quinta-feira, 16 de novembro de 2017

UM BOM PARTIDO

NOTA 4,0

Com muitas tramas paralelas sem
função, argumento que envolve amor
e redenção se perde em trama chata que
não cativa nem mesmo pelo bom elenco
O título cai como uma luva para uma típica comédia romântica, mas mais do que contar uma historinha de amor Um Bom Partido se propõe a falar de redenção através dos aprendizados de George Dryer (Gerard Butler), um ex-jogador de futebol de origem escocesa que já foi um ídolo, inclusive chegou a dividir os gramados com o mito David Beckham da Inglaterra, mas por conta de uma contusão acabou sendo cortado do time e acabou na falência e sem perspectivas de recuperar seu padrão de vida. Tal fato também contribuiu para o fim de seu casamento com Stacie (Jessica Biel) e consequentemente seu afastamento de Lewis (Noah Lomax), seu pequeno filho. Tentando reatar os laços com a família, ele decide se mudar para os EUA e consegue um emprego como técnico esportivo na escola do garoto onde de certa forma reassume sua imagem de celebridade, mas isso é apenas um quebra-galho. Na verdade ele tenta em paralelo se tornar comentarista em um programa de TV em um conceituado canal, mesmo que para isso tenha que fazer uso de seus dotes físicos e beleza. Isso mesmo! Quando não está ensaiando o papel de pai zeloso ou de namorado perfeito para reconquistar a ex, o esportista está enrolado com a mulherada, mais especificamente com as mães dos amiguinhos do filho que descaradamente dão em cima dele. Contudo, o diretor italiano Gabriele Muccino evita explorar o gancho sexual e apenas sugestiona suas aventuras de alcova, preferindo mostrar o protagonista como um homem-objeto no sentido de ser uma pessoa que não toma as rédeas da própria vida e está sempre precisando de um empurrãozinho alheio para se mexer. Por exemplo, consegue bancar um estilo de vida de bacanão com a ajuda do amigo Carl (Dennis Quaid) que lhe oferece uma boa quantia em dinheiro e até uma Ferrari (não tinha um carrinho mais popular para a caridade?) e seu sonhado emprego como apresentador lhe cai nas mãos graças aos contatos de Denise (Catherine Zeta-Jones), uma das bondosas mamães que lhe arranja um teste em troca de uns amassos. Até ter a companhia de Lewis para dormir em sua casa depende do próprio garoto ter a iniciativa para tal aproximação.

Como em tantos outros filmes, aqui mais uma vez temos um homem que já foi rico e ao que tudo indica um pouco arrogante e que precisa levar uma rasteira da vida para aprender lições edificantes e dar valor às pequenas coisas do dia-a-dia. Muccino já havia usado argumento semelhante e levou o público às lágrimas com sua estreia em Hollywood com À Procura da Felicidade, mas aqui preferiu investir em uma trama caracterizada pela leveza. A própria opção do protagonista ser um esportista já é para dar um ar mais despojado à trama. Geralmente desde cedo acostumados ao desapego familiar por conta dos treinos e competições, o perfil do homem do esporte se encaixa bem a proposta do cara pegador, mas com problemas para se relacionar com a mulher que verdadeiramente ama. Se o roteiro focasse apenas na conturbada vida familiar do rapaz o resultado poderia ser bem mais agradável, mas Dryer tem muitos problemas a resolver para colocar sua vida nos trilhos e nenhum deles é conduzido de maneira satisfatória, até porque a maior parte do elenco parece deslocado ou trabalha no piloto automático mesmo com a opção dos coadjuvantes assumirem a responsabilidade de reerguerem o protagonista. Todos que cruzam seu caminho tem a intenção de ajudá-lo de alguma de forma, o que soa pouco crível. O roteirista Robbie Fox, bastante enferrujado para a escrita visto que seu último trabalho foi o fraco Um Maluco no Exército datado de 1994, não consegue nem mesmo situar a passagem de tempo. Tudo que deveria acontecer no decorrer de alguns meses é apresentado de forma apressada e embolada, o que realça a imagem de conquistador barato do ex-jogador que além da citada Denise, mais bem resolvida e segura de si sabe e se contenta com o fato do bonitão só querer curtição, também se envolve com a histérica Barb (Judy Greer), recém-separada e carente de companhia, e com Patti (Uma Thurman), que sofre com o jeito possessivo do marido, o tal Carl, um milionário que vive a traindo e esbanjando dinheiro. Pobre Quaid que há anos não tem um bom papel e aqui está completamente perdido. Sua relação de amizade com Dryer se estabelece de forma tão inverossímil quanto seu casamento.

Das pretendentes, Biel é a que se sai melhor e convence com a imagem de mulher cansada da rotina de dona-de-casa e mãe que também tem que assumir o papel de pai. Ela passa longe do semblante glamoroso das outras paqueras do ex, mas seu jeito simples e amoroso é a tradução do elogio "essa mulher é para casar". É sabido desde o início que a reconciliação do casal é uma certeza, mas o roteiro felizmente conduz tal gancho de forma lenta e gradual dando espaço para a atriz construir um perfil crível de uma mulher machucada e apaixonada ao mesmo tempo, mas com receio de dar uma segunda chance agora que já tem uma vida estabelecida com outro homem. E Butler, funciona como galã de comédia romântica? Mais acostumado ao gênero de ação, pontualmente o ator se aventura a tentar fazer rir... Isso mesmo, ele tenta. Em cena ele parece mais um modelo que forçosamente tentam emplacar como astro de romances. Bonito, com bom porte e galanteador, infelizmente lhe falta o principal para tal seara: timing cômico. As cenas que deveriam divertir passam certa sensação de desconforto por parte do ator que se sai melhor obviamente nas sequências com o filho e sua ex. Fosse o roteiro lapidado somente nesta ideia o resultado certamente seria bem melhor. A julgar pelo argumento, Um Bom Partido, título que não justifica a obra e inexplicavelmente substitui o original, algo como "jogando com tudo", jamais pretendeu apresentar algo inovador, mas ao menos se esperava a ambição de ser uma boa comédia romântica com toques leves de dramaticidade. A trama acaba seguindo um caminho utópico visto que após vários baques a vida do protagonista vai entrando nos eixos como num passe de mágica, embora até no quesito magia a fita fique devendo. É perceptível a influência do estilo das séries televisivas na estruturação do roteiro, principalmente quanto a participação rápida dos coadjuvantes cujos conflitos passam em brancas nuvens no desenvolvimento da narrativa, apenas cumprem o dever de estender um argumento sem estopo para seguir com as próprias pernas. Desculpe o trocadilho, mas apesar do time de estrelas chuta-se para tudo quanto é lado, menos em direção ao gol.

Comédia romântica - 105 min - 2012

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