quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O SEGREDO (2007)

NOTA 3,0

Flertando entre o suspense
e o drama, o filme aborda
muitos assuntos de forma
superficial
Os filmes podem e devem gerar discussões sadias a respeito de diversos aspectos. A história, interpretações e ambientações são pontos comuns a serem explorados e comparados, mas casa um irá ver esses elementos de uma forma de acordo com seu repertório cultural e de vida. Porém, existem algumas produções que merecem uma análise detalhada sobre a forma em que foi oferecida ao público. Por questões regionais, comerciais, de período ou até mesmo para aproveitar a fama ou assuntos em evidência, erros gritantes já aconteceram com diversos filmes e continuarão sempre a existir, é inevitável. O Segredo é um dos exemplos. Não que ele tivesse fôlego para se tonar um baita sucesso, mas passaria tranquilamente na classificação regular. O problema é que dá concepção da idéia até seu lançamento ocorreu uma sucessão de equívocos. Antes de qualquer coisa, vamos ao enredo. A família Marris é um exemplo de clã feliz. O oftalmologista Benjamin (David Duchovny) continua apaixonado por Hannah (Lili Taylor) mesmo após quase vinte anos de casamento. Eles levam uma vida pacata, embora vez ou outra precisem controlar a rebeldia da filha adolescente Samantha (Olivia Thirlby), que não se entende com sua mãe. Um dia, durante uma discussão dentro de um carro em movimento, as duas sofrem um grave acidente. A garota é a única sobrevivente e aos poucos passa a apresentar um comportamento anormal, como se estivesse possuída pelo espírito de alguém. Logo o pai percebe que é alma de Hannah que está tentando se manifestar. Agora, pai e filha precisam juntos aprender a lidar com essa situação no dia a dia, o que provocará grandes mudanças na vida de ambos.

A premissa é muito boa e renderia um excelente filme, tanto seguindo o caminho do drama quanto o do suspense. O fato é que se precisamos optar por um dos dois gêneros, essa tarefa é quase impossível, pois nem mesmo seus realizadores souberam qual trilha seguir. Eles ficaram em cima do muro, pareciam não saber como conduzir uma história que apresenta tantos pontos a serem observados e discutidos. Aspectos psicológicos, paranormalidade, uso de drogas, crença no espiritismo, a superação da morte a até incesto são tópicos inseridos no enredo. É muito assunto para pouco tempo e para um roteiro preguiçoso. Optou-se em desfolhar tudo isso através da vida da adolescente. Problemática antes do acidente, pior depois. O também ator Vicent Perez dirigiu esta obra de forma fria cuja boa idéia inicial é dissolvida em minutos. O francês dispara para todos os lados tentando acertar algo no escuro. Por alguns instantes parece que o longa vai beber na antiga fórmula de troca de corpos e desembocar em uma comédia. Não demora muito e a crise de identidade toma conta da protagonista, com direito a rompantes de raiva e personalidades que se revezam em um mesmo corpo. Por fim, é ensaiado um viés que deixa o espectador a ver navios e que podia ser o grande pulo do gato da história: poderia um pai se relacionar com a própria filha por acreditar que em seu corpo habita a alma da esposa falecida? Pois justamente essa idéia era vendida pelo trailer, aliás, muito interessante, mas o conjunto todo é decepcionante. 

O ator David Duchovny não tem muita sorte com suas escolhas cinematográficas. Lembrado até hoje pela atuação na série de TV "Arquivo X", o ator continua encarando experiências sobrenaturais, porém suas tentativas de firmar sua imagem no cinema são frustradas. Os seus trabalhos em geral são fracos, desinteressantes e muitas vezes são lançados diretamente em DVD, como ocorreu neste caso em que ele embarcou na canôa furada de uma refilmagem de uma obra oriental que é tão apática quanto sua interpretação. Seu nome estampando o material publicitário não é animador. O título também não ajuda, afinal de contas chegou ao conhecimento do público bem na época em que uma avalanche de documentários surgiram para manipular a mente das pessoas na esteira do sucesso do livro homônimo de auto-ajuda, o que gerou muita frustração. Assistia-se acreditando que iria encontrar mensagens positivas ou até mesmo na expectativa de levar bons sustos já que os produtores divulgavam a produção como um thriller ou filme de terror. Na realidade, trata-se de um drama familiar mal estruturado. Enfim, como já dito, o longa possui uma série de equívocos que culminam numa publicidade enganadora, o popular vender gato por lebre. Geralmente os erros acontecem muito por parte de produtores e estúdios que são os responsáveis pelas finanças do longa, mas no caso até o diretor tem culpa no cartório. Acostumado a trabalhar em produções européias, Perez tentou imprimir o mesmo estilo em um produto hollywoodiano. Visou agradar povão e elite e no fim não acerta em ninguém. Pelo menos a fotografia, trilha sonora e o clima triste e sombrio salvam O Segredo do vexame total.

Drama - 88 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

Equipe Cinema Detalhado disse...

Não vi e depois desse texto nem verei rs rs rs

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