quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O AMOR ACONTECE


NOTA 6,0
 
Longa se apóia em enredo
puxado para o drama, mas
erroneamente considerado
uma comédia romântica
Existem várias maneiras de escolhermos o melhor filme para cada ocasião ou de acordo com nosso estado emocional. Pode ser pelo cartaz ou capa do DVD, elenco, gênero ou lendo a sinopse, mas como é possível se optar por um produto que a primeira vista parece ter todos os fatores possíveis para afastar o público? O Amor Acontece não é maravilhoso, nenhuma obra-prima, bem longe disso, porém, também não é o lixo que muitos propagam. O problema é que tudo parece remar a favor de seu fracasso, a começar pelo título muito comum e que remete a idéia de comédia romântica bobinha. Na realidade, o enredo pende muito mais para o lado do drama já que os protagonistas têm histórias de vida envolvendo bloqueios emocionais. O autor de livros de auto-ajuda Dr. Burke Ryan (Aaron Eckhart) trabalha com uma filosofia que direciona seus pacientes a confrontarem as dores e medos abertamente e sem receios. Essa seria a única forma de conseguirem superar traumas ou insatisfações que os impedem de serem felizes, mas o próprio incentivador não utiliza suas técnicas e guarda um segredo que o impede de seguir sua vida livremente. Já Eloise Chandler (Jennifer Aniston) jurou nunca mais se envolver emocionalmente com nenhum homem após sofrer uma desilusão amorosa e decidiu focar suas atenções no seu trabalho como florista. De repente os caminhos de ambos se cruzam e alguma coisa pode fazer com que eles pensem de forma diferente sobre o rumo que deram as suas vidas. O final já sabemos como será desde o primeiro minuto, mas o desenrolar de tudo tem sutis diferenças que fazem valer a pena conferir este romance que deixa um pouco de lado os clichês de humor para investir mais no drama.
 
O longa é dirigido pelo estreante Brandon Camp que entrega um trabalha rápido, leve, previsível e razoável, serve para passar o tempo, mas é curioso que ele não provoca risos e nem lágrimas. Apesar das boas intenções, acompanhamos a história de forma passiva, dificilmente ela empolga a ponto do espectador se envolver intensamente, apesar dos personagens serem totalmente críveis. Como de costume, as coisas só começam a engrenar quando surge o romance na história, ainda bem no começo do filme, mas não deixa de serem interessantes as cenas em que a superação é discutida até mesmo de forma visual, como na sequência em que algumas pessoas pisam em brasas como forma de vencerem seus medos e levarem o ensinamento para suas vidas. Realmente, a idéia de falar sobre como é possível seguir em frente com a vida depois de uma perda considerável é o que salva esta produção do esquecimento total, mas tal tema poderia ser mais bem explorado. Todavia, ficamos envolvidos com o drama vivido pelo escritor e palestrante porque o roteiro nos permite sentir sua dor e o intérprete, o sempre competente Aaron Eckhart, dá conta do recado com um semblante melancólico, ao contrário do que acontece com o papel da mocinha, desinteressante e com um viés dramático pobre. Talvez pudéssemos ver ela com outros olhos caso a atriz fosse diferente. Jennifer Aniston tem uma interpretação correta, mas é igual a tantas outras que já fez. Sempre com o mesmo visual e revivendo conflitos, aqui a única diferença é que ela não se entrega a cenas de humor grotesco e nem se mete em troca-troca de casais. A atriz tem que ficar esperta, pois corre o risco de não ter mais trabalho no futuro, pois o rostinho jovem e bonito não dura para sempre. Vale destacar também a participação de John Carroll Lynch que vive a única pessoa que se mostra resistente aos métodos de superação do Dr. Ryan. Um bom personagem que merecia um espaço maior.

Título que aponta para outro caminho, roteiro simplório, uma mocinha apagadinha, material publicitário pobre e elenco com interpretações convencionais. Realmente, O Amor Acontece tem muitos pontos questionáveis e que necessitavam de ajustes antes do lançamento, mas mesmo assim não é de todo ruim, apesar do final que já sabemos como é desde o início e que praticamente tem emoção nula. Todos os anos dezenas de produções que nem deveriam sair do papel são lançadas e não é justo despejar a revolta em um único que na verdade cumpre seu papel, ainda que timidamente. Com premissa interessante, este trabalho poderia ser bem diferente caso fosse tocado por um cineasta mais experiente, seu roteiro fosse mais bem elaborado assim como o título e, principalmente, se a atriz principal fosse outra, como já dito. Jennifer faz muitos filmes parecidos em curtos espaços de tempo, não descansa a imagem ou tampouco opta por experimentar outros gêneros. Talvez sua presença e o título sejam os principais fatores para esta obra aparentar ser mais do mesmo e afugentar o público. Ainda assim, mensagens positivas e esperançosas são sempre bem-vindas e existe o nicho de público que procura sempre renovar esses ensinamentos e busca o óbvio, aquilo que os críticos adoram destroçar. É muito mais fácil seguir o caminho comum de espinafrar o que é clichê do que tentar procurar pontos positivos ou assumir que gostou de algo pobre cinematograficamente falando. Aos amantes de drama, romance ou que buscam passar um tempinho relaxando, boa pedida.

Romance - 109 min - 2009 - Dê sua opinião abaixo.

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