domingo, 27 de janeiro de 2013

CRUPIÊ - A VIDA EM JOGO

Nota 5,0 Escritor busca inspiração no trabalho em um cassino, mas sua vida muda completamente

Sinopse: Jack Manfred (Clive Owen) sonha em se tornar um escritor de sucesso, mas em meio as suas tentativas em publicar seu primeiro romance acaba afogando-se em dívidas. Ele é avisado sobre uma vaga de emprego em um cassino de Londres como croupier, mas Jack já tinha prometido a si mesmo que não se meteria mais com jogatinas. Contudo, ele consegue o trabalho e está se saindo muito bem, porém, sua namorada Marion (Gina McKee) insiste para que ele peça demissão, pois acredita que o novo emprego está atrapalhando sua carreira literária. Mal sabe ela que Jack está nesse negócio justamente para se inspirar e escrever um livro sobre um assunto que domina. É nessa fase que ele se envolve romanticamente com Bella (Kate Hardie), outra funcionária do cassino, e Jani (Alex Kingston), uma cliente do local que está metida com criminosos que querem roubar a casa de jogos. Todas essas experiências passam a fazer parte do enredo do livro de Jack protagonizado pelo personagem Jake, claramente seu alter-ego.


Comentário: É curioso como filmes acerca do mundo das jogatinas chamam a atenção principalmente dos chamados cinéfilos de fim de semana, já que essa temática é um tanto fechada. Claro que existem pessoas que conhecem as regras dos jogos, mas de um modo geral nós brasileiros somos alheios a esses assuntos, principalmente pelo fato dos cassinos serem proibidos no país, assim não sendo uma atividade bem vista e frequentemente associada ao crime, assim como é dito a certa altura no filme dirigido pelo pouco conhecido Mike Hodges. O diretor acabou perdendo a chance de ter seu nome elevado ao primeiro time quando seu filme foi impedido de participar da pré-seleção de indicados ao Oscar. Embora filmado em 1998, o longa de origem européia só teve lançamento em alguns países de outros continentes após dois anos, mas o real motivo de sua desclassificação da competição foi o fato dele ter sido exibido por uma emissora de TV, provavelmente holandesa, antes de estrear nos cinemas. Bem, realmente está produção não parece ter sido projetada para as telonas. O visual, o tipo de edição e até a narrativa em si, tudo combina muito mais com o estilo televisivo e é surpreendente ver como o longa foi bem recebido pela crítica na época, embora tenha tido uma visibilidade ao público bem menor inclusive no Brasil onde a obra passou em brancas nuvens, ainda que hoje seja considerada cult por alguns. Clive Owen tentava conquistar seu espaço no cinema no final dos anos 90 e encontrou aqui um bom personagem, um tipo que exigia quase que uma dupla personalidade do ator. Ora ele era o mocinho pelo qual deveríamos torcer para conseguir conquistar seus objetivos, ora seria o canalha que trai a namorada, é ganancioso e se mete em negócios ilícitos. Esse homem ambíguo caiu como uma luva para o perfil de Owen que carrega o filme nas costas em meio a um bando de rostos desconhecidos, embora ele próprio na época era praticamente um Zé ninguém. A premissa do longa até que é interessante, embora batida. Um homem que já havia se metido com jogatinas tentou levar uma vida “limpa”, mas as dificuldades financeiras o empurraram de volta para o mundo das roletas e outros jogos de azar. Porém, o retorno a esse submundo da elite, onde ricaços se divertem e tentam se enriquecer ainda mais à custa de dinheiro proveniente das drogas, seria ideal para inspirá-lo a escrever seu livro, mas as tentações do ambiente conturbaram sua vida de tal maneira que até o levaram a aceitar participar de um golpe. Além dos inúmeros verbetes e gírias utilizados nos jogos que nos fazem desviar a atenção, talvez seja essa enésima exploração do mundo dos crimes que não faça Crupiê – A Vida em Jogo se tornar uma opção atraente nem mesmo para os citados cinéfilos de fim de semana. Com um ritmo e aspecto visual de produção a la "Super Cine", o longa não é de todo ruim, mas também passa longe do excepcional ou de um título digno a disputar as concorridas premiações. É um passatempo ligeiro, por vezes divertido, mas que tem algumas sequências que comprometem o interesse do espectador. É até difícil especificar o que é, mas existe a nítida sensação de que falta algo ou há certo exagero no roteiro de Paul Mayersberg, de O Último Samurai, principalmente para os mais tradicionais que defendem que os mocinhos dos filmes devem dar bons exemplos. Todavia, nem só de heróis se faz o cinema. Os anti-heróis estão na moda... Há tempos.

Drama - 94 min - 1998 - Dê sua opinião abaixo.

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