domingo, 22 de julho de 2012

ROMULUS, MEU PAI

Nota 8,0 Cinebiografia de pensador enfoca sua infância que de tão triste soa como algo surreal

Sinopse: Raimond (Kodi Smit-McPhee) é um garoto que passa a sua infância participando de uma conturbada vida em família. Ele vive com seu pai Romulus (Eric Bana) e as vezes sua mãe Christina (Franka Potente) vai passar uns dias com ele. Ela agora é casada com Mitru (Russell Dykstra), que era o melhor amigo de seu ex-marido. Hora (Marton Csokas), irmão de Mitru, também está sempre por perto para ajudar esses dois vértices familiares da maneira que pode. Essa família tenta se dar bem e conviver pacificamente, passam bastante tempo juntos, mas as coisas complicam quando Christina engravida de seu novo companheiro. A chegada de uma criança faz com que ela mude seu comportamento e passe a sofrer de depressão. Mitru também se desilude com o casamento e Romulus começa a se interessar pela idéia de refazer sua vida ao lado de uma nova mulher. Assim, Raimond precisa conviver com a rígida moral imposta pelo pai e com a negligência por parte de sua mãe. A vida ainda guarda surpresas ruins para essa família nada convencional para a década de 60.


Comentário: Se você gosta de deixar a emoção aflorar e não tem vergonha de cair no choro ou ao menos sentir um nó na garganta, este filme é um prato cheio. Geralmente dramas envolvendo crianças facilmente comovem, ainda mais quando elas são sozinhas. Aqui o garoto tem família, mas é muito solitário ao mesmo tempo em que é o mais sensato entre seus familiares, todos membros de um clã um tanto fora do comum para os padrões interioranos da década de 1960. O roteiro é baseado em uma história verídica, a do escritor e filósofo australiano Raimond Gaita que teve uma infância sofrida e cheia de percalços cujos detalhes foram registrados em uma biografia homônima ao filme. Todavia, tudo que ele viveu de bom ou de ruim o ajudaram a desenvolver-se intelectualmente e em seu amadurecimento. Nem todas as lições podem ser encontradas nos livros e Gaita é a prova de que as experiências de vida são de suma importância para qualquer ser humano. O roteiro do estreante Nick Drake privilegia a relação entre pai e filho como enfatiza o título, mas a personagem de Franka Potente é indispensável afinal é graças a seu temperamento problemático que começam a ser desenvolvidas as situações conturbadas que envolvem os homens desta família. A narrativa é feita sob a ótica do próprio Gaita quando ainda era criança, papel interpretado com muita naturalidade pelo ator-mirim Kodi Smit-McPhee. Eric Bana, ator subestimado em Hollywood, também se sai bem na pele de um homem que não se recuperou do golpe de ter sido abandonado pela esposa e que cada vez mais parece perder o gosto pela vida. Como desgraça pouca é bobagem, não basta apenas a separação dos pais para o pequeno Raimond se preocupar. Uma overdose de acidentes e tragédias ocorrem durante a narrativa que chegam a impressionar como uma criança conseguiu se manter bem psicologicamente, mesmo tendo que ser o único alicerce em bom estado dessa fatigada família. O longa tem a direção do ator Richard Roxburgh, mais conhecido como o duque “vilão” de Moulin Rouge, e ele fez sua estréia atrás das câmeras com o pé direito demonstrando muita sensibilidade. Seu trabalho é marcado por vários momentos silenciosos e uma paisagem árida, um convite e tanto para a reflexão, o que talvez tenha ocorrido com o protagonista, mas é curioso que o filme não deixa bem claro quais passagens da vida do garoto contribuíram definitivamente para torná-lo um renomado pensador. De qualquer forma, Romulus, Meu Pai é um bom drama que mais uma vez enfatiza o quanto uma família bem alicerçada pode fazer a diferença para uma criança. Raimond, apesar de todos os percalços, certamente buscou forças para sobreviver a todas as adversidades na força de vontade e educação que seu pai lhe passou. Aos que gostam de histórias explicitamente lacrimosas esta é uma ótima pedida, tanto que foi indicada a 14 prêmios do Australian Film Institute, o desconhecido Oscar australiano, vencendo em quatro categorias.
Drama - 109 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

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