sexta-feira, 20 de setembro de 2019

OS ESTRANHOS - CAÇADA NOTURNA

NOTA 4,0

Tentando desdobrar a ideia que
fez do primeiro filme algo original,
longa perde o impacto do inesperado
e se rende ao estilo serial killer
Nunca é tarde para uma continuação, mas as vezes a demora denuncia que não há necessidade para tanto. Os Estranhos foi lançado em 2008, mas não se tornou um sucesso. Como representante da categoria dos filmes sobre "home invasion", sua história em suma não difere em nada de tantas outras produções da seara colocando pessoas ameaçadas por desconhecidos perversos e sem limites que se divertem torturando física e psicologicamente suas vítimas. O clima da fita era seu melhor predicado. Com ação desenvolvida totalmente em uma única noite dentro de uma casa de campo afastada com iluminação baixa em seu interior e o breu quase total do lado de fora, algo intensificado pela densa floresta que cerca o terreno, difícil alguém não se imaginar na pele dos protagonistas vividos por Liv Tyler e Scott Speedman. Se já é amedrontadora a ideia de ser encurralado por criminosos, o medo é redobrado quando se percebe que a ameaça não tem como finalidade o roubo de um bem material e sim pura e simples maldade. Não é dada qualquer justificativa direta para o casal ser o alvo, apenas deram o azar de estar no lugar e na hora errada. Isso é o mesmo que acontece à família que fica na mira dos sádicos em Os Estranhos - Caçada Noturna, ou melhor, aparentemente já que tudo parece milimetricamente calculado nesta emboscada a começar pela ambientação propícia. Kinsey (Bailee Madison) é uma adolescente problemática que será levada para um distante colégio interno, mas seus pais Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson), além do irmão mais velho Luke (Lewis Pullman), decidem fazer uma pausa na viagem e passar a noite em um acampamento de trailers de propriedade de um casal de tios mais velhos. Curiosamente, não há sombra de uma pessoa sequer no local, nem mesmo dos donos, mas o clã parece nunca ter visto um filme de terror na vida e praticamente deixam a porta aberta para serem atacados. Não demora muito e eles recebem a visita de uma garota cujo rosto não é mostrado perguntando se uma fulana está. Poucos minutos depois ela volta e faz o mesmo questionamento. É o bastante para colocar os pais em estado de alerta e se atentarem que seus desmiolados filhos estão fora e bem longe do trailer. A essa altura os jovens já terão descobertos dois corpos e que o camping não está vazio.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

OS ESTRANHOS

NOTA 6,0

Apesar da atmosfera claustrofóbica,
suspense parece se intimidar diante de
seus próprios vilões e não ousa na trama,
mas tecnicamente é acima da média 
Inspirado em fatos reais. Tais palavras soam como pesadelos para alguns que imediatamente passam a julgar negativamente os filmes, mas para outros é a isca para se sentirem atraídos. Ao final, teçam críticas negativas ou positivas a eles, de uma maneira geral sempre fica a dúvida até que ponto as verdadeiras histórias foram respeitadas e o quanto foi inventado. Um dos casos mais clássicos de obras que criaram enredos baseando-se livremente em histórias reais foi O Massacre da Serra Elétrica cuja trama cheia de simbolismos, inclusive como resposta a barbárie da Guerra do Vietnã, nasceu com a captura de Ed Gein, assassino diagnosticado com problemas mentais que para suprir a falta da mãe mutilava mulheres para guardar parte de seus corpos. Já Os Estranhos se inicia vendendo a ideia de inspirado no assassinato brutal de um casal em fevereiro de 2005 em uma casa de veraneio, mas tal ocorrência nunca foi confirmada. Posteriormente ao lançamento o diretor e roteirista Bryan Bertino afirmou ter se baseado nos assassinatos verídicos envolvendo uma família em 1969 e também em um fato ocorrido em seu bairro e que marcou sua infância. Buscando criar envolvimento com o espectador, mas sem sucesso imediato, o filme começa mostrando James (Scott Speedman) chegando na casa de campo de seus pais acompanhado da namorada Kristen (Liv Tyler) após uma festa, mas existe um clima pesado entre eles. Ela acabara de recusar o pedido de casamento do rapaz, mas serão obrigados a dividir o mesmo teto nesta noite, porém, não necessariamente o mesmo espaço. Todavia, não poderão se fazer de cegos, surdos e mudos por muito tempo, pois a calada da noite lhes reserva um verdadeiro pesadelo que de certa forma os unirá... e para sempre! Já é madrugada quando uma jovem bate firmemente na porta da casa procurando por outra garota. Não demora muito e ela volta e refaz a pergunta. Na terceira vez o questionamento é mais incisivo e o pânico toma conta do casal que percebe estar sendo ameaçado por jovens mascarados que rondam a residência e que de alguma maneira parecem ter acesso ao interior dela assim podendo pregar sustos livremente. E a trama se resume a isso. O casal tenta fugir da casa inúmeras vezes, mas acabam sempre barrados pelo trio de criminosos que não parecem dispostos a roubar. O intuito é amedrontar o máximo possível até poderem dar literalmente o golpe de misericórdia em suas vítimas.

domingo, 8 de setembro de 2019

JACK E A MECÂNICA DO CORAÇÃO

Nota 7,5 Usando uma ótima metáfora, animação fala sobre o amor usando elementos excêntricos

Não se engane. Apesar de multicolorido, Jack e a Mecânica do Coração não é uma animação de cunho infantil, mais parecendo um enredo para adultos tingido de cores fortes, principalmente por vermelho. Todavia, o assunto que permeia todo o filme é pertinente à todas as idades: o amor. De origem francesa, a produção pode ser considerada um conto de fadas moderno. Passada na cidade de Edimburgo em meados dos século 19,  a trama nos apresenta ao frágil Jack que nasceu em um dia extremamente frio e de muita nevasca e como consequência seu coração congelou logo que sua mãe lhe deu a luz. Madeleine, sua parteira considerada por muitos uma feiticeira, para salvar sua vida coloca no lugar do órgão petrificado um relógio cuco,  o que implica que durante toda a sua vida o menino terá que seguir certas regras: nunca mexer nos ponteiros, sempre se manter calmo e jamais se apaixonar. Preocupada em manter o mecanismo sempre funcionando em perfeito estado, ela própria assume a criação do garoto, com a aprovação da mãe biológica, e até ele completar dez anos de idade conseguiu mantê-lo sobre constante vigília em casa, mas assim que faz o seu primeiro passeio conhece e se encanta por Miss Acácia, uma jovem e atraente cantora de rua. Jack então por pouco não sofre um colapso graças à sua tutora que o resgata a tempo, mas o susto não o impede de sair de casa novamente, desta vez em fuga motivado pelo desejo de reencontrar a garota por quem se apaixonou. Obviamente, haverá em seu caminho um rival para dificultar as coisas, porém, seu maior desafio é consigo mesmo. Sua vida está em risco, afinal tendo seu amor correspondido ou não uma das regras para sua sobrevivência estaria sendo quebrada. De fato, dói amar e ser amado e o filme constrói uma metáfora quanto a vivência desse sentimento usando a manutenção do coração mecânico. Qualquer desavisado poderia acreditar que se trata de uma produção do diretor Tim Burton devida a estranheza e engenhosidade do argumento, aos personagens excêntricos e ao visual gótico e extravagante, características que também remetem bastante à outra animação, Festa no Céu. 

sábado, 7 de setembro de 2019

HUSH - A MORTE OUVE

Nota 7,0 Apesar da ideia batida, fita ganha fôlego com limitações da mocinha e vilão sem escrúpulos

A Netflix virou a casa das pequenas fitas de horror e suspense. Pequenas em todos os sentidos. Além do baixo orçamento, são produções de durações enxutas, roteiro engessado e elenco com no máximo três pessoas, sem contar um ou outro que surge em poucas cenas e em nada agregam. Contudo, é preciso constatar: a maioria resulta em excelentes passatempos. Isso se você não for muito exigente e tiver boa vontade para engolir certos exageros e devaneios e Hush - A Morte Ouve não foge à regra, apesar da premissa curiosa e os primeiros minutos serem instigantes.  O que uma pessoa surda, muda e solitária faria para se defender no caso de ser perseguida por um psicopata?. Mantida para causar impacto, a palavra em inglês do título significa silêncio e isso é ao que basicamente se resume a vida da escritora Maddie (Kate Siegel) que perdeu a audição e a capacidade de falar ainda muito jovem. Como a maioria dos profissionais da área, a moça resolveu viver isolada em uma casa de campo onde poderia se inspirar e criar com mais tranquilidade, tendo como único contato pessoal a vizinha Sarah (Samantha Sloyan). Certa noite, surge em sua porta um criminoso (John Gallagher Jr.) disposto a não violentá-la sexualmente, mas sim psicologicamente e até a morte. O diretor Mike Flanagan não enrola e logo coloca vítima e algoz frente a frente, mas não sem antes usar a técnica de usar a câmera como visão de um personagem. O psicopata, mascarado e armado com flechas, não mantém certa distância para observar seu alvo. Ele literalmente se põe a observar a moça plantado em sua porta e ainda ousa a provocar com batidas no vidro, uma maneira de se divertir antes de entrar em ação, afinal de contas fizesse o barulho que fosse ela nem se daria conta por causa de sua deficiência. Ele consegue entrar com facilidade da casa, mas não a ataca de imediato. Surrupia o seu iphone para através de fotos evidenciar sua presença e quando a moça se dá conta que está em perigo consegue a tempo prender o bandido do lado de fora, mas na verdade é ela quem está presa em uma armadilha em sua própria casa. Com tudo meticulosamente calculado, o bandido trata de furar os pneus do carro da jovem e cortar a energia elétrica, assim são apenas os dois em um jogo travado em imitado espaço físico e sob a penumbra da noite.

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