segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O PEQUENO NICOLAU

NOTA 10,0

Produção francesa é uma
excelente e delicada opção
de comédia para agradar
crianças e adultos
Já faz algum tempo que os filmes infantis deixaram de ser bobinhos para agradar também aos pais das crianças. A indústria de cinema americana cada vez mais capricha na produção de animações com piadas e situações que atinjam os adultos, mas ainda não consegue as mesmas proezas quando quer contar uma história infantil com elenco e cenários reais. Hollywood pode mirar então no exemplo do diretor Laurent Tirard e sua produção francesa O Pequeno Nicolau. A história se passa na França da década de 1950 e gira em torno do tal garoto do título (Maxime Godart, excepcional e muito cativante) que leva uma vida tranquila, é muito amado por sua mãe (Valérie Lamercier) e por seu pai (Kad Merad) e tem diversos amigos, com os quais se diverte um bocado. Tudo vai bem até que um dia ele houve uma história sobre irmãos mais novos que o assusta. A partir de então, o menino passa a prestar atenção no comportamento de seus pais e se surpreende. Ele acredita que sua mãe está grávida e logo entra em pânico, pois acha que assim que o bebê nascer ele não receberá mais atenção. A paranóia aumenta quando sua mãe o convida para um passeio, pois tem certeza que será abandonado na floresta. Para escapar desse terrível destino, Nicolau faz de tudo para mostrar aos pais o quanto é indispensável e, por tentar agradá-los demais, acaba cometendo vários tropeços o que faz com qu eles fiquem enfurecidos. Desesperado, ele muda de tática e, com a ajuda de seus amigos desastrados, bola diversos planos para achar uma solução para seu problema.
 
Filmes que abordam a maneira ingênua com que as crianças percebem os acontecimentos do mundo adulto geralmente tocam fundo e conquistam de imediato a atenção do público. Esta produção francesa, baseada na obra "Le Petit Nicolas", datada do ano de 1959 e escrita por Jean-Jacques Sempé e René Goscinny, é extremamente agradável e simpática, muito graças à naturalidade do elenco infantil que atua com graça e naturalidade. A opção pelo caminho do humor até difere este título de tantos outros que lançam crianças em um turbilhão de dramas adultos e por isso se torna uma excelente opção para assistir com toda a família. Tirard fez uma obra que nos deixa com um sorriso no rosto do início ao fim, provoca algumas boas gargalhadas, nos emociona e de quebra levou para o cinema memórias que certamente fizeram parte de sua infância usando talvez como alter ego o garoto Nicolau. Os anseios, temores, sonhos e inocência de um menino da ainda recatada metade do século 20 ganharam uma perfeita encarnação. É interessante também a boa construção dos demais personagens. O pai de Nicolau adora contar vantagens, a mãe é superprotetora e o mima demais e seus amigos formam um panorama da camada infantil daquela época que não difere muito de hoje em dia. Tem um que estuda demais, outro que não gosta de pegar no caderno, o que é comilão e o briguento da turma. Existem coisas que o tempo não muda. E o protagonista, por sua vez, fica em cima do muro entre a infantilidade e o amadurecimento a partir do momento que desconfia da chegada de um irmãozinho. Ele tem a vontade de um adulto para impor sua presença, mas seus planos para tanto são dignos de um ser que ainda tem muito a aprender nesta vida.

O grande trunfo do longa é não cair na armadilha de fazer um filme adulto sobre o universo infantil, mas se concentrar em passar a percepção de todos os acontecimentos pelos olhos dos pequenos, como se o roteiro fosse escrito por eles mesmos, mas ao mesmo tempo as mesmas situações são apresentadas pela ótica dos mais velhos, assim são duas histórias que caminham paralelamente criando interessantes contrapontos. É bom enfatizar que o cinema europeu trata as crianças de forma peculiar. Hollywood, salvo algumas exceções, se preocupa em fazê-las ficarem tão engraçadinhas e fofinhas que o resultado fica artificial e em alguns casos beira o ridículo. Já os europeus tratam os personagens infantis com mais complexidade e os encaixam de forma mais verossímil nos enredos, inclusive com maior carga dramática, como neste caso. Para quem se aventurar nesta comédia sem saber de suas origens, provavelmente pensará que ela é americana devido ao capricho de produção e ritmo perfeito da história. Se você é um daqueles que nem deseja ouvir falar em um filme oriundo da França, está na hora de rever seus conceitos e ver que o cinema de lá não é feito apenas de lamentações, contemplações ou histórias românticas e dramáticas. A distribuidora Imovision, especializada em trazer ao Brasil produções de todos os cantos do mundo com seu áudio original, teve o cuidado de dublar O Pequeno Nicolau para atingir o público infantil, com o qual ela ainda não tem intimidade, mas a obra também pode ser apreciada com legendas e idioma francês. Excelente programa para uma sessão da tarde com toda a família.

Alternativos - 91 min - 2009 - Dê sua opinião abaixo.


3 comentários:

renatocinema disse...

Adorei o roteiro, saboroso e na medida certa entre inocência e malícia. Humor, drama e até sarcasmo.kkk

Bela opção para quem não assistiu.

William disse...

Realmente a maneira ingênua das crianças perceberem o mundo real, como você comenta na sinopse, é bonito. Recentemente assisti ao filme "o garoto do pijama listrado". história diferente mas me parece ser o mesmo contexto em relação à esse filme.
Valeu pela dica.
Abraço e bom feriado.

Equipe Cinema Detalhado disse...

Adorei o filme, achei divertido, charmoso e encantador! Renato Cinema ai de cima, nos apresentou o Blog! Estamos seguindo!

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