os anos em que viveu isolada com o pai em uma casa afastada parecem não terem lhe feito bem.

domingo, 17 de julho de 2016

O SEGREDO DO IMPERADOR

Nota 4,0 Animação finlandesa tem visual chamativo, mas narrativa é insossa e falta humor

É tão raro termos acesso a animações produzidas fora do território norte-americano que é quase irresistível para os cinéfilos conferirem quando alguma é lançada nos cinemas ou diretamente em DVD, mas é uma pena que na maioria das vezes tais produtos não correspondem nossas expectativas como é o caso de O Segredo do Imperador, desenho animado oriundo da Finlândia. Só pelo fato de ser uma produção de um país cuja filmografia é pouco difundida já seria motivo suficiente para dar aquela vontade de conferir este trabalho com direção de Riina Hyytiä, mas o colorido vibrante e os traços atípicos para a era das animações digitais também instigam a curiosidade, todavia, o roteiro de Aleksi Bardy não empolga em momento algum. A trama se passa em um pequeno vilarejo localizado na fronteira de um império cujo antigo imperador renunciou e cedeu lugar para Kostiainen, um tirano que ordena que todos os povoados adjacentes lhe enviem um presente de boas-vindas, mas obviamente ele deve escolher o que deseja ganhar. Paavo é naturalmente o líder popular da tal vila por ser o mais forte entre todos e por conta de sua posição exige que seus familiares e amigos sirvam de bons exemplos, mas o ferreiro Sauli ousa certo dia desacatá-lo e é banido do local. Paralelo a tristeza de perder a companhia de um amigo, Paavo terá que defender a roda-gigante do parque que o novo imperador exigiu como presente, mas o brinquedo além de divertir as crianças também é a base do sustento de todos na vila. Um dos habitantes, o senhor Erkki, protesta contra a exigência e acaba sendo condenado a passar dez anos na prisão, mas o líder do povo não vai deixar barato e pela primeira vez resolve desobedecer ordens superioras. Paavo decide ir pessoalmente falar com o imperador para salvar o amigo, porém, sem querer acaba colocando todos os demais habitantes em maus lençóis já que correm o risco de serem deportados para um local isolado de tudo caso o grandalhão de bom coração não se entregue por livre e espontânea vontade e desista de contrariar as ordens do soberano.

sábado, 16 de julho de 2016

A MORTE E A VIDA DE BOBBY Z

Nota 3,5 Caça a famoso traficante é repleta de clichês, além de situações e diálogos sofríveis

Filmes que abordam o submundo do crime já têm suas características conhecidas. Golpistas atacando golpistas, drogas, bebidas, palavrões e gírias a vontade, mulheres liberais, além dos tradicionais corre e corre e tiroteios, tudo servido geralmente sob uma atmosfera pesada e escura realçando o aspecto de mundo negro em que vivem os criminosos e aqueles que os sustentam através da compra de contrabandos e drogas. Todavia, a alta sociedade também tem seus podres como mostra A Morte e a Vida de Bobby Z, mas neste caso esqueça os ambientes sujos, escuros, as bebidas baratas, os palavrões pesadões e as prostitutas de esquina. Só mesmo uma ambientação diferenciada para não tornar este título totalmente esquecido. As ensolaradas praias da Califórnia ficaram conhecidas como o território do lendário traficante Robert Zacharias, mais conhecido como Bobby z (Jason Lewis), que fez fortuna enquanto surfava e tomava banhos de sol, além de se divertir com as mulheres que desejava, mas misteriosamente ele sumiu. Alguns acreditam que ele agora atua em um novo território e muitos outros juram que ele está morto, assassinado ou por overdose. Tim Kearney (Paul Walker) é um criminoso que foi preso por pequenos deslizes, mas acabou cometendo seu grande crime na própria cadeia ao matar um valentão que o perturbava. Jurado de morte pelos demais presos, o rapaz estaria em risco em qualquer outra prisão, o que veio a calhar com os planos do detetive Tad Gruzsa (Laurence Fishburne) que aposta na semelhança física de Kearney com Bobby para que ele o ajude a liberar seu parceiro de trabalho que está em poder de Don Huertero (Joaquim de Almeida), o maior traficante do norte do México. Esse magnata do tráfico deseja uma sociedade com Bobby para levar seu comércio ilegal para Los Angeles e só vai entregar o policial quando se encontrar pessoalmente com o jovem traficante. O plano seria ótimo, pois Kearney se livraria da cadeia pelo favor prestado, mas ao aceitar não imaginava no que estava se metendo. Em um primeiro momento, passar-se por outra pessoa parecia fácil. Ele corta os cabelos, decora detalhes da vida do suposto morto, ganha roupas bacanas e é recebido no vinhedo de Brian Cervier (Jason Flemyng), um homem com ligações estreitas com Huertero. Comendo do bom e do melhor, tendo vinho a vontade e curtindo um dia de sol a beira da piscina na companhia de belas mulheres deslumbradas pelo dinheiro, não demora muito para o falso Bobby entrar em apuros.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A MULHER DE PRETO 2 - ANJO DA MORTE

NOTA 2,5

Com a assombração e o cenário do
primeiro filme amarrados em uma trama
independente da original, longa parece não
ter identidade própria ou razão de existir 
Entre as décadas de 1930 e 1940 o estúdio Universal era o santuário dos filmes de terror, produções no sentido mais clássico do gênero e protagonizadas por lendárias criaturas como Drácula, Múmia e Frankenstein. Fundada quase que simultaneamente, a produtora inglesa Hammer cerca de três décadas depois tomou tal posto para si também investindo em adaptações e improváveis continuações para as histórias dos famosos monstros, mas em tempos em que fitas abordando exorcismos e psicopatas bombavam não havia mais espaço para o horror fantasioso. O ápice da companhia não durou muito e ela entrou em declínio rapidamente, porém, retomou suas atividades em 2007 com relativos sucessos como Deixe-me Entrar, remake de um cult sueco, e A Mulher de Preto, que ganhou projeção por ser a primeira grande produção do ator Daniel Radcliffe após anos dedicados a interpretar Harry Potter. Não foi um estrondoso sucesso, até porque o protagonista não convenceu muito em um papel tão complexo, mas o longa tem o mérito de resgatar um estilo de horror gótico há muito esquecido, salvo por produções assinadas pelo diretor Tim Burton. A ambientação sombria e o climão de filme antigo também deveriam ser os pontos fortes de A Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte, previsível (literalmente!) continuação, porém, um projeto que desde o início já se mostrava problemático. Do longa anterior nem o astro principal e tampouco o diretor James Watkins aceitaram participar de um segundo capítulo, mas a vontade de dar o pontapé para uma possível franquia acabou levando produtores a bancar a fita que traz como único ponto em comum com seu predecessor o fato do argumento principal se basear no fantasma de uma mulher amargurada que atrai crianças para um destino cruel. Novamente inspirado no livro “Woman in Black” de Susan Hill lançado em 1983, a trama tem agora como protagonista Eve (Phoebe Fox), uma jovem professora que é contratada por uma escola do interior da Inglaterra para ajudar a cuidar da demanda de novos alunos. A Segunda Guerra está chegando ao seu clímax e a cidade de Londres é parcialmente destruída, forçando seus moradores a buscarem refúgio em regiões mais afastadas, assim muitas crianças foram obrigadas a se separar de suas famílias e os órfãos não tiveram outra escolha. Esse é o caso do pequeno Edward (Oaklee Pendergast), que não pronuncia uma palavra sequer.  Após perder seus pais ele foi levado para o colégio da severa Sra. Jean Hogg (Helen McCrory) que funciona justamente no casarão cercado por um pântano palco principal do filme anterior.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A MULHER DE PRETO

NOTA 6,0

Longa recupera atmosfera
sombria e melancólica de
obras de horror do passado
visando um público jovem
Quem nunca sentiu um calafrio ao passar pelas redondezas de uma casa abandonada ou uma construção distante em meio a um matagal? Hollywood sempre gostou de explorar o filão das residências assombradas, mas nos últimos anos esse tipo de produção acabou perdendo seu charme ao ter que dividir seu público com as fitas de seriais killers ou de exorcismos, ou seja, precisaram se adaptar aos novos tempos e apostar em sustos fáceis, escatologia, erotismo e muito sangue para agradar. Só por fugir deste esquema batido já vale a pena dar uma conferida em A Mulher de Preto, um dos principais projetos da produtora Hammer que retomou suas atividades em 2007. Para quem nunca ouviu falar dela, basta dizer que a empresa praticamente moldou um subgênero do terror principalmente nos anos 70 ressuscitando Drácula, Frankenstein, Múmia e outras criaturas horripilantes clássicas ou que tinham ligações com esses monstros famosos, geralmente tendo os atores Christopher Lee e Peter Cushing encabeçando as produções. Hoje quem consegue assistir pelo menos uma dessas pérolas do terror de antigamente pode tanto achar que está diante de uma maravilha do cinema quanto também considerar uma verdadeira obra trash, mas o fato é que não se pode negar a importância do estúdio em determinada época para a História da sétima arte. Tentando resgatar um pouco da áurea dos filmes de terror clássicos, mas ainda visando faturar alto com as novas gerações, o diretor James Watkins, roteirista de Abismo do Medo 2, conta uma história levemente baseada no tema espiritismo protagonizada por Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter que agora com o fim da série de filmes do bruxinho precisa se dedicar ao máximo para provar que pode assumir novos papéis e bem mais maduros. Embora ainda continue com um pé na fantasia neste caso, o jovem ator se esforça para convencer o público com um personagem que já é pai de uma criança pequena e que ainda sofre com a morte precoce de sua esposa. Ele vive Arthur Kipps, um advogado que foi enviado por seu escritório para regularizar os documentos de uma mansão cujo dono recentemente faleceu e que fica próximo a um vilarejo inglês no qual algumas crianças estão sofrendo mortes misteriosas de tempos em tempos. O rapaz chega ao local sem saber de tais boatos, mas quando começa a ter uma série de visões misteriosas, incluindo as constantes aparições de uma mulher vestida totalmente com roupas pretas, ele descobre que existe algo relacionada entre a tal mansão e as mortes repentinas das crianças. Ele decide investigar estes casos com a ajuda de seu amigo Samuel Daily (Ciarán Hinds), outro cético quanto ao espiritismo, mas acaba provocando a ira dos moradores e alguns novos falecimentos ocorrem. Suas preocupações aumentam quando seu pequeno filho também chega ao vilarejo sem saber que corre riscos estando por lá.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

LOPE

NOTA 8,5

Cinebiografia de poeta
espanhol é convencional,
mas eficiente e com um
belo visual barroco
O cinema brasileiro está cada vez mais ganhando espaço em outros países, com direito a participações em festivais e não tendo sua distribuição restrita apenas ao período de premiações quando batalhamos por certa cobiçada estatueta dourada. Dessa forma, o talento de nossos atores, diretores e equipes técnicas também têm conquistado o respeito e a admiração do público, crítica e, principalmente, de quem faz cinema em todos os cantos do mundo. A prova disso é que frequentemente encontrarmos nos créditos de muitas produções internacionais os nomes de alguns brasileiros. Este é o caso de Lope, uma requintada produção de época européia dirigida por Andrucha Waddington, o homem por trás das câmeras de Eu, Tu, Eles e Casa de Areia. Mesmo não possuindo uma extensa filmografia, alguns de seus trabalhos chegaram a ser exibidos em importantes festivais internacionais e chamaram a atenção. Nesta co-produção entre Brasil e Espanha o cineasta mantém o mesmo bom nível de seus trabalhos anteriores e sem inovações, mas isso não faz esta obra ser um projeto menor em seu currículo, pelo contrário, ele se mostra maduro e confiante para contar a história de uma personalidade do mundo das artes pouco conhecida fora do território espanhol. Felix Lope de Verga (Alberto Ammann) é um jovem e galanteador poeta que deseja ter seus trabalhos reconhecidos e não mede esforços para conseguir o que quer. Em meados do século 16, o dramaturgo volta da Guerra dos Açores para Madri decidido a não lutar mais pelo seu país natal e querendo seguir seu sonho de com seus textos modificar a cara das produções teatrais unindo humor e drama em uma mesma história. Para tanto ele busca a ajuda do antipático empresário teatral Jeronimo Velázquez (Juan Diego), mas convencê-lo de seu talento não é uma tarefa fácil, porém Elena (Pilar López de Ayala) pode ser a salvação do rapaz. Filha do empresário, ela logo se sente atraída por Lope e começa um romance às escondidas, já que ela é usada pelo pai para conseguir favores de homens ricos e o próprio escritor passa a ter seu trabalho explorado. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

SANTOS E PECADORES

NOTA 7,0

Apesar de soar confuso em alguns
momentos pelo excesso de nomes
mencionados, longa tem trama bem
amarrada e adrenalina em altas doses
Como sempre dito neste blog, os filmes de ação já tiveram sua fase áurea, tempos em que Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme e companhia bela eram sinônimos de lucros. Como tudo que é demais enjoa era batata que o gênero uma hora entraria em declínio. Os brucutus então tiveram que se contentar em esquecer as altas bilheterias do cinema e migrar para o campo do vídeo doméstico, área que os aceitou de braços abertos e criando um novo público cativo. E se engana quem pensa que apenas pessoas mais simplórias são adeptas das correrias, tiroteios e sopapos para todos os lados. Uma boa parcela do público de filmes de ação é composta por pessoas de nível intelectual elevado. Dedicados as suas profissões e estudos, essas pessoas na hora do lazer procuram opções mais amenas, portanto, nada de colocar o cérebro para funcionar. O negócio é relaxar, mas não a ponto de se contentar com filmes que se equilibram sob um fiapo de história. Talvez por isso algumas produções calcadas na adrenalina procurem transformar um argumento simples em algo mais elaborado como é o caso de Santos e Pecadores. Embora previsível, o longa dirigido e escrito por William Kaufman ganha pontos por pegar pesado na violência gráfica, algo raro em tempos de produções que seguem a cartilha do politicamente correto, ou quase isso. Os ferimentos expostos e os golpes comumente são substituídos por diálogos tensos ou grotescos e pelo consumo de drogas, talvez agressões que provoquem muito mais impacto no espectador que uma luta corporal. Kaufman filma de modo mais tradicional e investe nos clichês, mas graças a um pequeno detalhe salva seu trabalho do ostracismo: corpos em chamas (ficção imitando a realidade ou o contrário?). A trama começa apresentando uma das batidas policiais comandadas pelo corajoso Sean Riley (Johnny Strong) em uma área dominada por criminosos fortemente armados em Nova Orleans. A operação resulta na morte de um companheiro de trabalho deste tira durão que não pensa duas vezes antes de atirar nos bandidos. Como em qualquer boa produção Hollywoodiana do tipo, é óbvio que não sobra um vilão para contar história, todavia, Riley também não termina como herói, pelo contrário.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

OS AMORES DE PICASSO

NOTA 7,5

Com apuro técnico digno de
clássicos,  cinebiografia de um dos
maiores gênios das artes perde pontos
com o maniqueísmo dos personagens
As histórias sobre artistas das mais diversas áreas sempre foram uma excelente fonte de inspiração para o cinema. A trajetória ou determinado período da vida de vários atores, diretores, músicos e cantores já ganharam suas versões cinematográficas, mas quando o destaque vai para artistas plásticos tais produções ganham um charme a mais devido ao colorido das telas desses gênios da pintura. Assim, a vida artística e profissional de Frida Kahlo, Jackson Pollock, Michelangelo “Caravaggio”, Francisco Goya entre tantos outros ganharam suas versões em película carregando em seus títulos nomes de pesos que já se encarregariam de atrair público, porém, muitas dessas obras não fizeram o sucesso esperado, nem de crítica tampouco comercial. Este é o caso de Os Amores de Picasso, obra que acompanha dez anos conturbados da vida de um dos maiores representantes da arte cubista. A narrativa concentra-se entre os anos de 1943 e 1953, período em que Pablo Picasso (Anthony Hopkins) se envolveu com a aristocrata francesa Françoise Gilot (Natascha McElhone). Toda essa história é contada pelo ponto de vista desta mulher cerca de quarenta anos mais jovem que o seu mestre que tanto idolatrava, diga-se de passagem, então já um sexagenário. Contentando-se em se tornar pupila do pintor e ficar mais próxima do mundo das artes, a garota aceita as traições do companheiro, afinal ela própria ocupava um dos papéis de amante, assim concomitantemente Picasso manteve relacionamentos com outras damas como Dora Marr (Julianne Moore), Marie-Therese Walter (Susannah Harker) e Olga Khokhlova (Jane Lapotaire), então sua legítima esposa. Coincidência ou não, nenhuma delas teve uma vida feliz e certamente isso tem a ver com seus relacionamentos com o espanhol este que, por sua vez, abandonou todas elas sem cerimônias. Apenas Françoise teve coragem de dispensá-lo, sendo que imediatamente ao fim deste romance ele se juntou à Jacqueline Roque (Diane Venora), que mesmo sendo tratada como uma serviçal permaneceu com o artista até ele vir a falecer em 1973.

domingo, 10 de julho de 2016

AS ROSAS SÃO VERMELHAS, AS VIOLETAS SÃO AZUIS

Nota 7,0 Presidiários buscam a redenção na jardinagem, mas é duro vencer o preconceito

O sistema carcerário é um assunto bastante polêmico. Muitos acreditam que são remotas as chances de alguém sair regenerado de um lugar onde ódio, mágoas e violência acabam fazendo parte do dia-a-dia dos prisioneiros, mas não custa sonhar que coisas boas podem acontecer. As Rosas São Vermelhas, As Violetas São Azuis surpreende logo no início. Pelo título literalmente florido seria difícil acreditar que o longa dirigido e roteirizado por Joel Hershman é protagonizado por um presidiário, mas não é que essa plantação dá bons frutos? Na Inglaterra, Colin Briggs (Clive Owen) é um presidiário que está enclausurado desde muito jovem, mas após muitos anos ele pode curtir a liberdade condicional, porém, pelo seu bom comportamento ele é escolhido para participar de um programa experimental para cumprir o restante de sua pena. A prisão de Egdfield só possui o sistema de vigilância comum para evitar algum tipo de incidente, mas é desprovida de grandes artefatos de segurança, nem mesmo grades existem. Ao mesmo tempo em que os presos são submetidos a uma prova de resistência diante de todas as facilidades para uma fuga, eles também participam de algumas atividades que os ajudam a se reabilitar para serem integrados novamente à sociedade. Colin passa a dividir o quarto com o simpático idoso Fergus Wilks (David Kelly) e apesar do estranhamento inicial eles se tornam amigos. É graças a este senhor, que devido a idade avançada não tem mais esperanças de viver em liberdade, que o rapaz descobre um talento que jamais imaginou ter: o dom para a jardinagem. Aos poucos outros detentos se interessam pela atividade que passa a ser integrada no currículo da instituição e logo a prisão está repleta de campos floridos. Não demora muito para que o tal jardim se torne famoso, chame a atenção da imprensa e a notícia chegue aos ouvidos de Georgina Woodhouse (Helen Mirren), uma renomada paisagista que se interessa pela proposta inusitada da reabilitação de criminosos através do cultivo de plantas. Com o apoio desta mulher, acreditando estar em meio a homens que cometeram pequenos delitos, Colin e seus companheiros tem a chance de participar de uma importante exposição de jardinagem que acontece anualmente no palácio de Hampton Court.

sábado, 9 de julho de 2016

RAPTO DE SANGUE

Nota 5,0 Apesar da boa premissa, longa é superficial no trato das emoções das personagens

É justo condenar um filme simplesmente por ele ser previsível e/ou simplório mesmo quando ele alcança seus objetivos? Pois é, Rapto de Sangue é uma produção que nos faz pensar um pouco sobre essa questão. É fato que muitos nunca ouviram falar dele, foi lançado no Brasil por uma distribuidora pequena, hoje raramente é encontrado em locadoras ou magazines e não tem a seu favor nomes conhecidos no elenco, todavia, é um trabalho correto do diretor Brian Trenchard-Smith que adotou estética e estilo narrativo típicos de telefilmes para contar uma história policial com toques dramáticos. A história criada pelo roteirista Richard Blade tem início 14 anos antes da época da ação principal. A jovem Kristen (Gabrielle Anwar) está recém-separada de Quinn (Craig Sheffer), mas eles ainda precisam manter uma convivência pacífica por conta do filho pequeno, mas sempre que se encontram discutem. Certo dia ele decide ir dar um passeio de barco com o filho e a ex-mulher permite, mas com ressalvas por conta de uma tempestade que está para passar pela região litorânea. Coração de mãe não se engana e no dia seguinte ela recebe a informação que a embarcação de Quinn emitiu um pedido de socorro para a administração do porto no início da noite e depois não fez mais contato. Os dias passam e junto se esvai as esperanças de Kristen rever seu filho. Muitos anos depois assistindo a um vídeo caseiro das férias no litoral de um casal de amigos ela reconhece Quinn e junto dele um adolescente que jura ser seu filho. Agora ela está disposta a viajar e tentar reatar os laços com Mark (Chace Crawford) que ganha alguns trocados levando turistas para passearem de barco ou mergulharem. Já que se trata de um pequeno trabalho com jeitinho de feito para a TV já sabemos de antemão que o final feliz está garantido. A atração da fita seria ver os percalços da protagonista para atingir seus objetivos e é aí que as coisas desandam. Embora percebemos boas intenções, tudo é apresentado de forma muito superficial, sem as emoções necessárias e que a premissa permitiria. Orçamento curto e falta de empenho de seus realizadores implicam direto nesse resultado fraco, o que também justifica sua curta duração. Contudo, ao que tudo indica, o projeto já nasceu com pretensões de ser apenas um passatempo rápido.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

VÍRUS (2009)

NOTA 7,0

Apostando em temática
apocalíptica, longa surpreende
por dispensar sustos fáceis e
apostar em situações reflexivas
Ameaças a saúde humana que podem provocar o extermínio da população, seja em um pequeno vilarejo ou um problema de grandes proporções que pode acometer várias partes do mundo, sempre foi um terreno fértil para o cinema explorar, algumas produções inclusive extrapolando os limites do bom senso e abusando da escatologia transformando seres humanos em verdadeiros monstros. O resultado é que esse subgênero que serviria bem a dramas, suspenses e longas de terror acabou rotulado como produções trashs e afastando o público automaticamente. Todavia, vez ou outra surge uma boa obra do tipo que por trás do verniz superficial esconde uma boa proposta: colocar em discussão como a raça humana, ou melhor, como os poucos sobreviventes de um surto de doença misteriosa faria para sobreviver em um ambiente devastado e onde ninguém estaria totalmente a salvo de ser a próxima vítima fatal. Para ficar nos exemplos mais recentes, entre Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio, dois títulos que abordaram de forma eficiente a degradação do ser humano diante da tragédia (entenda-se a deterioração no caso como egoísmo e a loucura), foi lançado de forma muito discreta Vírus, um interessante trabalho escrito e dirigido pelos irmãos espanhóis Alex e David Pastor que chegou aos cinemas bem na época em que o mundo estava vivendo o pânico do H1N1, a super gripe que assolou o mundo entre 2009 e 2010 (se bem que a sigla ainda causa tensão até hoje). A trama fala sobre um vírus mortal que se espalhou por todo o planeta fazendo com que ninguém mais seja confiável. Qualquer um poderia estar contaminado e passar adiante a doença sem necessariamente apresentar algum tipo de sintoma nas primeiras horas. Bobby (Piper Perabo) e Kate (Emily VanCamp) são algumas das sobreviventes que percorrem as estradas rumo a uma praia isolada, um dos poucos lugares ainda a salvo da epidemia e que remete a infância dos irmãos Danny (Lou Taylor Pucci) e Brian (Chris Pine) que também as acompanham na viagem. Eles acreditam que lá estarão seguros, mesmo que por tempo indeterminado, só que no meio do caminho o carro quebra, o que faz com que fiquem à beira de uma estrada abandonada. Logo eles encontram um carro estacionado e conhecem Frank (Christopher Meloni), um homem que precisa de ajuda para conseguir o remédio contra o vírus para sua filha, a pequena Jodie (Kiernan Shipka). É o início de uma jornada onde os jovens precisarão enfrentar não apenas o vírus mortal, mas também a desconfiança existente entre eles em uma luta desesperada para sobreviver.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

OS ESQUECIDOS (2004)

NOTA 3,0

Apesar da atmosfera adequada
e da intrigante introdução, nem a
talentosa Julianne Moore consegue
manter o interesse em tola produção
Julianne Moore tem uma carreira que é o sonho de qualquer intérprete. Premiada, de bem com a crítica e com vários filmes alternativos e cults em seu currículo, a atriz também tem espaço garantido no cinema comercial. Qualquer diretor de blockbuster adoraria ter seu nome encabeçando os créditos, tanto que ela viveu um dos personagens principais de O Mundo Perdido – Jurassic Park. As vezes ela entra em furadas como a estranha comédia de ficção Evolução e o chatinho água-com-açucar Totalmente Apaixonados, mas parece que para cada meia dúzia de bons projetos que caem em suas mãos ela precisa agarrar ao menos um filme-pipoca para pagar suas contas. Seu papel no suspense Os Esquecidos poderia ter sido entregue a qualquer outra, mas com seu talento ela não só constrói uma personagem razoavelmente interessante, ainda que fraquinha se comparado a outras de suas criações, como também salva o longa. Bem, ao menos uma parte dele, mais especificamente os primeiros minutos dedicados a apresentação de Kelly Paretta, uma mulher que há cerca de um ano vive atormentada pela morte de seu filho Sam (Christopher Kovaleski) em um acidente aéreo e seu estado de nervos a afastou do trabalho e também está prejudicando seu relacionamento com o marido Jim (Anthony Edwards). Sua vida perdeu totalmente o sentido e a perturbação aumenta quando procura a ajuda do Dr. Munce (Gary Sinise), psiquiatra que avalia suas queixas e chega a conclusão de que o garoto nunca existiu e todas as lembranças que ela tem são invenções que sua mente criou para apaziguar a dor de uma gestação que não vingou. Outras pessoas também afirmam que Sam é apenas uma ilusão, todavia, Kelly quer provar a todo custo a existência do garoto, diga-se de passagem, algo que até mesmo seu companheiro nega. Fotos e vídeos que acreditava guardar como lembrança de uma hora para a outra desaparecem e até esse ponto o filme caminha bem, de maneira intrigante e apoiado no talento da protagonista que nos deixa em dúvida se a personagem está falando a verdade ou perdeu a sanidade.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

VERONIKA DECIDE MORRER

NOTA 4,0

Embora respeite a obra literária
de Paulo Coelho, longa parece
arrastado demais e dificilmente
cria vínculos com o espectador
Infelizmente os brasileiros têm mania de se menosprezar. Fora o futebol, parece que em absolutamente tudo somos vistos como fracassados por outros países, porém, esses são comentários de pessoas que se dizem espertas, mas no fundo não passam de intelectuais frustrados que só fazem levar adiante pensamentos contrários as massas, uma forma ilusória de se sentir acima dos populares. Não é de hoje que alguns brasileiros tem se destacado internacionalmente. Pelé, Xuxa, Caetano Veloso, Fernando Montenegro e em uma fase mais recente Ronaldinho, Rodrigo Santoro, Ivete Sangalo e o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva são alguns dos exemplos de personalidades que construíram fama fora de nossos limites. Independente de suas realizações serem boas ou ruins, o fato é que eles ajudaram a desfazer a imagem que o Brasil é um país predominantemente habitado por índios (parece esquisito, mas até pouco tempo ainda alguns países tinham tal visão). Um nome que há décadas já está em evidência internacionalmente é o do escritor Paulo Coelho, conhecido pela predileção por temáticas místicas, de autoajuda e afins. Suas obras, algumas já vendidas para mais de 150 países, são questionadas por muitos que a consideram uma literatura sem valor, no entanto, elas parecem atrair a atenção de muitos produtores de cinema, ainda mais em tempos em que vivemos um boom do casamento entre filmes e livros. Contudo o autor não parece seduzido facilmente por cifras milionárias e faz jogo duro para vender os direitos para adaptações cinematográficas. Após uma mal sucedida experiência de adaptação de uma de suas obras para uma telenovela, Coelho finalmente cedeu, ou melhor, vendeu a um bom preço os direitos de Veronika Decide Morrer, lançado sem grandes alardes. Produção norte-americana, o longa não causou barulho em seu território, mas curiosamente nem mesmo no Brasil foram feitos esforços para seu sucesso, provavelmente uma previsão de que seu ritmo lento não agradaria e uma gama de curiosos poderia espalhar críticas negativas. Bem, realmente este é um filme para quem gosta de produções mais contemplativas ou no mínimo seja fã de Coelho ou tenha lido a obra que serviu de inspiração. O problema é que fica difícil se concentrar em um trabalho composto basicamente por cenas longas e muitos momentos silenciosos que deixam a amarga sensação de que nada acontece durante toda a projeção, ainda mais para aqueles que assistem com muita expectativa e aos poucos precisam lutar contra a decepção. A impressão é que o filme dura muito mais que o divulgado, algo que uns bons cortes na sala de edição resolveriam facilmente adicionando ritmo e melhorando consideravelmente o envolvimento do público com o longa.

terça-feira, 5 de julho de 2016

A QUEDA DO PODER

NOTA 8,0

Readaptação feita para a TV de
obra pouco conhecida de Orson
Welles tem mensagem universal e
atemporal sobre tolerância e caráter
Manter a tradição de um nome e consequentemente o status financeiro e social não é uma tarefa fácil. Hoje em dia ainda há muitas famílias espalhadas por aí que tentam sobreviver as custas do sobrenome do clã, mas embora a tática ainda engane alguns ingênuos, é certo que praticamente todo mundo sabe que elogios e prestígio não pagam contas. O problema é quando os próprios “novos pobres” não fazem questão alguma de deixar a ficha cair e além de tentarem manter um padrão de vida que não lhes convém mais ainda não perdem o velho hábito de pisotearem nos outros. Pois é essa lição de vida que recebe o protagonista de A Queda do Poder, drama de época baseado no roteiro adaptado pelo cultuado Orson Welles para um conto clássico europeu, “The Magnificent Ambersons”, de Booth Tarkington, que em 1942 ganhou versão cinematográfica sob o título Soberba. Dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos e talvez isso tenha chamado a atenção do cineasta Alfonso Arau a investir no remake de um longa que ficou esquecido com o passar dos anos, porém, sua mensagem continua super atual. O diretor foi fiel a essência do texto de Welles, mas precisou ampliá-lo para atender as exigências do porte do projeto. Apesar de todo o requinte para reconstruir cenários do final do século 19 e início do 20, a produção não foi feita para o cinema. Sua duração um pouco acima do normal e forma de edição denunciam suas raízes televisivas, como se fosse uma série de alguns poucos capítulos compilados posteriormente para lançamento em DVD ou simplesmente um telefilme mais pomposo. Com visual caprichado equiparável a produções de época cinematográficas, Arau, que infelizmente não conseguiu cravar outros sucessos após o premiadíssimo Como água Para Chocolate, mostra que um trabalho de televisão não precisa necessariamente ser de qualidade inferior e tampouco ser encarado como um rebaixamento aos profissionais que migram das telonas. É possível sim fazer um belo produto, mas quebrar barreiras dos preconceitos dos espectadores são outros quinhentos, ainda que neste caso a trama seja bastante atrativa com enlaces românticos ameaçados pela empáfia de um rapaz que ficou cego pela ambição, inveja e apego as tradições. Enquanto procurava provocar a infelicidade dos outros, não percebeu que estava destruindo a sua família e a si mesmo, mas enquanto se está vivo sempre há tempo para consertar os erros. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

NAVIO FANTASMA

NOTA 2,5

Apesar de bem ambientado e
com ponto de partida interessante,
longa não vai além dos clichês e
entedia com personagens sem carisma
Toda equipe envolvida em uma produção de cinema sonha que ela seja um sucesso, caso contrário, qual seria o incentivo para o trabalho? No entanto, há filmes que ainda no papel já revelam não ser grande coisa, porém, podem surpreender nas bilheterias. A justificativa seria que o público não tinha nada melhor para fazer, gosto duvidoso ou uma campanha de marketing caprichada? Podemos dizer que Navio Fantasma se beneficiou da conjunção destas três alternativas e bombou nas bilheterias, porém, não há nada de excepcional nesta fita que nem se preza a assustar, pelo contrário. Devido à expectativa que gera e não cumpre, no final das contas a sensação de tédio é que prevalece. O prólogo até que chama a atenção, embora seja extremamente trash desde os créditos iniciais grafados com fonte e cor que nada tem a ver com o gênero. Em meados da década de 1960, uma festa está acontecendo no convés do luxuoso navio Antonia Graza, porém, ela terminará de forma trágica. A embarcação é sabotada e toda a tripulação é assassinada em questão de segundos sendo literalmente cortada ao meio por um afiado cabo de aço, restando aparentemente apenas Katie (Emily Browning), uma garotinha que foi salva por sua baixa estatura. Impossível não esboçar ao menos um risinho ao ver os corpos se desmantelando e caindo no chão como jacas do pé. Medo zero! Cerca de quarenta anos depois, uma equipe especializada em resgates de veículos marítimos é contatada por Jack Ferriman (Desmond Harrington), um piloto da aeronáutica que diz ter avistado a carcaça de um imenso navio durante um de seus voos. Segundo o capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne), qualquer pertence de valor perdido no mar não tem dono legítimo, sorte de quem encontrar, e a ideia de pôr as mãos em um tesouro aguça sua equipe formada por Greer (Isaiah Washington), Santos (Alex Dimitriades), Dodge (Ron Eldard), Munder (Karl Urban) e Maureen (Julianna Marguiles), a única mulher do grupo. A ação dentro do transatlântico obviamente é desenvolvida na base de um poço de clichês. Os aventureiros ficam sem comunicação, encontram indícios de que não são os primeiros a explorarem o local, barulhos e sombras passam a pegá-los desprevenidos e um a um os personagens vão sendo limados, cada qual com seu momento-solo para brilhar. Ou seria apagar? E é claro que também descobrem barras de ouro, o motivo que justificaria a tragédia do passado, e quando pensam em voltar para casa ricos acabam ficando presos em alto-mar.

domingo, 3 de julho de 2016

SENTENÇA DE MORTE

Nota 7,0 O tema justiça pelas próprias mãos ainda rende bons filmes quando bem justificado

O cinema em geral, mas principalmente o feito em Hollywood, parece adorar o tema vingança, um assunto que rende desde produções medíocres até elogiados trabalhos, tudo depende do viés do enredo. Fazer justiça com as próprias mãos, mesmo sem ter bons argumentos para tanto, eram características comuns dos filmes protagonizados antigamente por brucutus como Dolph Lundgren e Steven Seagal. Uma faísca qualquer era o suficiente para que um bombadão saísse por aí distribuindo pancadas, chutes e tiros e assim fazer a alegria de seus fãs. Hoje em dia tramas do tipo já não contam com um público-alvo expressivo e a maioria são execradas pela crítica, mas salvam-se aquelas apoiadas em algum tipo de alicerce dramático e nada melhor que um sofrimento familiar para captar a atenção e o emocional do espectador.  É com uma premissa do tipo que Sentença de Morte consegue ser um produto acima da média em sua seara. Na trama roteirizada por Ian Mackenzie Jeffers, Nick Hume (Kevin Bacon) é um cidadão comum que leva uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Kelly Preston) e de seus dois filhos, o caçula Lucas (Jordan Garrett) e o adolescente Brendan (Stuart Lafferty). A felicidade da família é destruída quando o filho mais velho é assassinado na frente do seu próprio pai pela gangue de Billy Darley (Garrett Hellund). O assassino, Joe (Matt O'Leary), um jovem que precisava demonstrar sangue frio e cometer um crime relevante apenas para ser introduzido ao bando, acaba sendo preso, mas Hume não se contenta com a sutil sentença que foi dada ao rapaz. Assim, com o intuito de proteger sua família e vingar a morte gratuita de seu filho, ele decide fazer justiça por conta própria. Mais violento e com espírito vingativo aguçado, ele promete matar qualquer criminoso que de alguma forma esteja envolvido na morte de Brendan, todavia, Darley não vai acompanhar tal plano de vingança de braços cruzados e parte para o contra-ataque com tanta sede de vingança quanto seu rival.

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