segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O FADA DO DENTE

NOTA 5,5

Com lições de moral e superação
batidas, longa faz graça com jeito
brucutu do protagonista que literalmente
precisa fazer mágica para voltar a ser feliz
Filmes de ação cheios de pancadarias e tiroteios sabemos que não são feitos para agradar famílias e sim o público masculino, mas sabe como é. O papai começa a assistir, logo a mamãe está do lado no sofá e as crianças colam junto por tabela vidradas em adrenalina. Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis foram alguns dos astros fortões que se viram forçados a procurar alguns roteiros mais amenos para agradar a uma parcela de público com o qual não sonhavam. Foram vários os tropeços saindo do campo da ação, sendo que o primeiro grandalhão se saiu ligeiramente melhor encabeçando clássicos sessão da tarde como Um Tira no Jardim Da Infância e Irmãos Gêmeos. Os representantes da nova geração movida a energéticos também se aventuraram como Vin Diesel em Operação Babá, mas quem defende com fervor a bandeira dos valentões de bom coração é Dwayne Johnson, a muito tempo sem precisar acrescentar ao nome artístico a alcunha "The Rock", seu apelido nos tempos em que era lutador de vale-tudo. Assim como seus predecessores, o ator começou no gênero da pancadaria, mas seu sucesso extrapolou o campo da testosterona angariando fã clube feminino e infantil, assim não demorou muito para seu nome ser atrelado a comédias-família, geralmente tirando um sarro de seu jeito brucutu forçosamente tendo que aprender a lidar com crianças. O Fada do Dente deixa isso bem explícito. Ele interpreta Derek Thompson, uma ex-super estrela do hóquei no gelo, mas por conta de uma contusão acabou ficando afastado do esporte por um bom tempo e desacreditando em seu potencial. Quando volta acaba se atrapalhando nas partidas e quase sempre arrancando um dente dos adversários sem querer, assim ganhou o apelido de "o fada dos dentes", alusão a lenda que diz que a criança que perde um dente e deixa debaixo do travesseiro ao acordar ganha um dinheirinho. Contudo, ele faz questão de jogar por água abaixo tal história arruinando os sonhos de Tess (Destiny Whitlock), a filha de apenas seis anos de Carly (Ashley Judd), sua namorada, que estava empolgadíssima com a perda de seu dente de leite, mas ele esqueceu de deixar a recompensa.

Acostumado a fazer os outros desencanarem de acreditar em sonhos, inclusive fez um fã desistir de seguir sua carreira literalmente no grito, Thompson é recrutado pelas verdadeiras fadas para se redimir assumindo o papel de uma delas durante alguns dias. Para tanto ele terá o auxílio de um consultor exclusivo, Tracy (Stephen Merchant), que mais o atrapalha que ajuda ressentido por não pode desempenhar a função encantada por ser desprovido de asas, e receberá ordens da fada-chefe e linha dura Lily (Julie Andrews). Enquanto soa as asinhas para cumprir seus deveres noturnos com a criançada, ele também tentará reconquistar a confiança da namorada e da enteada, assim como tentar conquistar a amizade do filho mais velho dela, o adolescente em crise Randy (Chase Ellison). A graça fica por conta dos chamados da repartição das fadinhas (sim, é uma organização séria e cheia de burocracias) que sempre aciona o grandalhão em momentos inoportunos, como quando está namorando ou em meio a um jogo. A parte tocante fica pela relação que acaba sendo estabelecida entre padrasto e enteados, cuja turbulência não vai além de duas ou três birras. O diretor Michael Lembeck não ousa fugir às fórmulas do gênero, realizando um filme extremamente convencional, mas que diverte o público-alvo com a equação certa de fantasia, humor e sentimentalismo. Ele já tinha experiência na área visto que comandou dois capítulos da franquia Meu Papai é Noel que também narra a história de um homem com problemas conjugais e de relacionamento com crianças e que de uma hora para a outra se vê obrigado a assumir o lugar do bom velhinho, figura que tanto desdenhava. Muda-se as lendárias figuras e a ambientação e temos outro entretenimento para distrair a meninada que deve se empolgar com as cenas envolvendo um esporte teoricamente bastante violento. Escorregões, colisões, boladas e outros imprevistos que podem rolar numa partida colocam o protagonista a desarmar a cara fechada para literalmente abrir o bocão e usar o corpo musculoso para conseguir risos de piadas visuais, principalmente quando precisa vestir o uniforme de fada, uma malha bem justinha e com direito a apetrechos mágicos, como o pó de amnésia e a pasta encolhedora que reduz seu tamanho ao de uma formiguinha, diga-se de passagem, em um efeito especial chupinhado do seriado do "Chapolim Colorado". Todavia, para quem começou a carreira sem falas e refém de um duvidoso efeito especial (lembram-se da abominável concepção do Escorpião Rei de O Retorno da Múmia?), parece que se passar por ridículo não é nenhum problema.
Aliás, Johnson já tinha flertado com figurinos frufrus em Treinando o Papai, não por acaso mais uma vez interpretando um astro do esporte que precisa aprender a lidar com uma garotinha que cai de paraquedas em sua vida. Em time que está ganhando não se mexe, certo? Mesmo se repetindo, o ator conquista com seu carisma e disposição para a comédia, formando a imagem daquele amigo grandalhão e boa-praça que toda criança queria ter, principalmente para proteger quando preciso. Ainda assim precisaria de algum diretor mais pulso firme para encaminhar com mais coerência a transformação de seu personagem pragmático para alguém mais altruísta. É estranho que para construir um roteiro tão simplório, que não descarta nem o tradicional show de talentos escolar no final no qual uma criança supera dificuldades e brilha, tenham sido necessários cinco roteiristas. Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia, Lowell Ganz, Babaloo Mandel e Randi Mayem Singer apenas reciclam fórmulas e piadas já testadas e aprovadas em comédias Disney, como conceitos de superação e redenção. Aliás, este parece um típico produto da casa do Mickey Mouse, mas na verdade é uma produção da Fox que nos últimos anos tem se empenhado a brigar por espaço e vir a se tornar uma referência de filmes livres para todas as idades. As franquias Uma Noite no Museu e Alvin e os Esquilos estão aí para comprovar. Até chegaram a lançar uma segunda fita a respeito do fada do dente, mas escorado apenas em premissa semelhante ao original e com elenco totalmente diferente, assim um produto que já nasceu destinado a tapar buracos na programação de TV. Apesar de não ser redondinho, O Fada do Dente cumpre seu propósito de entreter e transmitir sua mensagem edificante de que seja você criança ou adulto é importante cultivar sonhos e tentar realizá-los. Em tempo: Billy Crystal, cujas aparições estão cada vez mais raras, surge rapidamente no início e no final como Jerry, uma espécie de braço direito das fadas e responsável por oferecer as "ferramentas" de trabalho em uma esperta alusão ao famoso "Q", personagem emblemático da franquia do agente James Bond.

Comédia - 101 min - 2009

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