terça-feira, 16 de julho de 2019

AS COISAS IMPOSSÍVEIS DO AMOR

NOTA 7,5

Sem maniqueísmos, longa apresenta
protagonista envolvida em diversos
conflitos sentimentais e seu casamento
depende do equilíbrio entre todos eles
O que seria impossível no amor? Superar a dor da perda de um bebê? Tentar conquistar o filho que o marido teve em outro relacionamento? Procurar ter um convívio harmonioso com a ex-mulher dele? Ou amar a si mesmo do jeito que é com seus defeitos e virtudes? As respostas para tais perguntas tentam ser encontradas em As Coisas Impossíveis do Amor, simpático drama protagonizado por Natalie Portman. Entre um ensaio e o outro para Cisne Negro, que lhe rendeu o Oscar e tantos outros prêmios, a atriz arranjou um tempinho na agenda para este bem intencionado filme que provavelmente só chegou a ser lançado nos EUA por conta da popularidade conquistada pela moça. Engavetado por dois anos, sendo lançado no Brasil sem direito a passagem pelos cinemas, o desprezo pela produção não é justificável. A trama gira em torno de Emilia (Portman), uma recém-formada advogada que vai trabalhar em um conceituado escritório e se apaixona por Jack Woolf (Scott Cohen), seu chefe. Ele é casado e inicialmente nem nota o interesse da moça, mas ela é surpreendida quando é convocada para uma viagem de negócios com ele. Logo na primeira noite juntos eles acabam iniciando um romance e depois de algumas semanas chega a notícia que ela acabou engravidando, mas a expectativa da chegada da criança acaba terminando como uma grande frustração. Três dias após o nascimento, Isabel acaba falecendo por asfixia enquanto mamava. Sentindo-se culpada por um momento de distração, Emilia tenta neutralizar o trauma e manter seu casamento a todo custo, o que implica em tentar viver em harmonia com Carolyn (Lisa Kudrow), a então já ex-esposa de Woolf, e com William (Charlie Tahan), seu provocador enteado devidamente envenenado pela mãe enraivecida. Como desgraça pouca é bobagem, a moça ainda precisa domar seu orgulho e mágoa e se reaproximar de Sheldon (Michael Cristofer), seu pai adúltero a quem nunca perdoou por ter abandonado sua mãe.

O diretor e roteirista Don Roos, de Mais Que o Caso, tem como marca em seu trabalhos evitar artifícios baratos para comover e não é diferente na adaptação do livro de Ayelet Waldman, "Amor e Outras Atividades Impossíveis". O título brasileiro parece indicar uma comédia romântica, contudo, trata-se de um drama sério e sensível que aborda diversos tipos de relações afetivas e sentimentos. A trama não é maniqueísta a ponto de enxergarmos Emilia como uma típica mocinha. Ela assim como os demais personagens são pessoas que convivem com problemas cotidianos como todo mundo, porém, não encontram equilíbrio com momentos de alegrias. Isso se deve ao fato de se importarem com as intempéries mais do que necessário ou não controlarem o impulso de suas falas e atos, situações que acabam gerando ainda mais conflitos. Ross não conta sua história de maneira linear preferindo alternar o presente com flashbacks do passado de maneira a revelar pouco a pouco as várias camadas da protagonista e os eventos que a levaram a se tornar a pessoa que é hoje. Contudo, a edição pode atrapalhar um pouco a compreensão do enredo inicialmente e o conjunto perder o foco principal que é investigar como uma pessoa tão jovem como Emilia reage a situações para as quais claramente ainda não está preparada para enfrentar. Ainda assim, Portman com seu talento e dedicação consegue convencer como uma mulher que amadurece diante da câmera na medida em que supera cada obstáculo que surge em seu caminho. Ela transita com perfeição da simpatia para a seriedade, do sorriso às lagrimas, da garota à mulher que é forçada a se tornar repentinamente com tantos fatos novos e incômodos que vivencia. Rancorosa pelo fato do pai ter traído sua mãe com várias mulheres no passado, ela própria não admite que fez algo parecido. Ocupou a vaga de amante por um bom tempo, foi a responsável pelo rompimento de uma família e ainda assim tenta conviver de forma harmoniosa com quem machucou mesmo a contragosto. Contudo, o espectador é levado a perceber que seus atos não são carregados de maldade, mas sim de humanidade, afinal todos em menor ou maior grau tem seus bons e maus momentos, acertam e erram.

Uma personagem cheia de nuances é um prato cheio para qualquer atriz de talento e ambiciosa, mas Portman não parece estar em seu melhor momento e não por sua culpa. Como já dito, ela consegue transmitir as angústias e instabilidade de Emilia, mas o roteiro não a ajuda na composição de uma figura tão complexa. A protagonista tem muitos conflitos a resolver e o próprio filme fica sobrecarregado como uma quantidade muito grande de ganchos a serem desenvolvidos. O resultado é que Ross não dá conta do recado e percebe-se que todos eles poderiam ir além. Todavia, pode ser encarado como um filme de ator, aquele tipo em que o roteiro não é dos melhores, mas é engrandecido pelas atuações. Seria injusto dizer que a produção é carregada nas costas por Portman e não mencionar a excelente dupla que forma com o pequeno Tahan. Com carisma e naturalidade, o garoto consegue agregar sentimento a um personagem que poderia ser antipático. Ele cresceu em um lar onde os pais trocavam afeto e atenção por bens materiais, mas ainda bem que focou sua atenção nos estudos tornando-se uma criança inteligentíssima. Entretanto, isso não o impede de ser manipulado pela mãe quando ela finalmente resolve se aproximar, obviamente com segundas intenções o bombardeando com informações negativas para criar uma rixa com sua madrasta. De família rica e tradicional e bem sucedida profissionalmente, Carolyn vê o fim de seu casamento como motivo de vergonha, um rebaixamento, e instintivamente usa o próprio filho para infernizar a vida do ex, embora no fundo saiba que seu casamento já não ia bem e o surgimento de uma rival fora apenas o estopim para a separação. Após anos dedicados à TV, Kudrow demorou bastante tempo para encontrar um personagem como este para mostrar seus dotes dramáticos e surpreende com um tipo bastante desagradável e verossímil. Por outro lado, Cohen oferece o desempenho menos relevante como objeto passivo na troca de farpas entre as duas mulheres de sua vida e tampouco tenta uma aproximação com o filho, tanto para ajudá-lo a aceitar a separação quanto para ele próprio superar a perda de Isabel. Triste em sua essência, As Coisas Impossíveis do Amor não chega a levar às lágrimas e até termina de forma acalentadora tornando-se um agradável passatempo.

Drama - 102 min - 2009

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Um comentário:

renatocinema disse...

Gostei do filme. Achei realmente uma comédia/drama simpática.

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