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| NOTA 9,0 Com praticamente apenas dois atores, drama mostra o nascimento e a morte de um romance paralelamente |
Muita gente se entusiasma a assistir a um filme apenas pelo título, mas isso é um tanto perigoso no Brasil. Dessa forma comprar gato por lebre é muito fácil. Provavelmente muita gente deve se decepcionar ou já se decepcionou ao constatar que Namorados Para Sempre está longe de ser uma história açucarada e com o tradicional felizes para sempre. O filme originalmente foi batizado com uma expressão que liga o dia dos namorados a tristeza ou algo assim. Bem, analisando o enredo até que a escolha do título nacional não é das piores e se encaixa à mensagem do longa. Para quem gosta de boas histórias e não tem receio de se sentir machucado ao término do filme, aqui temos uma boa opção, mas para quem busca acompanhar um romance belo e a la sonho de adolescente passe longe desta obra escrita e dirigida por Derek Cianfrance, fazendo sua estréia no cinema de ficção com o pé direito. Justamente por sua experiência com documentários, é nítido que neste drama ele não abandonou seu estilo. Quase todo o tempo sentimos a câmera, as vezes tremida, seguindo os atores e procurando gestos e olhares relevantes ou até mesmo detalhes que aparentemente não significam nada, mas quando praticamente só temos dois atores em cena até as respirações podem indicar algo. Porém, a pegada documental e a fórmula do casal que discute a relação relembrando seu passado para enxergar onde erraram não é uma novidade que possa ser creditada ao cineasta. Outros trabalhos de cinema já utilizaram a idéia com sutis variações, sendo os mais famosos Antes do Anoitecer e Antes do Pôr-do-Sol. A diferença é que Cianfrance movimenta sua obra adicionando rápidas passagens de outros personagens que foram ou são importantes na trajetória dos protagonistas, assim o espectador tem um respiro e não se sente dentro de um ambiente claustrofóbico participando de uma discussão, afinal se não fossem os flashbacks e algumas poucas cenas do presente do casal estaríamos condenados a passar quase duas horas sufocantes na companhia de um homem e uma mulher que alternam momentos de carinho, com outros de raiva e muitos de pura melancolia.
O enredo pode ser definido em poucas palavras. Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) são casados há cerca de cinco anos e atualmente vivem mais por conveniência e para não ferir a pequena filha do casal. O que antes era pura paixão e harmonia com o passar do tempo foi se transformando em um fardo para os dois e os problemas do dia a dia acabaram se tornando gigantescos por menor que eles fossem na verdade. Porém, o rapaz que acabou assumindo um compromisso assim que a namorada descobriu estar grávida, ainda deseja reverter a situação. Ele reserva uma suíte de motel para passar uma noite a sós com a esposa e discutir o que aconteceu com o amor deles, mas a moça demonstra resistência aos carinhos do marido do primeiro ao último minuto da noitada que termina de forma forçada e longe do que Dean esperava. Durante esse período em que se trancam em um ambiente fechado, o espectador passa a acompanhar cada passo deles ao mesmo tempo em que são revelados os detalhes do início desse relacionamento, desde o primeiro encontro por acaso, passando por momentos de pura ternura como cantar e dançar em plena rua sem medo ou vergonha até chegarmos nos momentos de crise. Sem seguir uma ordem cronológica para os fatos, é incrível o trabalho de edição que encontramos. De forma eficiente conseguimos acompanhar praticamente duas tramas paralelas que vão e vem e essa dinâmica consegue envolver o público que passa a torcer por um final feliz. Bem, como já dito no início do texto, este não é um filme de felizes para sempre, embora exista um ensaio para tanto. Os dois minutos finais então chegam para partir os corações dos mais românticos, mas servem para explicar o título nacional. Cindy e Dean viveram o amor deles o tempo que puderam, o quanto ele sobreviveu. O até que a morte nos separe dito na cerimônia de casamento não existe, é pura ilusão. O casal, por fim, chega a conclusão de que é melhor guardarem as boas lembranças dos bons tempos do que viverem as turras por comodismo ou para não sofrerem repressões de conhecidos. Assim, mesmo separados, eles ficam com a sensação de serem namorados para sempre e passam a manter relações cordiais nos encontros que fatalmente terão daqui para a frente, afinal eles tem um elo de ligação eterno e fruto do amor que um dia sentiram um pelo outro.
O enredo pode ser definido em poucas palavras. Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) são casados há cerca de cinco anos e atualmente vivem mais por conveniência e para não ferir a pequena filha do casal. O que antes era pura paixão e harmonia com o passar do tempo foi se transformando em um fardo para os dois e os problemas do dia a dia acabaram se tornando gigantescos por menor que eles fossem na verdade. Porém, o rapaz que acabou assumindo um compromisso assim que a namorada descobriu estar grávida, ainda deseja reverter a situação. Ele reserva uma suíte de motel para passar uma noite a sós com a esposa e discutir o que aconteceu com o amor deles, mas a moça demonstra resistência aos carinhos do marido do primeiro ao último minuto da noitada que termina de forma forçada e longe do que Dean esperava. Durante esse período em que se trancam em um ambiente fechado, o espectador passa a acompanhar cada passo deles ao mesmo tempo em que são revelados os detalhes do início desse relacionamento, desde o primeiro encontro por acaso, passando por momentos de pura ternura como cantar e dançar em plena rua sem medo ou vergonha até chegarmos nos momentos de crise. Sem seguir uma ordem cronológica para os fatos, é incrível o trabalho de edição que encontramos. De forma eficiente conseguimos acompanhar praticamente duas tramas paralelas que vão e vem e essa dinâmica consegue envolver o público que passa a torcer por um final feliz. Bem, como já dito no início do texto, este não é um filme de felizes para sempre, embora exista um ensaio para tanto. Os dois minutos finais então chegam para partir os corações dos mais românticos, mas servem para explicar o título nacional. Cindy e Dean viveram o amor deles o tempo que puderam, o quanto ele sobreviveu. O até que a morte nos separe dito na cerimônia de casamento não existe, é pura ilusão. O casal, por fim, chega a conclusão de que é melhor guardarem as boas lembranças dos bons tempos do que viverem as turras por comodismo ou para não sofrerem repressões de conhecidos. Assim, mesmo separados, eles ficam com a sensação de serem namorados para sempre e passam a manter relações cordiais nos encontros que fatalmente terão daqui para a frente, afinal eles tem um elo de ligação eterno e fruto do amor que um dia sentiram um pelo outro.Bem, aqui já foi revelado o final, mas é muito complicado tentar falar deste filme sem destacar a sua conclusão que em termos ajuda a convencer os espectadores que não concordaram com o título nacional. Aliás, a lição do casal deveria ser compreendida e colocada em prática por muitas pessoas. Existem inúmeros casais que se separam na idéia, mas na prática continuam juntos. Alguns vivem sob o mesmo teto como amigos. Outros passam a morar em casas separadas, mas brigam tanto por bens, dinheiro e guarda dos filhos que acabam por prolongar o convívio nada saudável por tempo indeterminado. E hoje em dia existe uma minoria mais civilizada que prefere terminar a relação antes que ela se torne insuportável, preservando assim a integridade pelo menos de um sentimento de respeito de ambas as partes. O casal do filme talvez vá um pouco além e prefira guardar um pouco de amor um pelo outro e o futuro a Deus pertence. Temos uma conclusão no longa que aponta a decisão momentânea dos personagens de manterem um convívio pacífico em respeito a filha, mas tudo pode mudar futuramente para pior ou melhor, ninguém tem o poder de decidir isso, apenas o tempo é que dita tais regras. Mas por que assistir um filme se você já sabe como tudo acaba? A resposta é simples: mais importante que o final é o desenrolar dos fatos, pois é aí que nos enriquecemos culturalmente ou emocionalmente. A receita de Cianfrance para chegar ao resultado que teve foi enriquecida com roteiro caprichado, closes de câmera, artifícios visuais como a iluminação e a fotografia para evidenciar estados de espíritos e, principalmente, a dedicação da dupla protagonista. Gosling e Michelle curiosamente foram escolhidos para os papéis quase dez anos antes das filmagens começarem. Eles chegaram a viver juntos por um mês em uma mesma casa para criarem intimidade e o período de afastamento também funcionou como um laboratório para as cenas mais dramáticas e tensas. Não é a toa o realismo que encontramos aqui e os atores trouxeram toda a bagagem emocional que adquiriram nesses anos de pré-escalação. Colaborou muito também o amadurecimento que ambos tiveram na vida profissional. Visionário como poucos, o cineasta conseguiu enxergar bem cedo dois grandes talentos que hoje em dia estão entre os nomes mais requisitados do cinema americano. Apesar de a obra ser mais intimista, ter um quê de intelectual ou de produto destinado a platéias mais elitistas, vale a pena fazer um esforço e assistir a este drama maduro e coeso. Outro trabalho parecido deve demorar a aparecer. Não é qualquer ator ou diretor que tem a boa vontade e o empenho de se aperfeiçoar no lado pessoal e no profissional antes de embarcar em um projeto que depende de um fator determinante: a emoção na tela tem que ser muito próxima do real para atingir o público, caso contrário não funciona e o tédio se instala irremediavelmente. Ainda bem que Namorados Para Sempre consegue atingir seus objetivos com louvor.
Drama - 112 min - 2010 - Dê sua opinião abaixo.


1 comentários:
Concordo com você: apenas dois atores e o filme todo praticamente tem toda a sua vida, o que é incrível. Excelentes interpretações, dessas que cativam. Não apenas Michelle merecia uma indicação ao Oscar, mas também Ryan, que foi esnobado ano passado e, de novo, esse ano.
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