quarta-feira, 7 de março de 2012

MEDO EM CHERRY FALLS

NOTA 3,0

Diretor tentou dar uma
injeção de ânimo à velha
idéia do serial killer, mas
no fim fez mais do mesmo
A notícia que corre a cidade rapidamente é de que um assassino está matando adolescentes virgens com requintes de crueldade, sejam eles homens ou mulheres, não importa, pois o que ele quer mesmo é o prazer de estirpar corpinhos ainda em desenvolvimento. Uma notícia dessas pode assustar, mas repense nela da forma que foi trabalhada no roteiro de Medo em Cherry Falls. Na pequena cidade do título, um psicótico assassino passa a atacar jovens virgens de uma importante escola local e sempre deixando uma marca registrada em cada vítima. As investigações dos assassinatos ficam a cargo do xerife Brent Marken (Michael Biehn), mas sua filha Jody (Brittany Murphy), que continua pura, resolve iniciar sua própria investigação a fim de encontrar e capturar o assassino. Enquanto isso, o namorado da jovem, Kenny (Gabriel Mann), se entusiasma com a idéia que outros estudantes tiveram de planejar uma grande festa onde todos terão a chance de perderem a virgindade e, assim, se verem livres do risco de serem as próximas vítimas do maluco que assola a cidade. Pode parecer o enredo de uma comédia adolescente e realmente cairia como uma luva para uma produção no estilo paródia de filmes de terror, e olha que poderia fazer muito sucesso, mas o australiano Geoffrey Wright, que conseguiu certa repercussão com o longa Skinheads – A Força Branca, não estava para brincadeiras. O diretor tinha a pretensão de fazer um sanguinolento filme sobre serial killer que só teria a premissa de produções-primas como Pânico ou Lenda Urbana, mas o conteúdo seria bem mais forte e picante. Porém, o resultado acabou sendo um trabalho tão rasteiro quanto tantos outros que investem na linha do assassino mascarado que sente prazer em dilacerar corpos de jovenzinhos que só pensam naquilo. Se em 2000 esse tipo de produção já estava batido hoje então nem se fala.

Como sempre há demanda em busca desse tipo de produto e tal relação dita as regras do mercado, os executivos de cinema, principalmente de Hollywood, continuam bancando as reciclagens ou as cópias fiéis de fórmulas consagradas do cinema de horror, mas neste caso o tiro saiu pela culatra. Tentando inovar adicionando uma dose extra de sexualidade à trama batida, ou melhor, fazendo com que o sexo se integre irremediavelmente à narrativa, Wright não conseguiu atrair atenções e sim afugentar o público. Não houve exibidores interessados em adquirir os direitos deste trabalho em solo americano, sendo sua exibição realizada diretamente pela TV paga, e no Brasil ele passou pelos cinemas em um piscar de olhos e no mercado de home vídeo também não aconteceu. Além da má fama de ser mais do mesmo, o longa foi prejudicado pela sua classificação como inadequado para menores de 18 anos, embora não exista nada de tão absurdo na fita para justificar essa medida controladora brasileira, mas é compreensível. Apesar dos pré-adolescentes e até mesmo algumas crianças assistirem a torto e a direito produções de terror, sejam alugadas, obtidas pelo crime da pirataria ou até mesmo exibidas pelos canais fechados que não controlam horários de exibição,  é preciso ter um mínimo de cuidado e alertar aos pais sobre o conteúdo, se alguns ainda estiverem interessados na educação de seus filhos.
Apesar dos tropeços, previsibilidade e falta de originalidade do filme como um todo, Wright merece um crédito por não ter transformado sua fita de terror em um pornô soft. Dosou bem a sensualidade que a campanha publicitária tanto vendia, mas pecou pelo excesso de zelo nas filmagens das mortes. O medo que assola Cherry Falls não é dos mais assustadores e o problema não é só a previsibilidade das situações, mas também a falta de habilidade do diretor com o gênero, não conseguindo criar um clima adequado para anteceder os crimes. Quem quer ver sangue aos montes deve se decepcionar. Não são muitas as mortes e a maioria é mostrada quase que de forma velada através de efeitos de luz e sombra ou pela edição rápida. Ao menos a explicação de quem é e quais os motivos do assassino é crível, mas não foge do clichê do vilão que discursa antes de seu derradeiro ato. Apesar de tudo, Medo em Cherry Falls deve agradar aos aficionados pelo gênero e é um bom tapa buraco quando já se assistiu todos os filmes de seriais killers disponíveis na locadora, mas poderia ser bem melhor se o diretor não tivesse levado seu trabalho tão a sério e assumido o lado cômico de sua idéia. Felizmente uma continuação nunca foi feita, mas a opção para transformar o enredo em uma comédia besteirol está lançada e sempre há maluco para tudo. Se a moda de perder a virgindade para fugir da morte pegasse...
Terror - 92 min - 2000 - Dê sua opinião abaixo.

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