sábado, 18 de maio de 2019

CRIATURAS (1986)

Nota 6,5 Longa já nasceu envelhecido, mas assume com orgulho e bom humor sua vocação trash

A hora do... espanto, calafrio, pesadelo, lobisomem, mortos-vivos e por aí vai. Na década de 1980 era comum no Brasil o batismo de fitas de terror e ficção científica com tal início, uma forma de pegar carona no sucesso alheio ou de turbinar produções capengas. Nessa toada chegou aos cinemas o longa A Hora das Criaturas, como também foi comercializado nos tempos do VHS e ainda é batizado em raras apresentações na TV fechada. Todavia, seu nome original e também comercializado em DVD é Criaturas, denominação mais eficiente visto que é o primeiro de uma franquia que rendeu outros três filmes que apenas acrescentavam o numeral correspondente ao título minimalista. E ainda bem que parou no quarto capítulo, afinal o primeiro já espremia leite de pedra, mas mesmo assim tornou-se uma pérola trash e um marco nostálgico no gênero horror. A trama começa quando pequenos seres extraterrestres estão prestes a serem levados a uma prisão espacial para serem aniquilados, mas conseguem roubar uma nave e vão parar obviamente na Terra, onde mais? Os Critters são criaturas peludinhas, dotados de dentes pontiagudos e olhos vermelhos, soltam espinhos pelas costas, se movimentam rolando como bolas e se comunicam por meio de uma linguagem específica. Eles aterrissam em uma pequena cidade rural dos EUA próximo à fazenda de Jay Brown (Billy Green Bush), que até então levava uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Dee Wallace), da filha adolescente April (Nadine Van der Velde) e do arteiro caçula Brad (Scott Grimes), um experiente criador de bombinhas (característica que terá importância no decorrer do filme). Rapidamente os pequenos alienígenas invadem a propriedade dessa família e fazem sua primeira vítima devorando Steve (Billy Zane, em início de carreira), o namoradinho de April bem na hora que tentava ter sua primeira vez com a mocinha. Inevitável a piada: pensou que ia se dar bem comendo a gatinha e acabou literalmente comido! Os pestinhas ainda devoram as fiações da casa, assim cortando a luz e a linha do telefone e deixando os Brown isolados, contudo, Brad consegue fugir e passa a observar o comportamento dos Critters que tem um apetite descomunal e em compasso com seus crescimentos acelerados.

No encalço dos vandalozinhos do espaço  estão Ug e Johnny Steele (ambos interpretados por Terrence Mann), uma dupla de caçadores de recompensas também alienígenas que possuem cabeças esverdeadas e sem feições e com o dom de poderem copiar o rosto de qualquer ser humano e assim circularem livremente pela cidade. Todavia, em um dos vários furos do roteiro, eles somem por um bom tempo retornando à cena apenas quando são encontrados por Brad que os leva até sua casa junto com o preguiçoso xerife Harv (M. Emmett Walsh). Os Critters, por sua vez, se sentindo ameaçados tratam de bolar um plano de defesa que obviamente afetará a família do garoto. O diretor Stephen Herek, então estreando na função, constrói a título de categorização uma produção de horror, mas na verdade Criaturas causa muito mais gargalhadas que sustos assumindo sem vergonha seu estilo bagaceiro. Pudera, a produção já nasceu com pinta de sátira já que suas grandes estrelas possuem propositalmente uma semelhança conceitual com os monstrinhos de Gremlins lançado dois anos antes e na época já inseridos no universo pop. Mesmo ameaçadores e violentos, apesar das poucas vítimas que somam, os Critters acabam se tornando figuras carismáticas e sarcásticas soltas em um enredo sem muita lógica, mas quem se importa? Aliás, o roteiro do próprio Herek, escrito em parceria com Domonic Muir, ganhou cenas adicionais redigidas pelo ator Don Opper que interpreta Charlie McFadden, um mecânico bêbado que adora falar sobre suas premonições a respeito da chegada de alienígenas à Terra. Em uma época que a computação gráfica já mostrava sua força e dominação em Hollywood, o longa acabou ganhando certa importância com o passar dos anos por usar efeitos caseiros toscos, como bonecos animatrônicos e muito sangue que a olho nu transpiram artificialidade. E o diretor e sua equipe não parecem incomodados com a precariedade da produção. Levam tudo muito a sério louvando a tradição dos filmes B: criatividade para driblar as dificuldades.

Terror - 82 min - 1986

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