domingo, 6 de agosto de 2017

LAR DOCE INFERNO

Nota 2,5 Criticando a utopia do sonho americano, comédia de humor negro derrapa no mau gosto

Um homem com seus trinta e poucos anos parece levar a vida perfeita. Ele é bem-sucedido profissionalmente, vive em uma confortável casa cercada por um belo jardim, dirige um carro de luxo e tem uma linda esposa e dois filhos pequenos para diariamente sentar-se à mesa para fazer refeições fartas e se sentir como em um alegre comercial de margarina. Contudo, lhe falta algo para ser feliz, mais especificamente uma vida sexual mais ativa como nos tempos da juventude. Seria a trama que permeia o premiado Beleza Americana? Antes fosse. O filme em questão é a comédia Lar Doce Inferno, produção que força ao máximo situações para arrancar gargalhadas, mas só consegue tirar sorrisos amarelos do espectador. O comerciante Don Champagne (Patrick Wilson) apesar das aparências não leva um casamento feliz já que Mona (Katherine Heigl), sua esposa, é uma mulher bipolar e que também sofre de transtorno obsessivo compulsivo, assim são constantes seus ataques e mudanças de comportamento. Isso seria o de menos caso ela tivesse a libido em alta, mas ela é totalmente fria quando o assunto é sexo e chega até mesmo a programar os dias em que o casal poderá ter relações. Ficar de olho no calendário para fazer transar é broxante, assim o cara é obrigado a pular a cerca. O casamento é abalado quando ele começa a conviver com Dusty (Jordana Brewster), uma atraente colega de trabalho que inicialmente parece estar querendo apenas diversão sem compromisso, mas não demora muito para se mostrar uma amante tão impertinente quanto a mulher oficial do vendedor. Contudo, ela não tem nenhuma doença de fundo psicológico ou emocional. Seu problema é extorquir o quanto puder de grana do otário para sustentar o mau caráter Murphy (A. J. Buckley).

Quem na verdade tem dinheiro é Mona que vem de uma família rica, o que deixa seu marido em maus lençóis quando ele passa a ser chantageado pela amante por conta de uma suspeita gravidez que ela deseja levar adiante. Sem saída, Champagne acaba abrindo o jogo com a esposa que reage até com certa calmaria inicialmente, mas não tarda a exigir que o marido acabe o quanto antes com a vida de Dusty. Os roteiristas Carlo Allen, Ted Elrick e Tom Lavagnino tentaram fazer uma sórdida brincadeira em torno do tão famigerado sonho americano, aquela história da família aparentemente perfeita que da porta de casa para fora esconde dos vizinhos e amigos problemas e frustrações. Contudo, não espere discussões aprofundadas sobre a temática. O filme não engrena enquanto não chega ao ponto-chave, a exigência de Mona para que o marido se livre da amante de qualquer maneira. E ela não dá a opção do simples rompimento, desejando a morte da rival. O grande pecado da fita, além das situações que não divertem, é o fato do diretor Anthony Burns não ter pulso firme na direção de atores. Heigl e Wilson não demonstram química alguma e os perfis de seus personagens não são bem trabalhados. Mona a maior parte do filme demonstra ter uma personalidade fria e calculista. A descoberta da traição poderia transformá-la, é fato, mas o problema é que ela assume um comportamento agressivo que beira a caricatura, jamais convencendo como alguém com distúrbios emocionais. Nem de longe vemos algum traço da atriz cativante vista em Vestida Para Casar, mas no caso isso não é um elogio a entrega da moça ao papel. Wilson, mais conhecido por papéis em dramas e produções com temáticas mais fortes como Pecados Íntimos, mostra-se pouco a vontade demonstrando ter consciência que lhe falta timing para a comédia, mas não se intimida a ficar semi-nu e simulando sexo nas cenas com  Brewster. Lar Doce Inferno parece uma produção feita a toque de caixa, sem apuro narrativo e tampouco de direção. O desfecho controverso poderia ser aceitável e até acachapante, mas dentro do contexto soa debochado e de mau gosto. 

Comédia - 98 min - 2014

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