Entra o romance, o drama e até uma trama policial, obra fica devendo em magia e sedução
A ideia tinha tudo para dar certo, a começar por reunir duas estrelas de Hollywood em plena ascensão no final da década de 1990, apostas que viriam a vingar nos anos seguintes. Da Magia à Sedução sem dúvidas chamou a atenção por ser protagonizado por Sandra Bullock e Nicole Kidman, mas o filme, embora tenha ganhado fãs e até certa aura cult com o passar do tempo, de fato ficou aquém do talento das atrizes e do próprio potencial do argumento. A deficiência está mais ligada a condução do projeto. Adaptação do romance de Alice Hoffman, "Pratical Magic", o mesmo título objetivo e original do filme, o roteiro acaba não explorando a fundo o modo como duas jovens feiticeiras lidam com suas condições no mundo moderno (material que coincidentemente anos mais tarde a própria Kidman teria em mãos na comédia A Feiticeira) e o que poderia ser uma divertida produção romântica resultou em uma obra com seus altos e baixos, principalmente por forçar algumas cenas de dramaticidade ou tensão que destoam do conjunto e do próprio título que ganhou no Brasil.
Escrita por Robin Swircord, Akiva Goldsman e Adam Brooks, a trama começa no século 18, quando a jovem Maria Owens (Caprice Benedetti) é condenada à forca acusada de praticar bruxaria. De fato, as mulheres de seu pequeno vilarejo a queriam ver morta para proteger seus casamentos visto que a condenada tinha fama de conquistar muitos amantes. Todavia, antes do castigo ser executado a corda se rompe e Maria acaba apenas banida do local. Grávida e abandonada pelo homem que verdadeiramente amava, ela vivia uma constante agonia e em um momento de desespero lança um feitiço sobre si mesma para que nunca mais se apaixonasse e assim consequentemente não voltasse a sofrer por amor. Contudo, o que deveria ser uma dádiva individual acaba virando uma maldição de família, assim as mulheres das gerações futuras de seu clã passam a sofrer justamente por não poderem amar. Criadas pelas excêntricas tias Frances (Stockard Channing) e Bridget (Dianne West), as irmãs Gillian (Kidman) e Sally (Bullock) são duas descendentes da feiticeira que sofrem diretamente os efeitos de seu insano desejo. Todos por quem se apaixonam acabam morrendo prematuramente, mas cada uma delas lida de uma forma diferente com esse problema.
Sally, mais recatada, se arrisca a formar uma família fazendo uso da magia para se proteger da maldição e poder levar uma vida normal. É assim que cria coragem para se casar com Michael (Mark Feuerstein), um simpático vendedor que, em conjunto com a esposa, consegue melhorar de vida e abrir uma loja, assim tendo condições para criar as duas pequenas filhas do casal. Todavia, apesar de viverem em harmonia, Sally sempre tinha sua felicidade abalada quando lembrava que conseguiu uma vida quase perfeita às custas de magia e sem a certeza de até quando ela iria durar. Já a rebelde Gillian, mais devassa e sem limites, parece conformada e até tira proveito do tal feitiço enraizado em sua família, assim decide aproveitar para namorar ao máximo sem compromisso e muito menos pensar nas consequências para seus parceiros. Imersa num universo de festas e paqueras, ela acaba vivendo um romance conturbado com o o violento Jimmy (Goran Visnjic) a quem um castigo viria a calhar. Obviamente, uma hora as irmãs acabam confrontadas pela tal maldição secular, ainda que no caso da namoradeira ela própria tenha ajudado o destino a se livrar de seu companheiro.
Apesar das personalidades e estilos de vidas opostos, o que as levou a se afastarem física e emocionalmente, chega o momento em que as irmãs sentirão necessidade de voltar a estarem juntas e em contato com suas raízes. É quando Gillian acaba atraindo Sally para seu conturbado universo e lançando a moça em uma espiral de problemas ao se arrepender de ter matado seu namorado e agora quer tentar trazer o rapaz de volta à vida. Assim entra na história o investigador Gary Hallett (Aidan Quinn), que está no encalço de Jimmy acusado de assassinato. As irmãs então tem a ideia de fazer um feitiço para afastar o policial e assim ele não descobrir o que fizeram com o malandro, mas surgem indícios de que ele não estaria próximo a elas apenas a trabalho e poderia ser o homem destinado à Sally por meio de uma magia que ela própria havia feito anos antes. O que parecia uma singela comédia romântica com bruxinhas atrapalhadas com os aspectos e invenções do cotidiano moderna e querendo encontrar os amores de suas vidas acaba desviando o caminho para um lado dramático e até mesmo de trama policial. Muita feitiçaria pesada para um projeto que deveria ser leve e alto astral não é mesmo?
Nada expressivo como ator, Griffin Dune havia estreado na direção com o simpático A Lente do Amor e com Da Magia à Sedução mais uma vez revela certa predileção em explorar o comportamento possessivo e cruel do ser humano na luta para conquistar a pessoa amada. Contudo, transformou o que poderia ser uma agradável sessão da tarde em um rocambolesco filme no qual não parece saber ao certo que rumo seguir e tampouco encontramos claramente os conceitos mágicos e sedutores vendidos pelo nosso título nacional, uma escolha que soa bonita, mas que vende uma ideia diferente da real. Até existe o momento esperado de ver as protagonistas e suas divertidas tias vestidas com clássicas roupas de bruxinhas em meio a velas e outros elementos místicos, mas incomoda por não ser um projeto redondinho. Em meio a momentos doces e divertidos, também nos deparamos com cenas mais violentas e pesadas e até o manjado truque de trocas de corpos acaba não sendo bem inserido. Vale pela curiosidade em ver duas grandes estrelas dividindo as atenções, sem deixar transparecer seus egos, e a experiência pode ser ainda mais interessante para comparar a química de Bullock e Kidman quase três décadas mais tarde, quando uma improvável continuação finalmente ganhou as telas. É Hollywood querendo fazer dinheiro de olho na memória afetiva.



Acabei de assistir esse filme pela primeira vez, achei bom gostei, a história é legal, aquele clima de Bruxa de antigamente muito legal.
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