sábado, 28 de novembro de 2015

SUPER-HERÓI - O FILME

Nota 4,0 Parodiando um filme do Homem-Aranha, filme pastelão não é tão ruim quanto parece

Desde que Todo Mundo em Pânico surgiu, as comédias satíricas que tiram onda com o próprio cinema, uma espécie de metalinguagem esdrúxula, acabaram se tornando um subgênero e por um tempo eram constantes os lançamentos do tipo, mas nenhum voltou a repetir o sucesso da piada com as fitas de seriais killers. Até mesmo suas continuações falharam. A cada novo lançamento desta seara fica ainda mais nítido a precariedade destas produções e as brincadeiras se tornam cada vez mais obscenas e inacreditavelmente ridículas. Produções to tipo na verdade já existiam desde a década de 1980, em menor quantidade, diga-se de passagem, mas durante uma época houve um desencadeamento de fitas do tipo, comédias vexatórias que levam o espectador a rir inconscientemente de cenas absurdas que misturam críticas, esculachos, política, sexo, apologia às drogas, humilhação, personalidades, enfim um caldeirão de referências, a maioria politicamente incorreta no grau mais alto possível. Bem, até que a citada sátira ao sucesso teen Pânico e suas cópias tinha certa graça, era bem bolado e tinha uma dose de ousadia aceitável, mas o que veio depois são exemplos execráveis e praticamente uma ofensa aos adolescentes, declaradamente o público-alvo. Todavia, dessa leva de bobagens, podemos salvar ao menos um título: Super-Herói - O Filme. Embora mantenha a estrutura de alinhavar piadas fáceis acerca de sucessos do cinema, fofocas e polêmicas da vida real e atire para tudo quanto é lado em busca de gargalhadas, a grande inspiração do diretor e roteirista Craig Mazin veio do longa Homem-Aranha, o primeiro exemplar da trilogia protagonizada por Tobey Maguire. Qualquer semelhança não é mera coincidência. O jovem franzino Rick Riker (Drake Bell) sempre foi tímido, desengonçado e saco de pancadas da rapaziada do colégio, mas tudo muda após ele ser picado por uma libélula geneticamente modificada. O rapaz ganha habilidades sobre-humanas e decide então usar seus poderes para fazer o bem e transforma-se no Homem-Libélula que aos trancos e barrancos passa a combater crimes e rapidamente chamas a atenção da imprensa, dos populares e, obviamente, de inimigos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A PRINCESA DE NEBRASKA

NOTA 5,5

Com protagonista insossa,
drama é extremamente frio e
não cativa o espectador com
narrativa sem aprofundamentos
O tão aguardado século 21 está em andamento, porém, não trocamos os carros por aeronaves e nossa alimentação não é servida em práticos tubinhos como os de creme dental (felizmente só uma coisinha ou outra chega a nós nesse tipo de embalagem, mas com seus substitutos correspondentes). Bem, esse novo tempo tão aguardado não trouxe a tecnologia fantasiosa que esperávamos, mas é evidente que a modernidade está presente em todos os instantes influenciando a vida de todos, e não só de forma positiva. A primeira vista pode parecer inadequado fazer algum tipo de associação do conteúdo de A Princesa de Nebraska com os vícios da vida moderna, mas tal relação faz todo o sentido quando descobrimos o universo no qual está imersa a protagonista. Sasha (Li Ling) é uma jovem estudante chinesa que está vivenciando os primeiros meses de uma inesperada gravidez. Ela abandona o namorado em Pequim e viaja para São Francisco com o intuito de realizar um aborto. Já na cidade de destino, nos EUA, Sasha encontra um amigo de seu namorado, Boshen (Brian Danforth), e a jovem May (Lin Qing), com quem troca confidências e experiências. Entre momentos de prazer e outros de pura reflexão, cada passo dessa viagem de autoconhecimento é registrado pela gestante com a câmera de seu celular, como se ela fizesse um diário a respeito desse acontecimento único em sua vida, um registro dessas 24 horas decisivas nas quais as vastas possibilidades de uma cidade e os conselhos de estranhos podem mudar seus pensamentos e sua trajetória deste ponto em diante. Interromper a gravidez ou levá-la adiante? Gerar uma criança e aceitá-la com todas as alegrias e obrigações que ela exige ou aproveitar para ganhar um dinheiro com sua venda? Produzido em solo e com recursos americanos, o longa carrega em sua essência a estética dos filmes orientais. Tomadas intimistas, closes estendidos, muitos momentos de silêncio e até mesmo a ausência da trilha sonora em longas sequências, as grandes características do cinema que faz sucesso no circuito alternativo estão presentes aqui, mas não é todo mundo que consegue enxergar ou compreender o conceito de arte empregado neste caso pelo cineasta natural de Hong Kong Wayne Wang, famoso pelo delicado O Clube da Felicidade e da Sorte.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN

NOTA 9,0

Delicadeza e criatividade de
longa francês prova que o
cinema alternativo não é
apenas para intelectuais
Cinema europeu é chato e cabeça demais. Tal afirmação é muito comum, mas quem concorda com ela precisa rever seus conceitos e se abrir a novas experiências, como prova O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, um título apreciado e elogiado por muitos, mas considerado desinteressante e cansativo por tantos outros, mas será que essas pessoas que criticam negativamente realmente assistiram a obra ou simplesmente estão passando adiante pensamentos obsoletos? Com certeza o fato de ser uma produção francesa barra uma grande parcela dos espectadores que devem estar impregnados da ideia de que o cinema francês é contemplativo demais e com foco em histórias dramáticas ou muito romanceadas. Bem realmente, estas são características da produção cinematográfica local, mas sempre é possível encontrar algo diferenciado dando uma garimpada. No caso desta produção assinada por Jean-Pierre Jeunet nem é preciso fazer muito esforço para encontrá-la já que foi um título muito premiado e cumpriu sua trajetória de sucesso até a festa do Oscar chegando lá com pinta de campeã, mas acabou levando um banho de água fria perdendo suas cinco indicações. Porém, a análise de resultados finais tanto de críticas quanto de bilheterias resultou em um banho do melhor champagne francês. Assistido na época por cerca de vinte milhões de pessoas, até hoje esta obra é uma das mais procuradas em locadoras e se tornou um marco cinematográfico devido a sua estética, linguagem e ritmo atípicos para a filmografia de um país cujas marcas registradas são as longas sequências focadas em olhares e gestos e um erotismo quase sempre presente nas narrativas. Amado e odiado nas mesmas proporções, o cinema francês não se firmou como uma indústria de fazer dinheiro, mas sim como um estilo de produzir cinema que gera bons e maus resultados, mas sem causar estardalhaços tampouco criando ícones pop, bem diferente da cinematografia americana que quer vender muito mais que os tickets das salas de exibição e imprime uma velocidade em suas produções que acaba atrapalhando muitas vezes a condução das histórias, além dos muitos efeitos e tecnologias serem empregados para escamotear furos e ausências.

sábado, 21 de novembro de 2015

O ENCONTRO (2002)

Nota 5,0 Visual datado e premissa interessante não são suficientes para segurar suspense

Mortes misteriosas, um buraco que esconde uma história macabra do passado, alucinações, religião e até um milharal. A maior parte dos clichês dos filmes de terror e suspense que fizeram sucesso nos anos 70 e 80 batem cartão em O Encontro produção que tem uma premissa bem interessante, mas esfria aos poucos culminado em um final pouco original e sem impacto. Nem quando os segredos são revelados percebemos que chegamos ao ápice da história devido a narrativa arrastada. Apesar disso, o recheio deste filme prende bastante a atenção, investindo em uma trama que mistura o sobrenatural com uma espécie de culto macabro do passado, quando algumas pessoas se encontravam em um templo para assistir o sofrimento de outras até morrerem. O roteiro de Anthony Horowitz nos leva para a Inglaterra onde dois jovens caem em um buraco e não resistem. Esse poderia ser só mais um corriqueiro acidente com final trágico, mas o tal buraco esconde segredos. Lá dentro existem diversas esculturas com formas humanas e esculpidas em relevo que parecem olhar para uma cruz. Simon Kirkman (Stephan Dillane), um especialista em religiões, é convocado para inspecionar o local e paralelamente a isso, Marion (Kerry Fox), sua esposa, atropela acidentalmente Cassie Grant (Christina Ricci), uma jovem que parece ter perdido a memória com o choque, apesar de fisicamente não ter sofrido nenhum trauma grave. Ela acaba sendo acolhida na casa dos Kirkman e informalmente se torna a babá das crianças da família. Conforme o tempo passa, a jovem começa a ter visões de pessoas ensanguentadas ou estranhas e a ouvir vozes. Aos poucos, esses acontecimentos vão sendo ligados à descoberta feita dentro do buraco e Dan Blakeley (Ioan Gruffudd), com quem a jovem faz amizade, pode ser uma peça importante para desvendar o mistério.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

SINAIS

NOTA 9,0

Para falar da importância da
fé, união familiar e de quebra
oferecer bons sustos, longa
aborda tema de ficção científica
Já faz algum tempo que o mundo todo vive um período em que se discute muito a respeito do poder das religiões, seja de forma positiva ou negativa, e certamente todos já ouviram dizer que quando deixamos de acreditar no poder da fé abrimos as portas para as forças ocultas atuarem. Colocar tal tema em evidência era a proposta real de Sinais, mas as intenções ficaram perdidas pelo caminho, ou melhor, acabaram sendo sucumbidas. O assunto que se destaca realmente é a possível presença de extraterrestres em nosso planeta baseando-se em eventos misteriosos amplamente divulgados pela mídia e vendidos como realidade na década de 1970. Sucesso de crítica e público nos EUA, a má recepção que esta produção teve no Brasil foi mais uma injustiça feita ao diretor e roteirista M. Night Shymalan que infelizmente vive com a fama de ser o tipo de diretor de um filme só. Até hoje ele é assombrado por seu grande sucesso O Sexto Sentido e viu seus trabalhos seguintes serem massacrados por opiniões negativas. Será que realmente ele perdeu a mão ou os espectadores é que estão exigindo demais de um homem que praticamente começou a carreira já surpreendendo? A segunda hipótese é a mais correta, pelo menos analisando os seus três trabalhos seguintes (Corpo Fechado, A Vila e o filme aqui em julgamento). Todos eles são produções de alta qualidade de entretenimento engajados com temáticas relevantes, mas que gradativamente provaram que o prestígio do cineasta caia com a mesma rapidez que aconteceu sua ascensão. É difícil expressar uma opinião honesta e individual quando meio mundo não compartilha dos mesmos pensamentos, mas realmente classificar este filme como ruim é demais. Regular ainda é discutível, mas talvez seja a alternativa mais correta. Em seu terceiro filme hollywoodiano com grande distribuição, o cineasta indiano investiu novamente naquilo que lhe trouxe notoriedade: personagens com história de vida para o espectador criar um elo, atmosfera de arrepiar, sequências incômodas de silêncio e introdução dos elementos clássicos de terror nos momentos oportunos. Bem, se muitos filmes sobre alienígenas decepcionam por não mostrarem as criaturas, aqui elas até aparecem demais e provocam um anticlímax. Só pode ser essa a grande queixa daqueles que apedrejam este trabalho. Shymalan errou ao trocar o horror sugestionado pelo explícito. Na realidade até pouco mais da metade do filme o diretor felizmente usa sons e imagens em relances para assustar e mesmo depois que a ameaça se revela em carne e osso (ou seja lá do que são feitos os corpos dos extraterrestres) a tensão não cai, pelo contrário, até aumenta. É o pulo do gato do roteiro. O espectador é convidado a participar do claustrofóbico lar da família Hess desde o início, já que basicamente todas as ações ocorrem por lá, mas no final a relação entre espectador e cenário é intensificada afinal eles literalmente se isolam do mundo. Nesta casa localizada em uma região rural da Pensilvânia vive Graham (Mel Gibson), um homem que abandonou a igreja após a morte de sua mulher em um acidente, seus dois filhos, Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin), e seu irmão Merrill (Joaquim Phoenix). A paz deles é interrompida com o surgimento de grandes círculos em meio a suas plantações de milho, como se algo gigantesco tivesse pousado ali. O mesmo fenômeno começa a acontecer em outras fazendas mundo afora e tudo indica que seres de outros planetas estão rondando essas propriedades.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DOCE LAR

NOTA 6,0

Embora não se aproveite da
fórmula do triângulo amoroso
tradicional, longa é previsível
e com algumas falhas agudas
Um título adocicado. Uma bela e cativante protagonista. Dois rapazes disputando seu amor. Para completar, um elenco coadjuvante simpático para pontuar os momentos cômicos e dar aquela palavra de solidariedade à mocinha quando ela chega ao ápice de seu dilema. Esses são os ingredientes do açucarado Doce Lar, mais um trabalho cuja receita foi escolhida a dedo no manual de comédias românticas de Hollywood. Se tal invenção realmente existisse em formato impresso certamente suas páginas já estariam bastante amarrotadas e emboloradas devido ao tempo e ao tanto de vezes que as fórmulas consagradas foram reutilizadas. Todavia, em menor ou maior grau, todas elas ainda conquistam público, como ocorreu neste caso, mesmo apostando na batida dúvida se a protagonista deve casar com o homem que pode lhe oferecer um futuro seguro ou arriscar em uma paixão repentina e avassaladora, mas cujo caminho a trilhar gera dúvidas. A grande, mas ironicamente despercebida diferença deste trabalho do diretor Andy Tennant, dos ótimos Anna e o Rei e Para Sempre Cinderela, é que os pretendentes da protagonista não chegam a brigar por ela, aliás, até boa parte do filme um deles não tem nem mesmo conhecimento da existência de um rival. A briga aqui é da mocinha com ela mesma, com seu próprio passado. Melanie Smooter (Reese Witherspoon) quando decidiu sair do pacato interior do Alabama rumo a agitada Nova York literalmente virou outra pessoa. Não só mudou sua maneira de agir e se vestir como também trocou seu nome pelo pomposo Carmichael. Sete anos mais tarde, ela já é considerada uma estilista famosa e está de casamento marcado com Andrew (Patrick Dempsey), ninguém menos que o filho da prefeita da cidade, Kate Hennings (Candice Bergen), esta que não aprova o namoro do filho com uma desconhecida. Procurando informações a respeita da jovem e sua família, a governante não descobre absolutamente nada, nem a favor e nem contra, o que explica o pavor de Melanie ao perceber que seu casamento já era destaque em toda a mídia. Não é só por ter nascido em um núcleo familiar simplório ou ter vivido até a adolescência em uma região campestre que ela tenta esconder seu passado, mas sim porque existe nele um ex-marido, porém, cujos laços matrimoniais ainda não foram desfeitos perante a Lei.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

À PROCURA DA FELICIDADE

NOTA 7,5

Assumidamente piegas e
feito para levar o público às
lágrimas, drama surpreende,
muito por conta de Will Smith
No Natal, na Páscoa, no Dia das Crianças ou no inverno. Em datas festivas ou em períodos críticos do ano é muito comum que pessoas sozinhas ou em grupos se dediquem à caridade, seja colaborando com dinheiro, produtos alimentícios, roupas ou simplesmente doando seu tempo fazendo companhia a algum idoso necessitado ou brincando com uma criança que vive em um orfanato.  Tudo isso é maravilhoso e nos faz acreditar que o mundo ainda tem conserto graças a pessoas como essas de bom coração. Porém, não é apenas em datas estratégicas que nosso espírito solidário deve ser aflorado. Sempre é tempo de estender a mão ao próximo e ajudá-lo no que for preciso e o cinema está repleto de belas histórias de solidariedade e perseverança. À Procura da Felicidade é um filme que nos faz sentir vontade de fazer o bem e acreditar que o futuro pode ser melhor, mesmo diante das dificuldades do presente. Repleto de clichês, o longa é praticamente um conto de fadas moderno, mas sem princesas ou bruxas. Aqui vemos um homem comum tentando sobreviver em uma sociedade canibalista em que cada dia é preciso vencer uma batalha para garantir o próprio sustento. E olha que a história se passa na década de 1980, detalhe que acaba passando despercebido já que o mundo em que o protagonista vive basicamente continua o mesmo até hoje ou está até pior. A única diferença é que atualmente temos muito mais bugigangas tecnológicas para ampliarem o abismo da desigualdade social. Enquanto alguns se preocupam em dormir em uma fila para garantir uma das primeiras unidades do celular mais bombado do momento, outras tantas pessoas ficam dias e dias de plantão em portas de hospitais ou de instituições de caridade em busca de necessidades básicas para qualquer ser humano. Essa realidade não é só de nós brasileiros, mas se estende pelos quatro cantos do mundo, inclusive atingindo os americanos. Mas voltando a falar do filme, por ser baseado em uma história real vitoriosa, embora com alguns fatos tristes ampliados, a dramaticidade extrema do texto acaba se revelando como um atrativo para os espectadores, mas nada que se compare ao chamariz da produção ser protagonizada por um dos atores mais populares de Hollywood, Will Smith, merecidamente indicado a vários prêmios, incluindo o Oscar, pelo papel de um homem que ultrapassa os limites do fundo do poço para conseguir sobreviver ao lado da filho à selva de pedra que é a cidade grande.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O AVIADOR

NOTA 8,0

Através de uma biografia,
longa faz uma homenagem ao
cinema, mas esbarra na
impopularidade do homenageado
Existem alguns filmes que embora cercados de cuidados e tratados como superproduções desde a concepção da ideia inicial parece que já nascem com quase tudo contra o seu sucesso. O Aviador é um bom exemplo. Longo demais, uma biografia a respeito de um homem que deixou sua marca na história americana, mas estranho a boa parte da população mundial, jeito de dramalhão e Leonardo DiCaprio como protagonista, na época ainda batalhando para se livrar do estigma negativo que Titanic lhe deixou como herança para sua carreira. Por outro lado, o elenco coadjuvante repleto de nomes famosos e talentosos, a reprodução impecável da primeira metade do século 20 e a metalinguagem de homenagear o cinema dentro de um filme são pontos que chamam a atenção e trabalham a favor do longa. Somam-se a isso tudo a direção sempre competente de Martin Scorsese e muitas indicações a prêmios. Com essa mistura heterogênea de ingredientes, a biografia do excêntrico e milionário Howard Hughes ganhou notoriedade, levou bastante gente aos cinemas e movimentou o mercado de locações quando lançado em DVD, mas a aprovação não foi a esperada. Muita gente após o término (se é que assistiram até a última cena) provavelmente jurou não recomendar este filme nem para o seu pior inimigo. E isso não é exagero, é verídico, mas uma grande injustiça feita com uma produção que consegue ser mais que um drama biográfico sobre um homem que teve muita importância para a aviação, mas também um belo e merecido registro de um período da História do cinema americano, uma época importantíssima para consolidar esta arte como forma de entretenimento e geradora de renda e trabalho.  O filme é baseado em eventos reais da vida do megalomaníaco Hughes (DiCaprio), um homem cuja trajetória se confunde com os avanços da aviação e do cinema. Na década de 1920, depois de herdar uma verdadeira fortuna, o jovem passa a investir na sétima arte e filma um épico de realismo impressionante, porém, muito perfeccionista, ele decide regravar tudo quando surge o cinema sonoro e jamais aceitava trabalhar quando um detalhe mínimo lhe escapava, o que irritava muitos seus companheiros de trás das câmeras pelos constantes atrasos e imprevistos nas filmagens. Além disso, graças aos filmes, ele também entrou em contato com a área da aviação e assim também gastou boa parte de seu dinheiro investindo no que havia de mais moderno para melhorar este campo, algo que sem dúvida refletiu positivamente no futuro da área.