quarta-feira, 9 de março de 2016

MARGOT E O CASAMENTO

NOTA 7,5

Longa disseca a intimidade de
família problemática abordando
temas cotidianos, mas encontra
dificuldades de atingir o público
Nomes famosos em uma produção adornada por um semblante de obra alternativa ou com ares de filme para intelectuais não ajudam nas bilheterias, isso é fato, e em sua maioria ainda precisam lidar com as críticas implacáveis e negativas daquelas pessoas “fora do meio”, ou seja, o público que se sente atraído pelos atores e não pelas histórias em si. Geralmente quem acaba pagando o pato são os próprios atores que se tornam vítimas de achincalhes e repulsas, afinal para todos os efeitos são eles que colocam literalmente a cara para bater na publicidade destes trabalhos. Talvez justamente para não impactar de forma negativa os fãs de Nicole Kidman e Jack Black é que o drama Margot e o Casamento foi lançado discreta e diretamente em DVD no Brasil, ainda mais levando em consideração a ínfima bilheteria arrecadada nos EUA. Bem, podemos considerar tal atitude por parte da distribuidora responsável como um ato de respeito ao público em geral para não fazê-lo comprar gato por lebre. Os artistas mencionados somados ao romântico título podem vender erroneamente a ideia que este projeto é uma comédia açucarada, mas basta dizer que este é um drama familiar escrito e dirigido por Noah Baumbach, nome que ficou famoso no circuito alternativo com o elogiado A Lula e a Baleia, para percebermos que de comercial a obra não tem nada, pelo contrário. Parece que produções do tipo acabam por se beneficiar de ostentar um pequeno público, o que inerentemente lhe confere o status de filme-cabeça algo que, curiosamente, pode tanto afastar quanto atrair a atenção de populares. No caso do título em questão, que preserva certas semelhanças ao citado trabalho de estreia do conceituado roteirista atrás das câmeras, a rotulagem, ao que tudo indica, trouxe a indiferença, embora existam na internet comentários relativamente positivos à obra que realmente não é ruim, mas peca ao não dar brecha para que o espectador se sinta fazendo parte da trama, ou melhor, tem uma trama aparentemente sem atrativos para grande parte do público que, infelizmente, está acostumado a assistir filmes de modo passivo, as imagens devem falar por si só, assim o excesso de diálogos acaba dispersando atenção facilmente. Logo nas primeiras cenas temos a escritora Margot (Kidman) viajando de trem com o filho, o pré-adolescente Claude (Zane Pais). Eles estão a caminho do encontro com o passado desta mulher, hoje uma pessoa que demonstra ter opiniões firmes, um padrão de vida confortável e dedicada ao filho, este que no fundo sente a falta de uma figura paterna. De volta a cidade onde foi criada, ela reencontrará sua irmã Pauline (Jennifer Jason Leigh) após muitos anos devido a desavenças e diferenças de temperamentos e personalidades, embora quando jovens o relacionamento entre elas tenha sido de cumplicidade. Mesmo com o ruído estabelecido e persistente na comunicação das irmãs, Pauline convida Margot para seu casamento, talvez embriagada pelo espírito familiar inerente à ocasião. A outra, por sua vez, aceita o convite provavelmente por esconder que sente falta de laços afetivos concretos em sua vida, mas sua língua afiada pode piorar o que já estava ruim. O casamento é o motivo de um reencontro, mas de certa forma também a razão para novas desavenças entre as irmãs que hoje não são mais as mesmas de outrora, mas ainda carregam problemas que precisam ser superados.

terça-feira, 8 de março de 2016

A CONDESSA BRANCA

NOTA 8,0

A Xangai da década de 1930,
efervescente e conflituosa, é o
cenário de uma história de amor
que une dois desiludidos
Estamos acostumados a atribuir somente ao diretor geral os créditos dos filmes. Raramente os nomes dos roteiristas são ostentados, salvo quando também comandam as ações nos sets de filmagens. Produtores até que nos últimos anos têm sido lembrados, principalmente para ajudar na venda de filmes lançados diretamente em DVD fazendo referências a sucessos do cinema destes profissionais, o que geralmente engana o espectador que acaba por fazer associações positivas entre as citações e os produtos que nem sempre podem corresponder as expectativas. Nos últimos anos, entre os produtores de cinema destacaram-se os nomes de Bob e Harvey Weinstein, dupla que em pouco mais de uma década conseguiu transformar o cinema independente e fora de Hollywood no biscoito fino das principais premiações, tanto que antes da produtora Miramax ser adquirida pela gigante Disney eles conseguiram somar mais de  uma centena de indicações e dezenas de estatuetas do Oscar. Curiosamente, pouco tempo antes da dupla sacudir o cenário cinematográfico um outro produtor era sinônimo de cinema de qualidade e digno de prêmios, mas seu nome sempre estava atrelado ao de um diretor específico. Grandes trabalhos que marcaram os anos 80 e o início dos anos 90, como Uma Janela Para o Amor e Retorno a Howards End, levavam nos créditos a grife Merchant-Ivory, ou seja, a assinatura do indiano Ismail Merchant como produtor e a do californiano James Ivory como diretor. A dobradinha foi repetida diversas vezes e sempre que um novo produto com a marca dava sinais de vida já começavam as especulações sobre possíveis prêmios, afinal suas obras ficaram conhecidas por sem dotadas de bons enredos, elencos competentes e plasticidades impecáveis. O problema é que após o ano de 1993, quando emplacaram Vestígios do Dia, a grife começou a dar sinais de desgaste e suas produções já não chamavam tanto a atenção como antes, coincidindo com a entrada maciça dos Weinsteins no mercado. A Condessa Branca é a derradeira obra de Ivory em parceria com Merchant, este que veio a falecer pouco tempo depois da conclusão das filmagens. Lançado diretamente em DVD no Brasil e sem repercussão ou publicidade, este competente e envolvente drama de época não merece tal desprezo, mesmo com a duração acima da média e o estilo convencional e acadêmico já tradicional da dupla. Não por acaso a obra nos remete a clássicos como Casablanca.

segunda-feira, 7 de março de 2016

SEXY BEAST

NOTA 4,0

Ben Kingsley é a alma de
produção que brinca com os
esterótipos dos gângsteres,
mas uma obra esquecível
Ben Kingsley é um dos atores mais renomados do cinema, carrega um título de nobreza, tornou-se famoso mundialmente após o Oscar pelo papel-título de Gandhi e é conhecido por escolher com cautela os seus projetos (há controvérsias), mas será que apenas sua presença pode salvar um filme ou ao menos torná-lo razoavelmente tolerável? A resposta é sim, basta tomarmos como exemplo a mescla de suspense e ação Sexy Beast, longa-metragem de estreia do cineasta britânico Jonathan Glazer que futuramente dirigiria Nicole Kidman no drama Reencarnação. Com um tempo de arte enxuto e usando a ironia como muleta, o diretor preparou uma história de gângster sem se preocupar em renovar o subgênero, apenas apostando na simplicidade. O roteiro de Louis Mellis e David Scinto começa de uma forma inusitada, que pode tanto aguçar a curiosidade quanto também fazer o espectador desistir de seguir adiante logo pelos cinco primeiros minutos de projeção. Durante os créditos iniciais conhecemos o ex-criminoso Gal (Ray Winstone), um homem que está longe de ter um belo corpo, mas mesmo assim ele está usando uma pequena sunga amarela, literalmente tostando sob o sol escaldante e em seus pensamentos narrados em off ele próprio se cobre de elogios e faz algumas piadas toscas como dizer que seu barrigão está tão quente que poderia fritar um ovo em cima dela. Parece brincadeira, mas a parada começa assim mesmo. Nessa introdução ainda fica no ar a impressão de que ele explora o trabalho de um menor de idade que realiza as tarefas domésticas, conhecemos sua esposa Deedee (Amanda Redman) no melhor estilo perua, imagem posteriormente revertida, e uma imensa pedra cai de um barranco e faz um super buraco na piscina do bon-vivant. Sabendo de antemão que é um filme protagonizado por um antigo fora-da-lei podemos deduzir que tal situação estapafúrdia seria a vingança de algum desafeto dele. Errado. O lance do rochedo não agrega nada a trama ou apenas serve literalmente para tapar um buraco lá no final. Bem, se você não achar ridículo tal início pode até ser que ache alguma graça no restante do enredo. Após anos dedicados aos crimes, Gal juntou uma boa quantia de dinheiro e trocou a fria Inglaterra pela ensolarada Espanha, onde agora curte a vida numa boa e não pensa mais voltar a sua antiga “profissão”. Contudo, uma vez bandido sempre bandido.

domingo, 6 de março de 2016

MAX E COMPANHIA

Nota 6,0 Animação tem trama madura e com elementos diferentes, mas peca pelo ritmo irregular

Já faz tempo que desenho animado não é mais coisa só para crianças, mas é curioso ver como algumas técnicas antigas de animação hoje em dia só sobrevivem mirando no público adulto. Max e Companhia é um bom exemplo disso. Seus personagens do bem são simpáticos e fofinhos e seus vilões medonhos, mas não se engane pelo aspecto simplório desta produção feita em stop-motion (animação com massinhas). Embora o público infantil, tendo boa vontade, possa se encantar com seu visual, seu conteúdo na realidade é repleto de ironias e críticas e deve ser mais bem compreendido por platéias com mais idade e esclarecidas. Produzido entre Estados Unidos, Bélgica, Suíça e a França, a trama gira em torno de Max, um adolescente que está em busca de seu pai que jamais conheceu, o outrora famoso músico Johnny Bigoude. A caminho da cidade de Saint-Hilare, o garoto pega carona com Sam, um artista decadente que parece levar uma vida sem preocupações com o futuro, importando apenas o presente. Quando chega ao seu destino, Max é acolhido pela Madame Doudou, uma simpática professora aposentada que lhe consegue um emprego na fábrica de um de seus ex-alunos, o bon-vivant Rodolfo. Esse cara adora aproveitar tudo o que a vida tem de melhor a lhe oferecer e não soube cuidar do patrimônio que recebeu de herança de um finado tio e agora a fábrica de mata-moscas Bzzz&Co está correndo o risco de encerrar suas atividades. Os acionistas então decidem nomear um ambicioso e intratável novo administrador, o excêntrico Martin, um cientista que acredita que as poucas moscas que restaram na região aprenderam a se esquivar dos efeitos nocivos dos inseticidas da empresa e assim decide fazer experimentos para criar novas subespécies resistentes ao veneno e assim impulsionar novamente as vendas dos produtos. O problema é que sua ganância o cega e ele não pensa nos efeitos negativos de tal ação.

sábado, 5 de março de 2016

LABIRINTO DO TEMPO

Nota 3,0 A exaltação de ter o poder de brincar com o tempo pode levar à caminhos perigosos

Em tempos em que as sociedades estão criando indivíduos cada vez mais individualistas, ter educação parece coisa do passado e todos fazem o que bem entendem e falam o que querem sem pensar nas consequências. Não é difícil nos pegarmos em alguns momentos pensando como seria bom voltar no tempo e consertar os erros. O problema seria ter este dom e não saber usá-lo. É esse o foco de Labirinto do Tempo, um modesto suspense dirigido por Carl Bessai que tem uma premissa interessante e até consegue prender a atenção a maior parte do tempo, mas quando chegamos à conclusão, para variar, o caldo entorna e nem o próprio roteirista Arne Olsen sabe como concluir sua história que acaba se tornando um círculo vicioso sem fim. O longa começa com a forte e reflexiva frase "não espere pelo último julgamento, ele acontece todos os dias" e a trama gira em torno de três jovens que se conhecem e fazem amizade em uma clínica de reabilitação para ex-drogados. Eles têm direito de vez em quando a saírem do confinamento por um dia para visitarem suas famílias e tentarem restabelecer os laços perdidos, contudo, a reinserção na sociedade não é nada fácil.  Kyle (Dustin Milligan) tenta se redimir com sua irmã enquanto Sonia (Amanda Crew) deseja visitar seu pai doente. Já Weeks (Richard de Klerk) vai encontrar seu violento pai na prisão que aparentemente está recluso por algum motivo que envolve seu filho. Esse dia não é perfeito para nenhum deles, mas todos têm a chance de transformá-lo. Durante essa mesma noite eles acabam tomando um choque e a partir de então o tempo literalmente não passa. Eles vivem esse mesmo dia repetidamente, mas a cada novo despertar podem fazer algo diferente, o que quiserem, e no dia seguinte tudo voltará como estava. No começo encaram isso como diversão, mas quando Weeks surta e abusa dessa liberdade a brincadeira com o túnel do tempo ganha contornos perturbadores.

sexta-feira, 4 de março de 2016

PROFESSORA SEM CLASSE

NOTA 3,0

Cameron Diaz interpreta
professora de caráter
duvidoso em comédia com
piadas previsíveis e tolas
Todos os dias é muito comum verificarmos que os alunos não respeitam mais os professores, estes que cada vez mais se sentem diminuídos e pressionados. Não é apenas a falta de educação verbal das crianças e adolescentes com os educadores que nos impressionam, mas a situação chegou a tal ponto que as agressões tornaram-se físicas também. Ei, melhor parar por aqui afinal de contas este texto não é sobre um filme no qual um professor vai enfrentar todos os obstáculos para tentar recuperar uma turma problemática. Pelo contrário, em Professora sem Classe é a própria educadora que é um mau exemplo. Ou ela seria o sonho de qualquer aluno? Cameron Diaz vive a protagonista desta comédia de humor negro que coloca no centro das atenções uma mulher que não é um modelo de boa profissional e também deixa muito a desejar como pessoa. Ela não é surreal apenas por sua beleza e corpo esguio, mas também por sua incrível e duvidosa habilidade em lidar com os alunos. Este é o perfil Elizabeth Halsey, uma balzaquiana que passou a vida toda correndo atrás de parceiros milionários para conseguir vida fácil e com todas as regalias possíveis. Apesar disso, profissão ela tem. É professora, mas simplesmente odeia o que faz. Assim, toda vez que encontra um parceiro do jeito que sonhou abandona seu emprego sem pensar duas vezes, mas quando seu último golpe é descoberto e o relacionamento desfeito ela precisa voltar a lecionar em um colégio tradicionalista. Desbocada, trambiqueira e preguiçosa, ela acaba empurrando com a barriga o trabalho. Seu grande objetivo é aguentar a rotina monótona até conseguir o dinheiro necessário para fazer uma cirurgia de aumento de seios acreditando que assim o próximo pretendente não lhe escaparia. Para sua sorte a vítima do próximo golpe vem do lugar que ela menos esperava: o próprio colégio. O novo professor de matemática, Scott Delacorte (Justin Timberlake), além de bonito e simpático é um rico herdeiro que por incrível que pareça gosta e faz questão de trabalhar. O homem perfeito para Elisabeth, mas o rapaz não parece ser facilmente seduzível e até uma concorrente entra na jogada, a professora Amy (Lucy Punch), que é apenas um pouco mais ajuizada que a rival, mas tão pentelha quanto.

quinta-feira, 3 de março de 2016

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO

NOTA 8,0

Duelo de grandes atrizes só
colabora para que trama
forte, envolvente e incômoda
ganhe ainda mais potencialidade
Obsessão, desilusão, curiosidade, perversidade, passividade, desejo, amor e ódio. Notas Sobre um Escândalo tem um amplo leque de opções a serem trabalhadas e o melhor é que o diretor Richard Eyre, da cinebiografia Íris e do drama de época A Bela do Palco, consegue em cerca de 90 minutos alinhavar uma história extremamente interessante e envolvente unindo todos os temas citados e sem precisar usar clichês hollywoodianos tampouco corre-corre ou barulheira para deixar o espectador vidrado no drama com toques de suspense psicológico protagonizado por Cate Blanchett e Judi Dench, ambas indicadas para o Oscar e tantos outros prêmios por suas atuações neste longa. Sempre quando surgem notícias de que uma ou outra está para lançar uma nova produção já começam as especulações sobre possíveis prêmios e neste caso não foi diferente, porém, quem disser que o filme se resume a curiosidade de acompanhar o embate de duas grandes intérpretes é porque é insensível ou em um primeiro momento não conseguiu embarcar nas emoções do roteiro de Patrick Marber, famoso pela autoria da peça que deu origem a Closer – Perto Demais, coincidentemente outro projeto que não conta com momentos arrebatadores em termos visuais, mas que também guarda em seus diálogos e narrativa todos os seus tesouros tal qual a obra assinada por Eyre. A adaptação do romance “What Was She Thinking: Notes on a Scandal”, de Zoë Heller, é uma obra que de certa forma é de difícil digestão e protagonizada por duas mulheres que cada uma a seu modo vivem mergulhadas na solidão e entre sentimentos reprimidos. O encontro delas poderia ser positivo para ambas, contudo, se transforma em um caso que envolve maldade, distúrbios psicológicos e sofrimento. A ação começa em um decadente colégio britânico onde a veterana professora de História Barbara Covett (Judi) procura controlar os alunos com pulso firme, deixando transparecer em seu semblante inerte poucas características de sua personalidade, mas seu jeito enérgico é interpretado como a postura de alguém de muito boa índole pela novata professora de artes Sheba Hart (Cate) que cheia de ideias e acreditando na evolução dos estudantes parece deslocada no grupo dos educadores do local um tanto desiludido e sem ambições. Rapidamente as duas tornam-se amigas, fazendo jus ao ditado que os opostos se atraem, mas por trás do aparente desinteresse de Barbara escondem-se desejos reprimidos que agora poderiam ter a chance de serem exteriorizados, mas a obsessão de uma acaba se tornando a desgraça das duas.

quarta-feira, 2 de março de 2016

LUGARES COMUNS

NOTA 8,0

Drama argentino aborda a
velhice com respeito e ainda
fala sobre a economia do país
e a perda de valores humanos
Já faz algum tempo que países latinos que historicamente contam com um grande contingente de população idosa e tradicionalista tem investindo em produções que focam a relação destas pessoas com a contemporaneidade. Se no cinema americano os mais vividos geralmente são retratados de forma cômica beirando o caricatural ou são apresentados enfrentando graves problemas de saúde ou ainda como conformados diante da iminência da morte, outras culturas preferem retratá-los em seus filmes deixando os estereótipos de lado e apostando em retratos mais realistas e humanos, como é o caso da Argentina que possui vários exemplares de obras desse estilo. Lugares Comuns é um ótimo exemplo, um drama envolvente sobre um casal maduro que praticamente precisa recomeçar uma vida juntos e que tem como pano de fundo a crise econômica que tomou de assalto os argentinos em meados da década de 2000 (ápice da situação, mas certamente ainda um fantasma que em menor ou maior grau assola o país). Fernando Robles (Federico Luppi) trabalha há anos como professor de literatura em uma universidade em Buenos Aires, mas diante dos problemas financeiros do país ele acaba sendo forçado a se aposentar com a justificativa do limite de idade, o que para ele significa o início do fim de sua vida afinal ele não teria mais com que se ocupar boa parte do seu tempo. Ele tem direito a trabalhar por mais algum tempo, mas sabe que não pode sonhar com uma remuneração condizente com os serviços que prestou e isso o desanima. Na realidade pesou na decisão de sua dispensa o fato de que em suas aulas ele estimula seus alunos a sentirem a dor da lucidez, ou seja, questionarem informações mesmo que a verdade não seja algo positivo, teorias que batem de frente com os ideais do reitor da instituição. Paralelo a isso, Liliana (Mercedes Sampietro), sua esposa, é uma assistente social que também está desgostosa com os rumos de seu trabalho. Sem incentivos do governo, ela não tem como manter obras de caridade e se sente frustrada. Para fugir um pouco dos problemas, o casal resolve tirar alguns dias de descanso e viajar para Espanha para visitar o filho Pedro (Carlos Santamaría) que agora vive lá com a esposa Fabiana (Yael Barnatán) e o filho pequeno. A viagem aparentemente comum acaba virando um ponto-chave para a mudança de vida do professor.