quarta-feira, 28 de março de 2012

A CASA DOS SONHOS

NOTA 2,5

Vendido como um longa de
suspense dos bons e com
elenco de peso, filme acaba
decepcionando
Os títulos de filme frequentemente são motivos para confundir o espectador desavisado. Quem se guia por esse recurso para definir o que deseja assistir deve cair em muita armadilha sem querer. A Casa dos Sonhos é mais um exemplo para engrossar a lista de títulos que indicam diversas possibilidades. Cairia bem para um drama, uma comédia, um romance e até mesmo para um suspense. Foi esse último gênero que o diretor irlandês Jim Sheridan optou ou foi obrigado a escolher, mas não foi muito feliz. Ele é o responsável por obras marcantes como Meu Pé Esquerdo e Em Nome do Pai e tantos outros pertencentes ao chamado circuito de arte, mas tem surpreendido com seus recentes trabalhos já que parece ter abraçado o estilo Hollywood de fazer filmes. A prova disso fica evidente ao aceitar realizar Fique Rico ou Morra Tentando estrelado pelo rapper 50 Cent. Forma mais comercial que colocar um astro da música como protagonista para chamar o público adolescente e freqüentador de cinema de shoppings talvez não exista, mas não deu certo. Quem sabe a fria recepção desse filme o tenha levado a tomar mais cuidado para não chocar o público que aprecia seu estilo intimista e mais elitizado de enxergar o cinema, mas não deu certo quando o cineasta se meteu a fazer um produto com temática sobrenatural. Não assusta como promete a publicidade, mas também a narrativa não envolve o espectador em busca de uma boa história. Will Atenton (Daniel Craig) é um executivo bem-sucedido que pede demissão do emprego para se mudar com a família de Nova York para uma pequena cidade em Connecticut. Sua esposa Libby (Rachel Weisz) e as duas filhas do casal inicialmente gostam da nova casa, mas a alegria dura pouco. Por acaso descobrem que dentro da residência houve o assassinato de uma família e que o pai se salvou, sendo assim acusado de ser o executor do crime. Em busca de mais detalhes sobre o caso, Will recorre a vizinha Ann (Naomi Watts), mas ela demonstra receio em ter contato, embora sempre esteja por perto. 

Apesar do bom elenco e de um diretor competente, a produção não decola e nem mesmo a virada no roteiro proposta pelo escritor David Loucka consegue captar a atenção do espectador simplesmente porque é um produto vendido como terror, mas que se revela um drama com pitadas de suspense que tenta expressar mais conteúdo do que pode como se quisesse surpreender com seu viés psicológico. Tiro n’água. Seria melhor que optassem pelos clichês e repetissem fórmulas já usadas em outros filmes cujo enredo se desenvolvia em torno de uma casa assombrada. Ao menos a platéia cativa de produções do tipo garantiria algum lucro. Percebe-se que Sheridan optou pelo projeto justamente pela proposta diferenciada de dirigir um suspense que foge do convencional e com potencial para agradar platéias mais elitizadas, mas existe um estúdio e produtoras associadas por trás que pretendem faturar alto e provavelmente interferiram no resultado final segundo boatos, tanto que o próprio diretor tentou retirar seu nome dos créditos, mas teve o pedido negado pelo sindicato da categoria. De qualquer forma, uma das características do cinema de Sheridan está muito presente aqui: o foco nos seres humanos. Um dos grandes desapontamentos para muitos pode ser o fato do que assusta não causar impacto ou ser rapidamente mostrado, como em uma cena em que as garotas chamam o pai porque viram alguém na janela, mas não vemos o exterior da casa. Todo o tempo a câmera está focada na reação dos personagens e a narrativa é despreocupada em oferecer sustos gratuitos, embora alguns clichês batam cartão. O cineasta aparenta não saber o que fazer com o roteiro que tem mãos, fruto da falta de intimidade com o gênero, situação que muitos outros profissionais já passaram. É algo bem comum, mas de qualquer forma não deixa de ser uma mancha no currículo de quem até então o cultivava com produções de primeira.  
Apesar da falta de ritmo e da ausência de uma crescente tensão, é interessante observar que no conjunto A Casa dos Sonhos pode ser observada como um filme dividido em dois atos e parece que outros títulos podem intencionalmente ou não ter servido de inspiração. A premissa, que corresponde a primeira parte, lembra muito a espinha dorsal de Horror em Amitivylle e derivados. Haveria forças do além que atuam na casa e que motivaram o tal crime? Poderia o mesmo episódio se repetir? A dúvida permanece até o início da segunda metade quando há uma reviravolta que faz o enredo lembrar um pouco Os Outros, guardada as devidas proporções. Dificilmente o cinema hollywoodiano arrisca a antecipar o ápice, digamos a conclusão, mas aqui Sheridan realiza tal manobra e até dá esperanças de que agora as coisas vão fluir, porém, o que vem a seguir parece criado para encher linguiça e até um vilão de carne e osso surge, quebrando totalmente as expectativas de quem esperava ver um filme de fantasmas de arrepiar.  Os momentos finais então são destinados a explorar a mente confusa do protagonista, passando por lembranças que nos remetem, por exemplo, ao clássico O Iluminado, mas sem chegar a conclusões plausíveis. De qualquer forma, esta produção serve no máximo para passar o tempo livre e isso se você não criar grandes expectativas. Prometia bem mais, seja seguindo o caminho mais comercial ou o do cinema alternativo. A ausência de foco em um público específico e atender as suas expectativas fazem falta. A visão artística do diretor entrou em conflito com os interesses dos financiadores e o resultado foi um produto tão confuso e desinteressante quanto o próprio protagonista e seu drama.

Suspense - 92 min - 2011 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

Rafael W. disse...

O elenco é mesmo muito foda, mas tem tanta gente dizendo que é ruim que tô até com medo de assistir.

http://cinelupinha.blogspot.com.br/

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