sábado, 15 de setembro de 2018

A MORTE TE DÁ PARABÉNS

Nota 3,0 Investindo mais no humor que no horror, bom argumento é desperdiçado 

No final da década de 1990 houve uma explosão de fitas de assassinos mascarados voltadas aos adolescentes. Tudo bem, na época produtores queriam tirar leite de pedra do fenômeno Pânico, mas é preciso ter consciência que uma hora a fonte seca. É claro que hoje em dia ainda existe público para fitas do tipo, ainda que em pequeno número, mas é preciso ter grana sobrando no banco para investir em produções que já nascem fadadas ao fracasso. A Morte Te Dá Parabéns não tinha como fazer sucesso. É uma reunião de clichês que buscou algum diferencial com viagens no tempo, mais especificamente uma jovem condenada a reviver inúmeras vezes o dia de sua morte. Bem, novidade aí não há nenhuma. Um personagem preso a um mesmo período e tendo a chance de contornar erros e fazer as coisas reverterem a seu favor já foi a temática da comédia Feitiço do Tempo, da fita de ação Contra o Tempo e do drama de guerra No Limite do Amanhã, por exemplo. A possibilidade de poder escapar da morte driblando as armadilhas de um serial killer se encaixa perfeitamente a proposta da volta no tempo, mas é preciso ter traquejo para lidar com a fórmula, algo que falta ao diretor Christopher Landon, de Como Sobreviver a Um Ataque de Zumbi. A trama tem como protagonista Tree (Jessica Rothe), uma universitária egocêntrica, falsa, displicente com a família e que adora usar os homens e descartar, ou seja, uma figura desprezível. A ideia é justamente causar repulsa no espectador para pouco a pouco ele se envolver com a jornada de redenção da jovem. A intenção pelo menos era das melhores, mas o plano posto em prática... No fim do dia de seu aniversário ela é assassinada por alguém que se esconde por uma ridícula máscara de bebê gorducho, todavia, acorda como se nada tivesse acontecido, mas logo percebe que as situações do fatídico dia se repetem continuamente. Essa é a chance, ou melhor, as diversas chances de tentar escapar da morte e descobrir a identidade do bandido revivendo de forma diferente todos os acontecimentos que podem ter contribuído para seu assassinato.

O roteiro de Scott Lobdell, de O Homem da Casa, usa o primeiro dia para apresentar os personagens e alguns elementos-chaves que serão repetidos à exaustão para facilitar a compreensão do enredo. Tudo começa com Tree acordando no quarto de Carter (Israel Broussard), um rapaz que ela desconhece, depois uma discussão com Gregory (Charles Aitken), seu professor com quem mantém um relacionamento às escondidas, outra briga com Danielle (Rachel Matthews), uma colega de escola, e momentos de descontração com Lori (Ruby Modine), sua amiga que a presenteia com um cupcake. Essas situações vão se repetindo copiosamente, com pequenas alterações a cada novo recomeço, o que por um lado é justificável dentro da proposta, mas por outro torna o longa extremamente cansativo. Curioso que a cada repetição de cena surge uma nova complicação, mas entre todas as alternativas jamais a protagonista cogita a possibilidade de simplesmente desmascarar o vilão ou até mesmo armar uma emboscada para matá-lo. Tree só corre e grita. Ridículo? A proposta é justamente essa. Não há pretensão alguma de que o enredo seja levado a sério e o humor se faz presente do inicio ao fim, culminando em uma ridícula revelação de quem é o serial killer. Até a violência gráfica é comedida, assim como o sangue de mentirinha. A Morte Te Dá Parabéns ao menos não é pretensioso ao ponto de querer inaugurar uma nova franquia de terror, não tem estopo para tanto, mas se perde ao tentar colocar em debate a arrogância do ser humano e trabalhar a ideia que só valorizamos a vida quando passamos por momentos de dificuldades. Tais problemáticas estão diretamente ligadas ao trabalho de Rothe que não tem carisma suficiente para envolver o espectador a ponto de torcer ou crer em sua redenção. No fundo é divertidíssimo ver sua personagem morrendo consecutiva vezes. Só esperava-se mais requinte de crueldade do assassino a cada nova chance de acabar com a mocinha torta... Que maldade não?

Terror - 94 min - 2017

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