segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PASSE LIVRE

NOTA 7,5

Os irmãos Farrelly deixam
o anarquismo um pouco de
lado e investem em trama
com temática familiar
Comédias enfocando adolescentes em busca de aventuras amorosas existem aos montes, se popularizaram na década de 1980 e até hoje encontram seu público, afinal jovens que só pensam naquilo é o que não falta independente da época. Recentemente, temos observados que talvez um novo subgênero está nascendo e ganhando cada vez mais força, mas ele ainda não foi batizado. É uma corrente que investe em comédias que tem como pano de fundo os relacionamentos, porém, com temáticas mais maduras ou ao menos o seu elenco representa tal maturidade, afinal de contas Jason Biggs, Adam Sandler e Vince Vaughn não ficariam eternamente jovens e agora encarnam com certa regularidade personagens que ainda guardam os sonhos e bom humor da juventude, mas já precisam se preocupar com o avanço da idade e o futuro, sozinhos ou formando uma família. Owen Wilson também faz parte desse grupo de trintões ou quarentões que precisou se readaptar a uma nova linha de humor para se manter em atividade. Apesar de ter trabalhado sua veia cômica de forma mais refinada com Woody Allen em Meia-Noite em Paris, no mesmo ano ele caiu nas mãos dos irmãos cineastas Peter e Bobby Farrelly e embarcou nas loucuras da dupla em Passe Livre. Conhecidos por trabalhos anárquicos e politicamente incorretos, os diretores também amadureceram e decidiram realizar um filme com temática um pouco mais familiar, talvez até coincidindo com o momento pessoal deles. De certa forma conseguiram, porém, a crítica não gostou muito da mudança de ares. Muitos jornais, revistas e sites publicaram, em outras palavras, que se continuarem nesta linha os Farrellys serão apenas mais dois nomes no inflado mercado hollywoodiano, deixando para trás o diferencial que os consagraram.

O enredo nos apresenta a Rick (Owen Wilson) e Fred (Jason Sudeikis), dois grandes amigos que não têm mais idade para ficarem experimentando tudo o que a vida oferece e estão colhendo o que plantaram com suas decisões do passado. Eles já estão na casa dos trinta anos, são comprometidos e estão acomodados em seus empregos de corretores. Cansados da rotina do casamento, ambos viviam aprontando alguma para se divertirem, mas que no fim só traziam problemas. Nem mesmo uma noite a sós para namorar com suas respectivas esposas, Maggie (Jenna Fisher) e Grace (Christina Applegate), eles conseguiam mais. Depois de um papo sobre a mulher dos sonhos durante um jogo de cartas com amigos, uma delas escuta tudo e arma um plano com a amiga. Elas presenteiam os companheiros com uma proposta inusitada: eles terão uma semana de passe livre, ou seja, poderão fazer o que quiserem sem dar uma única explicação a elas. A intenção é que eles pensem melhor se querem continuar casados. Para os maridos, o presente caiu dos céus. Sete dias para esquecer os compromissos com a família e irem curtir a vida com os amigos e conhecer algumas garotas era tudo o que eles desejavam. Em um primeiro momento, eles se mostram animados e cheios de energia para voltarem a paquerar como faziam quando eram mais jovens, mas as tentativas são sempre frustradas e aos poucos eles se dão conta de que a vida de solteiro não é tão fácil como quando se tem vinte e poucos anos e que a convivência com suas respectivas mulheres faz muita falta. 
Em tempos em que a instituição do casamento está em crise e muitos casais se unem por impulso, obrigados ou continuam juntos por conveniência, a proposta do tal passe livre pode ser tentadora, mas ao mesmo tempo, aos mais conservadores, é uma total irresponsabilidade e falta de compostura. Bem, o lado mais ético da questão obviamente não é o foco do trabalho dos Farrellys acostumados a comédias românticas que investem muito mais em situações humorísticas absurdas do que no romantismo, como Quem Vai Ficar com Mary?, O Amor é Cego e Antes Só do Que Mal Casado. Aqui eles questionam o que pode acontecer com um relacionamento quando há a possibilidade dos maridos terem múltiplas parceiras e com carta branca das esposas para se divertirem. Partindo desta premissa, eles desfilam pelas quase duas horas de projeções diversas situações esdrúxulas pelas quais vão passar os tais "solteiros temporários". Dessa forma, o longa por diversos momentos remete as comédias bobinhas como Picardias Estudantis e American Pie, respectivamente ícones do cinema para jovens das décadas de 1980 e 1990. É fato que esse tipo de produção ganhou fôlego novamente com filmes que apostam em um novo viés: os maduros com um pé na adolescência, como O Virgem de 40 Anos e A Ressaca. No caso de Passe Livre, o roteiro aborda várias questões interessantes, como a imaturidade mesmo já sentindo o peso da idade e a crise existencial. Claro que se o longa provocar alguma reflexão isso só ocorrerá um tempo depois do término, pois é impossível se pensar seriamente diante de tantas situações irreverentes, porém, os cineastas exageraram um pouco na dose, mostrando até o close de um órgão sexual masculino por um bom tempo. Apesar de continuarem com o hábito de expor seus personagens a situações bizarras e ultrajantes, desta vez eles construíram uma comédia irregular que no final quer deixar no ar lições de moral e muda o tom da brincadeira. De qualquer forma, é uma opção para se divertir sem compromisso bem razoável, mas destoa no currículo dos Farrellys e certamente deve constranger muita gente. Crianças nem pensar em assistir.

Comédia - 105 min - 2011 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

renatocinema disse...

Não é meu estilo de filme.

Não gosto dos atores também.


Quem sabe, talvez, um dia.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...