domingo, 19 de maio de 2019

PORQUE CHORAM OS HOMENS

Nota 6,5 Apresentando mais um recorte a respeito da Segunda Guerra, longa peca pela lentidão

O nome Johnny Depp liderando um elenco geralmente garante ao filme certa visibilidade, mas o drama Porque Choram os Homens não se beneficiou de sua fama, talvez porque sua alcunha geralmente esteja ligada a produções extravagantes e o próprio costume encarnar personagens bizarros. Aqui ele aparece de cara limpa, o que já não chama muito a atenção, mas também acaba ofuscado já que não é o protagonista. A estrela da fita é a talentosa Christina Ricci, com quem o ator já havia feito par no terror A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça um ano antes. As funções se inverteram e dessa vez ela tem o papel principal, mas infelizmente em um filme bonito visualmente, mas de narrativa lenta que injustamente não agradou nem mesmo a crítica. A história começa na Rússia em 1926, quando o pai da pequena Fegele (Ricci) vai para os EUA, então conhecido como América, em busca de trabalho e enriquecimento. Algumas noites após ficar aos cuidados da avó, a garotinha descobre a respeito de um ataque em solo americano em que todas as casas de um vilarejo foram incendiadas. Órfã de mãe e agora também de pai, a judiazinha é enviada com alguns poucos trocados junto a um grupo de camponeses que pretendiam entrar de forma ilegal na América, contudo, sem saber falar uma palavra sequer em inglês, ela acaba desembarcando na Inglaterra onde recebe o nome de Suzie por uma família adotiva. Aos poucos ela vai descobrindo seu talento para cantar e na juventude já esquecera seu idioma natal. Buscando desenvolver seu dom, ela se muda para Paris, entra para uma companhia de dança e conhece a desinibida Lola (Cate Blanchett), uma mulher mais velha e experiente que deseja subir na vida custe o que custar, de preferência com o apoio de um marido rico. A vida das amigas muda radicalmente quando a oportunista começa a ter um caso com Dante (John Turturro), um arrogante e famoso cantor de ópera italiano, enquanto Suzie se aproxima de César (Depp), um cigano que conhece durante uma de suas apresentações. Com a invasão da Alemanha à Polônia, inicia-se a Segunda Guerra Mundial, conflito que irá interferir diretamente na vida destas quatro pessoas.

sábado, 18 de maio de 2019

CRIATURAS (1986)

Nota 6,5 Longa já nasceu envelhecido, mas assume com orgulho e bom humor sua vocação trash

A hora do... espanto, calafrio, pesadelo, lobisomem, mortos-vivos e por aí vai. Na década de 1980 era comum no Brasil o batismo de fitas de terror e ficção científica com tal início, uma forma de pegar carona no sucesso alheio ou de turbinar produções capengas. Nessa toada chegou aos cinemas o longa A Hora das Criaturas, como também foi comercializado nos tempos do VHS e ainda é batizado em raras apresentações na TV fechada. Todavia, seu nome original e também comercializado em DVD é Criaturas, denominação mais eficiente visto que é o primeiro de uma franquia que rendeu outros três filmes que apenas acrescentavam o numeral correspondente ao título minimalista. E ainda bem que parou no quarto capítulo, afinal o primeiro já espremia leite de pedra, mas mesmo assim tornou-se uma pérola trash e um marco nostálgico no gênero horror. A trama começa quando pequenos seres extraterrestres estão prestes a serem levados a uma prisão espacial para serem aniquilados, mas conseguem roubar uma nave e vão parar obviamente na Terra, onde mais? Os Critters são criaturas peludinhas, dotados de dentes pontiagudos e olhos vermelhos, soltam espinhos pelas costas, se movimentam rolando como bolas e se comunicam por meio de uma linguagem específica. Eles aterrissam em uma pequena cidade rural dos EUA próximo à fazenda de Jay Brown (Billy Green Bush), que até então levava uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Dee Wallace), da filha adolescente April (Nadine Van der Velde) e do arteiro caçula Brad (Scott Grimes), um experiente criador de bombinhas (característica que terá importância no decorrer do filme). Rapidamente os pequenos alienígenas invadem a propriedade dessa família e fazem sua primeira vítima devorando Steve (Billy Zane, em início de carreira), o namoradinho de April bem na hora que tentava ter sua primeira vez com a mocinha. Inevitável a piada: pensou que ia se dar bem comendo a gatinha e acabou literalmente comido! Os pestinhas ainda devoram as fiações da casa, assim cortando a luz e a linha do telefone e deixando os Brown isolados, contudo, Brad consegue fugir e passa a observar o comportamento dos Critters que tem um apetite descomunal e em compasso com seus crescimentos acelerados.

sábado, 11 de maio de 2019

RISCO DUPLO

Nota 5,0 Digna de telefilme, trama bem amarradinha e ágil escamoteia previsibilidade e furos

Tem filmes que são bem fraquinhos, esquecíveis rapidamente, mas é intrigante como durante suas exibições conseguem prender a atenção e por alguns instantes até serem considerados boas produções. No auge das videolocadoras, muitas fitas de baixo orçamento ou de argumentos capengas ganharam notoriedade e o gênero suspense policial é um dos que mais se beneficiou nesta fase. Se não fosse encabeçado por um astro já de décadas e uma estrela em ascensão certamente Risco Duplo não chegaria a ser exibido nos cinemas e aportaria diretamente nas prateleiras dos videoclubes. O roteiro de David Weisberg e Douglas Cook é extremamente genérico, mas nem por isso deixa de ser razoavelmente interessante. Libby Parsons (Ashley Judd) estava muito feliz com a viagem de veleiro que faria com seu marido Nick (Bruce Greenwood), mas nem podia imaginar que o passeio se tornaria seu pior pesadelo e mudaria irremediavelmente seu futuro. Após alguns drinks e uma intensa noite de amor, a moça desperta sem o companheiro ao lado e com o corpo todo ensanguentado e à procura desesperada por ele acaba encontrando a arma do crime, uma faca de cozinha. Com o artefato em mãos, ela é surpreendida por um barco da guarda costeira acionado pela própria vítima dizendo que havia sido violentamente atacado. Beneficiária de uma polpuda apólice de seguro, inevitavelmente ela é acusada por assassinar o marido cujo corpo nunca foi encontrado. Condenada à alguns angustiantes anos de prisão, Libby decide entregar seu filho pequeno aos cuidados de Angie (Annabeth Gish), sua melhor amiga, a fim de evitar que a criança fique sob a tutela do Estado, mas estranha quando após as primeiras semanas de encarceramento o garoto deixa de visitá-la. Depois de muita insistência ela consegue localizar a amiga e fazer uma ligação, é quando descobre que Nick armou sua morte fictícia para roubar o dinheiro do seguro e que está vivendo muito bem ao lado do filho e da amante, cujo nome revelado não deixa ninguém boquiaberto.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A NOIVA (2017)

NOTA 5,0

Apesar da expectativa gerada
por ser russo, terror decepciona
ao copiar estilo hollywoodiano,
dos chavões aos deslizes
É sabido que Hollywood produz muitos filmes de terror e mesmo requentando ideias ainda mantém aquecida a indústria do cinema americano. Países orientais tiveram sua fase de evidência com o gênero enquanto da Espanha vez ou outra pipocam algumas produções de arrepiar que carimbam o passaporte de diretores e roteiristas para trabalharem nos EUA. Contudo, nos últimos anos, verifica-se que outros países sem tradição com fitas de horror estão buscando explorar tal território, ainda que de forma tímida. Só pelo fato de ser oriundo da Rússia, o longa A Noiva já aguça a curiosidade, porém, justamente por criar expectativas acaba decepcionando. Escrito e dirigido por Svyatoslav Podgaevskiy, o filme usa como argumento uma antiga lenda local a respeito de que os mortos podem sobreviver através das fotografias que tem o poder de aprisionarem suas almas e assim mantê-las no mundo dos vivos. Para explanar rapidamente tal tradição, a introdução se passa em meados do século 19 quando, inconformado com a perda da pretendente às vésperas do casamento, o noivo (Igor Khripunov) decide fotografá-la com uma maquiagem sobre as pálpebras fechadas dando o efeito de olhos esbugalhados. Porém, ele vai além e tenta transferir a alma da falecida para o corpo de uma virgem sacrificada em um ritual, mesmo que o resultado não a traga de volta à vida por completo. Ele poderia ter o espírito da amada novamente, mas jamais o seu corpo. De início arrepiante, ficasse a trama ambientada neste período o longa certamente seria bem mais interessante, porém, há um salto no tempo de dois séculos para acompanharmos a história de Nastya (Victoria Agalakoya), uma jovem que está prestes a realizar seu sonho de se casar com Vanya (Vyacheslav Chepurchenko), aquele que acredita ser o homem da sua vida. Contudo, somente após a cerimônia civil é que ela vem a finalmente conhecer a família do rapaz em uma viagem até o vilarejo onde ele viveu. Ela é recebida de forma muito amistosa por todos da casa (obviamente isolada), principalmente por Liza (Aleksandra Rebenok), sua cunhada, mas aos poucos vai percebendo que a velha residência esconde obscuros segredos.

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