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| NOTA 7,5 Longa disseca a intimidade de família problemática abordando temas cotidianos, mas encontra dificuldades de atingir o público |
quarta-feira, 9 de março de 2016
MARGOT E O CASAMENTO
terça-feira, 8 de março de 2016
A CONDESSA BRANCA
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| NOTA 8,0 A Xangai da década de 1930, efervescente e conflituosa, é o cenário de uma história de amor que une dois desiludidos |
Estamos acostumados a atribuir somente ao diretor
geral os créditos dos filmes. Raramente os nomes dos roteiristas são
ostentados, salvo quando também comandam as ações nos sets de filmagens.
Produtores até que nos últimos anos têm sido lembrados, principalmente para
ajudar na venda de filmes lançados diretamente em DVD fazendo referências a
sucessos do cinema destes profissionais, o que geralmente engana o espectador
que acaba por fazer associações positivas entre as citações e os produtos que
nem sempre podem corresponder as expectativas. Nos últimos anos, entre os
produtores de cinema destacaram-se os nomes de Bob e Harvey Weinstein, dupla
que em pouco mais de uma década conseguiu transformar o cinema independente e
fora de Hollywood no biscoito fino das principais premiações, tanto que antes
da produtora Miramax ser adquirida pela gigante Disney eles conseguiram somar
mais de uma centena de indicações e
dezenas de estatuetas do Oscar. Curiosamente, pouco tempo antes da dupla
sacudir o cenário cinematográfico um outro produtor era sinônimo de cinema de
qualidade e digno de prêmios, mas seu nome sempre estava atrelado ao de um
diretor específico. Grandes trabalhos que marcaram os anos 80 e o início dos
anos 90, como Uma Janela Para o Amor e Retorno a Howards End,
levavam nos créditos a grife Merchant-Ivory, ou seja, a assinatura do indiano
Ismail Merchant como produtor e a do californiano James Ivory como diretor. A
dobradinha foi repetida diversas vezes e sempre que um novo produto com a marca
dava sinais de vida já começavam as especulações sobre possíveis prêmios,
afinal suas obras ficaram conhecidas por sem dotadas de bons enredos, elencos
competentes e plasticidades impecáveis. O problema é que após o ano de 1993,
quando emplacaram Vestígios do Dia, a grife começou a dar sinais de
desgaste e suas produções já não chamavam tanto a atenção como antes,
coincidindo com a entrada maciça dos Weinsteins no mercado. A Condessa
Branca é a derradeira obra de Ivory em parceria com Merchant, este que
veio a falecer pouco tempo depois da conclusão das filmagens. Lançado
diretamente em DVD no Brasil e sem repercussão ou publicidade, este competente
e envolvente drama de época não merece tal desprezo, mesmo com a duração acima
da média e o estilo convencional e acadêmico já tradicional da dupla. Não por
acaso a obra nos remete a clássicos como Casablanca.
segunda-feira, 7 de março de 2016
SEXY BEAST
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| NOTA 4,0 Ben Kingsley é a alma de produção que brinca com os esterótipos dos gângsteres, mas uma obra esquecível |
Ben Kingsley é um dos atores mais
renomados do cinema, carrega um título de nobreza, tornou-se famoso
mundialmente após o Oscar pelo papel-título de Gandhi e é conhecido por escolher com cautela os seus projetos (há
controvérsias), mas será que apenas sua presença pode salvar um filme ou ao
menos torná-lo razoavelmente tolerável? A resposta é sim, basta tomarmos como
exemplo a mescla de suspense e ação Sexy Beast, longa-metragem de
estreia do cineasta britânico Jonathan Glazer que futuramente dirigiria Nicole
Kidman no drama Reencarnação. Com um
tempo de arte enxuto e usando a ironia como muleta, o diretor preparou uma
história de gângster sem se preocupar em renovar o subgênero, apenas apostando
na simplicidade. O roteiro de Louis Mellis e David Scinto começa de uma forma
inusitada, que pode tanto aguçar a curiosidade quanto também fazer o espectador
desistir de seguir adiante logo pelos cinco primeiros minutos de projeção.
Durante os créditos iniciais conhecemos o ex-criminoso Gal (Ray Winstone), um
homem que está longe de ter um belo corpo, mas mesmo assim ele está usando uma
pequena sunga amarela, literalmente tostando sob o sol escaldante e em seus
pensamentos narrados em off ele próprio se cobre de elogios e faz algumas
piadas toscas como dizer que seu barrigão está tão quente que poderia fritar um
ovo em cima dela. Parece brincadeira, mas a parada começa assim mesmo. Nessa
introdução ainda fica no ar a impressão de que ele explora o trabalho de um
menor de idade que realiza as tarefas domésticas, conhecemos sua esposa Deedee
(Amanda Redman) no melhor estilo perua, imagem posteriormente revertida, e uma
imensa pedra cai de um barranco e faz um super buraco na piscina do bon-vivant.
Sabendo de antemão que é um filme protagonizado por um antigo fora-da-lei
podemos deduzir que tal situação estapafúrdia seria a vingança de algum
desafeto dele. Errado. O lance do rochedo não agrega nada a trama ou apenas
serve literalmente para tapar um buraco lá no final. Bem, se você não achar
ridículo tal início pode até ser que ache alguma graça no restante do enredo.
Após anos dedicados aos crimes, Gal juntou uma boa quantia de dinheiro e trocou
a fria Inglaterra pela ensolarada Espanha, onde agora curte a vida numa boa e
não pensa mais voltar a sua antiga “profissão”. Contudo, uma vez bandido sempre
bandido.
domingo, 6 de março de 2016
MAX E COMPANHIA
Nota 6,0 Animação tem trama madura e com elementos diferentes, mas peca pelo ritmo irregular
Já faz tempo que desenho animado não é mais coisa
só para crianças, mas é curioso ver como algumas técnicas antigas de animação
hoje em dia só sobrevivem mirando no público adulto. Max e Companhia é um bom
exemplo disso. Seus personagens do bem são simpáticos e fofinhos e seus vilões
medonhos, mas não se engane pelo aspecto simplório desta produção feita em
stop-motion (animação com massinhas). Embora o público infantil, tendo boa
vontade, possa se encantar com seu visual, seu conteúdo na realidade é repleto
de ironias e críticas e deve ser mais bem compreendido por platéias com mais
idade e esclarecidas. Produzido entre Estados Unidos, Bélgica, Suíça e a França, a trama gira em torno de Max, um adolescente que está em
busca de seu pai que jamais conheceu, o outrora famoso músico Johnny Bigoude. A
caminho da cidade de Saint-Hilare, o garoto pega carona com Sam, um artista
decadente que parece levar uma vida sem preocupações com o futuro, importando
apenas o presente. Quando chega ao seu destino, Max é acolhido pela Madame
Doudou, uma simpática professora aposentada que lhe consegue um emprego na
fábrica de um de seus ex-alunos, o bon-vivant Rodolfo. Esse cara adora
aproveitar tudo o que a vida tem de melhor a lhe oferecer e não soube cuidar do
patrimônio que recebeu de herança de um finado tio e agora a fábrica de
mata-moscas Bzzz&Co está correndo o risco de encerrar suas atividades. Os
acionistas então decidem nomear um ambicioso e intratável novo administrador, o
excêntrico Martin, um cientista que acredita que as poucas moscas que restaram
na região aprenderam a se esquivar dos efeitos nocivos dos inseticidas da
empresa e assim decide fazer experimentos para criar novas subespécies resistentes
ao veneno e assim impulsionar novamente as vendas dos produtos. O problema é
que sua ganância o cega e ele não pensa nos efeitos negativos de tal ação.sábado, 5 de março de 2016
LABIRINTO DO TEMPO
Nota 3,0 A exaltação de ter o poder de brincar com o tempo pode levar à caminhos perigosos
Em tempos em que as sociedades
estão criando indivíduos cada vez mais individualistas, ter educação parece
coisa do passado e todos fazem o que bem entendem e falam o que querem sem
pensar nas consequências. Não é difícil nos pegarmos em alguns momentos
pensando como seria bom voltar no tempo e consertar os erros. O problema seria
ter este dom e não saber usá-lo. É esse o foco de Labirinto do Tempo, um modesto suspense dirigido por Carl
Bessai que tem uma premissa interessante e até consegue prender a atenção a
maior parte do tempo, mas quando chegamos à conclusão, para variar, o caldo
entorna e nem o próprio roteirista Arne Olsen sabe como concluir sua história
que acaba se tornando um círculo vicioso sem fim. O longa começa com a forte e
reflexiva frase "não espere pelo último julgamento, ele acontece todos os
dias" e a trama gira em torno de três jovens que se conhecem e fazem
amizade em uma clínica de reabilitação para ex-drogados. Eles têm direito de
vez em quando a saírem do confinamento por um dia para visitarem suas famílias
e tentarem restabelecer os laços perdidos, contudo, a reinserção na sociedade
não é nada fácil. Kyle (Dustin Milligan) tenta se redimir com sua
irmã enquanto Sonia (Amanda Crew) deseja visitar seu pai doente. Já Weeks
(Richard de Klerk) vai encontrar seu violento pai na prisão que aparentemente
está recluso por algum motivo que envolve seu filho. Esse dia não é perfeito
para nenhum deles, mas todos têm a chance de transformá-lo. Durante essa mesma
noite eles acabam tomando um choque e a partir de então o tempo literalmente
não passa. Eles vivem esse mesmo dia repetidamente, mas a cada novo despertar
podem fazer algo diferente, o que quiserem, e no dia seguinte tudo voltará como
estava. No começo encaram isso como diversão, mas quando Weeks surta e abusa
dessa liberdade a brincadeira com o túnel do tempo ganha contornos
perturbadores.
sexta-feira, 4 de março de 2016
PROFESSORA SEM CLASSE
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| NOTA 3,0 Cameron Diaz interpreta professora de caráter duvidoso em comédia com piadas previsíveis e tolas |
Todos os dias é muito comum verificarmos que os alunos não
respeitam mais os professores, estes que cada vez mais se sentem diminuídos e
pressionados. Não é apenas a falta de educação verbal das crianças e
adolescentes com os educadores que nos impressionam, mas a situação chegou a
tal ponto que as agressões tornaram-se físicas também. Ei, melhor parar por
aqui afinal de contas este texto não é sobre um filme no qual um professor vai
enfrentar todos os obstáculos para tentar recuperar uma turma problemática.
Pelo contrário, em Professora sem Classe é a própria educadora que é um mau
exemplo. Ou ela seria o sonho de qualquer aluno? Cameron Diaz vive a
protagonista desta comédia de humor negro que coloca no centro das atenções uma
mulher que não é um modelo de boa profissional e também deixa muito a desejar
como pessoa. Ela não é surreal apenas por sua beleza e corpo esguio, mas também
por sua incrível e duvidosa habilidade em lidar com os alunos. Este é o perfil
Elizabeth Halsey, uma balzaquiana que passou a vida toda correndo atrás de
parceiros milionários para conseguir vida fácil e com todas as regalias
possíveis. Apesar disso, profissão ela tem. É professora, mas simplesmente odeia
o que faz. Assim, toda vez que encontra um parceiro do jeito que sonhou
abandona seu emprego sem pensar duas vezes, mas quando seu último golpe é
descoberto e o relacionamento desfeito ela precisa voltar a lecionar em um
colégio tradicionalista. Desbocada, trambiqueira e preguiçosa, ela acaba
empurrando com a barriga o trabalho. Seu grande objetivo é aguentar a rotina
monótona até conseguir o dinheiro necessário para fazer uma cirurgia de aumento
de seios acreditando que assim o próximo pretendente não lhe escaparia. Para
sua sorte a vítima do próximo golpe vem do lugar que ela menos esperava: o
próprio colégio. O novo professor de matemática, Scott Delacorte (Justin
Timberlake), além de bonito e simpático é um rico herdeiro que por incrível que
pareça gosta e faz questão de trabalhar. O homem perfeito para Elisabeth, mas o
rapaz não parece ser facilmente seduzível e até uma concorrente entra na jogada,
a professora Amy (Lucy Punch), que é apenas um pouco mais ajuizada que a rival,
mas tão pentelha quanto.
quinta-feira, 3 de março de 2016
NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO
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| NOTA 8,0 Duelo de grandes atrizes só colabora para que trama forte, envolvente e incômoda ganhe ainda mais potencialidade |
Obsessão, desilusão, curiosidade,
perversidade, passividade, desejo, amor e ódio. Notas Sobre um Escândalo tem
um amplo leque de opções a serem trabalhadas e o melhor é que o diretor Richard
Eyre, da cinebiografia Íris e do
drama de época A Bela do Palco,
consegue em cerca de 90 minutos alinhavar uma história extremamente
interessante e envolvente unindo todos os temas citados e sem precisar usar
clichês hollywoodianos tampouco corre-corre ou barulheira para deixar o espectador
vidrado no drama com toques de suspense psicológico protagonizado por Cate
Blanchett e Judi Dench, ambas indicadas para o Oscar e tantos outros prêmios
por suas atuações neste longa. Sempre quando surgem notícias de que uma ou
outra está para lançar uma nova produção já começam as especulações sobre
possíveis prêmios e neste caso não foi diferente, porém, quem disser que o
filme se resume a curiosidade de acompanhar o embate de duas grandes
intérpretes é porque é insensível ou em um primeiro momento não conseguiu
embarcar nas emoções do roteiro de Patrick Marber, famoso pela autoria da peça
que deu origem a Closer – Perto Demais,
coincidentemente outro projeto que não conta com momentos arrebatadores em
termos visuais, mas que também guarda em seus diálogos e narrativa todos os
seus tesouros tal qual a obra assinada por Eyre. A adaptação do romance “What
Was She Thinking: Notes on a Scandal”, de Zoë Heller, é uma obra que de certa
forma é de difícil digestão e protagonizada por duas mulheres que cada uma a
seu modo vivem mergulhadas na solidão e entre sentimentos reprimidos. O
encontro delas poderia ser positivo para ambas, contudo, se transforma em um
caso que envolve maldade, distúrbios psicológicos e sofrimento. A ação começa
em um decadente colégio britânico onde a veterana professora de História
Barbara Covett (Judi) procura controlar os alunos com pulso firme, deixando
transparecer em seu semblante inerte poucas características de sua
personalidade, mas seu jeito enérgico é interpretado como a postura de alguém
de muito boa índole pela novata professora de artes Sheba Hart (Cate) que cheia
de ideias e acreditando na evolução dos estudantes parece deslocada no grupo
dos educadores do local um tanto desiludido e sem ambições. Rapidamente as duas
tornam-se amigas, fazendo jus ao ditado que os opostos se atraem, mas por trás
do aparente desinteresse de Barbara escondem-se desejos reprimidos que agora poderiam
ter a chance de serem exteriorizados, mas a obsessão de uma acaba se tornando a
desgraça das duas.
quarta-feira, 2 de março de 2016
LUGARES COMUNS
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| NOTA 8,0 Drama argentino aborda a velhice com respeito e ainda fala sobre a economia do país e a perda de valores humanos |
Já faz algum tempo que países
latinos que historicamente contam com um grande contingente de população idosa
e tradicionalista tem investindo em produções que focam a relação destas
pessoas com a contemporaneidade. Se no cinema americano os mais vividos
geralmente são retratados de forma cômica beirando o caricatural ou são
apresentados enfrentando graves problemas de saúde ou ainda como conformados
diante da iminência da morte, outras culturas preferem retratá-los em seus
filmes deixando os estereótipos de lado e apostando em retratos mais realistas
e humanos, como é o caso da Argentina que possui vários exemplares de obras
desse estilo. Lugares Comuns é um ótimo exemplo, um drama envolvente sobre um
casal maduro que praticamente precisa recomeçar uma vida juntos e que tem como
pano de fundo a crise econômica que tomou de assalto os argentinos em meados da
década de 2000 (ápice da situação, mas certamente ainda um fantasma que em
menor ou maior grau assola o país). Fernando Robles (Federico Luppi) trabalha
há anos como professor de literatura em uma universidade em Buenos Aires, mas
diante dos problemas financeiros do país ele acaba sendo forçado a se aposentar
com a justificativa do limite de idade, o que para ele significa o início do
fim de sua vida afinal ele não teria mais com que se ocupar boa parte do seu
tempo. Ele tem direito a trabalhar por mais algum tempo, mas sabe que não pode
sonhar com uma remuneração condizente com os serviços que prestou e isso o desanima.
Na realidade pesou na decisão de sua dispensa o fato de que em suas aulas ele
estimula seus alunos a sentirem a dor da lucidez, ou seja, questionarem
informações mesmo que a verdade não seja algo positivo, teorias que batem de
frente com os ideais do reitor da instituição. Paralelo a isso, Liliana (Mercedes
Sampietro), sua esposa, é uma assistente social que também está desgostosa com
os rumos de seu trabalho. Sem incentivos do governo, ela não tem como manter
obras de caridade e se sente frustrada. Para fugir um pouco dos problemas, o
casal resolve tirar alguns dias de descanso e viajar para Espanha para visitar
o filho Pedro (Carlos Santamaría) que agora vive lá com a esposa Fabiana (Yael
Barnatán) e o filho pequeno. A viagem aparentemente comum acaba virando um
ponto-chave para a mudança de vida do professor.
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