sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AMALDIÇOADOS

NOTA 8,5

Terror teen sobre o mito
do lobisomem na
realidade é um ótimo trash
movie, diverte e assusta
A figura do lobisomem já rendeu filmes realmente de arrepiar no passado, desde os tempos dos clássicos de terror dos estúdios da Universal até a década de 1980, quando chegamos a ver uma impressionante e detalhada transformação de um homem em lobo em Gritos de Horror. Depois disso houve outras tentativas para dar sobrevida ao monstro peludo, mas os resultados são insatisfatórios e nem mesmo o talentoso Jack Nicholson convenceu na pele do bichão. Antes de Benício Del Toro bancar uma reinvenção do mito, mas ainda mantendo a história em séculos atrás, o cineasta Wes Craven, criador das cinesséries A Hora do Pesadelo e Pânico, também tentou resgatar o conto. Na sua história, o lobisomem está a solta na época contemporânea e com um louco desejo de atacar seres vivos e com sangue quente. Tudo começa com um acidente de carro com Ellie (Christina Ricci) e seu irmão Jimmy (Jesse Einsenberg) em uma estrada deserta na qual são atacados por um animal. Pouco tempo depois, ambos começam a agir de forma estranha tendo vontade de comer carne crua, se sentindo mais fortes, entre outros indícios de que estariam infectados por algo desconhecido. Conforme investigam, diga-se de passagem, por uma rápida pesquisa na internet em que em questão de minutos encontram tudo que querem saber, descobrem que as mudanças ocorreram devido ao ataque de um lobo e que precisam encontrá-lo e sacrificá-lo antes que se tornem monstros sedentos por carne e sangue fresco. Pela sinopse até podemos imaginar que Amaldiçoados é um super filme de terror, mas seu diretor deve ter perdido a mão ou quis assumir o risco de ser linchado optando por fazer um trash movie, ou seja, investindo em humor em algo que deveria fazer roer as unhas e ainda contando com uma produção paupérrima.

Bem, falar que este filme é péssimo é exagerar. Excepcional também não. Ele fica no meio termo, é regular, com um degrau acima ou abaixo desse patamar dependendo da visão de cada um. Para quem curte terror, certamente ele agrada, pois tem sim seu clima de mistério e cenas tensas, mas também conta com cenas hilárias, apesar de super rápidas, como uma confusão do garoto metido do colégio assumindo que é gay para Jimmy ou o próprio lobisomem mostrando o dedo do meio, gesto cujo significado já conhecemos bem. Essa mescla entre terror e comédia em obras que desejam que o primeiro gênero prevaleça não é nenhuma novidade. Na década de 1980, praticamente este tipo de produção é que alavancou o mercado de vídeo no mundo todo e consequentemente o cinema. As locadoras bombavam com as fitas que eram procuradas por jovens que queriam se divertir com os amigos levando alguns sustos falsos e logo em seguida cair na gargalhada. Quem gosta desses produtos destinados ao público teen já sabe o que vai encontrar. É tudo muito previsível, mas ao mesmo tempo irresistível. Visto por esta ótica, o trabalho de Craven não merece ser crucificado e sim elogiado. Ele praticamente presta uma homenagem a um gênero que nunca foi catalogado oficialmente, porém, com um público cativo e que sente falta de produções do tipo. Pensando bem o cineasta não fez nada mais que uma variação de sua famosa obra do mascarado que adorava esfaquear jovens e que por sua vez é uma reinvenção do homem perturbado que invadia sonhos. Reciclagem atrás de reciclagem, a diferença é que sem essa análise mais aprofundada podemos ver três trabalhos de formas bem distintas e não nos darmos contas das semelhanças entes eles. Trocando em miúdos, o lobisomem é a versão animal do assassino da máscara de fantasma e este é a encarnação em vida do cara dos pesadelos. 

Do início ao fim, este filme é uma sucessão de clichês que nos leva ao ápice de tudo que infelizmente deixa a desejar. A manjada confissão do vilão antes de bater as botas e a quebra da maldição se revelam um emaranhado confuso de palavras e imagens que nos leva a crer que o longa devia ter sido finalizado um pouco antes quando nos deparamos com uma sequência que renderia uma conclusão mais interessante. Claro que também não faltam os personagens que estão lá claramente para morrer a qualquer momento, todos bem apessoados como manda o figurino, e nem mesmo os protagonistas parecem entusiasmados, com exceção de Einsenberg, até pelo tom humorado que seu papel carrega. Tudo isso é culpa de um período de filmagens conturbado. Desde a concepção do roteiro até a finalização de tudo, muita coisa rolou. Diversos artistas pularam fora do barco (devem ter agradecido aos céus) e o roteiro era reescrito conforme as gravações avançavam. Dizem que a primeira versão do texto tinha muito mais sangue e tensão. O uso da computação para a criação do lobisomem também é para gargalhar. Ágil até demais, ele foi feito mesclando também cenas de uma pessoa trajando uma fantasia. Se dispensassem os efeitos especiais seria melhor e combinaria com o tom pastelão do roteiro. Enfim, não se espantem, mas Amaldiçoados merece até uma nota alta. Iniciado de forma bacana (o ataque do lobo após o acidente dos irmãos não revela o animal, só sugestiona), deliciosamente ridículo em certas partes e previsivelmente tenso em tantas outras, este filme é para ser um clássico dos trash movies. Agora, se for ver pelo lado terrorzão mesmo, bem... Ah, isso é ser crítico demais!

Terror - 97 mn - 2005 - Dê sua opinião abaixo.

2 comentários:

Ana Caroline disse...

Parece ser ótimo, adoro filmes desse gênero!

Silvia Freitas disse...

Obrigada pela semrpe presente visita ao blog Na Manha do Gato, estarei seguindo aqui tbm. bjs!

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