quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E SE FOSSE VERDADE

NOTA 9,0

Casal protagonista
segura filme repleto de
clichês, mas irresitível
do início ao fim
Não tem jeito. Quem gosta de comédia romântica não se cansa de ver mais do mesmo. É na repetição da receita que se esconde o segredo do sucesso. O público gosta do que é comum e ralha quando as coisas não saem da maneira que esperava. Existem até alguns profissionais que tentam fazer algo diferente, mas eles precisam prestar contas ao estúdio responsável pelo projeto, têm de apresentar números de bilheterias, de vendas de DVD, enfim, não podemos culpá-los pela falta de inovação. As leis de mercado regem tudo quanto é produto, inclusive os cinematográficos. Mas, convenhamos, a história tem que ser muito boa para compensar a frustração de um final em que o casal de pombinhos não fica junto. E Se Fosse Verdade até ensaia este viés arriscado, mas volta atrás. Ainda bem. Em alguns filmes do gênero o casal protagonista é tão chato e sem química que realmente torcemos para que cada um vá para um lado no fim das contas, mas no caso desta produção assinada por Mark Waters não tem como torcer contra, principalmente por causa da simpatia dos atores. O diretor já se valeu do seu elenco para conseguir dar um up em outros trabalhos repletos de clichês e cujos roteiros eram limitados. Em Sexta-feira Muito Louca e Meninas Malvadas ele aproveitou a fama repentina dá então estrelinha teen Lindsay Lohan, esta que em sã consciência deve se arrepender amargamente do que fez com sua vida caso reveja seu início de carreira promissor. Bom, voltando ao tema, o cineasta dispensou a ruivinha e escolheu uma loirinha para sua empreitada seguinte (estes seus três filmes foram lançados entre 2003 e 2005). A troca foi super positiva.

A história tem sutis modificações, mas a essência da receita do gênero está presente em cada cena. O filme começa nos apresentando o cotidiano frenético de Elizabeth (Reese Witherspoon), uma dedicada estagiária de um hospital que só pensa em trabalhar. No dia em que finalmente resolveu marcar um encontro com um rapaz, ela sofre um grave acidente. Semanas depois, ela está de volta a seu apartamento, mas se surpreende ao encontrar o arquiteto David (Mark Ruffalo) morando lá. Os dois se estranham e ambos reivindicam a posse do apartamento, mas o mais estranho é que a jovem aparece e desaparece em um piscar de olhos. Bem, previsível o que irá acontecer. Aos poucos as aparições da moça se tornam cada vez mais frequentes para desespero de David que está convencido de que ela é um fantasma, porém, ela está convicta que está bem viva. O curioso é que só o rapaz consegue enxergá-la, com exceção de um amigo seu esquisitão que parece pressenti-la por perto. Para resolver a situação, Elizabeth e David se unem para buscar respostas e irão se surpreender com o que descobrirão. Só uma coisa é certa: ambos estão envolvidos um com o outro e será difícil resistir ao amor. Pela última frase percebemos que Waters não quis desafiar o espectador e seus superiores. A premissa poderia sugerir uma bela comédia pastelão ou um drama leve, mas ele mantém o tempo todo seu pé no campo romântico. Todo o desenvolvimento do roteiro é correto contando com um bom enfoque melodramático, pitadas de humor, coadjuvantes afiados, trilha sonora deliciosa, um final que não decepciona o público-alvo e um casal de enamorados simpático e totalmente crível. Reese e Ruffalo, experientes em produções do tipo água com açúcar, formam uma agradável dupla em cena e fogem das armadilhas que poderiam transformar uma história de puro romance em uma de humor tolo. Ela muito faladeira, cheia de argumentos e parecendo estar ligada em voltagem máxima faz um contraponto interessante ao personagem do ator que se mostra tímido, calmo e despojado. Os opostos se atraem eis a prova.

Comédias românticas são lançadas às pencas todos os anos, mas a fórmula encontrada neste caso é difícil de ver em outros títulos. O roteiro é de uma grande delicadeza, não há espaços para situações e termos embaraçosos e ainda conta com um tema com pegada espiritual a seu favor, assunto que atrai atenção do público e está na moda mundialmente (se é que ele saiu de cena alguma vez). Curioso que inicialmente parece que o filme irá repetir aquele velho clichê do fantasma que vem para o mundo dos vivos para atrapalhar a vida de um pobre mortal, mas logo os dois percebem que existe alguma força maior que os une. Há quem diga que Ruffalo carrega o longa nas costas enquanto outros defendem a idéia que Reese é quem deve levar o crédito. O fato é que ambos têm importância fundamental e dividiram bem o espaço, mas é importante ressaltar que não é sempre que um homem consegue se destacar no gênero no papel de mocinho e também é raro apresentá-lo como uma pessoa sensível sem pender para um lado humorístico e consequentemente estereotipado. Todavia, não é um filme inovador, mas ainda assim não há muito que criticar. Chama a atenção o fato da história não explorar o passado dos protagonistas (ele perdeu a esposa e ela abriu mão de uma vida normal para se dedicar ao trabalho), mas é justificável pela condensação da história em cerca de uma hora e meia. Uma duração maior não seria favorável a obra. De qualquer maneira, em meio a tantas comédias com piadas de mau gosto e constrangedoras, este título se destaca pela qualidade e simplicidade. Não há como não dar uma nota alta a ele. Espantoso? Para os críticos talvez nem seja digno de pontuação por não agregar nada de diferente ao gênero, mas a proposta do longa é clara: entretenimento escapista e direcionado ao público feminino ou para aqueles que não querem esquentar a cabeça com nada. Visto desta maneira, pelo olhar do espectador comum, crucificar E Se Fosse Verdade é uma tremenda injustiça, um trabalho com potencial e prestígio suficientes para ser considerado um clássico romântico deste início de século, conseguindo ficar acima do patamar que classifica as produções como destinadas aos teens. O alcance de público aqui é infinitamente maior.

Romance - 94 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo.

2 comentários:

Apaixonados disse...

Adorei esse filme! É muito bom!
Thai

marcos disse...

será um remake de Ghost, kkkk, bom assista e tire suas próprias conclusões, tem roteiro leve e mesclado com comédia romântica, é válido para os apaixonados...

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