domingo, 12 de novembro de 2017

PALAVRAS E IMAGENS

Nota 7,5 Guerra de pontos de vistas de tema complexo sustenta romance fraquinho

O que é mais interessante: uma imagem cheia de simbolismos e significados ocultos ou um texto bem redigido com vocabulário rebuscado e mensagens subliminares? Intelectuais costumam admirar as artes visuais e a literatura com o mesmo grau de importância, mas mesmo dentro deste grupo tão seleto pode haver defensores ferrenhos de cada estilo de manifestação artística e cultural. É disto que se trama o romance Palavras e Imagens, do diretor australiano Fred Schepisi, de ótimos e saudosos títulos como Um Grito no Escuro e A Casa da Rússia.  O professor de literatura Jack Marcus (Clive Owen) idolatra as palavras e tenta ser um modelo de inspiração a seus alunos, principalmente por ostentar que ainda muito jovem publicou um livro premiado e elogiado pela crítica e por isso foi contratado a peso de ouro para lecionar, mas seu problema com o alcoolismo pode jogar por terra toda a sua boa reputação e carreira, aliás, já o castiga na vida pessoal visto que seu próprio filho tenta ao máximo evitar contato com ele. Já Dina Delsanto (Juliette Binoche) é uma artista plástica que já teve seus dias de glória expondo suas obras em importantes galerias, mas por causa de uma artrite reumatóide, uma séria inflamação degenerativa dos músculos, tem seus movimentos limitados e para sobreviver acaba tendo que se contentar com a vaga de professora de artes, profissão que exerce tentando persuadir com seus ideais e personalidade forte. Ele a saudando com um sonoro "foda-se" e ela por sua vez levantando na direção dos olhos dele o seu dedo do meio, de imediato eles se estranham no colégio e deixam claro serem ferrenhos defensores de suas respectivas áreas de trabalho e conhecimento, mas no fundo ambos sabem que tem uma faísca de sentimento amoroso que surgiu, só que extremamente orgulhosos não querem dar o braço a torcer. Contudo, como também não desejam dar as costas um para o outro, acabam iniciando uma guerra dentro do colégio utilizando como armas os próprios alunos que são instigado à rivalidade, assim vira e mexe estão em contato com a desculpa de precisarem solucionar problemas dos adolescentes.

Como há males que vem para o bem, o clima acirrado de disputa acaba despertando o desejo dos professores em voltarem a criar. Enquanto Marcus tenta escrever algo que impressione tanto quanto sua obra juvenil, Dina passa a pintar em ritmo alucinado extravasando suas emoções e utilizando as mais diversas técnicas. Pincéis, esfregões, tacos e tudo o mais que possa mergulhar na tinta ela usa tentando provar que a arte visual tem muito mais ferramentas para transmitir mensagens que a junção de letras defendidas por seu desafeto, embora ele também tenha a seu favor a linguagem oral para somar a escrita. Enquanto ele tenta desfazer a máxima que uma imagem vale mais que mil palavras ela bate na tecla que frases bem orquestradas carregam falsidade e não traduzem sentimentos reais como a escolha de cores e formas permitem. No fogo cruzado, os alunos são incitados a expor sentimentos e segredos, tanto pela escrita quanto por meio de desenhos, assim a jovem Emily (Valerie Tian) sente-se pressionada a conseguir fazer um autorretatro que tenha alma própria e Swin (Adam DiMarco) acaba revelando ter interesse na garota. Apesar da pegada intelectual, o argumento é desenvolvido com bastante leveza pelo roteirista Gerald DiPego que evita o clichê de alunos problemáticos ou violentos que acabam sendo salvos pela dedicação de um professor. Aqui eles tem lá seus dilemas, mas o foco é mesmo na relação conturbada de seus educadores desenvolvida de maneira clichê, mas nem por isso desinteressante, pelo contrário. A previsibilidade deixa de ser um empecilho graças a seus intérpretes que tornam crível a batalha proposta por Palavras e Imagens. O último ato, que literalmente propõe um debate sobre o poder e importância das duas manifestações culturais, deixa a desejar pelo didatismo e rapidez que tenta encerrar uma obra que de forma descontraída consegue levar uma temática complexa ao grande público. Detalhe: as obras de arte que embelezam a produção são criações da própria Binoche que tem a pintura como hobby.

Drama - 111 min - 2013

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