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| NOTA 8,5 Vencedor de quatro Oscars, a obra prova que o cinema clássico ainda tem espaço na Hollywood moderna |
Um futuro rei gago que se submete a uma estranha terapia na qual mais parece que ele está participando de uma aula de teatro ou tendo algum tipo de ataque. Por esta frase dificilmente alguém diria que essa históra renderia um bom drama e muito menos que ela realmente aconteceu com um antigo membro da família real da Inglaterra. E não é que esta idéia bizarra é verdadeira e rendeu um bom filme. A trama de O Discurso do Rei se passa na década de 1930 e gira em torno de Albert George (Colin Firth) que desde a infância sofre com a gagueira, muito devido aos traumas que sofreu com as severas punições de seu pai, o rei George V (Michael Gambon). Este é um sério problema para um integrante da família real britânica que frequentemente precisa fazer discursos. Apesar de ter procurado diversos médicos, nenhum deles trouxe resultados eficazes, mas as coisas mudam quando sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter) o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta especializado em distúrbios da fala que utiliza métodos pouco convencionais para a época, como gritar palavrões repetidas vezes. O médico se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, assim tornando-se também seu amigo e confidente. Os exercícios e métodos aplicados no tratamento fazem com que o paciente adquira autoconfiança para cumprir o maior desafio de sua vida: assumir a coroa após a morte de seu pai e a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce), o primeiro nome na linha de sucessão. Assim, com a ajuda de Logue, de sua família, do governo e de Winston Churchill (Timothy Spall), o rei George VI vai conseguir proferir o seu mais importante discurso pela rádio, inspirando o seu povo a se unir para enfrentar a iminente batalha contra os alemães na Segunda Guerra Mundial.
Com doze indicações ao Oscar, vencendo quatro delas, este foi sem dúvidas o melhor filme de 2010. Bem, há controvérsias. Disputando as principais premiações com outras obras de peso como uma sobrevida ao gênero faroeste, uma ficção de dar nó no cérebro de qualquer um, mais um título acerca do mundo do pugilismo e algumas tantas produções independentes, digamos que este trabalho é o que teria mais a cara de premiável por ser uma produção de época, o que já lhe garantiria algumas estatuetas pela parte técnica e visual. Curiosamente, na festa da Academia de Cinema, o título venceu quatro categorias principais e perdeu todas as técnicas, além de em outras premiações, como o Goya e o Bafta, ter sido eleito o Melhor Filme do Ano. Digamos que foi o escolhido para ser o queridinho dos críticos na temporada por ser uma obra correta que não inova, mas apresenta com elegância e competência o que se propõe. O diretor Tom Hooper teve muita sorte em ter seu trabalho super premiado tendo em seu currículo apenas o regular drama Sombras do Passado e o frouxo Maldito Futebol Clube, filmografia de alguém a quem o Oscar de Melhor Diretor era um sonho distante. O roteiro simples explora muito bem a história de duas pessoas que foram unidas pelo sentimento da superação. O terapeuta não teve sucesso como ator, talvez por falar demais, enquanto ao herdeiro do trono o fato de falar mal poderia significar sua ruína. Juntos eles tentam vencer os obstáculos que a vida colocou em seus caminhos. Colin Firth, substituindo Paul Bettany que recusou o papel e se arrependeu, mereceu todos os prêmios que levou para casa por sua excepcional composição que lhe exigiu muito da parte vocal. Ele consegue mostrar ingenuidade e timidez ao mesmo tempo em que nos convence em certos momentos com sua postura ereta e rosto sério que a qualquer momento o líder de uma nação vai surgir com elegância e firmeza. Geoffrey Rush também está excelente na pele do excêntrico terapeuta. Quando os dois estão em meio as sessões de tratamento, é impossível segurar o riso ao ver um nobre pronunciando repetidas e enfáticas vezes palavrões alternando com rebuscados versos de William Shakespeare. Por causa de certos diálogos, após a consagração do título no Oscar, a obra sofreu cortes para voltar aos cinemas de alguns países visando ampliar seu público com a diminuição da censura. Vale destacar também a presença de Helen Bonham Carter como a esposa do futuro rei. Ela tem uma interpretação raquítica perto dos outros astros mencionados, mas a ressalva fica por conta de sua mudança de ares. É raro vê-la em um filme que seu marido Tim Burton não é o diretor e ainda mais de cara limpa, sem excessos de maquiagens ou roupas excêntricas. Mesclando drama e humor, o resultado é muito agradável e até bem diferente do que se espera de uma obra que fala sobre nobreza, política e a iminência da guerra, mas ainda se esperava mais desta produção cujo nome surgiu tímido no início da temporada das premiações, porém, ganhou uma projeção extraordinária com o tempo. Produzido pelos irmãos Bob e Harvey Weinstein, os sortudos produtores que sempre emplacam produtos nas premiações e deram uma injeção de ânimo no cinema independente e para os filmes de época, O Discurso do Rei é mais um título para a coleção de sucessos da dupla e certamente merece a atenção do público e terá vida útil longa.
Drama - 118 min - 2010 - Dê sua opinião abaixo.
Vencedor do Oscar de filme, direção (Tom Hooper), ator (Colin Firth) e roteiro original
Drama - 118 min - 2010 - Dê sua opinião abaixo.


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