terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O TURISTA

NOTA 4,0

Aguardado encontro de
Angelina Jolie e Johnny
Depp decepciona e
resulta em um filme fraco
Quando dois grandes astros se reúnem em um mesmo filme e existe um diretor respeitável por trás das câmeras, público e crítica se agitam e aguardam ansiosos uma produção que promete marcar época, mas nem sempre as expectativas se confirmam como é o caso de O Turista. A tão aguardada união de dois símbolos de beleza e talento resultou em algo apático e a combustão esperada no encontro de Angelina Jolie e Johnny Depp não aconteceu. A culpa não é dos atores, mas sim do projeto em si, mal estruturado e super valorizado. Esperava-se mais deste trabalho do diretor alemão Florian Henckel Von Donnersmarck, o mesmo do premiadíssimo e vencedor do Oscar de filme estrangeiro A Vida dos Outros. O cineasta se rendeu as propostas milionárias de Hollywood e topou dirigir esta refilmagem do filme francês Anthonny Zimmer – A Caçada. O roteiro é assinado por ele próprio com a colaboração de outros dois roteiristas muito premiados, Christopher McQuarrie e Julian Fellowes, respectivamente responsáveis pelos enredos de Os Suspeitos e Assassinato em Gosford Park. Por que o resultado desta reunião de talentos resultou em uma obra frustrante? O público foi com muita sede ao pote e se decepcionou e a indefinição de gênero e o ritmo irregular desta película são um tanto incômodos. Em geral é um suspense com certas características que lembram produções antigas devido ao seu porte elegante e ritmo mais lento, mas há pitadas de ação, romance e comédia. Sim o humor aqui também marca presença em certos diálogos terríveis para preencher o tempo, como no caso do primeiro encontro dos protagonistas, momento que deveria ser crucial e que acaba se tornando uma cena um tanto amadora. Em alguns sequências parece que o diretor está perdido ou deslumbrado com o que tem em mãos. Fica nítido nas cenas de ação e suspense a sua falta de experiência em tais gêneros e a preocupação constante em capturar de forma clara e bonita as imagens do casal principal. Por outro lado, cada fotograma parece ter sido estudado em detalhes para mostrar os detalhes dos cenários e, obviamente, as belas paisagens de Paris e Veneza, os palcos das ações.
O enredo segue os passos da misteriosa Elise Clifton-Ward (Angelina) que também estão sendo acompanhados de perto pela equipe chefiada pelo inspetor John Acheson (Paul Bettany), isso porque ela viveu por um ano com Alexander Pearce, que está sendo procurado pela polícia devido a sonegação milionária de impostos. Ninguém sabe como é o rosto desse homem atualmente, nem mesmo Elise, já que ele passou por várias operações plásticas para escapar de seus perseguidores. Um dia, ele entra em contato com a moça através de um bilhete onde pede que ela vá encontrá-lo em Veneza e no caminho procure alguém com tipo físico parecido com o dele para enganar a polícia. A companheira e aliada segue as instruções à risca e na viagem para a Itália acaba se aproximando do professor Frank Tupelo (Depp), o infeliz escolhido para se passar pelo bandido sem saber. Logo a relação envolvente deles se torna complicada e cheia de perigos e eles passam a ser perseguidos pela polícia e por Reginald Shaw (Steven Berkoff), um poderoso gângster que teve uma fortuna roubada por Pearce. A premissa, portanto, é bem interessante, mas no conjunto não funciona completamente e a narrativa não chega a um tom predominante, sendo assim difícil classificar a obra em um gênero específico, o que já desperta desconfianças.
Muita gente critica este filme, mas é bom deixar claro que ele não é de todo ruim, tem lá seus pontos positivos. A química entre os protagonistas não é nada de outro mundo, mas serve para agradar o público que escolhe o que assistir levando em conta principalmente o elenco. Depp faz um personagem bem a vontade na enrascada em que caiu, talvez um pouco inverossímil isso, porém, tudo explicado no final. Já Angelina repete pela enésima vez o papel de mulher fatal desfilando seus dotes físicos pela tela sem precisar se esforçar. Bem, o roteiro é tão cheio de clichês e situações previsíveis que realmente qualquer ator com um mínimo de bagagem cultural tiraria de letra interpretar os papéis principais. A primeira parte da trama é até bem interessante, mas quando os protagonistas se encontram temos um choque as avessas. Ao invés das coisas pegarem fogo, tudo fica mais tedioso e a narrativa um tanto arrastada. Dito tudo isso, temos então nada mais que um filme tipicamente hollywoodiano, aquele que você assiste, acha legal, provavelmente recomenda a amigos, mas certamente não irá se lembrar em detalhes sua história e tampouco seu desfecho algumas horas depois. Pouco importa. Ser um veículo para fazer barulho acerca do encontro de dois grandes astros da atualidade parece ser realmente as intenções desta produção frouxa. Todavia, é possível encontrar em O Turista um pouco do requinte e da estética das obras européias graças ao apuro técnico e visual exigido por Von Donnersmarck, mas esta sua empreitada no mercado americano de cinema se resume a apenas um passatempo que não faz mal a ninguém criado para faturar milhões, expectativa que não foi cumprida. De qualquer forma vale uma conferida descompromissada.

Suspense - 103 min - 2010 - Dê sua opinião abaixo.

2 comentários:

renatocinema disse...

Você disse tudo em uma palavra: apático.

Filme apático.

Um encontro desse tinha que ser mais rico e impactante.

Foose disse...

A esperada parceria entre os atores mais amados da atualidade acaba sendo o grande defeito de O Turista. O longa mistura ação e comedia, mas a ação é fraca e a comedia é sem graça. Lembra muito alguns filmes produzidos nos anos 50 e 60, onde o cenário europeu era um personagem da história. E acaba sendo só isso mesmo: Um filme charmoso só pelo cenário! Um grande comercial de turismo!:(

Bela resenha, amigo!

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