quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A NÉVOA

NOTA 1,0

Fora um leve clima de
nostalgia, tudo é
desastroso neste remake
sem graça do início ao fim
Qualquer filme gera opiniões controversas. Alguns podem amar, outros odiar e quase sempre a impressão da crítica especializada é contrária a dos espectadores comuns. Os filmes de terror passam por essa prova de fogo, mas também precisam vencer a barreira do medo ou preconceito do público, ainda mais quando se trata de uma refilmagem de alguma obra marcante. É neste caso que se encaixa A Névoa, um remake de A Bruma Assassina, cultuada produção do outrora mestre do terror John Carpenter. Esse é um dos raros exemplos que parece uma unanimidade quando o assunto é avaliação. Qualquer site, blog, revista ou jornal antigo, enfim, qualquer meio de comunicação que abriu ou ainda abre espaço para publicar algumas linhas sobre este filme não pensa duas vezes antes de dar as piores notas e críticas possíveis e realmente não há como discordar. Esta produção é muito ruim em todos os aspectos. Roteiro, interpretações, direção, fotografia, iluminação e, principalmente, nos efeitos especiais que na verdade merecem ser chamados de defeitos. Pode parecer estranho dizer que a história é ruim já que se trata de um texto que ganhou as telas no passado com certa projeção, mas o problema é que desta vez a narrativa saiu do papel não para causa sustos, mas sim risos ou até bocejos de tédio. A premissa é a seguinte: há cem anos, um navio ocupado por leprosos foi propositalmente jogado contra uma costa de rochedos, afundou em uma noite de muita neblina e ninguém sobreviveu. Após um século de espera, aproveitando o momento em que a pequena cidade litorânea onde tudo ocorreu está prestes a realizar uma homenagem aos seus fundadores, os fantasmas desses mortos estão de volta para se vingarem e passam a perseguir os descendentes dos responsáveis pelo acidente. Para tanto, os espectros se escondem atrás de uma névoa de dimensões jamais vistas e tudo que estiver na frente dela será destruída. Entre os alvos estão os jovens Nick (Tom Welling), Selma (Stevie Wayne) e Elizabeth (Maggie Grace), uma moça que parece ter uma forte ligação com essa história macabra do passado.

Na época em que produtores descerebrados tiveram a brilhante idéia de refilmar esta história, Hollywood já sentia que os remakes de produções de terror orientais estavam em franca decadência e sem ter boas idéias originais o jeito era revirar seu próprio baú e resgatar o que fez sucesso no passado. As intenções até eram boas, mas o diretor Rupert Wainwright, o mesmo do razoável Stigmata, não soube desenrolar um tema promissor e se perdeu em meio a situações tolas, sustos que não causam impacto algum e nem mesmo se deu ao trabalho de desenvolver perfis interessantes para seus personagens. Aliás, os protagonistas Tom Welling e Maggie Grace podem funcionar em séries bobinhas de TV, mas para segurar um filme precisam ainda de muita experiência no currículo. Não deram conta nem de um terror boboca e o espectador acaba não criando vínculos com a trama, restando apenas a curiosidade de saber quem e como será executada a próxima vítima. Até que algumas sequências de morte se salvam, mas podemos também nos divertir com a caracterização das tais almas penadas, dignas de comédias com pegada sobrenatural destinadas a entreter crianças. Seria muito melhor terminar o longa sem mostrar o que havia por de trás da bruma, manter o suspense, ou melhor, criá-lo, assim não deixaria um gosto tão amargo de decepção. E, por fim, temos os velhos clichês do gênero batendo ponto. Por que cargas d'águas as mocinhas decidem andar seminuas em meio a um clima frio e ainda mais na calada da noite? Por que os protagonistas sofrem o diabo e não morrem nunca?

Inicialmente até que o clima enevoado funciona, causa certa expectativa e podemos sentir um friozinho na barriga, tudo porque sabemos que a tal névoa assustou muita gente no filme original, mas a sensação desaparece em minutos. Quando os espectros entram em cena e começam a atacar o caldo desanda, chegando ao cúmulo do ridículo no final quando descobrimos que um dos fantasminhas não é tão malvado quanto parecia e voltou ao mundo dos vivos visando reatar laços afetivos. Os efeitos especiais só são eficientes quando, praticamente de forma relâmpago, o nevoeiro ganha contornos de um rosto, assim como o famoso efeito usado em A Múmia. Fora isso, só para não dar um zero bem redondo ao longa, podemos destacar o uso de trilha sonora um tanto nostálgica que combina muito bem com a rádio na qual uma jovem locutora conversa diretamente com o ouvinte e toca músicas para agradar os jovens que estão de papo para o ar em plena madrugada, elementos muito característicos da década de 1980 talvez inseridos na narrativa para pelo menos prestar uma singela homenagem aqueles que participaram da primeira versão e que depois tiveram que engolir tamanho engodo. Os já falecidos provavelmente se reviraram em seus túmulos. A resposta talvez para tamanho fracasso esteja no orçamento e no emprego de tecnologia. Carpenter tinha pouca verba, mas muita criatividade, e conseguiu fazer um filme B legítimo que superou expectativas. Já A Névoa provavelmente deve ter tido um polpudo caixa para gastar, mas a grana foi investida em técnicas que resultaram em imagens arcaicas e totalmente inverossímeis. Os envolvidos na produção não lucraram, ficaram a ver navios, assim como o público.

Terror - 100 min  2005 - Dê sua opinião abaixo.

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