sábado, 12 de outubro de 2019

O PADRASTO (2009)

Nota 3,5 Com jeitão de telefilme, refilmagem atenua a violência e se apoia em trama rasa

Pode não parecer, mas nos EUA a classificação indicativa para filmes ainda é levada a sério. Só assim para explicar a violência praticamente ausente em O Padrasto, remake de um pesado terror psicológico homônimo lançado em 1987. Visando atingir um público maior, o diretor Nelson McCormick, que já havia dirigido A Morte Convida Para Dançar, também uma refilmagem, transformou a adaptação em um terror teen com estética de telefilme deixando apenas o argumento como lembrança do original. Susan Harding (Sela Ward) é uma mulher divorciada com três filhos, incluindo o arredio adolescente Michael (Penn Badgley). Certo dia, enquanto fazia compras, ela conhece o simpático David Harris (Dylan Walsh) e não pensa duas vezes para convidá-lo para um encontro. Seis meses depois eles já estão vivendo juntos compondo uma família aparentemente muito feliz, mas o regresso do filho mais velho, após uma temporada em um colégio militar, acaba por arruinar a falsa imagem de felicidade que ronda o clã. Logo de cara ele se estranha com o padrasto, o que o faz de imediato levantar suspeitas quanto a seu suposto bom caráter. Com a ajuda de sua namorada Kelly (Amber Heard) e de seu pai Jay (Jon Tenney), o rapaz começa lentamente a juntar indícios de que Harris é na verdade um perigoso criminoso, alguém tão ardiloso que em paralelo faz de tudo para apagar qualquer prova que o denuncie. Até as amigas da companheira, Jackie (Paige Turco) e Leah (Sherry Stringfield), entram na sua mira quando percebe que elas estão tentando alertá-la que está dormindo com o inimigo. Spoilers? Absolutamente não!  Logo na introdução já tomamos conhecimento do modo de agir do vilão. Ele se faz passar por viúvo gentil e educado para encantar mulheres na mesma situação ou divorciadas, sempre com filhos, e logo é agregado às suas famílias. Como mentira tem perna curta, quando a casa cai e é descoberto ele simplesmente chacina as pessoas que foram enganadas e parte para outra conquista assumindo uma nova identidade.

Baseado em fatos reais, o filme foi achincalhado pela crítica e desprezado pelo público. Em se tratando de um remake, já era de se esperar que o filme ficaria no mínimo a dever no quesito originalidade, mas o roteiro de J. S. Cardone e Donald E. Westlake desaponta do início ao fim. Uma trama que deveria ser repleta de reviravoltas e sustos é resumida a um apanhado de clichês que o espectador consegue adivinhar cada passa do jovem detetive e de seu algoz sem a necessidade do aumento da trilha sonora ou de um salto de câmera. Walsh não honra a vaga de vilão da história e faz a linha canastrão. Sempre com o mesmo semblante, suas vilanices são colocadas em prática como se o personagem debochasse de quem assiste, menosprezando sua inteligência. Os demais personagens também sofrem com parcas construções de personalidades. Ward encarna uma marionete desde a primeira cena demonstrando uma inocência que não condiz com as atitudes que se espera de uma mãe zelosa. Em que mundo ela vive para cruzar com um cara na rua e de imediato o convidar para ir à sua casa? Para uma pessoa aparentemente de boas condições sociais revela-se uma mulher bastante ignorante e também pesa contra a personagem o fato de que os filhos caçulas praticamente não aparecem, o que reduz a  força do papel materno. A jovem Heard, como de costume para o perfil que assume, está em cena literalmente como enfeite. Não aparece nua, mas a certa altura surge de biquíni para a alegria dos marmanjos.  Sobra para Badgley carregar o filme nas costas. Mesmo com uma atuação mediana, é convincente com seus ideais de justiça e é possível se identificar com seu conflito. O Padrasto revela-se uma refilmagem totalmente desnecessária que nem mesmo surpreende nas cenas de mortes, a tal manobra para abrandar o roteiro e conquistar mais público. O tiro sai pela culatra. Em tempos de Jogos Mortais, o pudor de McCormick soa ultrapassado até mesmo em comparação com o estilo de obras oitentistas como Sexta-Feira 13. O final foi mantido tal qual o original que ainda gerou duas sequências. Felizmente fomos poupados de suas refilmagens.

Suspense - 101 min - 2009

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