segunda-feira, 1 de outubro de 2018

EM PÉ DE GUERRA

NOTA 4,0

Sustentada por piadas previsíveis
e por vezes de gosto duvidoso,
comédia não sai do lugar comum
e  reforça estereótipos
Quem se liga em detalhes das produções de filmes e adora bisbilhotar as fichas técnicas certamente deve desacreditar que o mesmo responsável pelo sensível e inteligente A Garota Ideal também está por trás da esculachada comédia Em Pé de Guerra. Trabalho de estreia do diretor Craig Gillespie, a trama tem como temática central a rivalidade. John Farley (Sean William Scott) é um bem sucedido escritor de livros de auto-ajuda, mas demorou muitos anos para superar seus próprios traumas de infância devido aos abusos e humilhações que sofreu de Jasper Woodcok (Billy Bob Thornton), seu professor de educação física que adorava tirar um sarro de seus desengonçado e rechonchudo aluno. Seus piores pesadelos voltam à tona quando decide voltar à sua cidade-natal para receber um prêmio, uma homenagem de seus conterrâneos pela figura ilustre que se tornou. Todavia, seu momento de glória é estragado ao descobrir que Beverly (Susan Sarandon), sua mãe, está com um namorado novo, ninguém menos que o protagonista de seus pesadelos. Na hora do desespero, o rapaz deixa de lado seus conselhos e filosofias para viver em paz e parte para o ataque tentando provar que seu futuro padrasto é um tremendo mau-caráter, porém, seu rival não vai deixar de comprar essa briga e também vai tocar o terror contra seu adversário. Mais que salvar sua mãe de um cafajeste, Farley tem a necessidade de provar ao antigo professor que é "o cara", bom em tudo que se propõe a fazer. Todavia, o Sr. Woodcok também curte bancar marra e vai testar os limites do escritor, tanto emocionais quanto físicos. Nessa gangorra para medir forças, o correto seria um personagem com o qual nos simpatizamos de um lado e do outro alguém para odiarmos. Eis o grande problema do longa: ambos são insuportáveis em semelhantes proporções, o que dificulta a identificação com o público que não tem mais a fazer que torcer que ao final os dois percam a pose e entendam que ninguém é melhor do que ninguém. Todavia, esperar tal reflexão de uma comédia repleta de piadas de gosto duvidoso é querer demais.

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