terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DEMÔNIO

NOTA 3,0

Suspense tem premissa
interessante, mas peca por
sustos previsíveis e roteiro
pouco desenvolvido
Já se passou mais de uma década desde que O Sexto Sentido foi lançado, mas até hoje ele é considerado por muitos o filme mais apavorante dos últimos anos e marcou definitivamente a carreira de M. Night Shymalan. A prova disso é que ele virou um cineasta de um filme só e seus projetos seguintes foram massacrados por crítica e público. Com exceção de Corpo Fechado, que conquistou bilheterias na cola do sucesso anterior do diretor indiano, todos os outros filmes realmente deixaram a desejar, ainda que A Vila sofra seu desprezo por causa da falta de massa encefálica de grande parte do público que não compreendeu a mensagem implícita. Com tanto bombardeio, Shymalan preferiu se esconder um pouco e passar a produzir ou ceder argumentos. Sorte dele que dessa forma escapou de mais um massacre, mesmo que a idéia e a produção de Demônio seja do próprio. A premissa é a seguinte: em um dia comum, cinco pessoas que não se conhecem têm suas vidas viradas do avesso ao entrar em um elevador que simplesmente para de funcionar de uma hora para a outra. E o que para muitos já seria motivo de tensão, piora ainda mais quando estranhos e violentos acontecimentos começam a acontecer dentro daquele cubículo. O que eles não se dão conta é de que o demônio está entre eles. O detetive Bowden (Chris Messina) está no mesmo prédio atendendo a um chamado de emergência e ao perceber a movimentação através das câmeras de segurança tenta controlar a situação. O problema é que ninguém consegue abrir o elevador e a única ajuda possível é através do sistema de áudio. Enquanto faz o monitoramento do local através de monitores, Bowden e outros funcionários do edifício passam a ver cenas assustadoras, incluindo mortes.

Prender a atenção do espectador com um suspense hoje em dia não é tarefa fácil. Tudo quanto é idéia que se possa imaginar para causar medo já foi usada, desde simples jogos de câmeras, passando por edições cheias de adrenalina e sonorização de arrepiar, até chegar às mutilações explícitas. O uso de um local claustrofóbico também já é um recurso manjado, mas continua causando impacto, ainda mais quando o título da produção é o nome do coisa ruim, uma tática que pode chamar a atenção de boa parte do público, porém, afastar uma outra parcela que não quer nem ouvir falar no assunto por medo de atrair vibrações negativas. De qualquer forma, a idéia resumida é bem interessante, mas sua realização não. Aqui o negócio é causar sustos e intrigas e isso o filme consegue fazer bem usando situações veladas que mexem com o psicológico dos personagens e de quem assiste também. A produção até guarda algumas semelhanças, guardadas as devidas proporções, com o reverenciado terror espanhol Rec justamente por preferir sugestionar ao invés de escancarar as situações de terror. A trama segue bem amarrada até a metade, mas daí em diante, quando sobram poucas pessoas no elevador, a confusão de idéias toma conta, as expectativas caem por água abaixo e um final pouco empolgante já é de se esperar.
 
Grande parte da culpa da idéia ter naufragado é por conta do roteiro fraco. Faltou lapidar melhor a história, fugir das situações previsíveis ou estapafúrdias e principalmente desenvolver melhor os personagens. No início a atmosfera de suspense permanece porque esperamos que aquelas cinco pessoas desconhecidas irão revelar segredos e personalidades interessantes, mas não demora muito e chegamos a conclusão de que só nos resta esperar ver quem é a próxima vítima, se todos perderão a vida, quem sabe o detetive paradão irá se revelar um herói ou se o capeta irá triunfar. Parecem muitos questionamentos para uma produção tola, mas se esqueceram do principal: uma história só funciona quando o espectador se sente envolvido com quem está em cena, podendo optar por torcer, odiar, sofrer ou suspeitar de cada um dos personagens. Infelizmente aqui não temos subsídios para cultivar tais sentimentos. Assim, fica claro que o desconhecido diretor John Erick Dowdle não reviu os trabalhos do produtor de sua obra. Ele simplesmente descartou a essência das histórias de Shymalan. O desenvolvimento das personalidades em sobreposição as situações de suspense foi trocado por uma sequência de sustos previsíveis que mais fazem bocejar que causar arrepios. O que se salva no final das contas é a atmosfera do longa que ajuda a manter um clima de tensão e o ritmo ágil da narrativa. O público agradece a curta duração da obra. Mais alguns minutos e seria impossível tolerar um filme que tem basicamente dois cenários e atores tão inexpressivos quanto suas personagens, se é que podemos nos referir a interpretação deles dessa forma sem ofender aqueles que levam a profissão a sério. Enfim, Demônio até vale uma espiada se não tiver algo melhor para assistir. Não se preocupe se você é do tipo que se impressiona facilmente. Algumas horas depois ou até imediatamente após o término do filme você já o terá esquecido.

Terror - 80 min - 2010 - Dê sua opinião abaixo.

4 comentários:

renatocinema disse...

Vi semana passada, e achei razoável. Somente para quem realmente não tem outras boas opções.

Phallus Presents disse...

demônio poderia ser tudo, mas decepciona demais, roteiro confuso, sem algo que prenda realmente o espectador, apenas no desfecho que sabemos o porque o tal demonio escolhera aquelas pessoas, se for assistir, recomendo que veja outros similares e melhores...

Rafael W. disse...

Realmente, é bem confuso, as reviravoltas e as subtramas são bem ilógicas. Mas tem um bom clima de tensão, vale a conferida.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Foose disse...

Está longe dos classicos de M. Night, mas também está longe de ser a bomba da carreira. Muitos criticos massacraram o filme e eu realmente não achei tão ruim assim! O mistério e a tensão são bem conduzidos durante o filme, mas como você mesmo disse, com certeza não daria para assistir por mais tempo. Deixou muitos e graves furos, mas não deixa de ser um tanto surpreendente e de dar um pouco de credibilidade a M. Night. E como "Demônio" é a primeira parte de uma trilogia nomeada: "The Night Chronicles", o jeito é esperar pelo que vem por aí!

Mais uma bela crítica! Um grande abraço...

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