domingo, 1 de outubro de 2017

RUTH E ALEX

Nota 3,0 Sem uma trama com objetivo concreto, longa se apoia no carisma e talento dos atores

Para as novas gerações mudar de endereço dificilmente é um bicho de sete cabeças, a maioria já está acostumada com casas de pais separados, estudar ou trabalhar em outra cidade ou dividir o espaço com amigos ou até mesmo desconhecidos. A tendência é que quando forem idosas continuem não sofrendo com apegos a moradias, uma realidade diferente da terceira idade de agora. Ainda há muitos tradicionalistas que se apegam a lembranças, principalmente quando passaram muitos anos e praticamente construíram suas vidas em uma mesma moradia e esse é o dilema vivido pelos protagonistas do drama com pitadas de humor Ruth e Alex protagonizado por Diane Keaton e Morgan Freeman. Casados há cerca de 40 anos e sem filhos, os Carver sempre viveram no mesmo e pacato edifício no subúrbio de Nova York que nem elevador tem, mas agora não reconhecem mais o bairro em que vivem. A abertura da loja de uma poderosa empresa de comunicação na área é a gota d'água para perceberem que não se encaixam mais no local e decidem vender o apartamento, que mesmo antigo está supervalorizado, e procurar um novo cantinho sossegado. Para tanto contam com a ajuda da corretora imobiliária Lily (Cynthia Nixon), sobrinha de Ruth, que organiza um open house, um evento para apresentar o imóvel para possíveis compradores. Contudo, conforme se aproxima a hora de se despedir da antiga moradia, o casal começa a enfrentar uma série de contratempos, inclusive a própria incerteza se querem trocar de casa. Além da disputa de vários interessados no apartamento, cujo valor de venda deve ser equivalente ao que desembolsariam para comprar um novo, eles terão que enfrentar uma inesperada doença da cadelinha de estimação e ainda a presença no bairro de um possível terrorista, fato que pode espantar compradores. Uma mistura de temas um tantinho estranha, não é? Baseado na obra de Jill Ciment, o roteiro de Charlie Peters, de Três Solteirões e Uma Pequena Dama, não se define como um drama, romance, comédia ou até mesmo uma crítica social, visto que aborda a pressão exercida pela exploração imobiliária desenfreada.

Costumamos dizer que Keaton sempre recicla o mesmo tipo de papel e aqui não é diferente, verborrágica ao extremo e até um pouco neurótica com o problema da cachorrinha, e Freeman em seus últimos trabalhos parece estar seguindo a mesma linha repetindo o perfil do idoso de fala mansa, reflexivo e sábio. Embora nos simpatizamos com seus personagens, muito por conta dos flashbacks que mostra o início e desenvolvimento do relacionamento, os protagonistas se esforçam, mas a própria narrativa gera limitações. Se observarmos com atenção percebemos que no fundo não há um conflito bem delineado para sustentar a trama e o final vem a confirmar isso. A venda do apartamento surge como uma ação impulsiva e que serve apenas para o casal ponderar o quanto tempo estão juntos e se estão preparados para uma espécie de recomeço. O filme perde muito ao investir em tramas paralelas que pouco ou nada acrescentam ao argumento principal, assim perdendo a oportunidade de desenvolver melhor os perfis dos protagonistas. Sabemos que Alex é pintor, especialista em retratos que não vendem como antigamente, mais um sinal que parou no tempo. Ruth aparentemente se acomodou como dona-de-casa e eles necessitam vender o apartamento para poderem de imediato comprar um novo. É pouco para nos envolvermos com o dilema do casal que teria outras frentes a serem trabalhadas como o estado de saúde já abalado dele ou o fato de formarem um casal interracial, o que certamente ainda geraria algum tipo de preconceito. Poderia ainda seguir o tom de comédia rasgada com os protagonistas fazendo de tudo para lucrarem alto com a venda de seu patrimônio, ao menos o filme teria o objetivo claro de fazer rir. O diretor Richard Loncraine, de Wimbledon - O Jogo do Amor, oferece diversas possibilidades, mas não fecha nenhuma delas de maneira satisfatória. Ruth e Alex acaba se valendo mais do carisma e talento de seus astros que nos fazem acreditar em um casal de verdade vivendo um período conturbado de suas vidas. Produção simpática e nada além disso.

Drama - 93 min - 2014

-->
RUTH E ALEX - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...