sábado, 8 de dezembro de 2012

A FRAUDE (2005)

Nota 6,5 Suspense tem boas reviravoltas expostas em diálogos inteligentes em trama intrigante


Sinopse: Abe Holt (Forest Whitaker) é um experiente investigador de uma companhia de seguros que é enviado para a pequena cidade de North Hastings para averiguar o caso de um homem que morreu carbonizado após um acidente de carro. A única beneficiária do seguro de vida do rapaz é sua irmã Isold (Julia Stiles) que teria direito a um seguro de um milhão de dólares. Apesar de tudo apontar ser verdadeiro neste caso, alguma coisa sugere a Holt que ele está diante de um episódio de fraude. Mesmo querendo desvendar a verdade, o investigador fica com um pé atrás em prejudicar Isold que tem um filho pequeno para criar, Thor (Alfred Harmsworth), e que aparentemente sofre com o marido violento Fred (Jeremy Renner).


Comentário: Estamos tão acostumados com a cultura do imediatismo que facilmente podemos deixar de assistir a bons filmes simplesmente por eles não entregarem o ouro logo de cara. Se prestarmos atenção, existem produções que já na introdução dizem a que vieram ou já deixam dicas para sabermos de antemão suas conclusões. Quando o enredo é mais inteligente, refinado, infelizmente são poucos que optam por assistir até o fim, principalmente se o início não é empolgante. A Fraude pode ser classificado como um produto desse tipo. A narrativa é lenta inicialmente e os primeiros minutos não têm diretamente algo a ver com o assunto principal da fita. O diretor e roteirista Baltasar Kormakur prefere conduzir seu trabalho sem pressa, delineando bem os personagens e procurando não deixar farpas em suas trajetórias, visto que nos minutos finais muitas reviravoltas acontecem e é aí que muitos projetos bons acabam naufragando. O roteiro, co-escrito por Edward Martin Weinman, pode não ser tão claro em uma primeira apreciação. Pode ser preciso assistir mais de uma vez a este suspense para conseguir compreender certos detalhes envolvendo um intricado caso de cumprimento de uma apólice de seguros. Quando alguém compra um serviço desse tipo, ao contrário do que muitos pensam, não está totalmente seguro de que seu beneficiário receberá uma boa quantia em dinheiro para manter-se. As pequenas linhas dos contratos podem esconder surpresas desagradáveis e muita falcatrua pode rolar por parte daqueles que reivindicam o tal pagamento. O personagem de Forest Whitaker fica no meio do fogo cruzado. Apesar de não ter provas concretas, ele acredita que Isold pode estar envolvida na morte de seu irmão para receber o dinheiro da apólice, principalmente por pequenas pistas que encontra no comportamento da moça e de seu marido. Embora tenha pena dela e de seu filho, ele é obrigado a cumprir o protocolo de sua empresa e investigar a fundo o caso para decidir se o pagamento do documento é válido ou não. Ele também pode simplesmente deixar os fatos passarem batidos e dar a causa como ganha à jovem, afinal a companhia de seguros não pode vencer sempre, pois isso acarretaria em menos vendas de apólices. Aliás, a introdução do longa é mostrando o investigador Abe averiguando as circunstâncias de um acidente de ônibus e desmantelando um golpe envolvendo os passageiros do veículo que então somavam um número bem maior do que quando partiram da estação. O longa, contudo, não se propõe a discutir estas questões éticas e comerciais a fundo, pois é um produto destinado à diversão. De qualquer forma é um filme curioso e que surpreende em sua reta final com pequenas viradas destacadas em diálogos inteligentes. Vale destacar também que a opção da direção de arte e da equipe de iluminação em preferirem cores frias e tons escuros ajudou a criar um envolvente clima de melancolia e mistério.

Suspense - 90 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo.


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